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#2338 - Questões de Semântica

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.04.17

A caravana pára quando o cão ladra, a raposa passeia por vinha vindimada e o gato mia  anunciando o mês de Fevereiro.

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publicado às 18:18


#2337 - Questões de Semântica

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.04.17

Chuva - águas que rebentam de nuvens grávidas.

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publicado às 18:16


#2336 - Questões de Semântica

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.04.17

Estavas na linha do vento, por isso soube que eras tu.

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publicado às 14:55

 

 

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publicado às 21:55


#2334 - Edward Elgar - Nimrod

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.04.17

 

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publicado às 21:39


#2333 - Tom Waits - Time

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.04.17

 

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publicado às 21:26

 

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publicado às 22:39


#2331 - Nina Simone - Who Knows Where The Time Goes

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.04.17

 

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publicado às 22:34


#2330 - Rodrigo Guedes de Carvalho com um novo romance

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.04.17

"O Pianista de Hotel" é publicado no próximo dia 16 de maio

 

O novo romance de Rodrigo Guedes de Carvalho, "O Pianista de Hotel", é publicado no próximo dia 16 de maio, anunciou hoje a editora.

O novo romance surge dez anos depois de "Canário", o anterior romance do jornalista, também publicado pelas Publicações Dom Quixote, em 2007.

"Este seu novo trabalho, como o próprio título o indica, transporta-nos numa melodia e abre-nos a porta para um mundo redigido pela linguagem da música, pela sua força e beleza, presentes que estão no ritmo de cada frase e de cada parágrafo, rigorosamente medido", afirma a editora do Grupo LeYa, em comunicado enviado à agência Lusa.

"Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações. E há, em cada uma delas, um pouco de nós. Tal como há um pouco de nós, também, neste mergulho ao mais fundo da alma humana.", acrescenta a editora

"É um romance que se lê e que se ouve e que mantém, por isso, todos os sentidos alerta. Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico 'thriller' psicológico. E depois, bom, e depois há o pianista...", remata a mesma fonte.

Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu há 53 anos no Porto, tendo-se estreado na ficção em 1992 com "Daqui a Nada", com o qual venceu o Prémio Jovens Talentos da ONU, e ao qual se seguiram "A Casa Quieta" (2005), "Mulher em Branco" (2006) e "Canário" (2007).

O jornalista é também autor dos argumentos cinematográficos de "Coisa Ruim" (2006), realizado por Tiago Guedes e Frederico Serra, de "Entre os Dedos" (2009), dos mesmos realizadores, e assinou a peça de teatro "Os Pés no Arame", estreada em 2002, que voltou à cena, com nova encenação, no ano passado.

 

FONTE: DIÁRIO DE NOTÍCIAS ONLINE

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publicado às 20:19


#2329 - Edição zero do Festival Latitudes em Óbidos

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.04.17

A Edição zero do Festival Latitudes - Literatura e Viajantes tem início marcado para hoje na Vila de Óbidos e prolonga-se até dia 1 de Maio.

 

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publicado às 20:10


#2328 - Chomsky e os cinco filtros da mídia

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.04.17

 

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publicado às 18:26


#2327 - Olan Mill - Bleu Polar

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.04.17

 

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publicado às 23:07


#2326 - This Mortal Coil - another day

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.04.17

 

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publicado às 22:54


#2325 - Roy Harper • Another Day (1970) UK

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.04.17

 

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publicado às 22:52


#2324 - Sean Rowe - "To Leave Something Behind"

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.04.17

 

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publicado às 22:49


#2323 - Cigarettes After Sex - Starry Eyes

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.04.17

 

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publicado às 22:39


#2322 - BLOCO INTACTO

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.04.17

 ANTÓNIO RAMOS ROSA

 

BLOCO INTACTO

 

Abrindo a álea

vertical sobre o vértice do instante

sem frenesim mas denso de

todo o sangue que me enche no silêncio desta álea

caminho para ti

lenta lentamente a densa bola sobre o jacto de água dança

e eu sou o jorro de água eu sou a bola em equilíbrio

a permanente coroa branca efervescente branca

na tranquila anónima macia dourada suburbana álea

a seda deste instante não se rasga

é um grande bloco intacto que se desloca

para a minha eternidade

a iminência de ti é a boca já feliz a árvore que estala em cada poro a seiva

a parede de água que contenho a porta doce e clandestina

a porta que desliza

e é então que

no espaço da vertigem

em ti me uno à sede e das raízes subo

e pelas raízes sou

 

Poema de António Ramos Rosa do livro "Antologia Poética", com selecção, prefácio e bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes, edição Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2001

 

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publicado às 18:10


#2321- Os dias singelos de um pequeno povoado

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.04.17

O povoado, com  meia dúzia de viventes, tem uma ponte com três metros de comprimento e um passo e meio de largura.

Às vezes divide e outras vezes aproxima quem vive em qualquer dos lados, dependendo dos humores do rio que, apesar de ser miúdo, fica raivoso como homem pequeno em valentia; ou da vontade dos habitantes dos dois lados em comprar conversa fiada que fatalmente acaba em amuos.

 

A ponte é o símbolo tipografado do calendário que a Junta publica como publicidade aos encantos do povoado e obriga, por Edital afixado no adro da Igreja, (para dar mais respeito ao assunto) - senão o Edital seria afixado no lugar do costume, ou seja, na taberna contígua à Igreja - que os comerciantes com porta aberta exibam o calendário em lugar de destaque e que sejam retirados «os outros» calendários. Sem ter o direito à contestação assim foi feito como rezava o Edital.

 

O Soares Padeiro, contrariado, troca a mulher nua e de seios volumosos pela ponte do calendário;

A Josefina, a desvairada dona da mercearia, esconde, enervada, o homem nu e erecto da fotografia e pendura, no seu lugar, a ponte do calendário;

O José da Largatixa, sapateiro, calmamente muda o calendário e vai aproveitar o picotado das folhas mensais do novo calendário para asseio das suas necessidades.

 

E foi assim o dia «animado» de um pequeno povoado graças a um calendário.

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publicado às 20:32


#2320 - Questões de Semântica

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.04.17

Sabemos que os dias estão intranquilos porque as andorinhas deixaram de voar.

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publicado às 15:25


#2319 - OCASOS

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.04.17

O tempo

inclinando-se cada vez mais

até ficar paralelo com o corpo;

Quatro linhas:

Duas verticais

Duas horizontais

As linhas suficientes para

encaixar o tempo futuro que nos resta.

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publicado às 15:05


#2318 - Para a minha neta Francisca

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.04.17

 

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publicado às 21:59


#2317 - Apetece-me recordar

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.04.17

 

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publicado às 21:54


#2316 - Apetece-me ouvir!

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.04.17

 

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publicado às 21:50


#2315 - AS MULHERES NAS LUTAS DE PEITO ABERTO

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.04.17

Os guerreiros

descansam o corpo

deitados sobre pedras

 

O rigor da pedra permite uma

vigília atenta ao mesmo tempo

que dão tréguas ao corpo.

 

As espadas ensaguentadas cicatrizam

dos golpes dados

esperando que as mãos dos guerreiros

as empunhe com firmeza e dignidade

 

A cidade está sitiada

Incêndios iluminam a vigília aos mortos

 

As mulheres arregaçam a alma e

os filhos de colo

cuidam das feridas, tarefas violentas

animam os vivos

acenam com amor ao último suspiro

abrem o peito

acariciam com um beijo a boca do guerreiro

para repôr

um pouco de humanidade na

brutalidade do momento.

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publicado às 17:56


#2314 - NAS MARGENS DO SONHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.04.17

As madrugadas inquietas de um

sono que teima em adormecer.

Suores mancham o leito

A respiração é aflitiva

Do peito  rompem as asperezas

de um corpo,

inclinado sobre as sombras de um sonho,

remando num rio agitado.

Lágrimas,

do esforço,

engrossam o caudal do rio.

Nas margens 

gemidos ecoam:

São de um homem louco

procurando abrigo

debaixo do céu

grávido de 

melancolia e

bondade.

 

 

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publicado às 14:31


#2313 - MEMÓRIAS DA CASA DA CHINA

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.04.17

 

MEMÓRIAS DA CASA DA CHINA

 

Wei Mu e Wang Wei

apropriaram-se de nuvens

brancas e de coração pleno

foram juntar-se aos sete Sábios

do bosque sagrado de bambus

ao cruzarem-se com Ruan Ji

receberam como prova

da sua bondade

o negrume austero

dos olhos do poeta,

e assim, de coração lavado,

foram como eremitas purificar

os campos de levante

e abençoar os frutos

temporãos da primavera;

 

com um coração assim

até se pode viver

no meio dos homens.

 

POEMA DE MANUEL AFONSO COSTA INCLUÍDO NO LIVRO "MEMÓRIAS DA CASA DA CHINA E DE OUTRAS VISITAS" - EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM DE FEVEREIRO DE 2017

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publicado às 13:20


#2312 - TAU - Um poema de Ruy Cinatti

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.04.17

 RUY CINATTI (1915-1986)

 

TAU

 

O  tempo passa tão devagarinho

quando Tu passas, meu Deus,

e quando a velocidade é repentina

eu fico alucinado, perdido de todo,

ruído de barracas de feira, de comícios de partido,

de qualqer coisa, enfim, o hino nacional,

um cântico religioso, um blue,

Harry Belafonte, Ella Fitzgerald, outros e outras,

bêbedos, drogados, sim ou não, inoculados, imunizados quando te honram nos seus spirituals,

tanto se me importa...

Eu quero é ouvir invocar o Teu nome, ó Senhor meu, em nome colectivo e também só meu

e adormeço sossegado, humilde e consciente

de que Te amo muito mais do que a mim

aos Outros que desconheço e de quem gosto muito, ó indivíduo Emmanuel.

O Poder e a Glória, esses Teus atributos,

e eu, Ruy Cinatti, agradecido cão,

que olha líquido prò olhar do Dono, ò Coisa inefável!...

um trilo pastoril de flauta na Serra da Estrela, Marão ou no Soajo - transumância, eu quero mudar de vida!-

ou em Timor-Ocússi... Atóni, Atóni... chamam por ti, homem, tantos homens te procuram

ó desgraçado Mau Bére... ó Timor meu Amigo.

Ó Pastor, procura-a, não deixes que se perca a Tua ranhosa ovelhinha...

A palavra cala-se, a boca fede, o silêncio é de oiro

O silêncio é de oiro, a palavra cala-se, a boca sorri

 

e depois, ó maravilha de delicadeza, Tu salvas a nossa Vida!

 

Poema de Ruy Cinatti in "Obra Poética" - Volume I, edição Assírio & Alvim de Outubro de 2016

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publicado às 20:23


#2311 - OS MUROS DA DESONRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.17

 OS MUROS DA DESONRA

 

Perdemos a memória.

Não queremos ler a História para

lembrar os Muros da Vergonha.

Muros que nos envergonham e

encarceram entre subtilezas de linguagem.

 

Muros que separam bocados da humanidade,

pais de filhos, animais.

Geografias, afectos e emoções

searas, florestas, árvores de todos os tamanhos e idades

e sobretudo as paixões.

 

Muros que matam a liberdade

corrompem o nosso pensamento

domam a nossa vontade

vertem ódio nos nossos corações.

 

Os muros são as antigas paredes de fuzilamento

de onde sangram os gritos de homens e mulheres

que tiveram a coragem de lutar pela liberdade de

sonharem  serem pássaros e poderem voar.

 

Os muros que hoje construímos

acabarão por ser a nossa prisão.

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publicado às 23:55


#2310 - A LOVE POEM BY CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.17

 

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publicado às 23:25


#2309 - Charles Bukowski

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.17

 

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publicado às 23:18


#2308 - TÉTÉ ALHINHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.17

 

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publicado às 18:24


#2307 - Uma Viagem à Índia (Excerto)

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.17

 

«55

 

E a cidade ganhou dependências: abastece-se

de homens e mulheres vindos de países trágicos

e passa por caridosa momentos antes de

os expulsar. A Europa começa a ficar inclinada,

é necessário vigiar. De noite, é um facto, os pobres correm

muito para debaixo dos tapetes. Na Idade Média

havia epidemias de ratos, mas  o caso foi resolvido

a tempo. Nascemos no século em que, de longe, a lista

de medicamentos é mais longa. Festejemos, pois,

com a bebida certa.

 

56

 

O dinheiro tornou-se moralmente inatacável. Para os pobres

as leis parecem ser pormenorizadas, para os ricos

abordam generalidades: abaixo de um massacre

não devemos incomodar os tribunais

- estaríamos a insultar o bom nome dos sujeitos.

E somos tão felizes! As mulheres mais aperfeiçoadas

dançam à moeda como as velhas máquinas de canções.

Ao amor, para ser deste século, só falta a ranhura

adequada ao câmbio actual.

 

57

 

Somos muito felizes. Nas análises, a urina

nada acusa, e o sangue não é tirado à força com uma espada

como acontecia nas batalhas de séculos anteriores;

o sangue agora sai através  de uma finíssima agulha

trazida por uma enfermeira obesa.

O estado preocupa-se com a tua saúde

e, progresso enorme, manda as boas-festas pela televisão.

 

58

 

E há depois as palavras. A relação entre os homens

está gramaticalmente outra. Tolerância,

respeito, leis serenas: a cidade vista de cima

parece um lago, tão calma que está.

É tão perfeita que não se percebe como é que os animais

da floresta não se mudam todos para cá.»

 

Excerto do livro de Gonçalo M. Tavares «Uma Viagem à Índia» páginas 227 e 228 - Canto V

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publicado às 17:30


#2306 - ASSUNTOS QUE ME PREOCUPAM

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.17

A violência do discurso político, a chantagem psicológica e a exploração obscena das fragilidades que cada ser humano tem.

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publicado às 23:19


#2305 - Sophie Jamieson ~ Stain

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.17

 

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publicado às 20:20


#2304 - PRÉMIO EDUARDO LOURENÇO 2017

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.17

Fernando Paulouro, jornalista e escritor, antigo director do Jornal do Fundão, é o vencedor da 13.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, no valor de 7.500 euros, foi hoje anunciado na Guarda.

Este prémio, instituído em 2004 pelo Centro de Estudos Ibéricos, com sede na cidade da Guarda, destina-se a premiar personalidades ou instituições com "intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas".

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publicado às 19:56


#2303 - The Man Booker International - Finalistas

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.17

The Man Booker International Prize 2017 shortlist announced

  • Mathias Enard (France), Charlotte Mandell (US), Compass (Fitzcarraldo Editions)
  • David Grossman (Israel), Jessica Cohen (US), A Horse Walks Into a Bar (Jonathan Cape)
  • Roy Jacobsen (Norway), Don Bartlett (UK), Don Shaw (UK), The Unseen (Maclehose)
  • Dorthe Nors (Denmark), Misha Hoekstra (US), Mirror, Shoulder, Signal (Pushkin Press)
  • Amos Oz (Israel), Nicholas de Lange (UK), Judas (Chatto & Windus)
  • Samanta Schweblin (Argentina), Megan McDowell (US), Fever Dream (Oneworld)
  •  

 

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publicado às 19:46

 

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publicado às 23:45


#2301 - Jóhann Jóhannsson - Flight From The City

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.17

 

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publicado às 23:41


#2300 - Emma Ruth Rundle ~ "The Shadows Of My Name"

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.17

 

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publicado às 23:24


#2299 - CARTA DE J. DE ALMADA NEGREIROS

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.17

almada negreiros034.jpg

ALMADA NEGREIROS (1893-1970)

 

(Nesta carta o artista explica a sua atitude no comício do Chiado Terrasse e onde se refere ao incidente com Leal da Câmara)

 

Sr. Redactor:

 

Tendo aparecido no Diário de Lisboa de segunda-feira, o meu nome ao lado do do Sr. Leal da Câmara, vizinhança distinguida que me assoberba, me enobrece e me inebria, venho gostosamente desvendar a florescência daquele começo de incêndio no palco do Chiado Terrasse, ao iniciar da sinceridade do grande caudilho das Artes decorativas.

 

Nesse eco o Diário de Lisboa (1) dá essa breve troca de palavras entre o orador e eu, como tendo sido vantajosa para o Sr. Leal da Câmara, o que, na verdade, é vexante para mim.

 

Faltaria, pois, a um dos meus mais sagrados deveres se, hoje, não viesse eu próprio testemunhar a exactidão desse eco, em vez de vir dizer que não é nada disso que se trata, pedindo apenas um acrescentozinho.

 

Ao Sr. Dr. Raul Leal sucedeu no uso da palavra o Sr. Leal da Câmara, que, não trazendo os seus méritos bem atestados logo de entrada recorreu gratuitamente e para tomar melhor balanço, ao estado de espírito com que o orador precedente prostara o público. Assim foi que o Sr. Leal da Câmara começou a mimosear a parte mais fácil do público com inteligências apropriadas a qualquer orador desobrigado. Surpreendeu-nos o facto de o Sr. Leal da Câmara ter perdido o olfacto à entrada do palco e sem ter ninguém que o avisasse disso. Foi pontualmente nesta altura que perguntei ao Sr. Leal da Câmara se aquilo era para rir. O Sr. Leal da Câmara, sem ter ainda dado pela falta de olfacto, disse-me simplesmente que não era para rir. Francamente, gostei daquela resposta. O engano era meu. Cheguei mesmo a pensar em apertar-lhe a mão à saída.

 

Mas qual não foi o meu espanto quando oiço, daí a pedaço, o Sr. Leal da Câmara outra vez a alistar àquela porção mais fácil do público, com mijaretes de artifício e outras puxadelas à substância sentimental, sem dúvida na crença de aquecer o mais depressa possível méritos oratórios, ou então, era da minha vista!

 

Foi pontualmente nesta altura que me intrometi cavalheirescamente entre o  orador e a porção mais fácil do público, para dar tempo ao orador de afinar melhor as cordas vocais. Mas o Sr. Leal da Câmara, quando deve ser discreto, e dissimulador, deu ordem terminantemente a si próprio de não recuar nem mais um passo, houvesse o que houvesse, custasse o que custasse e zumba de meter-se no peito da porção mais fácil do público, forçosamente intelectual. - Foi pontualmente nesta altura que me veio a compreensão de que era totalmente desnecessária a minha lealdade de intelectual para com o orador. O engano era meu. O que a lealdade intelectual tinha exigido de mim para com o orador era fazer-lhe ver que trazia a sua atitude de artista comprometida, ali, no comício intelectual. Fi-lo ver, discretamente. Pode-se pensar e ser discreto ao mesmo tempo. É porque, às vezes, traz-se a atitude de artista comprometida, como se traz, sem querer, a fita das cerolas caídas pelas pernas das calças abaixo e por cima das botas de alástico.

 

Quis eu, pois, com a minha lealdade, avisá-lo de que trazia  a sua atitude de artista caída pelas pernas das calças abaixo. Mas, aqui o confesso, o engano foi meu. O artista não tinha tal deixado cair o  olfacto, nem tão-pouco trazia a atitude comprometida; mas há, na verdade, momentos inacreditáveis na vida de um homem em que a emoção não pode prender-se com ninharias, muito menos com o  que vai pelas pernas das calças abaixo.

 

Foi pontualmente na altura em que o Sr. Gualdino Gomes, que presidia ao comício intelectual, se ergueu no seu próprio lugar e, dirigindo-se â plateia, propositadamente, para o lado oposto àquele de onde eu estranhamente tentava favorecer o orador, aconselhou, em geral, a não interromper os que tinham a palavra.

 

Veio a matar!

 

Não sei o que seria de mim a estas horas, se eu tivesse insistido em querer favorecer tão estranhamente o orador desobrigado, - outrora tão genial nas suas magistrais desarrincadelas de sacristas parecidíssimos!

 

Pois quis a minha boa sorte de que a observação do Sr. Presidente tivesse sido pontual. Sem ela, eu teria fàcilmente prosseguido no que tão generosamente me estava empenhando com afinco, o que talvez me tivesse custado caríssimo, pois só a seguir à observação do Sr. Presidente é que reparei que as minhas palavras estavam sendo  malcriadíssimas na opinião geral do público intelectual e não apenas na sua parte mais fácil.

 

Eu, que espalho aos quatro ventos a conveniência de imitar a elegância até mesmo quando em favor dela deva ser sacrificada a boa educação!

 

Como episódio mais próximo desta minha leviandade citar-lhes-ei a meretíssima avançada de um sincero e robusto mancebo dos seus dezanove anos, (aproximadamente), um novo, portanto! o qual não pôde deixar de vir até dois metros de distância para me chamar «vaidoso e invejoso» com todas as ganas!

 

Ora, é absolutamente indispensável que eu desfaça um mal-entendido que há-de forçosamente servir-lhe de emenda.

 

Custa-me que tenham duvidado da minha boa fé, mas garanto-lhes que outras intenções não tive senão a de querer, a todo o transe, prevenir o meu colega Sr. Leal da Câmara de que ele, desgraçadamente para a Arte com A grande, tinha deixado aberto... aquilo que costuma estar fechado...

 

Ora aí está o busílis!

 

Não tendo infelizmente testemunhas desta desgraça entre o ilustrado público do comício intelectual por se ter dado a circustância imprevista de toda a gente ter preferido as ideias dos oradores às imprevidências da toilette.

 

Dos mal-entendidos é que nascem os grandes conflitos.

 

A mim já me chamaram pau de dois bicos, quando, na verdade, eu tenho tantos bicos quantos os necessários para deixar de ser pau e ser eu1

 

Mal-entendidos!

 

*

 

Antes de fechar a carta devo dizer que tanto o Sr. Leal da Câmara como quase todos os oradores fizeram calorosa e facciosamente a apologia do século XIX, exactamente o século mais estéril, na opinião de Frederico Nietzche, o mais evidente precursor da hora presente!!!...

 

Outra vez:

 

Dos mal-entendidos é que surgem os grandes conflitos.

 

Boas-noites!

 

*

 

Quando entrei em casa, a seguir ao comício intelectual, abri o Zarathrusta, Frederico Nietzche tinha, entretanto, escrito com o próprio punho:

 

«Tu deves ser o martelo, eu pus o martelo na tua mão!»

 

Para quê, Zarathrusta? Para quê, o martelo?!

 

«Pour cesser d'être des hommes qui nient devenir des hommes qui benissent.»

 

In Diário de Lisboa, de 21 de Dezembro de 1921

 

Do livro de José de Almada Negreiros "Textos de Intervenção, Obras Completas" edição Editorial Estampa, de 24 de Julho de 1972

 

 

 

 

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publicado às 19:34


#2298 - OLHANDO O MURO

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.17

 LUÍS MIGUEL NAVA (1957-1995)

 

OLHANDO O MURO

 

E assim ficava olhando o muro. Não atentava então

na claridade em que a casa e a terra a essa hora faleciam,

nos fragmentos vários do horizonte de que a luz fazia

um jogo insuportável. Tão pouco em como a sublevação

das paisagens é matéria da linguagem, tão pouco nisso

ele atentava ao colocar o olhar no muro, outro suporte

procurando, a ele idêntico, no leite à superfície do qual

pequeninos nós de fezes eclodiam, nós que com uma

vara ele agitava e perturbava com fascínio. Metade do

seu rosto entrava pelas paisagens, era prisioneira da

fabulação de que apenas os animais o libertavam contra a 

face lhe quebrando imagens fortes - as fezes imiscuindo-se

no muro, a luz uma indecção que alastra pelo leite, a vara

de agitá-lo desviada desse ofício. Estranhos actos cometia

ele então, deles o mais minucioso sendo  a introdução de

mínimos calhaus nos intestinos.

 

Poema de Luís Miguel Nava 

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publicado às 19:03


#2297 - Paradoxos

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.17

Dois pais e dois filhos saem da cidade. Isto reduz em três unidades a população da cidade.

Falso? Não, verdade - desde que o trio consista de pai, filho e neto.

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publicado às 18:32


#2296 - FRANK SINATRA & ANTONIO CARLOS JOBIM Medley bossa nova 1967

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.04.17

 

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publicado às 22:41

 Helder Moura Pereira, escritor, tradutor e licenciado em filologia germânica venceu O Grande Prémio de Poesia APE com o livro editado pela Assírio & Alvim "GOLPE DE TEATRO".

 

O Grande Prémio de Poesia António Feijó, no valor de 10 mil euros, é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Escritores em parceria com a autarquia de Ponte de Lima.

 

Herlder Moura Pereira já venceu outros prémios literários entre os quais se destacam o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava e o Prémio de Literatura Casa da América Latina | Banif.

 

 

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publicado às 22:12


#2294 - RETAINERS OF ANARCHY

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.04.17

 

algorithmic animation sequence
5-channel video projection, 6-channel audio
Vancouver Art Gallery
2017

Retainers of Anarchy is a solo exhibition featuring new work from Howie Tsui that considers wuxia as a narrative tool for dissidence and resistance. Wuxia, a traditional form of martial arts literature that expanded into 20th century popular film and television, was created out of narratives and characters often from lower social classes that uphold chivalric ideals against oppressive forces during unstable times. The people’s republic of china placed wuxia under heavy censorship for fear of arousing anti-government sentiment. However practitioners advanced the form in Hong Kong making it one of the most popular genres of Chinese fiction. The title work, Retainers of Anarchy, is a 28-metre scroll-like video installation that references life during the song dynasty (960–1279 CE), but undermines its idealized portraiture of social cohesion by setting the narrative in Kowloon’s notorious walled city—an ungoverned tenement of disenfranchised refugees in Hong Kong which was demolished in 1994.

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publicado às 00:34


#2293 - Explore southern New Zealand

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.17

 

Explore southern New Zealand in a journey from the dry highlands of canterbury to the lush rainforests of the westcoast and the rugged coastlines of the south to the highest peaks of the southern Alps. Captured in incredibly detailed 8K resolution and mastered at 60fps this video is aimed to bring you as close to the scenery as being just on location.
Within the production-time of 16weeks, 185000 photos have been taken, 8TB of raw-material shot, over 220 hours of time captured, 8000km driven and over 1000 hours have been spent for post-production.
Visit my website for information about the project: timestormfilms.net/new-zealand-ascending/

FACEBOOK: facebook.com/TimestormFilms | INSTAGRAM: instagram.com/martin_heck/

Behind The Scenes: vimeo.com/204098758
8K Version: youtube.com/watch?v=U-6wqFE79Gc
Soundtrack: “Waves” - Mattia Cupelli: mattiacupelli.weebly.com/
STOCK FOOTAGE: timestormfilms.net/new-zealand-ascending-8k-4k-library/

SPECIAL THANKS:
videocopter.nz/
stewartislandflights.co.nz/
venturesouthland.co.nz/
rakiurawatertaxi.co.nz/
caverafting.com/

EQUIPMENT:
Cameras: Sony A7RII, Sony A7s, Canon 6D
Lenses: Zeiss Otus 28mm, Canon 11-24mm, Tamron 15-30mm, Zeiss Milvus 35mm, Canon 70-200mm
Motion-Control: eMotimo Spectrum ST4, customized Dynamic Perception Stage One

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publicado às 23:14


#2292 - Guadalupe Plata | Qué He Sacado Con Quererte

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.17

 

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publicado às 17:41


#2291 - Peter Murphy - Strange Kind Of Love

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.17

 

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publicado às 17:17


#2290 - Max Richter - Sarajevo

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.17

 

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publicado às 17:10


#2289 - Neil Cowley Trio - Grace

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.17

 

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publicado às 17:05


#2288 - TIVE A CORAGEM DE OLHAR

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.17

 Guillaume Apollinaire

 

TIVE A CORAGEM DE OLHAR


Tive a coragem de olhar para trás

Os cadáveres dos meus dias
Assinalam o meu caminho e eu choro-os
Uns apodrecendo nas igrejas italianas
Ou entre os limoeiros
Que dão ao mesmo tempo e em qualquer estação
A flor e o fruto
Outros dias choraram antes de morrerem nas tabernas
Fustigados por ardentes ramos
Sob o olhar duma mulata que inventava poesia
E as rosas da electricidade abrem-se ainda
Nos jardins da minha memória

 

 Um poema de Guillaume Apollinaire

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publicado às 16:35


#2287 - Kate Tempest - Europe Is Lost (Official Video)

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.17

 

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publicado às 23:15

 

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publicado às 21:47


#2285 - QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.04.17

Uma gaivota é um peixe que escolheu o céu para nadar.

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publicado às 20:09


#2284 - E Deus Criou a Mulher

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.04.17

 

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publicado às 23:13


#2283 - HENRYK GÓRECKI - SYMPHONY OF SORROWFULL SONGS

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.04.17

 

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publicado às 23:55


#2282 - Não há outro caminho

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.04.17

 Rui Pires Cabral

 

NÃO HÁ OUTRO CAMINHO

para o Vítor

 

Os poemas podem ser desolados

como uma carta devolvida,

por abrir. E podem ser o contrário

disso. A sua verdadeira consequência 

raramente nos é revelada. Quando,

a meio de uma tarde indistinta, ou então 

à noite, depois dos trabalhos do dia,

a poesia acomete o pensamento, nós

ficamos de repente mais separados

das coisas, mais sozinhos com as nossas

obsessões. E não sabemos quem poderá 

acolher-nos nessa estranha, intranquila

condição. Haverá quem nos diga, no fim

de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta?

Não sabemos. Mas escrevemos, ainda

assim. Regressamos a essa solidão

com que esperamos merecer, imagine-se,

a companhia de outra solidão. Escrevemos,

regressamos. Não há outro caminho. 

 

Rui Pires Cabral, in Morada, ed. Assírio & Alvim 

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publicado às 16:53


#2281 - Os Cegos

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.04.17

 Alexandre O'Neill

 

OS CEGOS

 

                                                                                                      Ah, Madame! que la morale des aveugles

                                                                                                                  est différente de la nôtre!

 

                                                                                                                              DIDEROT - Lettre sur les aveugles  

 

 

Durante os meses de inverno, podemos ver os cegos, sobre os telhados, acariciando os dedos - à procura duma mãe que não seja virgem.

 

O prazer torna-os redondos como ovos e o vapor de água vem flutuar sobre os seus bigodes sempre em sangue.

 

Às vezes soluçam e deixam escapar da boca pequenas coisas - o  que não basta para interromper o jogo.

 

Quando chega a primavera, os cegos caem dos telhados e começam a andar  pelas ruas à procura da moeda de perfil de luz.

 

Prosa escrita por Alexandre O'Neill in POESIAS COMPLETAS & DISPERSOS - ASSÍRIO & ALVIM 2017

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publicado às 16:24


#2280 - Requiem de Gabriel Fauré

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.04.17

 

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publicado às 16:18


#2279 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.04.17

alexandre o´neill032.jpg

 POESIAS COMPLETAS & DISPERSOS de Alexandre O'Neill - Edição e posfácio de Maria Antónia Oliveira.

Livro publicado em Março de 2017 por Assírio & Alvim

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publicado às 15:26

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