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#2557 - SOLIDÃO

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.08.17

 ALEXANDRA DE PINHO (CONTRA-CORPO)

 

SOLIDÃO

 

No meio da multidão  somos apenas mais um.

Anónimos.

Quase todos se devem sentir assim.

Anónimos,

sem rosto,

iguais a tantos outros,

indistintos,

como se nós fossemos todos e não nós.

Mas subitamente

sentimos que estamos sós

às escuras,

encerrados dentro de um círculo de sombras

em confronto directo connosco

e com os nossos desejos

impulsos

fantasmas

fantasias

frustraçoes.

E vemos

gente que se atropela, que se toca, que se roça.

E vemos

gente perplexa suspensa nos gestos de outrem,

as bocas que se abrem e tomam  a forma do espanto.

E os olhos que não pestanejam

hipnotizados  pelas luzes vermelhas

das palavras  penduradas nas portas

que são um sinal,

um código

que anunciam para iminências urgentes

de corpos ardentes

que buscam o ventre da noite para se tocarem

nos sítios do desejo, e do desespero.

E das janelas dos quartos escorre uma luz coada

que ilumina as silhuetas difusas de corpos nus

que se abraçam

antes que a melancolia da noite chegue

e o prazer dê lugar ao cansaço

ou à desilusão.

E continamos sós.

Apenas nós e a solidão.

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publicado às 19:46


#2556 - Diálogos ao anoitecer

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.08.17

Conheço as pessoas pelo seu nome; digo bom dia, boa tarde, boa noite quando me cruzo com elas.

Algumas não me respondem como se as palavras não tivessem eco, ou então estão ensimesmadas com as suas vidas, ou porque o corpo caminha distraído, ou então não estão habituadas.

 

Os diálogos costumam ser breves:

Tudo bem?

A esposa... e as filhas como vão?

E a netinha quantos anos tem? Jã deve estar crescidinha.... os miúdos de hoje parece comerem fermento!...

É...

Cumprimentos a todos

Obrigado. Serão entregues.

Boa noite até um dia...

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publicado às 20:09


#2555 - NOCTURNO DOS ANJOS

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.08.17

 XAVIER VILLAURRUTIA (1903-1950)

 

NOCTURNO DOS ANJOS

 

Dir-se-ia que as ruas fluem serenas na noite.

As luzes não são nítidas que ajudem a revelar o segredo,

o segredo dos homens que passeiam, conhecem,

porque estão todos imersos no segredo

não ganhariam nada em fragmentá-lo

sim, é bom guardá-lo

e dividi-lo só com a pessoa eleita.

 

Se cada um falasse uma vez só,

e com uma só palavra, aquilo que pensa,

as letras do desejo moldariam uma grande cicatriz cintilante,

uma constelação antiga, mais viva ainda que as outras.

Seria uma constelação ardente como o sexo

no corpo profundo da noite,

ou como os gémeos que pela primeira vez na vida

se olham de frente, e se abraçam para sempre.

 

A rua enche-se como um rio de seres ávidos,

caminham, aguardam, prosseguem.

Trocam olhares, ensaiam sorrisos,

formam pares imprevisíveis...

 

Há esquinas e bancos sombrios,

auras indistintas, formas profundas,

e súbitos vãos com uma luz que cega

e portas que cedem à mais leve pressão.

 

A rua fica deserta num instante.

Parece afugentar de si mesmo

o desejo de começar de novo.

Está paralisado, mudo, ofegante

como o coração entre dois espamos.

 

Mas uma nova pulsação

lança ao  rio da rua outros seres sedentos.

Cruzam-se, e sobem,

voam ao rés do chão,

nada de forma milagrosa

e ninguém se atreveria a dizer que não caminham.

 

São anjos,

desceram à terra

através de degraus invisíveis.

Vieram do mar, espelho do céu,

em barcos de fumo e sombra,

a fundir-se e confundir-se com os mortais,

a inclinar os seus rostos entre as coxas das mulheres,

a deixar que outras mãos apalpem febrilmente os seus corpos,

e que outros corpos procurem os seus até encontrá-los

como os lábios que se fecham,

a fatigar a boca  tanto tempo estagnada,

a libertar as suas línguas de fogo,

a dizer juramentos, canções, e palavras porcas

com que os homens concentram o antigo mistério

da carne, do sangue, e do desejo.

 

Têm nomes fictícios, sinceramente divinos.

Chamam-se Dick ou John, Marvin ou Louis.

Em nada, senão na beleza, se distinguem dos mortais.

Passeiam, aguardam, e seguem.

Trocam olhares, ensaiam sorrisos,

formam pares imprevisíveis.

 

Sorriem astuciosos ao entrar nos elevadores dos hotéis

donde ainda praticam um voo lento e vertical.

Em seus corpos nus há vestígios celestiais,

signos, estrelas, e letras azuis.

Deixam-se cair nas camas,e afundam-se nas almofadas

que os fazem pensar um momento nas nuvens.

Mas logo fecham os olhos para se entregar aos gozos da sua misteriosa encarnação,

e quando dormem não sonham com os anjos, mas com os mortais.

 

Poema do poeta mexicano Xavier Villaurrutia

 

 

 

 

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publicado às 18:28


#2554 - MULHERES DE PASSAGEM

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.17

 KÓSTAS OURÁNIS (1890-1953)

 

MULHERES DE PASSAGEM

 

Mulheres a quem vi por um instante

dentro de trens à hora em que partiam

para outro lugar, mulheres que riam

nos braços de um outro homem, exultantes;

mulheres em balcões, a olhar diante

de si, tão distraídas, o vazio,,

ou a agitar do convés de um navio

que zarpava seus lenços vacilantes:

se soubésseis com quanta nostalgia

eu vos trago de novo ao pensamento

pelas tardes de chuva, tardes frias,

mulheres que passastes um momento

em minha vida - e agora conduzis

minha alma a um exótico país!

 

POEMA DE KÓSTAS OURÁNIS, POETA GREGO

_____________________________________________________________________

 Ouranis (1850 - 1953) was born in Constantinople, the son of Nikolaos Niarchos and Algeliky Giannusi.He received his Elementary and High School educations in Leonidio and Nafplion, Greece and Constantinople, Turkey, respectively; and his college education in Paris, France. In 1920, he was appointed Greek Consul General of Lisbon, Portugal; and in 1924 he settled in Athens, where he subsequently held a number of prominent journalistic and managerial positions in a number of newspapers and magazines there. He died in the Athens area on 12 June 1953

His poetic works published prior to his death include: "Like Dreams" (1909), "Spleen" (1912), and "Nostalgias" (1920). He is known as the last Greek romanticist of the modern times.

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publicado às 16:09

 

DISCURSO DO GRANDE PÁSSARO

 

Ai de mim! As flores, ainda que tenham resisitido no ano anterior, são levadas pelo gelo no ano seguinte;

Assim é levado este tempo impermanente e ilusório;

O arco-íris, por mais soberbas que sejam as suas cores, desaparece no espaço;

Assim desaparecem os trajos de gala, por mais faustosos que sejam.

A palavra, embora o seu eco seja claro, não tem poder para durar;

Assim como não duram os poderes mundanos, por mais amplos que sejam.

Os visitantes da feira, embora tenham estado reunidos, estão agora dispersos.

Assim se dispersa o círculo de família, por mais unido que tenha sido.

Embora acumulado pelas abelhas, o mel não serve a ninguém.

O mesmo se passa com os bens, as riquezas, e as fortunas.

As acções do mundo são como brincadeiras de crianças.

Ainda que o corpo e as palavras sejam reduzidos a nada, as causas não são eliminadas.

Renunciai pois a este mundo ilusório e falso.

Segui a boa e santa doutrina, ó passaros reunidos.

O corpo no fim recusa alimentar-se:

Bom é se o nosso ser se realizou.

Os bens acumulados gastam-se até ao derradeiro:

Bom é se antes se deram esmolas.

Um homem perdeu todos os que ama até ao derradeiro:

Bom é se a partir de agora, rompeu todos os seus laços.

Um palácio desmorona-se até ao derradeiro muro:

Bom é se se fica solitário sem certeza.

O recurso aos poderosos é o começo da prova:

Bom é se nos apoiamos num Reverendo Lama.

O mundo perecível destrói-se até à sua derradeira realização:

Bom é se nos afastamos do desejo.

Abraçar a Boa Lei é um mérito duradoiro para o presente e o futuro.

E bom é se a ensinamos desde agora.

As (Três) Jóias são um refúgio duradoiro para o presente e o futuro:

Bom é se lhes rezámos neste mundo.

Enquanto os seres, torturados pelo amor, matam com prazer a sede na água da miragem.

É bom abstrairmo-nos na meditação.

Por isso, renunciai ao mundo e cumpri a Boa Lei!

 

Poema tibetano do século XVIII traduzido por Maria Jorge Vilar de Figueiredo

 

 

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publicado às 23:36


#2552 - Kevin Morby - Come To Me Now (Official Lyric Video)

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.08.17

 

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publicado às 22:26


#2551 - Para onde caminhamos?

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.08.17

A terra treme sob o peso de botas militares que avançam em passo firme, agressivo, intimidador.

O Poder do medo imposto por cínicos grotescos,  avança firme e resoluto na Europa, América, Ásia, África. Qualquer pretexto serve - ou fabrica-se um qualquer para o impôr. Usa-se, sem vergonha, a mentira tantas vezes repetida e amplificada por rádios, jornais, televisões e outros canais ao serviço do regime. Estamos a ficar encurralados - muitas vezes por culpa própria ao avalizarmos as políticas e comportamentos com o nosso voto, a nossa cumplicidade, o nosso silêncio.

Vivemos momentos nada recomendáveis.  E o mundo, que por causa das suas idiossincrasias é naturalmente perigoso, está a tornar-se paulatinamente num espaço onde os garnisés desta vida estão dispostos a tudo para obterem  o título máximo de galo. A disputa é violenta, vai ser ainda mais violenta.

Esta é a minha convicção. A convicção de um optimista pessimista.

 

Agora a ficção:

Na cumplicidade da noite vingamos as nossas fraquezas e cobardias e usamos as latrinas para pendurar os retratos dos tiranos, usamos os jornais com as sua fotografias para limpar a merda com a qual os afogamos. É a nossa secreta e pegajosa vingança, às escuras para não sermos apanhados, até ao dia em que temos de mostrar que ainda temos "tomates" para lhes enfiar pela goela abaixo as pragas que contra eles proferimos nas deseperadas noites de insónia e vigília, ou então seremos eliminados.

 

 

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publicado às 21:43


#2550 - VEM TROVÃO

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.08.17

CHRISTOPHER OKIGBO (1932-1967)

 

VEM  TROVÃO

 

Agora que a marcha triunfante entrou nas últimas esquinas da rua,

Recordai, ó dançarinos, o trovão entre as nuvens...

 

Agora que a gargalhada, partida em duas, trémula, está suspensa nos dentes,

Recordai, ó dançarinos, o relâmpago além da terra...

 

O cheiro do sangue já flutua na neblina que, na tarde, cheira a lavanda.

A sentença de morte está emboscada nos corredores do poder;

E uma enorme coisa pavorosa é já arrastada pelos cabos do ar livre,

Uma névoa imensa e incomensurável, uma noite de águas profundas -

Um sonho de ferro que não pode ser nomeado nem impresso, uma vereda de pedra.

 

As cabeças sonolentas das vagens em quintas maninhas testemunham-no,

As casa abandonadas no matagal durante o fogo deste século testemunham-no:

Os múltiplos olhos de maçarocas de milho abandonadas em celeiros ardidos testemunham-no:

Pássaros mágicos com o milagre do relâmpago nas suas penas...

 

As setas de Deus tremem nos portões da Luz,

Os tambores do recolher prestam-se a uma doença de morte;

E a coisa secreta no seu impulso

Ameaça com máscara de ferro

A última torcha alumiada do século...

 

POEMA DO POETA NIGERIANO CHRISTOPHER OKIGBO, TRADUZIDO POR JOSÉ ALBERTO OLIVEIRA

 

_________________________________________________________________________________________________

Christopher Okigbo nasceu na pequena vila de Ojoto, nos arredores de Onitsha no sudeste da Nigéria, em 1932. Seu pai era professor de uma escola católica, no auge do domínio britânico da região. O jovem poeta cresceria sob a influência de seu pai, católico fervoroso, e a de seu avô, um sacerdote da deusa das águas Idoto, personificada no rio de mesmo nome que corre na região de sua infância. Idoto seria a deusa invocada naquele que é o mais famoso poema de Christopher Okigbo, "The passage", aqui traduzido como "A passagem", mas também conhecido como "Heavensgate". Este sincretismo religioso pode ser sentido com força em seu poema, que inicia com a invocação a Idoto, para logo em seguido invocar Ana, que em comentários críticos sobre o poema tem sido identificada como a santa do catolicismo. Christopher Okigbo viria a se formar na mesma universidade em que estudaram o conhecido romancista nigeriano Chinua Achebe (n. 1930) e o poeta Wole Soyinka (n. 1934), ganhador do Prêmio Nobel de 1986, de quem Okigbo foi amigo.

 

Começou a publicar poemas na revista Black Orpheus, dedicada ao trabalho de poetas africanos e afro-americanos. Seus poemas seriam reunidos postumamente no volume Labyrinths (1971). Christopher Okigbo morreu em 1967, com apenas 35 anos, lutando na guerra pela independência da República de Biafra (1967 - 1970), região separatista que permaneceria parte do território nigeriano.
 
A poesia de Okigbo é hoje considerada uma das mais importantes obras da poesia africana pós-colonial. Ainda que críticos nacionalistas o tenham criticado por adotar a língua inglesa, o poeta parece apropriar-se da língua do colonizador para implantar uma consciência mítica que só pode ser totalmente compreendida através da poética mística e vocal dos poetas africanos. Para nossa sensibilidade cristã, algo da poesia de Okigbo pode parecer alinhar-se a poetas como o W.B. Yeats do volume The Tower (1932) ou o T.S. Eliot de Choruses from "The Rock"(1934), mas a mim me parece que um dos poetas de língua inglesa com quem poderíamos traçar paralelos interessantes, passando pela poética de Christopher Okigbo, é o norte-americano Robert Duncan (1919 - 1988), de livros como The Opening of the Field (1960) e Bending the Bow (1964).
 
Christopher Okigbo nasceu em 1932, o que o faz contemporâneo de brasileiros como Ferreira Gullar (n. 1930) e Augusto de Campos (n. 1931). Sua poética, porém, visionária e mística, talvez o ligue mais a um brasileiro como Roberto Piva (n. 1937). A experiência da leitura de seus poemas, contudo, parece-me de uma beleza bastante singular.



--- Ricardo Domeneck

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publicado às 21:32


#2549 - PRÉMIO DE POESIA ANTÓNIO RAMOS ROSA

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.08.17

 ANTÓNIO RAMOS ROSA

 

JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

João Luís Barreto Guimarães, poeta portuense, venceu a 6.ª Edição do Prémio de Poesia António Ramos Rosa com o seu livro "Mediterrâneo" publicado em Março de 2016 pela Editora Quetzal.

Este Prémio foi criado em 1999 pela Câmara Municipal de Faro e a cerimónia de entrega realizar-se-á no dia 9 de Setembro.

 ________________________________________________________

Biografia:

Nasceu no Porto, a 3 de Junho de 1967.

Vive em Leça da Palmeira.

É licenciado em Medicina e Cirurgia pela Universidade do Porto, especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.

Divide o seu tempo entre Leça da Palmeira e Venade.

Publicou o primeiro livro de poemas Há Violinos na Tribo, em 1989, a que se seguiram Rua Trinta e Um de Fevereiro(1991), Este Lado para Cima (1994), Lugares Comuns (2000), 3 (poesia 1987-1994), em 2001, Rés-do-Chão (2003), Luz Última (2006), A Parte pelo Todo (2009), Poesia Reunida (2011), Você Está Aqui (2013) e Mediterrâneo (2016).

Organizou a antologia de poesia mundial sobre gatos Assinar a Pele (2000).

A sua obra está editada em antologias e revistas literárias de uma dezena de países.

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publicado às 16:48


#2548 - "VIAGEM MEDIEVAL" - SANTA MARIA DA FEIRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.08.17

 «Gosto muito» da «Viagem Medieval» que se realiza todos os anos em Santa Maria da Feira.

Aprecio, de maneira particular, o «perfume» que envolve o corpo do seu velho burgo.

 

Mas há um dia muito especial do qual gosto ainda mais: o dia a seguir ao seu encerramento...

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publicado às 16:53


#2547 - MANIA DE VOCÊ

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.08.17

 

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publicado às 23:35


#2546 - DOS LABIRINTOS DA MEMÓRIA

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.08.17

 

Há palavras que se inclinam obedecendo à vontade do corpo

e letras que subitamente se empertigam reagindo contra a vontade do corpo.

E a escrita soluça

fica suspensa

em alerta

a língua se dobra num último esforço para

expulsar a palavra que por baixo dela se esconde.

 

É a memória que se apaga

fica vazia 

numa luz negra qual

nuvem de algodão que a afoga

e as gavetas estão fechadas

onde estão escondidas

as urgentes palavras.

 

 

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publicado às 22:30


#2545 - ALGUNS POEMAS DE PAUL CELAN

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.08.17

arte poetica paull celan004.jpg

 Era Primavera, e as árvores voaram para os seus pássaros.

 

__________________________

 

Quatro estações do ano e nenhuma quinta para se decidir por uma delas.

 

__________________________

 

Era tão grande o seu amor por ela que teria conseguido levantar a tampa do caixão - se a flor que ela aí colocou não fosse tão pesada.

 

POEMAS DE PAUL CELAN DO LIVRO ARTE POÉTICA - O MERIDIANO E OUTROS TEXTOS, PAGS. 23 E 24, EDIÇÕES COTOVIA, 1996.

ESTES POEMAS FORAM PUBLICADOS NO JORNAL DIE TAT, DE ZURIQUE, EM 12 DE MARÇO DE 1949.

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publicado às 15:43


#2544 - Ryuichi Sakamoto - "Life, Life"

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.08.17

 

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publicado às 15:39


#2543 - CASARIO E FIGURAS DE UM SONHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.08.17

Casario e Figuras de um Sonho - Dominguez Alvarez

 

Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda.

Uma tristeza cheia de pavor esfria-me.

Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias

e dos movimentos.

 

Fernando Pessoa in «Poemas Ocultistas»

(Selecção e Glosa de Petrus - O. C., 2.º v., p.262),

C.E.P., s/d (p.43)

Retirado do Catálogo "Azares da Expressão ou a Teatralidade na Pintura Portuguesa - Algumas obras do CAM

 

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publicado às 21:38

A próxima estação é a estação das eleições autárquicas. O ambiente já começa a ficar poluído com o ruído   das mensagens dos candidatos anunciando vulgaridades e disparates.

 

vote em mim e as suas rugas desaparecerão...

tem problenas de celulite? então  eu sou o candidato perfeito

E prisão de ventre?

E problemas de impotência? Comigo vai ser feliz sexualmente

Caspa? 

Olheiras?

Pêlos nos ouvidos e no nariz?

Tem dificuldade de relacionamento?

Mau hálito?

A sua sanita está entupida?

Há quanto tempo não come um robalo?

 

Vou propor que os meus gatos sejam  candidatos, pelo menos são sedutores e não miam promessas, vulgaridades e disparates.

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publicado às 12:42


#2541 - QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.08.17

O silêncio é, muitas vezes, mais subversivo e revolucionário do que a tagarelice de um discurso.

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publicado às 11:07


#2540 - Georges Delerue - Chère Louise

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.08.17

 

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publicado às 22:49


#2539 - Daigo Hanada - solitude

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.08.17

 

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publicado às 22:10


#2538 - A história repete-se com uma surpreendente regularidade

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.08.17

Um velho jornal enxotado pelo vento cai-me no regaço.

As letras húmidas, quase transparentes dão corpo a efemérides, notícias e artigos de opinião.

A impressão tem uma data - Janeiro de 1900 - início do século XX.

O editorial escrito pelo seu director cujo nome é ilegível anuncia

em letra robusta

o  acontecimento

e prevê com enorme entusiasmo

tempos de prosperidade, paz, grandes avanços na ciência e na economia...

Só não foi capaz de perceber

as fragilidades dos sistemas político, económico e social

 e a decadência de vários estados,

alguns deles imperiais,

que iriam tornar o século xx

catastrófico, sangrento, violento, brutal, mortal.

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publicado às 15:46


#2537 - REVISTA LER (EDIÇÃO VERÃO 2017 | N.º 146)

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.08.17

revista ler verão 2017002.jpg

 Capa da revista LER, edição Verão 2017, n.º 146

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publicado às 09:56


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