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#2036 - Moonface - "City Wrecker"

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.05.16

 

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publicado às 23:31


#2035 - A origem da Noite

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.05.16

POVO TUPI - AMAZÓNIA - BRASIL

 

A ORIGEM DA NOITE

 

Antigamente, a noite não existia no céu. O dia era eterno. A noite dormia no fundo das águas. E os animais também não existiam, e os objectos falavam.

 

A filha da Grande Serpente casou com um homem, que tinha três criados fiéis. Ele disse-lhes uma vez: "Afastem-se, porque a minha mulher quer copular comigo." Mas não era a presença dos criados que incomodava a jovem. Ela não queria fazer amor senão na escuridão. Explicou ao seu marido que o seu pai detinha a noite, e que ele devia enviar os seus criados buscá-la.

 

Quando estes chegaram, numa piroga, junto da Grande Serpente, este deu-lhes uma noz de palmeira tucuman bem fechada, e recomendou-lhes que não a abrissem sob nenhum pretexto. Os criados voltaram a embarcar e, pouco depois,  ficaram surpreendidos com um ruído que vinha do interior da noz: ten, ten ten, chi... semelhante ao ruído que os grilos e as rãs fazem durante  a noite. Um dos criados quis abrir a noz, mas os outros opuseram-se. Depois de muitas discussões, e quando já estavam muito longe da morada da Grande Serpente, reuniram-se finalmente no meio da piroga, fizeram uma pequena fogueira, e fizeram fundir a resina que mantinha a noz fechada.

 

Mal a noz se abriu, a noite surgiu, e todas as coisas que havia na floresta, se transformaram em quadrúpedes e pássaros, e todas as coisas que havia no rio, transformaram-se em patos e peixes. O cesto transformou-se em jaguar, o pescador e a sua piroga tornaram-se patos: na cabeça do homem surgiu um bico, a piroga tornou-se o corpo, os remos as patas...

 

A  filha da Grande Serpente compreendeu a razão da obscuridade que reinava agora. Quando a estrela da manhã surgiu, a jovem decidiu separar a noite do dia. Para o conseguir, transformou duas bolas de fio nos pássaros cujubim e inhambu (que anunciam a aurora). Para punir os criados, transformou-os em macacos.

 

Amazónia, Tupis

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publicado às 18:59


#2034 - Antonymes

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.05.16

 

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publicado às 18:15


#2033 - Poema de António Ramos Rosa

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.05.16

ANTÓNIO RAMOS ROSA

 

 

Havia na madeira uma penumbra

de criação que entrava pelas narinas

e quase triste num arvoredo madrugava

irrigando toda a construção sonora.

Num frescor de matéria se ensombrava

dos concêntricos alicerces se elevando

à folhagem da cúpula animal.

Agreste, o seu estuar é paz de sombra

demorando o assombro da frescura

em verdade de horizonte interno.

Poro a poro as crinas da madeira

rodeiam a atenção e a inclinam

para onde é mais limpo o coração.

E o olvido é a frescura da memória

que abre os largos vales solitários

em que pastam cavalos silenciosos 

entre verdes girassóis incendiados

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publicado às 17:51


#2032 - A (I)LEGIBILIDADE DO LIVRO

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.05.16

 ANTÓNIO RAMOS ROSA

 

O livro está aberto e há demasiada luz.

 

Tudo o que escreves está contido nesse livro de letras

brancas como a tua morte.

 

Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco

eternamente branco e silencioso?

 

Como conter a àvida necessidade de devorá-lo como se o

livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma

linguagem legível e luminosa?

 

Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso

de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável

possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não

lemos.

 

Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura

transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos

imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada

pela luz.

 

Poema de António Ramos Rosa in "Antologia Poética", Publicações Dom Quixote, edição de Fevereiro de 2001

 

 

 

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publicado às 18:10


#2031 - Sem Título

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.05.16

 

As palavras saem mudas porque

o ouvido está surdo 

e a boca não sabe repetir

o que o corpo não ouve.

 

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publicado às 17:53


#2030 - "Estamos a viver a IV Guerra Mundial"

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.05.16

O escritor italiano Claudio Magris tem um novo romance. Sobre a guerra e a paz. Pretexto para pensar a realidade mundial e a literatura.

 

Ler aqui entrevista dada ao Diário de Notícias

 

 

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publicado às 17:15


#2029 - Problemas

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.05.16

Karl Popper

 

«Penso que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte nos separe - a não ser que encontrem um outro problema ainda mais fascinante, ou, evidentemente, a não ser que obtenhamos uma solução.

Mas, mesmo que obtenhamos uma solução,  poderemos então descobrir, para nosso deleite, a existência de toda uma família de problemas-filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo bem-estar poderemos trabalhar, com um sentido, até ao fim dos vossos dias.»

 

Karl Popper

 

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publicado às 22:06


#2028 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.05.16

novembro.jpg

 "Gosto do Outono, esta estação triste convém às recordações. Quando as árvores já não têm folhas, quando o céu conserva ainda, ao crepúsculo, o tom rubro que doura as ervas murchas, é bom ver apagar-se tudo o que ainda ontem em nós ardia... É triste, a estação em que estamos: dir-se-ia que a vida vai embora com o sol, corre-nos o coração um arrepio e também a pele, todos os barulhos se extinguem, empalidecem os horizontes, vai tudo dormir ou morrer."

 

Excerto retirado do livro de Gustave Flaubert «Novembro», edição de 2007 da Editorial Teorema

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publicado às 21:26

 El Museo del Prado celebra el V centenario del artista holandés con la exposición más completa de su pintura y exhibe, a partir del lunes, 21 de las 25 obras que se conservan (la mayoría inéditas en España) del que fue considerado padre del surrealismo y uno de los creadores más extraordinarios de la Historia del arte.

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publicado às 18:07


#2026 - Wave

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.05.16

 

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publicado às 22:37


#2025 - All the way

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.05.16

 

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publicado às 22:28

 

 

VER PROGRAMAÇÃO AQUI

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publicado às 18:17


#2023 - Tu estás aqui

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.05.16

 RUY BELO

 

TU ESTÁS AQUI

 

Estás aqui comigo à sombra do sol

escrevo e oiço certos ruídos domésticos

e a luz chega-me humildemente pela janela

e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou

Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano

e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama

que uso para ser também isto este bicho

de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos

quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem o que sei o

que faço ou então sou eu que julgo que o sabem

e sou amável e selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras

e sei que afinal  posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou outra coisa

esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior

a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço

bem entendido o que faço com este braço

Estás aqui comigo e à volta são as paredes

e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa

e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho

e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer

Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado

passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes

esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa

essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol

Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso

diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome

este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro

nome embora no mesmo nome este nome

de terra de dor de paredes este nome domértico

Afinal fui isto nada mais do que isto

as outras coisas qu fiz fi-las para não ser isto ou dissimular isto

a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome que não merda

e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir umas coisas das outras coisas

Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto

pena até mesmo de dizere que sou só isto como se fosse também outra coisa

uma coisa para além disto que não isto

Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo

é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos

mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos

tu és em cada gesto todos os teus gestos

e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como a palavra paz

Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas

perdoa pagares tão alto preço por estar aqui

perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui

prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente

deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias

e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer

sou isto é certo mas sei que tu estás aqui

 

Poema de Ruy Belo in "O tempo das suaves raparigas e outros poemas de amor", edição Assírio & Alvim (1402), Julho 2010

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publicado às 19:24


#2022 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.05.16

«Sem erotismo, a vida não tem a menor graça.»

 

Chico César, músico e poeta, autor de Versos Pornográficos. O Globo.

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publicado às 18:44


#2021 - Pensamentos

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.05.16

Quanto maior a expectativa maior o desassossego.

 

Quanto maior o desejo maior a angústia

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publicado às 18:04


#2020 - King Crimson - Epitaph

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

 

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publicado às 22:52


#2019 - Nina Simone - Ne Me Quitte Pas

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

 

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publicado às 22:36


#2018 - Ten Years After - I'd Love To Change The World

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

 

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publicado às 22:16


#2017 - Wagner - Tannhäuser Overture

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

 

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publicado às 21:38


#2016 - Geografias

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

As viagens inventaram-se para quem está triste. Se não houvesse pessoas tristes, não havia agências de viagens.

Que julgam que o infante D. Henrique fez ao criar a Escola de Sagres? Um ponto de partida para se poupar à melancolia.

 

Agustina Bessa-Luís

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publicado às 20:31


#2015 - Poema de Philip Larkin

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

 

 

What will survive of us is love.

 

Do poeta inglês Philip Larkin

 

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publicado às 19:01


#2014 - Um poema de Francisco Brines

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

 Francisco Brines

 

Misericordia extraña

ésta de recordar cuanto he perdido,

y amar aún su inexistencia.

 

Poema de Francisco Brines (1932), poeta espanhol

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publicado às 18:52


#2013 - Carta de Paul Celan a Hans Bender (1960)

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

Paul Celan

 Hans Bender

 

 

Meu caro Hans Bender,

 

Agradeço-lhe a sua carta de 15 de Maio e o amável convite para colaborar na sua antologia Mein Gedicht ist mein Messer (O meu poema é a minha faca). (1)

 

Lembro-me de há tempos lhe ter dito que assim que o poema verdadeiramente está, o poeta volta a libertar-se da sua cumplicidade original. Hoje formularia esta opinião de maneira completamente diferente, ou então tentaria diferenciá-la; mas no fundo continuo a ter esta - velha - opinião. É claro que existe também o que hoje, tão fácil e despreocupadamente, se designa de ofício. Mas - permita-me esta redução do pensamento e da experiência - o ofício é, como a correcção em geral, condição de toda a poesia. Este ofício não se faz, com certeza, sobre um chão dourado. (2) - quem sabe até se ele assenta sobre algum chão. Tem os seus abismos e profundezas, e alguns - ah, mas eu não faço parte deles - Têm até um nome para isso.

 

Ofício - é coisa das mãos. E estas mãos, por outro lado, só pertencem a um indivíduo, isto é, a um único ser mortal que com a sua voz e o seu silêncio busca um caminho.

 

Só mãos verdadeiras escrevem poemas verdadeiros. Não vejo nenhuma diferença de princípio entre um aperto de mão e um poema. E não nos venham com o "poieín" e coisas assim. Isso significava, juntamente com as suas proximidades e distâncias, sem dúvida qualquer coisa totalmente diferente do que no seu contexto actual.

 

Existem, com certeza, exercícios - no sentido espiritual, caro Hans Bender! E para além disso há também, a cada esquina lírica, toda a espécie de experiências com o chamado material verbal. Poemas são também oferendas - oferendas àqueles que são atentos. (3) Oferendas que transportam um destino.

 

"Como se fazem poemas?"

 

Há anos atrás pude, por algum tempo, ver e, mais tarde, a partir de uma certa distância, observar atentamente como o "fazer" se vai transformando, através da factura, em contra-facção. (4) Sim, isto também existe, como deve saber... Não acontece por acaso.

 

Vivemos sob  céus sombrios e...  existem poucos seres humanos. Talvez por isso existam também tão poucos poemas. As esperanças que ainda me restam não são grandes; tento conservar aquilo que me restou.

 

Com os melhores votos, para si e para o seu trabalho,

 

                                                                                                                   Paul Celan

                                                                                                                   Paris, 18 de Maio de 1960

 

(1) A antologia em questão, que inclui a carta de Paul Celan, é uma edição aumentada, em relação à primeira, de 1955, e foi publicada pela Editora List, de Munique, em 1961. A páginas 166 pode ler-se a seguinte nota do organizador: "Paul Celan autorizou a publicação desta sua carta pelo organizador da Antologia, com o desejo expresso de que "ela fosse tomada por aquilo que é: como uma carta dirigida a si, com a data do dia de hoje (18 de Maio de 1960)".

___________________________________________

 

(2) A frase só se compreende à luz de um antigo provérbio segundo o qual um bom ofício, uma vez aprendido, é sempre rentável. Nos Provérbios de Sebastian Franck (Franckfurt, 1560) ele é citado na versão atribuída ao humanista Johannes Agricola: "Um ofício tem um chão de ouro".

 

____________________________________________

 

(3) Cf. nota 21 a "O Meridiano".

 

____________________________________________

 

(4) O original explora um jogo de palavras que se procurou manter: a machen (o acto) / die Mache (o processo e o resultado) / Machenschaft (o fazer intriga, trama, manobra) corresponde "fazer" / "factura" / "contra-facção".

 

"Carta a Hans Bender" foi retirada do livro de Paul Celan "Arte Poética - O Meridiano e outros textos", editado em 1996 por Edições Cotovia

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publicado às 17:39

#

 

 

SERRALVES EM FESTA 2016
DE 04 JUN 2016 A 05 JUN 2016
2-3 jun (qui-sex), Baixa do Porto | 4-5 mai (sáb-dom), Serralves 
40 HORAS NON-STOP, ENTRADA GRATUITA! 
 
A 13ª edição do Serralves em Festa realiza-se a 4 e 5 de junho de 2016, durante 40 horas consecutivas, das 8 da manhã de sábado à meia-noite de domingo. É o maior evento da cultura contemporânea em Portugal e um dos maiores da Europa, com centenas de atividades a decorrer nos vários espaços da Fundação de Serralves e também em alguns locais da baixa do Porto. Ao longo dos anos tornou-se ponto de passagem obrigatório para milhares de visitantes portugueses e estrangeiros.
A edição de 2016 do Serralves em Festa contará com a presença do Senhor Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que visita a Festa no dia 5 de junho, domingo, às 11h00.
A programação do Serralves em Festa integra propostas que ilustram a interação das artes visuais com as artes performativas, apresentadas numa relação estreita e integrada com as atividades regularmente desenvolvidas no Museu e no Parque de Serralves. Estão representadas as áreas disciplinares da Música, Dança, Performance, Circo Contemporâneo, Teatro e Cinema, Fotografia e ainda um extenso programa de oficinas e visitas orientadas.
 
JUNTAR MUNDOS
O tema da edição de 2016 do Serralves em Festa 2016, "Juntar Mundos”, reflete exemplarmente o espírito desta celebração anual das artes e da cultura: ao apresentar o trabalho de artistas oriundos de várias partes do mundo, que nestas 40 horas se reúnem numa autêntica lição de convivência intercultural, o Serralves em Festa mostra-nos como podemos viver em conjunto.
 
FORA DE SERRALVES TAMBÉM HÁ FESTA!
À imagem de anos anteriores, o Serralves em Festa acolhe a participação da comunidade local e nacional, mas também de artistas vindos de todo o mundo, e estabelece parcerias com outras entidades culturais, sociais, educativas e artísticas da cidade do Porto e do país. A Festa sai, por isso, mais uma vez, dos muros de Serralves e apresenta projetos na Baixa do Porto, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, através da PortoLazer.

 

VER PROGRAMAÇÃO AQUI

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publicado às 16:45


#2011 - Poema

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.16

Se estou

sozinha na neve

é óbvio

que sou um relógio

 

de outro modo como poderia

a eternidade deslizar

 

Poema de  INGER CHRISTENSEN

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publicado às 18:44


#2010 - Destroyer

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.16

 

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publicado às 18:18


#2009 - Bellini e Pablo também

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.16

BELLINI E PABLO TAMBÉM

 

Para o Alberto de Lacerda

 

Alberto    Alberto

como os números enganam

 

você completou setenta

setenta anos de vida

três vezes mais de vivências

metade no coração

 

                                não diga nada já sei

você vai-me responder

                               (citando Yeats)

que o coração envelhece

 

          mas não o seu

           o seu não

 

o seu floresce todas as manhãs

mesmo quando o tempo é mau

 

                                   e como o tempo agreste o martiriza

 

toca o telefone

                      é você

 

          : já viu como o tempo está?

          uma coisa pavorosa

                                             não se aguenta

 

mas a conversa prossegue

e o seu clima interior levanta logo

             começa

                         a resplandecer

 

você nisso é singular Alberto

 

nisso e muitas outras coisas

 

o seu spaghetti com peixe

                         por exemplo

 

quase ninguém acredita

- o  Alberto a cozinhar?

 

e que gosto você põe

em fazer condimentos de alcaparras

             você desencanta sítios para as comprar 

 

você desencanta tudo

          Victoria Square

                 (um assombro)

                                       Paris no centro de Londres

 

e a pia baptismal de William Blake

e poetas que nunca foram publicados

e as galerias de arte de Mayfair

 

                  estou em crer que elas estão lá

                  só por si

                  para lhe agradar

 

toca o telefone

 

o telefone para nós dois

tornou-se fundamental

 

trim trim

         é você de longe

Londres Boston Nova Iorque

 

                 : acabo de vir do MoMA

                 você não pode perder

                 a exposição que lá está

 

primeiro as suas recomendações

                   : vá cedo

                            não perca tempo

                            a exposição

                    é exigentíssima      imensa

                    tem que ser vista com o maior rigor

 

depois vem o conversete

palavra sua

                 hoje nossa

interrompido por mil divagações

porque como

                  você diz

                   você escreveu

                   num poema que inspirou Octavio Paz

                                        conversar é divino

 

e tem razão 

 

e às vezes você anoitece

são nuvens      sombras

                        o exílio

tantos exílios

 

ninguém pode sequer imaginar

 

e noutras ocasiões a gente liga

e o telefone toca     toca

e você sem responder

 

                    : não ouvi

                                  estava a ouvir música

 

esclarece você depois

 

e a sguir

                       : espere um momento

os seus momentos são eternidades

 

o auscultador pousado      

apanha um leve tossir

um breve passarinhar

 

e de novo a sua voz

 

                 : está com paciência?

                 posso ler-lhe um poema

                 escrito no Café Picasso esta manhâ?

 

é claro que pode     Alberto

você pode sempre       Alberto

você com essa até me faz lembrar

a preta Irene do Manuel Bandeira

 

Manuel

          poeta querido

                      amigo seu

 

tantos amigos

         tantas

                    amizades

 

e a nossa também    Alberto

que vai crescendo e permanece igual

que vence fusos horários

para dar vivas a Bellini

                      Bellini e Pablo também

 

que é local    inter-urbana

e atravessa continentes

e me nome da qual pergunto

 

                 : tem paciência para ler isto?

 

é uma cantiga de amigo

que lhe dedica

                   a vinte de Setembro

o seu

             mais do que amigo

                                                 irmão

                        Luís

 

Poema de Luís Amorim de Sousa in BELLINI E PABLO TAMBÉM, 2007. Este poema foi escrito em antecipação da data de 20 de Setembro

Londres/Fergus Falls, Minnesota 28/6-2/7 de 1998

 

 

 

 

                    

                       

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publicado às 17:00


#2008 - Coisas

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.16

 Luís Amorim de Sousa

 

COISAS

 

Há coisas que vão ficando

fotografias    louças    contas antigas

                                         não sei

 

debruçámo-nos tanto

sobre a minúcia do quotidiano

           que o dia a dia excedeu as nossas vidas

 

não sei como resiste o que perdura

 

olho o telefone de coração na boca

e aponto coisas para não me esquecer

 

Poema de Luís Amorim de Sousa in NADAR NO ESCURO, 1997 

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publicado às 16:43


#2007 - The White Birch - Spring

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.16

 

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publicado às 16:37


#2006 - Padre António Vieira

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.16

"A  verdade é filha legítima da justiça, porque a justiça dá a cada um o que é seu. E isto é o que faz e o que diz a verdade, ao contrário da mentira. A mentira, ou vos tira o que tendes, ou vos dá o que não tendes; ou vos rouba, ou vos condena."

 

Padre António Vieira, Sermão da Quinta Dominga de Quaresma, pregado na Igreja Maior da cidade de São Luís no Maranhão, no ano de 1654

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publicado às 16:24


#2005 - Hans Zimmer & Lisa Gerrard

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.05.16

 

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publicado às 21:54


#2004 - Hans Zimmer - Time (Inception)

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.05.16

 

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publicado às 21:47

 

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publicado às 21:35


#2002 -

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.05.16

- Existe a sua ordem preciosa, esse candeeiro esguio de ferro, feio e estéril, e existe anarquia, luxuriante, viva, que se reproduz a si própria; existe anarquia, magnífica em verde e dourado.

 

- Ainda assim - respondeu Syme pacientemente -, neste momento, você só vê a árvore à luz do candeeiro. Pergunto-me se algum dia conseguirá ver o candeeiro à luz da árvore.

 

G.K. CHESTERTON,

O Homem que era quinta-feira

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publicado às 21:23


#2001 - O DESAPARECIMENTO DA MINHA MULHER

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

 António Lobo Antunes

O meu filho nunca fala da mãe, o cão nunca fala da dona. Sou eu quem o passeia agora, às vezes fico séculos à espera segurando na ponta da trela que ele se decida entre dois pneus, cheira o primeiro, cheira o segundo, hesita, reflecte. Nota-se a indecisão no seu focinho

Ilustração de Susa Monteiro

Ilustração de Susa Monteiro

 

Faz domingo à tarde quinze dias que a minha mulher saiu para passear o cão e não voltou mais. Ia com a roupa normal, sem bagagem, claro, sem dinheiro

(ainda há umas moedas em cima da mesa da cozinha)

nem sequer maquilhada, nem sequer muito bem penteada, exactamente conforme costuma andar em casa, de cabelo preso às três pancadas com um gancho, era só uma volta ao quarteirão para o bicho se aliviar contra um pneu, e até hoje. Telefonaram duas ou três vezes do emprego a perguntar se ela estava doente, respondi que não e se calhar fiz mal porque não telefonaram mais, provavelmente já a substituíram porque o que não falta por aí é gente à procura de trabalho, a mãe dela não sabe de nada, o irmão dela não sabe de nada, a Dália, que é a melhor amiga, não sabe de nada, eu e o meu filho claro que não sabemos de nada, não tomou café no café, o sujeito que mora dois prédios a seguir ao nosso e estava a limpar o carro dos pombos e das folhas das árvores viu-a passar com o bicho pela trela, ainda se cumprimentaram, ainda sorriram um ao outro, a minha mulher pareceu-lhe completamente normal

– Educada como sempre, amigo

a senhora do rés do chão mais à frente, que costuma estar sempre à janela, trocou um

– Boa tarde

com um

– Finalmente já cá temos a primavera

a minha mulher voltou na rua que conduz à praceta com o busto do matemático num canteiro e, que eu saiba, mais ninguém recorda nada conforme me explicaram na esquadra da polícia

– Tirando o vizinho e a velhota não temos informações

a fotografia que saiu no jornal com a descrição dela não trouxe novidade alguma, não apareceu nenhum cadáver no rio, os hospitais népia, a morgue népia, evaporou-se por aqui onde nem sequer há um buraco aberto no alcatrão por causa de um cano ou assim, portanto sumiu-se para cima mas que eu saiba não voa, mesmo que subisse e baixasse os braços o peso dos sapatos mantinha-a na calçada, não tem grandes amizades no quarteirão porque não é pessoa de conversas compridas, aliás mesmo em casa pouco falava, herdou isso do pai que não soltava um pio, sentado no sofá a fumar sem se abrir com ninguém, o cão, esse, regressou sozinho, com a trela de rojo, porque na manhã seguinte estava a porta de casa a gemer. O meu filho trouxe-o para a cozinha e não larga o cesto, enrolado lá dentro a olhar-nos, porém esse não fala, experimentei passeá-lo eu, depois de lhe dar a cheirar um vestido da minha mulher que tirei do armário, procurando entusiasmá-lo

– Busca, busca

mas urinou num pneu e foi tudo, a seguir ao pneu começou logo a puxar-me na direção do prédio, saudoso do cesto, sou eu quem cozinha agora para o miúdo e para mim, quem vai às compras ao fim de semana, quem dá uma espécie de limpeza nas três assoalhadas, não tão bem como ela mas pronto e quanto à minha mulher continuamos na mesma, não está, não telefona, não escreve, não mete a chave à porta, claro, vou dizendo ao rapaz que a mãe foi de férias e ele um soslaio calado, só lhe falta o cigarro para ser igual ao avô, acho que a pouco e pouco me vou habituando à sua falta, guardei-lhe os chinelos no armário dado que não precisa deles, não tarda muito deito-lhe a escova de dentes no lixo, enfio as três ou quatro joias que tem na gaveta, ofereço os trapos dela ao prior e acabará por ser como se nunca houvesse morado aqui. É possível que surja outra mulher, é possível que não, não tenho tido tempo para pensar nisso porque andamos lá no emprego a preparar o balanço e por conseguinte o patrão e eu trabalho que não acaba, se calhar devia sentir saudades porém que me dê conta não me atacaram ainda, às vezes falta-me um corpo ao lado a meio da noite, não posso dizer que muito mas falta-me e depois esqueço, torno a adormecer e pronto. Isto de há quinze dias para cá, quando a minha mulher saiu para passear o cão e não voltou mais. Parece-me aliás que o meu filho e eu já começámos a esquecê-la. Pelas minhas contas dentro de um mês já não existirá nem rastro dela neste andar, cada vez lhe recordo as feições de forma mais vaga e quem diz as feições diz a maneira de falar, os gestos, o que ela gostava de comer, essas coisas que dentro de nós compõem uma pessoa e tudo isto acontece sem dor, sem lágrimas, claro, sem tristeza até. Sem espanto igualmente como se ela não tivesse existido e cada vez mais não existiu de facto. E se não existiu de facto para quê ralar-me? O meu filho nunca fala da mãe, o cão nunca fala da dona. Sou eu quem o passeia agora, às vezes fico séculos à espera segurando na ponta da trela que ele se decida entre dois pneus, cheira o primeiro, cheira o segundo, hesita, reflecte. Nota-se a indecisão no seu focinho, ergue a pata para um, ergue a pata para o segundo, olha um terceiro, acaba por se decidir por um tronco, não inteiramente satisfeito

(compreende-se pela expressão que não inteiramente satisfeito mas enfim)

até se aproximar de mim numa resignação mole, e tornamos devagar para casa um ao lado do outro como dois amigos de há muitos anos que já esgotaram as conversas. No meio disto só um pormenor me preocupa: é que eu possa, como a minha mulher, sumir-me também e o miúdo tenha dificuldade em se amanhar sozinho, mas julgo não existirem razões para me inquietar: ao fim e ao cabo a gente habitua-se a tudo não é? E ele graças a Deus é uma pessoa como as outras, isto para além de haver imensas bolachas no armário da cozinha.

 

TEXTO DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES publicado na Revista  VISÃO online de 19 de Maio de 2016

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publicado às 19:02

 

É o primeiro fotojornalista a vencer este galardão espanhol. Júri afirma que o americano "deu a sua vida a esta profissão e não há conflito importante que não tenha coberto"

O fotojornalista norte-americano James Nachtwey foi galardoado esta quinta-feira com o prémio Princesa das Astúrias da Comunicação e Humanidades 2016. Com décadas de trabalho a cobrir guerras, catástrofes naturais ou cenários que seguiram ataques terroristas, Nachtwey já venceu duas vezes o World Press Photo (em 1992 e 94) e conta cinco medalhas de ouro Robert Capa (nos anos 1991, 93, 98, 2001 e 2008).

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publicado às 18:47


#1999 - Carta de Orfeu a Eurídice

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

 Nuno Júdice

 

A brevidade: por vezes, a mais longa das linhas

do tempo, cruzando-se com o desejo de permanência

que sustenta a sua ilusão. Logo, porém, a realidade nos

impõe a sua regra. O que é transforma-se no que foi,

com a melancolia que arrasta o sentimento da 

passagem, como se o rio pudesse parar para sempre

no instante em que a felicidade parece suspender

o seu curso. Avançamos, então, contra essas sensações

que nos trazem um esplendor de rosa, aberta ao sol

do meio-dia, antes que a sombra da tarde a atinja

com a sua seta obscura. Uma ferida sangra entre pétalas

emurchecidas; e o ramo sugere a queda nocturna, onde

uma perseguição de prazer se confunde com a inquietação

da morte.

 

Olho-te, então, contra a perspectiva do efémero. Conto

cada uma das olheiras construídas no trabalho

do amor, sabendo que um vórtice de esquecimento

as restituirá à insónia da madrugada. Nessa hora, quantas 

palavras trocaram esses amantes que o passado

vestiu com o seu manto de memória... Como se a manhã

não chegasse, trazendo a separação que corrói

a pele da alma, e prende toda a esperança a uma ilusão

de saudade. Por que lhe resistes?, pergunto. Em que

vazio afogarás este amor que insiste em respirar, como

se não soubesses que nada o substitui? Não

te enganes, como não se engana esse des cego às concessões

do presente, voando para os espaços mais inacessíveis,

e levando no bater das asas o mais fundo

dos abraços.

 

Segue esse voo com o impulso antigo; e

não percas o sabor desse filtro que os nossos lábios

trocaram, no mais solitário dos instantes.

 

Poema de Nuno Júdice

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publicado às 18:17


#1998 - Bill Callahan - For a Rainbow

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

 

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publicado às 18:11


#1997 - Dan Michaelson And The Coastguards - Memory - Tides

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

 

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publicado às 17:55


#1996 - James Blake - Modern Soul

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

 

 

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publicado às 17:15


#1995 - René Descartes e o método constelado da matéria

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

Carlos Nejar

 

Não quero que me encontrem

ou molestem. Isolo-me no quarto

de um país, onde  posso

entretecer o génio.

Não usei como tantos,

bota rude na perna

cortando o lodaçal,

nem apanhei batatas

no dorso do quintal.

Não quero que me encontrem.

Talvez por desperdício

no sonho, ou por vício

de esquecer-me nos livros.

E a filosofia me convence

de exatidão. Com a erva

úmida a física fermenta

e incha a metafísica

aos ombros, nos torrões.

Não quero que me encontrem.

Evito o endereço nos postais.

E por pensar com o vento,

vou conciso. E um método

é preciso dos objetos

simples aos complexos.

E com a mecânica converso,

e da mente e a celeste.

Se a fantasia engana,

o mundo é a mesma corda

segurada no balde,

ou a gota pelo escuro

da paineira ou das moitas.

Renovar é volver

ao ponto de partida.

Olhar por dentro quando

é num relance a vista.

E o que aprendi a nada

me serviu. E quanto

me custou para adiante

servir-me. As novas ciências

eram noivas que possuí

sem casar com nenhuma.

Matemática, ordem

do universo, espuma

com voo em remos certos.

Mas uma filha tive.

Não, não era a ciência,

se aplaquei o desejo.

E de pensá-la ou percebê-la

existo. Quando nascer

é ato de vertigem.

Pulsando o coração,

como se um grito.

Ou barulho de riacho.

E eu, René Descartes, nada faço

sem antes refutar o preconceito,

a partir dos outros e de mim,

quando a razão que esposo

não demarca seu fim.

Nas coisas: beatitude

sem vestes, canavial

das horas. Nada se urde

no terror. Tais os anais

que longas ondas seguem

e um batel singra. Normas,

regras, tatos na constelar

matéria. E a verdade, martelo

na tensa natureza. Com a água,

movimento do impossível.

E os sentidos sem reparo

nos traem e há que abstrair

até a infância. Como este véu

que a vasta noite arranca.

Não quero que me encontrem,

mais que civilizado, francês,

viajor inveterado, por mim

avança a ideia infinita. Deus.

E a ciência que não

me deixou viver.

 

Poema de Carlos Nejar in "Os Viventes", edição Texto Editores, Ltda,2010, Brasil

´

 

 

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publicado às 16:37

 

Além dos livros infantis, alguns deles de editoras "muito pequeninas", há sessões de histórias, oficinas de artes, noites temáticas

É uma pequena livraria, infantil, situada no centro histórico de Santarém, mas este "lugar mágico", a Aqui Há Gato, conquistou os que selecionam as livrarias "Emblemáticas de Portugal" e tem estado entre as "preferidas dos portugueses".

 

In "Diário de Notícias"

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publicado às 17:54


#1993 - Han Kang vence Man Booker International 2016

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.05.16

 A escritora sul-coreana foi distinguida por The Vegetarian

 

The Vegetarian

Translated by Deborah Smith

Published by Portobello Books

Yeong-hye and her husband are ordinary people. He is an office worker with moderate ambitions and mild manners; she is an uninspired but dutiful wife. The acceptable flatline of their marriage is interrupted when Yeong-hye, seeking a more ‘plant-like’ existence, commits a shocking act of subversion. As her rebellion manifests in ever more bizarre and frightening forms, Yeong-hye spirals further and further into her fantasies of abandoning her fleshly prison and becoming – impossibly, ecstatically – a tree. Fraught, disturbing, and beautiful, The Vegetarian is a novel about modern day South Korea, but also a novel about shame, desire, and our faltering attempts to understand others, from one imprisoned body to another. 

Han Kang was born in Gwangju, South Korea, and moved to Seoul at the age of ten. She studied Korean literature at Yonsei University. Her writing has won the Yi Sang Literary Prize, the Today's Young Artist Award, and the Korean Literature Novel Award. The Vegetarian, her first novel to be translated into English, was published by Portobello Books in 2015. Human Acts was published by Portobello books in 2016. She currently teaches creative writing at the Seoul Institute of the Arts.

 

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publicado às 21:53

joao monteiro.jpg

 

joao monte.jpg

 Exposição de Pintura de João Monteiro com o título de "Sombras Interiores" pode ser vista todos os dias de 14 de Maio a 25 de Junho na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira.

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publicado às 23:01


#1991 - LeV - Literatura em Viagem

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.05.16

“Mais importante que o destino é a viagem”. Estas palavras de Eduardo Lourenço servem de mote para o encontro Internacional “Literatura em Viagem”, organizado pela Câmara Municipal e que, durante alguns dias, transforma Matosinhos na capital nacional da literatura de viagem.

Uma viagem pelas viagens. Pelas palavras. Pelos mundos do mundo. Pelos trilhos percorridos naquele continente longínquo. Pelos desertos intermináveis da imaginação.

O Lev é o porto seguro de várias viagens e experiências. Um encontro feliz em torno da palavra e da viagem. Um ancoradouro de personalidades tão diversas, e de áreas tão distintas, que a promessa de uma mescla equilibrada e irresistível de vozes, faz de Matosinhos um destino único nestes dias de Literatura em Viagem.

 

CONSULTE AQUI O PROGRAMA DA LITERATURA EM VIAGEM 2016

 

 

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publicado às 12:53


#1990 - A persistência da memória

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.05.16

 Tenho uma cadeira escondida na cabeça onde sento o meu silêncio.

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publicado às 11:30


#1989 - A efémera beleza

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.05.16

 Uma borboleta pousa silenciosamente no meu ouvido e

num sussurro melancólico diz-me quão efémera é a sua

beleza.

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publicado às 00:01


#1988 - Ne chantez pas la mort - Leo Ferré

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.16

 

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publicado às 23:31

 20 e 21 de Maio de 2016

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publicado às 21:48


#1986 - Daniel Knox - High Point Drive

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.05.16

 

 

 

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publicado às 16:20


#1985 - Letra Aberta

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.05.16

põe um pé sobre a minha mão legítima que ela nunca mais escreva,

põe o outro pé sobre a parte mais alerta da cabeça e faz com que ela esqueça,

os dois pés sobre todo o meu corpo como se estivesse morto,

toca-me na testa e sopra-me na boca,

e eu fique tão sensível ao mundo que se transforme tudo,

ao quente do meu sangue,

ao frio do juízo,

que eu ganhe de repente o meu tamanho próprio,

como a luz deitada sobre si mesma, bicho que ao sol se

      enrole tão enorme como a sombra deitada sobre a luz,

que eu me transforme enfim em tudo o que me toque,

que sopre por mim adentro com a extensão do fogo,

se tenho os braços abertos

para apanhar espiga a espiga todo o trigal do mundo,

e assim se faça o poema desde o leite que bebo

até ao frio fundo dentro das mãos fechadas,

oh punhos duros,

laços de sangue torto, sangue torto,

vívido, terrífico, oh sangue tão agudo,

e mo dobre o vento passando sobre as torres,

passando o fogo,

passando o ar mais acima do fogo,

mais acima da cabeça que ele toca se o sono é tocado pelo sonho,

para ser semeado à volta delas todas,

e grita do cimo dessas torres: - estrela! estrela! estrela!

nome a nome a nomeação da terra com suas pedras sôltas,

a cada pedra onde ela pedra é tão assim tocada,

no ar cego,

pelo ar como o amor toca o sangue e é o sôpro de quem ama

- o pé em cima da mão verídica com a chaga e com o beijo:

que eu não escreva nunca

nem abaixo nem acima do umbigo,

mas no umbigo mesmo,

que me dêem o nó agora à tripa entre mãe e filho,

que eu vá com toda a astúcia à minha vida tão difícil

 

Poema de Herberto Helder in "Letra Aberta, edição Porto Editora, Março de 2016

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publicado às 15:45


#1984 - S. Carey - "Neverending Fountain” (Official Video)

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.16

 

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publicado às 23:01


#1983 - Anna Akhmatova

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.16

 FERNANDO GUIMARÃES

 

ANNA AKHMATOVA

 

Estou agora sozinha. A noite pronuncia os nomes necessários.

Havia outrora alguém que deixava cair sobre os meus ombros

a areia rugosa. Dissera mesmo, com um sorriso: "Os teus

ombros de clepsidra..." E eu sentia esse rumor límpido, que levava

as pessoas a fitarem-se durante instantes, com uma suspeita

inesperada; uma espécie de veneno, digo-vos. O olhar

pousado neste espelho imobiliza-se; os dedos que teceram

os dourados ícones esperam ainda. Ficou à minha volta

apenas um ligeiro odor de tabaco, porque há muito as conversas

esmoreceram. Recomeço o maquillage e sei como os dedos

perseguem um corpo frágil e destruído; ao tocarem

com cuidado as sobrancelhas ainda poderão erguer esse pó azul

que as transforma numa espécie de versos, quando Tomachevski

nos vinha explicar: "a rima é a forma canonizada, métrica

da eufonia." E sinto ainda esse rumor triste, que ficou perdido

entre as vozes ciciadas, agora tornadas cúmplices. Uma mulher

aparecera com uma ave destruída nas mãos; o ar ficou

iluminado e sabíamos que ela pensava ainda num voo

que se tornara impossível. Foi assim que pude ver à minha volta

esta renda que chegava da idade, o tremor límpido que percorria

os braços, o contorno apenas adivinhado das veias. Sabia

que devagar começara o tempo a envolver-me; atravessei

um jardim e olhei as pegadas deixadas há muito nos caminhos. Pensei

nos bolbos, nas escamas da terra. Junto às portas entreabertas podia ver-se

alguns sinais que não sabia interpretar: talvez as sementes que nasciam

da própria casa, e sozinha escutava o rumor que atravessava estes corredores

vegetais. Tornava-se maior a minha sombra

em cada quarto, um pouco inclinada para os móveis abandonados onde

            ficou um pano

estendido como se esquecêssemos o seu peso. Recebo daqueles que amei

a luz; assim me inclino um pouco sobre esta mesa e inicio

uma leitura morosa, paciente. Por vezes, em qualquer recanto, escuto ainda o grito

agudo dos que se suicidaram e reparo num vestígio de sangue

nas suas têmporas: como um fio vermelho que marca as páginas

de um livro. - Ficou caída sobre os joelhos esta manta cujas pregas

componho devagar; atravessada  pelo frio húmido, desce até ao soalho  que

           cuidadosamente

enceraram. Quase em surdina, alguém ao meu lado disse: "Espero a noite

e os cavalos que a seduzem." A noite... É nela que irei procurar os limites

silenciosos destas paredes a que me acolhi; a sombra e a luz confundem-se

sobre os meus cabelos que sempre gostei de ter um pouco curtos. Reparo

nos favos da casa; há uma janela próxima que estremece

quando as folhas a vêm tocar, e principio a escrever ali as palavras que

             ficaram esquecidas.

Era assim que começava um poema ?  Tornaram-se mais cansados os

             gestos. Apenas sei

que caminho ao encontro dos companheiros que nunca pude esquecer, e agora

os meus passos são de água.

 

Poema de Fernando Guimarães in [Casa: O seu desenho, 1986]

 

 

 

 

 

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publicado às 21:15


#1982 - Wilson Tanner - Sun Room

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.16

 

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publicado às 18:37


#1981 - Jonjo Feather - Paper Mache Stars

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.16

 

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publicado às 17:58


#1980 - Paul Buchanan - Mid Air

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.16

 

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publicado às 17:44


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