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#898 - XVII Prémio de Poesia Espiral Maior

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

A escritora Rosa Alice Branco venceu o XVII Prémio de Poesia Espiral maior, com a obra "O Gado do Senhor", tendo a escolha merecido a reuniu a unanimidade do júri, disse hoje à Lusa, no Porto, fonte da organização do evento.

O Prémio de Poesia Espiral Maior, no valor de 15 mil euros, pretende promover esta forma de expressão na área de influência das línguas galega e portuguesa.

Ao todo estavam a concurso 198 obras, precedentes de Portugal, Galiza, Angola e Brasil tornando esta numa das mais importantes edições deste prémio, apoiado pelo Âmbito Cultural do El Corte Inglés.

O júri foi formado pelos poetas Xosé Maria Alvarez Cáccamo, Xavier Rodriguez Baixeras e Miguel Anxo Fernan Vello, tendo como secretária com voz e sem voto Amparo Manteiga Vázquez.

Nas palavras do colectivo de jurados, a obra premiada "contém uma proposta poética que leva a cabo um discurso crítico e uma interpretação irónica sobre a Bíblia, centrada na consideração da injustiça que representa a morte consentida pela Providência".

"A obra vencedora denota igualmente um grande domínio técnico, tanto na composição do poema como no ritmo sintáctico e une uma grande intensidade dramática em equilíbrio com um olhar sereno sobre a realidade imediata", refere a decisão do júri.

Rosa Alice Branco, nascida em Aveiro, em 1950, tem publicada mais de uma dezena de livros de poesia, à qual se junta uma importante obra ensaística.

Doutorada em Filosofia Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa é actualmente professora de Teoria da Percepção na Escola Superior de Arte e Design, em Matosinhos.

A sua obra está traduzida e publicada em idiomas, nomeadamente alemão, árabe, castelhano, francês e inglês.

 

In "Diário de Notícias"

 

Arte Poética


Gostaria de começar com uma pergunta

ou então com o simples facto

das rosas que daqui se vêem

entrarem no poema.

O que é então o poema?

um tecido de orifícios por onde entra o corpo

sentado à mesa e o modo

como as rosas me espreitam da janela?

Lá fora um jardineiro trabalha,

uma criança corre, uma gota de orvalho

acaba de evaporar-se e a humidade do ar

não entra no poema.

Amanhã estará murcha aquela rosa:

poderá escolher o epitáfio, a mão que a sepulte

e depois entrar num canteiro do poema,

enquanto um botão abre em verso livre

lá fora onde pulsa o rumor do dia.

O que são as rosas dentro e fora

do poema? Onde estou eu no verso em que

a criança se atirou ao chão cansada de correr?

E são horas do almoço do jardineiro!

Como se fosse indiferente a gota de orvalho

ter ou não entrado no poema!


Rosa Alice Branco

Soletrar o Dia. Obra Poética

Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2002

 

 

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publicado às 09:55


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