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Maria Lúcia Torres Lepecki (Araxá, 1940 - Lisboa, 24 de Julho de 2011) foi uma professora universitária de literatura portuguesa, ensaísta e crítica literária.

Brasileira pelo nascimento, portuguesa pelo casamento, Maria Lúcia Lepecki licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Minas Gerais e doutorou-se, em 1967, com uma dissertação sobre Camilo Castelo Branco intitulada Sentimentalismo: Contribuição para o Estudo da Técnica Romanesca de Camilo.

Foi professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde ensinou entre 1970 e 2008, e especialista nas áreas de Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX.

Foi professora visitante e conferencista em várias universidades europeias (Salamanca, Oxford, Budapeste e Varsóvia) e brasileiras (Minas Gerais e Rio de Janeiro).

Colaborou com a Escola de Formação de Professores do Ensino Secundário da Cidade da Praia, em Cabo Verde.

Na sua actividade de crítica literária tem colaboração em inúmeras revistas e jornais portugueses e estrangeiros.

É colunista da revista mensal Super Interessante e membro do seu Conselho Consultivo.

Foi agraciada, em 2000, com o grau de comendadora da Ordem de Sant'Iago da Espada.

Faleceu em Lisboa em 24 de Julho de 2011, com 71 anos de idade, vítima de cancro[1].

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publicado às 15:24


#1447 - Morreu pintor inglês Lucian Freud

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.07.11

O pintor britânico Lucian Freud, que se distinguiu na arte figurativa, nomeadamente através das suas representações cheias de corpos nus, morreu, em Londres, aos 88 anos.

 

Lucian Freund, neto do neurologista Sigmund Freud (fundador da Psicanálise), era considerado o artista vivo mais caro do mundo.

 

 

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publicado às 23:15


#1446 - Tudo mudando "como soía"

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.07.11

 

Se "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" e "muda-se o ser, muda-se a confiança", porque não haveria de mudar a opinião do presidente da República sobre as agências de "rating"? E se "todo o Mundo é composto de mudança", porque não haveria de mudar a pequeníssima, embora irritante, parte do Mundo que é Macário Correia?

 

Dir-se-á que, se as agências de "rating" eram para Cavaco Silva, ainda há meses, uma espécie de anjo vingador das más políticas do Governo e se tornaram entretanto diabos, não foi Cavaco quem mudou mas a realidade (e o Governo).

 

O mesmo se diga de Macário Correia. Se, há um ano, portagens na Via do Infante eram uma "perfeita idiotice" e "uma medida tonta, esquisita, anárquica, de quem não tem noção da realidade" e, antes das eleições, uma "imposição pouco democrática" (pois "temos de ser sérios, coerentes, honestos e ter princípios"), e agora são "inevitáveis", não foi porque Macário Correia deixasse de ser "sério, coerente, honesto e ter princípios", mas porque a realidade é que deixou de ser honesta e ter princípios no dia 5 de Junho.

 

"Continuamente vemos novidades" e quem sabe?, um dia destes veremos Macário Correia convertido ao tabaco (os prejuízos da Tabaqueira pode bem ser uma pedra no sapato do desenvolvimento e, afinal de contas, os pulmões dos fumadores também têm que sacrificar-se pelo défice) proclamando que "beijar um cinzeiro é como lamber uma fumadora".

 

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publicado às 23:09


#1445 - Outras leituras na praia

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.07.11

 

LER NA PRAIA

 

"Não é assim tão fácil ler na praia. Deitados de costas, é quase impossível. O sol ofusca, é preciso manter na extremidade dos braços o livro sobre a cara. É bom durante alguns minutos, e depois voltamo-nos. De lado, apoiados num cotovelo, a mão pousada contra as têmporas, a outra mão mantendo o livro aberto e virando as páginas, é também bastante desconfortável. Então acabamos de barriga para baixo, com os dois braços dobrados diante de nós. Ao nível do solo há sempre um pouco de vento. Os pequenos cristais de mica insinuam-se na encadernação. Sobre o papel  acizentado e ligeiro dos livros de bolso, os grãos de areia amontoam-se, perdem o brilho, fazem-se esquecer - é apenas um peso suplementar que dispersamos negligentemente ao fim de algumas páginas. Mas sobre o papel pesado, granuloso e branco das edições originais, a areia insinua-se. Difunde-se sobre as asperezas cremosas e brilha aqui e ali. É uma pontuação suplementar, um outro espaço aberto.

 

O tema do livro também conta. Obtemos belas satisfações a jogar com os constrates. Ler uma passagem do Diário de Léautaud em que ele vilipendia precisamente os corpos amontoados  sobre as praias da Bretanha. Ler À Sombra das Raparigas em Flor e reconciliarmo-nos com um mundo balnear de chapéus de palha, sombrinhas, e de saudações destiladas à antiga. Mergulhar debaixo do sol no infortúnio chuvoso de Oliver Twist. Cavalgar à d'Artagnan na pesada imobilidade de Julho.

 

Mas trabalhar "na cor" também é bom: esticar até ao infinito O Deserto de Le Clézio no seu próprio deserto; e então entre as páginas a areia dispersa atinge segredos de tuaregue, sombras lentas e azuis.

 

A ler demasiado tempo com os braços estendidos diante de nós, o queixo enterra-se, a boca bebe a praia, então reerguemo-nos, braços cruzados contra o peito, uma só mão deslizando a intervalos para virar as páginas e mascá-las. É uma posição adolescente, porquê? Ela puxa a leitura para uma amplitude um tudo-nada melancólica. Todas estas posições sucessivas, estes ensaios, estas lassidões, estas voluptuosidades irregulares, é a leitura na praia. Temos a sensação de ler com o corpo."

 

Retirado do livro de Philippe Delerm "O primeiro golo de cerveja e outros prazeres minúsculos", editado por Gradiva, março de 1998

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publicado às 00:29


#1444 - Livros para ler nas férias

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

As sugestões de leitura  para as férias,  de acordo com o Jornal Sol.

 

Uma Viagem à Índia, Gonçalo M.Tavares. Romance vencedor do Prémio APE , de um dos mais aclamados escritores portugueses.

 

O Grande Bazar Ferroviário, Paul Theroux. Escrita por um dos mais famosos autores de literatura de viagens mundiais, esta é a narrativa do seu périplo pelos caminhos-de- ferro asiáticos, desde o Expresso do Oriente ao Transiberiano.

 

Quarto Livro de Crónicas, António Lobo Antunes. Só lhe falta o Nobel. Até à publicação do próximo romance (depois do Verão) o melhor é ir lendo as crónicas. Aqui se reúnem 79 dos textos publicados na revista Visão.

 

Destinos Entrelaçados, Abraham Verghese. Desde os anos 40 até aos dias de hoje, esta saga familiar passa por um convento na Índia, uma sala de operações na Etiópia e um hospital no Bronx, numa narrativa em que cirurgia e história – tal como os destinos – se entrelaçam.

 

Dicionário de Coisas Práticas, . Para conhecer melhor as opiniões do novo secretário de Estado da Cultura, que aqui se debruça sobre variados temas.

 

A Viagem, Virginia Woolf. Primeiro romance da autora, publicado em 1915, um rito de passagem para a maioridade. A protagonista parte para a América do Sul numa viagem de autodescoberta.

 

A Toupeira,. Primeiro livro da trilogia de Smiley, a série que deu ao autor o título de mestre da literatura de espionagem. Um agente a trabalhar para os soviéticos infiltrou-se nos Serviços Secretos Britânicos, pondo em causa algumas missões. Quem será?

 

Ilha Teresa, Richard Zimler. Se o escritor se mudou há duas décadas dos EUA para Portugal, neste romance faz o caminho contrário, colocando-se na pele de uma adolescente portuguesa emigrada nos EUA

.

A Verdadeira História do Bandido Maximiliano, Jacinto Rego de Almeida. Um divertido thriller composto por um manuscrito perigoso, uma família de bandidos e pelo clima tropical brasileiro. Perfeito para ler ao sol.

 

La Coca, J.Rentes de Carvalho. O escritor português é uma verdadeira pop-star literária na Holanda, mas só agora foi descoberto em Portugal. Muito humor numa narrativa que versa sobre o contrabando e o tráfico de droga no Norte do país.

 

Pornopopeia, Reinaldo Moraes. Um livro brasileiro de excesso para uma época de excessos. Sob a pressão de ter que fazer um filme publicitário sobre enchidos de frango, o protagonista entra numa espiral de sexo, álcool e drogas. Para rir e conhecer o que de melhor se está a fazer na literatura em língua portuguesa do lado de lá do Atlântico.

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publicado às 23:26


#1443 - Tomar um porto

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

 

"À primeira vista, é hipócrita:

- Um pequeno porto, então!

Dizemos isto com uma ínfima reticência, uma afabalidade restritiva. É claro que não somos um desses desmancha-prazeres que recusariam todas as liberalidades aperitivas. Mas o "pequeno porto, então" depende mais da concessão do que do entusiasmo. Entraremos no jogo, mas pouco a pouco, mezza voce, a golos furtivos.

 

Um porto não se bebe, beberrica-se. Não está só em causa a espessura aveludada, mas também a parcimónia afectada. Enquanto os outros se entregam ao amargor triunfal e gelado do whisky, do martini-gin, nós encorpamo-nos na tepidez da França antiga, no sabor frutado do jardim do abade, no açucarado de outrora - precisamente aquilo que faria corar as faces de uma rapariga.

 

Os dois "o" de porto flutuam no fundo da garrafa negra.

 

Porto é o que vagueia no fundo de um golfo sombrio, com um porte altivo de fidalgo. Da nobreza clerical, austera e todavia agaloada a oiro. Mas no copo fica apenas a ideia do negro. Mais grená do que rubi, é lava doce onde vão dar histórias de faca, sóis de vingança e ameaças de convento sob o gume do punhal. Sim, toda essa violência, mas adormecida pelo cerimonial do pequeno copo, pela sabedoria dos golos tímidos. Sol calcinado, estrépitos ensurdecidos. Um sabor perverso de fruto baço onde se teriam afogado os excessos, os esplendores. A cada golada deixamos que o  porto suba até uma fonte quente. É um prazer ao contrário, que se expande fora de tempo, quando a sobriedade se torna dissimulada. A cada golpe de língua em vermelho e negro sobe com mais força o pesado veludo. Cada golo é uma mentira."

 

Conto retirado do livro de Philippe Delerm "O primeiro golo de cerveja e outros prazeres minúsculos", edição Gradiva, março de 1998

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publicado às 22:37


#1442 - Citações

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

 

Mas o homem é um Animal Nobre

esplêndido quando cinza,

e cheio de pompa na tumba.

 

Sir Thomas Browne: "Urn Burial"

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publicado às 22:25


#1441 - Em "Nome de Guerra"

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

Pedro Teixeira Neves é o vencedor do Prémio de fotografia Retratar um Livro - "Nome de Guerra", de Almada Negreiros

 

O júri do Prémio de fotografia “Retratar um Livro”, composto pelo escritor e ensaísta António Mega Ferreira, o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho e o fotógrafo António Pedro Ferreira, por unanimidade, decidiu outorgar o primeiro prémio a Pedro Teixeira Neves (Algés) pelo conjunto de fotografias apresentadas a concurso que retrata o livro Nome de Guerra, de Almada Negreiros.

O segundo prémio foi para o conjunto de obras de Maria do Rosário António (Porto) e o terceiro para o díptico “Longe de nós”, de Paulo Lisboa (Leiria).

Este prémio, organizado pela Fundação José Saramago com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, do BPI e da Assírio & Alvim, pretende fomentar a leitura dos clássicos contemporâneos e que os leitores mostrem, através das fotografias que realizem, a sua própria interpretação da obra. Que sem dúvida será enriquecedora para o conjunto dos leitores.

A esta primeira edição concorreram mais de 300 obras originárias de todo o país. O prémio pretende ter continuidade nos próximos anos, com títulos imprescindíveis à literatura portuguesa, como é este Nome de Guerra, de Almada Negreiros, responsável, para José Saramago, “pela segunda revolução estilística da nossa língua e da nossa literatura. A primeira foi a do Garrett, com as Viagens na Minha Terra, e a segunda foi a do Almada Negreiros com o Nome de Guerra.”

Os galardoados receberão o prémio numa cerimónia que terá lugar no próximo mês de Setembro. Para além da dotação económica, serão entregues as colecções de obras de Almada Negreiros e de José Saramago, protagonistas deste Prémio, por cortesia da Assírio & Alvim e da Editorial Caminho. Nessa data será apresentada a exposição itinerante das fotografias premiadas, composta pelo conjunto de 21 obras seleccionadas pelo júri.

Os membros do júri, que consideraram de alto nível a maior parte das fotografias, definiram assim os trabalhos:

A originalidade da leitura, a qualidade de concepção e execução fotográfica e a compreensão visual do livro de Almada foram as razões da minha escolha.
António Mega Ferreira

O primeiro prémio destaca-se por iluminar a ficção de Almada Negreiros através de um percurso discursivo nada literal, antes imaginativamente reinspirador.
Jorge Vaz de Carvalho

É mais difícil retratar um livro que uma pessoa. Cada página é um rosto diferente, um olhar distinto, uma paisagem a inventar.
António Pedro Ferreira

 

 

 

Fundação José Saramago

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publicado às 21:39


#1440 - De Jorge de Sena para Sophia de Mello

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Jorge de Sena

 

Filhos e versos, como os dás ao mundo?

Como na praia te conversam sombras de corais?

Como de angústia anoitecer profundo?

Como quem se reparte?

Como quem pode matar-te?

Ou como quem a ti não volta mais?

 

 

1950

 

Jorge de Sena, Peregrinatio ad loca infecta, 1969

 

Retirado do livro "Sophia de Mallo Breyner . Jorge de Sena - Correspondência 1959-1978", edição Guerra & Paz, Fevereiro de 2010

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publicado às 18:46


#1439 - Uma flor portuguesa no funeral do euro

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

Ana Sá Lopes

 

 

É um prazer ouvir Durão Barroso falar alto em Bruxelas, até porque quase nunca acontece. É verdade que está entalado entre a verdadeira presidente da Europa - a chanceler alemã, Angela Merkel, assessorada pelo seu ajudante Sarkozy - e o misterioso senhor Rompuy, que para a maioria dos cidadãos da Europa se limita a ser um presidente de sabe- -se lá o quê. Mas enquanto a Europa arde, Durão Barroso - em vez de "glorificar" Portugal, como sonharam todos os patriotas quando o deixaram largar o aborrecidíssimo governo de 2004 - tem-se limitado a cumprir um decorativo papel de flor no funeral no euro e, consequentemente, da União Europeia. Para currículo político a pensar na futura corrida a Belém haveria de certeza melhor.

 

Porém, ontem foi, de certa forma, um dia histórico. Durão acordou. Antes da cimeira franco-alemã, o presidente da Comissão fez uma declaração de existência a todos os títulos interessante. Se Durão consegue dizer alto e bom som, para toda a imprensa europeia, que a situação é "muito grave", então é porque finalmente está assumido que a situação não é só "muito grave", mas sim de catástrofe iminente. Afinal Durão sabe que é "muito grave" há muito tempo - só não o diz porque não pode, ou não deve, ou não tem qualquer poder, etc.

Na véspera, a chanceler Merkel tinha evidenciado o grau de loucura de que está possuída, ao avisar toda a gente de que a cimeira de hoje não iria dar em nada. A incrível declaração sobre a impossibilidade de "avanços espectaculares" na crise do euro e na ajuda à Grécia é um epitáfio.

 

Artigo de opinião de Ana Sá Lopes no Jornal i

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publicado às 17:47


#1438 - Bienal de Cerveira começa hoje

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.07.11

 

 

A 16 ª Bienal de Cerveira, decorre entre 16 de Julho e 17 de Setembro, sob o tema REDES 2011. Na continuidade do modelo que a define há mais de três décadas, nesta edição, para além das obras seleccionadas por via do concurso internacional, será apresentado um conjunto de projectos curatoriais, performances e projectos de artistas convidados.

 


O evento integra ainda um conjunto de actividades complementares como as residências artísticas, ateliês, workshops, debates, conferências, concertos, visitas guiadas entre outros.
Sob a direcção artística de Augusto Canedo, esta 16ª edição inaugura um novo ciclo da sua organização, sob a égide da Fundação da Bienal de Cerveira.

 


Vila Nova de Cerveira, distinguida como a Vila das Artes, continua a marcar o panorama artístico nacional e a ser um lugar único, onde os que a visitam e em particular aqueles que compõem o mundo da arte, merecem um especial acolhimento.

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publicado às 17:56


#1437 - Os Lamed Wufniks

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.11

 

Existem na Terra, e sempre existiram, trinta e seis homens rectos, cuja missão é justificar o mundo perante Deus. São os Lamed Wufniks. Não se conhecem entre si e são muito pobres. Se um homem chega a saber que é um Lamed Wufnik morre imediatamente e existe outro, numa outra região do planeta, que ocupa o seu lugar. Constituem, sem o suspeitar, os secretos pilares do universo. Se não fosse por eles, Deus aniquilaria o género humano. São os nosso salvadores e não o sabem.

 

Esta mística crença dos judeus foi exposta por Max Brod.

 

A antiga origem pode encontrar-se no capítulo dezoito do Génesis, onde o Senhor declara que não destruirá a cidade de Sodoma, se nela houver dez homens justos.

 

Os Árabes têm um personagem semelhante, os Kutb.

 

Jorge Luís Borges, in "O Livro dos Seres Imaginários"

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publicado às 19:19


#1436 - As Lâmias

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.11

 

AS LÂMIAS

 

 

Segundo os clássicos latinos e gregos, as Lâmias habitavam em África. Da cintura para cima a sua forma era a de uma bela mulher; mais em baixo a de uma serpente. Alguns definiram-nas como feiticeiras; outros como monstros malignos. Não tinham a faculdade de falar, mas o seu assobiar era melodioso. Atraíam os viajantes nos desertos para depois os devorarem. A sua remota origem era divina; resultavam de um dos muitos amores de Zeus. Na parte da obra The Anatomy of Melancholy (1621) que trata da paixão do amor, Robert Burton narra a história de uma Lâmia que tinha assumido a forma humana e seduziu um jovem filósofo "não menos bonito do que ela". Levou-o ao seu palácio, que ficava na cidade de Corinto. Convidado para a boda, o mago Apolónio de Tíanos chamou-a pelo seu nome e de imediato desapareceram a Lâmia e o palácio. Pouco antes de morrer, John Keats (1795-1821) inspirou-se no relato de Burton para compor o seu poema.

 

Texto de Jorge Luís Borges retirado do Livro "O livro dos seres imaginários" edição Editorial Teorema, Abril de 2005

 

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publicado às 18:50


#1435 - Nick Cave - Into My Arms

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.07.11

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publicado às 16:56


#1434 - 9.ª FLIP

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.07.11

 

 

Festa Literária Internacional de Paraty, Brasil

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publicado às 14:34


#1433 - Fernando Pessoa escreveu argumentos para filmes

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.07.11

 

Sob o rótulo “Film Arguments”, Fernando Pessoa deixou escritos e datilografados argumentos cinematográficos em três línguas que só agora serão publicados em Portugal, bem como planos para criar uma produtora de cinema, a Ecce Film, e o respetivo logótipo.

 

Com edição, introdução e tradução de Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer, todos esses textos de Pessoa diretamente relacionados com cinema, inéditos em Portugal, foram pela primeira vez reunidos num volume intitulado “Argumentos para Filmes”, que chega a 08 de julho às livrarias, no âmbito da coleção “Obras de Fernando Pessoa”, coordenada por Jerónimo Pizarro e publicada pela Ática, chancela da Babel.

 

Aí se podem encontrar seis argumentos cinematográficos incompletos da autoria de Fernando Pessoa, “quase certamente escritos ainda na época do cinema mudo”, indicam os autores da obra no prefácio.

 

Quatro dos argumentos, “todos datáveis da década de 1920”, foram escritos em inglês – um deles com diálogos em português –, com indicações como “Nota para um ‘thriller’ disparatado. Ou para um filme” ou “Meio plano para peça ou filme.”

 

Os outros dois, “de data posterior a 1917” e redigidos em francês, já foram publicados, sim, mas apenas em França, em 2007, num pequeno opúsculo da Pléiade, juntamente com a tradução francesa de dois dos argumentos ingleses, e terão agora a respetiva tradução em português.

 

À Lusa, Claudia J. Fischer, professora e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse que embora tais argumentos cinematográficos não tenham até agora sido transcritos e traduzidos para português, presume que “já houvesse há algum tempo conhecimento da sua existência no espólio” de Fernando Pessoa (1888-1935).

 

“É espantoso” que tais textos não tenham ainda sido divulgados em Portugal, tendo em conta o grande número de estudiosos da obra do poeta que já teve acesso à sua famosa arca de papéis, observou a coautora deste livro, acrescentando que “além destes, há ainda outros textos que nunca foram publicados, contrariamente à ideia que existe de que tudo do Fernando Pessoa já está publicado”.

 

“Provavelmente, nunca foram levados muito a sério, porque são fragmentados, não são muito completos. Nunca chegou, ele próprio, a avançar com uma proposta de publicação, porque não teriam ainda a sua forma definitiva. Penso que será por isso”, sustentou.

 

O que Claudia J. Fischer e Patricio Ferrari acharam “particularmente fascinante” nestes argumentos ou planos para argumentos de filmes foi o facto de eles refutarem a tese de que Fernando Pessoa não se interessava por cinema, uma tese que até agora vigorava e era defendida em várias obras, incluindo o “Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português”, um volume publicado em 2008, com quase 600 artigos da autoria de 90 especialistas portugueses e estrangeiros, centrado na obra do poeta e nos traços culturais do seu tempo.

 

Essa tese tinha como fundamento excertos de alguns poemas de Álvaro de Campos, textos e correspondência de Pessoa em que este expressava uma quase aversão à sétima arte e que estão também incluídos neste livro “Argumentos para Filmes”, para melhor se entender o que afinal pensava o poeta sobre o cinema.

 

Nesses textos, “há várias referências ao cinema, muitas em tom um pouco depreciativo, mas porque está a referir-se ao cinema hollywoodiano, que considerava superficial – ou seja, há realmente um tratamento do tema do cinema, mas de um ponto de vista crítico”, apontou a investigadora.

 

Porém, como Pessoa “tinha a preocupação de ‘Fazer pela Vida’ – para citar o título do livro que Mega Ferreira escreveu sobre ele, em que ele apresenta vários projetos, patentes de máquinas, etc. –, como tinha a preocupação de rentabilizar algum produto seu, nós pensamos que estes argumentos, especialmente os ingleses, provavelmente tinham o intuito de ser comercializados no mercado anglófono – e não no português – e por isso é que estão em inglês”, referiu.

 

“São ‘thrillers’, às vezes lembram um bocadinho comédias de costumes, são sempre brincadeiras em torno de trocas de identidade, o que é muito interessante também para uma poética do Pessoa, toda a questão da identidade está muito iminente. São textos fragmentários, curtinhos, mas podem completar imensamente uma imagem do perfil que tem sido construído de Fernando Pessoa”, defendeu.

 

Outro dos capítulos do livro é dedicado aos projetos do poeta relacionados com o cinema: em 1919/1920, queria criar uma empresa que se chamaria Cosmopolis e, mais tarde, o Grémio de Cultura Portuguesa, “que eram uma espécie de agências de propaganda nacional” – explicou a professora universitária –, cuja ação passaria necessariamente pelo cinema, que Pessoa descreveu, nos seus planos, como “uma das maiores armas de propaganda que se pode imaginar” e que pretendia usar “para divulgar Portugal no mundo”.

 

É no âmbito destes dois projetos que tem a ideia – “que passou muito despercebida” – de criar uma produtora cinematográfica, a Ecce Film, sublinhou.

 

“O logótipo, completamente inédito, que nós reproduzimos no livro é invenção do Fernando Pessoa, incluindo o aspeto gráfico. Ele ensaiou vários logótipos para esta Ecce Film e imaginou já o papel timbrado e os envelopes com uma morada – que nós desconhecíamos se existia e que fomos procurar”, descreveu.

 

A morada era ‘Rua de S. Bento, números 333 e 335’ e os dois investigadores descobriram que aí existira um estúdio de cinema que era utilizado por importantes produtoras de filmes da época.

 

O que se conclui, frisou Claudia J. Fischer, e é essa a grande novidade deste livro, é que “Fernando Pessoa estava a par do que se passava no setor cinematográfico em Lisboa, interessava-se por isso e chegou mesmo a projetar qualquer atividade sua ligada ao cinema, fosse produção ou fosse divulgação”.

 

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publicado às 20:45


#1432 - Já nas bancas

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.07.11

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publicado às 20:27


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