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#1229 - O diabo do poder, de Anselmo Borges

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.02.10

Professor Anselmo Borges, padre, filósofo, teólogo e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Quando se reflecte sobre o mal, o que mais impressiona é o mal moral: porque é que a liberdade não é sempre boa? Porque não fazemos sempre o bem?

 

Estas perguntas são de tal modo dramáticas que, para explicar o bem e o mal no mundo, muitas vezes se recorreu a um duplo Princípio: um Princípio do Bem e um Princípio do mal. No contexto do cristianismo, que, por sua vez, bebeu noutras fontes religiosas mais antigas, o diabo apareceu como "solução" para o enigma. Ele seria o Tentador e o ser humano nem sempre resiste à tentação.

 

Neste contexto, é preciso dizer, em primeiro lugar, que o Credo cristão não fala do diabo. O cristão não acredita no diabo, mas em Deus. Quanto ao diabo tentador, seria necessário perguntar quem tentou o diabo para, de anjo bom, se tornar anjo mau, precipitado no inferno e tentador dos homens. Lembro que já Kant fez notar que um catequizando iroquês perguntou ao missionário: porque é que Deus não acabou com o diabo? Quanto às tentações, não é preciso diabo nenhum. Bastamos nós. O Homem, entre a finitude e o Infinito, está inevitavelmente sujeito à falibilidade e à queda.

Tentação vem do latim temptare, que, para lá de ensaiar, experimentar, tentar, também quer dizer atacar, procurar seduzir e corromper, pôr à prova.

Neste quadro, a tentação maior é a do poder, não enquanto serviço, mas enquanto domínio, vanglória e exaltação do eu. Pela sua própria dinâmica, o poder tende a ser total. E porquê? Porque a ilusão da omnipotência dá a ilusão da imortalidade, de dominar, vencer e matar a morte. Omnipotentes, seríamos imortais.

Quem quiser uma prova de que a tentação maior é a do poder - financeiro, económico, político... - olhe para o palco da presente situação nacional.

A Igreja, na liturgia, muda os textos, segundo os anos. Mas, no primeiro Domingo da Quaresma, a seguir ao Carnaval, lê-se sempre o Evangelho que refere as tentações de Cristo. São três e, contra a impressão que a Igreja acabou por dar - as tentações seriam sobretudo as do sexo -, são todas relativas ao poder.

O diabo não existe, não se justificando, portanto, os exorcismos. Ali, nas tentações de Cristo, também não há diabo nenhum. O diabo não apareceu a Jesus. Todo aquele excepcional passo do Evangelho é uma encenação dramática que personifica na figura do diabo a vivência da luta de Jesus em ordem à sua decisão: há-de ser um messias do poder ou o messias do serviço? O que ali se determina é se a sua mensagem é a divinização do Homem ou a humanização de Deus. Afinal, a boa nova do Evangelho é que Deus não está interessado nele mesmo nem no culto que lhe possamos prestar, mas exclusivamente no bem-estar e realização dos seres humanos, na plena humanização de todos.

Nenhum exegeta viu tão fundo neste passo como Dostoievski em Os Irmãos Karamazov. Ivan conta a Lenda do Grande Inquisidor. Jesus aparece em Sevilha, no dia a seguir à queima de quase uma centena de hereges. A multidão reconhece-o e segue-o, mas o cardeal inquisidor manda prendê-lo. Na prisão, diz-lhe que ele não entendeu os homens, ao querer a liberdade para eles. Foi por isso que não cedeu às tentações do milagre: transformar as pedras em pães, deitar-se abaixo do pináculo do Templo. Mas os homens não suportam o fardo da liberdade. Assim, a Igreja corrigiu a sua façanha, baseando-a em milagre e poder. "E as pessoas ficaram contentes por serem de novo guiadas como um rebanho e por ter sido tirada dos seus corações a dádiva mais terrível que tanto sofrimento lhes causava: a liberdade." "Vai-te embora e não voltes mais... não voltes... nunca, nunca!"

A tentação maior da Igreja é a do poder: poder social e político, controlo das consciências, imposição das suas normas aos não crentes, aceitação de uma religiosidade mágica e milagreira...

"A última tentação de Cristo", na cruz, não foi, como sugeriu M. Scorsese, casar com Maria Madalena, mas descer da cruz. Não cedeu. Deus não livra da finitude nem, consequentemente, da morte.


In "Diário de Notícias"

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publicado às 13:57


# 1228 - A Pordata, Base de Dados de Portugal Contemporâneo

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.02.10

pordata

A Pordata é um serviço público, um projecto destinado a todos, pensado para um vasto número de utentes que comungam do interesse em conhecer, com confiança e rigor, mais sobre Portugal. É, por isso, com imenso orgulho que passo, a partir de hoje, a partilhar esta fonte de informação com todos os que possam dela necessitar. ver mais

 

Maria João Valente Rosa

Directora do Projecto

 

Fundação Francisco Manuel dos Santos

A Pordata, Base de Dados de Portugal Contemporâneo, foi organizada pela FFMS, Fundação Francisco Manuel dos Santos. Esta foi criada em 2009 pelos seus fundadores, Alexandre Soares dos Santos e sua família, descendentes de Francisco Manuel dos Santos, a cuja memória decidiram consagrar a fundação. ver mais

 

António Barreto

Presidente do Conselho de Administração

 

www.pordata.pt

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publicado às 21:45


#1227 - 4 Poemas de Mário Faustino

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.02.10

 

VIDA TODA LINGUAGEM

 

Vida toda linguagem,

frase perfeita sempre, talvez verso,

geralmente sem qualquer adjetivo,

coluna sem ornamento, geralmente partida.

Vida toda linguagem,

há entretanto um verbo, um verbo sempre, e um nome

aqui, ali, assegurando a perfeição

eterna do período, talvez verso,

talvez interjetivo, verso, verso.

Vida toda linguagem,

feto sugando em língua compassiva

o sangue que criança espalhará - oh metáfora ativa!

leite jorrado em fonte adolescente,

sêmen de homens maduros, verbo, verbo.

Vida toda linguagem,

bem o conhecem velhos que repetem,

contra negras janelas, cintilantes imagens

que lhes estrelam turvas trajetórias.

Vida toda linguagem --

como todos sabemos

conjugar esses verbos, nomear

esses nomes:

amar, fazer, destruir,

homem, mulher e besta, diabo e anjo

E deus talvez, e nada

Vida toda linguagem,

vida sempre perfeita,

imperfeitos somente os vocábulos mortos

com que um homem jovem, nos terraços do inverno, con-

[tra a chuva,

tenta fazê-la enterna - com se lhe faltasse

outra, imortal sintaxe

à vida que é perfeita

língua

eterna.


 

 

 

SINTO QUE O MÊS PRESENTE ME ASSASSINA

 

Sinto que o mês presente me assassina,

As aves atuais nasceram mudas

E o tempo na verdade tem domínio

Sobre homens nus ao sul de luas curvas.

Sinto que o mês presente me assassina,

Corro despido atrás de um cristo preso,

Cavalheiro gentil que me abomina

E atrai-me ao despudor da luz esquerda

Ao beco de agonia onde me espreita

A morte espacial que me ilumina.

Sinto que o mês presente me assassina

E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas

De apóstolos marujos que me arrastam

Ao longo da corrente onde blasfemas

Gaivotas provam peixes de milagre.

Sinto que o mês presente me assassina,

Há luto nas rosáceas desta aurora,

Há sinos de ironia em cada hora

(Na libra escorpiões pesam-me a sina)

Há panos de imprimir a dura face

À força de suor, de sangue e chaga.

Sinto que o mês presente me assassina,

Os derradeiros astros nascem tortos

E o tempo na verdade tem domínio

Sobre o morto que enterra os próprios mortos

O tempo na verdade tem domínio,

Amém, amém vos digo, tem domínio

E ri do que desfere verbos, dardos

De falso eterno que retornam para

Assassinar-nos num mês assassino.


 

EGO DE MONA KATEUDO

 

Dor, dor de minha alma, é madrugada

E aportam-me lembranças de quem amo.

E dobram sonhos na mal-estrelada

Memória arfante donde alguém que chamo

Para outros braços cardiais me nega

Restos de rosa entre lençóis de olvido.

Ao longe ladra um coração na cega

Noite ambulante. E escuto-te o mugido,

Oh vento que meu cérebro aleitaste,

Tempo que meu destino ruminaste.

Amor, amor, enquanto luzes, puro,

Dormido e claro, eu velo em vasto escuro,

Ouvindo as asas roucas de outro dia

Cantar sem despertar minha alegria.


 

BALADA

(Em memória de uma poeta suicida)

 

Não conseguiu firmar o nobre pacto

Entre o cosmos sangrento e a alma pura.

Porém, não se dobrou perante o fato

Da vitória do caos sobre a vontade

Augusta de ordenar a criatura

Ao menos: luz ao sul da tempestade.

Gladiador defunto mais intacto

(Tanta violência, mas tanta ternura),

 

Jogou-se contra um mar de sofrimentos

Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim

Para afirma-se além de seus tormentos

De monstros cegos contra só um delfim,

Frágil porém vidente, morto ao som

De vagas de verdade e de loucura.

Bateu-se delicado e fino, com

Tanta violência, mas tanta ternura!

 

Cruel foi teu triunfo, torpe mar.

Celebrara-te tanto, te adorava

De fundo atroz à superfície, altar

De seus deuses solares - tanto amava

Teu dorso cavalgado de tortura!

Com que fervor enfim te penetrou

No mergulho fatal com que mostrou

Tanta violência, mas tanta ternura!

 

Envoi

 

Poemas de Mário Faustino retirados do livro "O Homem e sua hora"

 

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publicado às 19:13


#1226 - 10 Regras para escrever ficção

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.02.10

Tips for writers

Illustration: Andrzej Krauze

 

Ler aqui

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publicado às 18:34


#1225 - Começa Hoje

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.02.10

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publicado às 12:59

O arquitecto Álvaro Siza Vieira é um dos 200 criadores de todo o mundo convidados a conceber uma "intervenção de sonho" no interior do Museu Guggenheim de Nova Iorque, iniciativa para assinalar o 50 aniversário da instituição.

In Público

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publicado às 12:33

 

Maria Velho da Costa venceu o primeiro prémio da 7.ª edição do Prémio Literário Casino da Póvoa, anunciado hoje na abertura do Correntes d' Escritas, que decorre na Póvoa de Varzim. A escritora, cujo nome foi escolhido pela maioria do júri, foi distinguida pelo livro “Myra”.


In Público

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publicado às 12:29


#1222 - "Viva la muerte"

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.02.10



Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar".

O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...


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publicado às 06:30


#1221 - Poema de Charles Bukowski

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.02.10

há um pássaro azul no meu coração

que quer sair

mas eu sou demasiado duro para ele,

e digo, fica aí dentro,

não vou deixar

ninguém ver-te.

há um pássaro azul no meu coração

que quer sair

mas eu despejo whisky para cima dele

e inalo fumo de cigarros

e as putas e os empregados de bar

e os funcionários da mercearia

nunca saberão

que ele se encontra

lá dentro.

há um pássaro azul no meu coração

que quer sair

mas eu sou demasiado duro para ele,

e digo, fica escondido,

queres arruinar-me?

queres foder-me o

meu trabalho?

queres arruinar

as minhas vendas de livros

na Europa?

há um pássaro azul no meu coração

que quer sair

mas eu sou demasiado esperto,

só o deixo sair à noite

por vezes

quando todos estão a dormir.

digo-lhe, eu sei que estás aí,

por isso

não estejas triste.

depois,

coloco-o de volta,

mas ele canta um pouco lá dentro,

não o deixei morrer de todo

e dormimos juntos

assim

com o nosso

pacto secreto

e é bom o suficiente

para fazer um homem chorar,

mas eu não choro,

e tu?

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publicado às 00:04


#1220 - Um poema de Fernando Vieira (1923-1994)

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.10

             AS ESTÁTUAS


Não gosto de estátuas jacentes.

Os olhos convexos preenchendo as órbitas

Reflectem no corpo horizontal

A quietude da morte irremediável.


Gosto mais das estátuas erectas.

Os olhos convexos preenchendo as órbitas

Transmitem ao corpo vertical

A impressão de gesto suspenso,

De curta paragem, de instante contido

Que vai libertar-se no segundo mais próximo.

De gesto suspenso a movimentar-se

Num sopro de vida despertando a pedra,

Quem sabe se um grito que súbito aqueça

O gelo da pedra, a carne da pedra.


22 de Maio de 1994

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publicado às 23:10


#1219 - BAHAMUT

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.10



A fama de Bahamut chegou aos desertos da Arábia, onde os homens alteraram e valorizaram a sua imagem. De hipopótamo ou elefante fizeram-no peixe que se mantém sobre a água sem fundo e sobre o peixe imaginaram um touro e sobre o touro uma montanha feita de rubis e sobre a montanha um anjo e sobre o anjo seis infernos e sobre os infernos a terra e sobre a terra sete céus. Podemos ler numa lenda recolhida por Lane:


"Deus criou a terra, mas a terra não tinha apoio e assim sob a terra criou um anjo. Mas o anjo não tinha apoio e assim sob os pés do anjo criou um penhasco feito de rubis. Mas o penhasco não tinha apoio e assim sobre o penhasco criou um touro com quatro mil olhos, orelhas, narizes, bocas, línguas e pés. Mas o touro não tinha apoio e assim sob o touro criou um peixe chamado "Bahamut", e sob o peixe pôs água, e sob a água pôs escuridão, e a ciência humana não vê para lá desse ponto."


Outros declaram que a terra tem a sua origem na água; a água no penhasco; o penhasco na cerviz do touro; o touro num leito de areia; a areia em Bahamut; Bahamut num vento sufocante; o vento sufocante numa neblina. A base da neblina é desconhecida.


Tão imenso e tão resplandecente é Bahamut que os olhos humanos na~suportam a sua visão. Todos os mares da terra, postos numa das suas fossas nasais, seriam como um grão de mostarda em metade do deserto. Na 496ª noite do livro d' As Mil e Uma Noites  refere-se que a Isa Gesus) foi concedido ver Bahamut e que, dada essa mercê, rolou pelo chão e levou três dias a recuperar o conhecimento. Acrescente-se que sob o desaforado peixe há um mar e sob o mar um abismo de ar, e sob o ar o fogo, e sob o fogo uma serpente que se chama "Falak", em cuja boca estão os infernos.


A ficção do penhasco sobre o touro e do touro sobre Bahamut e de Bahamut sobre qualquer outra coisa parece ilustrar a prova cronológica de que Deus existe, com que se argumenta que toda a cause requer uma causa anterior e assim se proclama a necessidade de afirmar uma causa primeira, para não proceder até ao infinito.

 

Retirado do livro de Jorge Luis Borges - O livro dos seres imaginários.

Jorge Luis Borges contou com a colaboração de Margarita Guerrero.

O livro foi publicado em 1989 e editado em Portugal em Abril de 2005 pela Editorial Teorema

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publicado às 21:25


#1218 - Elton John: “Jesus era gay”

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.10

 

O cantor Elton John  afirmou, em entrevista à revista “Parade",  que Jesus Cristo era “gay” e “super inteligente”.

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publicado às 17:58


#1217 - O Terceiro Reich', de Bolaño, lançado na Póvoa de Varzim

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.10

'O Terceiro Reich', de Bolaño, lançado na Póvoa de Varzim

Música para dançar pela noite fora, selecionada por um DJ livreiro e leitor, a partir do livro de Roberto Bolaño: vai ser assim a apresentação de O Terceiro Reich, quinta feira, no festival literário Correntes d' Escritas.

O Bar da Praia, na Póvoa de Varzim, será o palco deste lançamento nacional da primeira tradução mundial do livro de Bolaño, marcado para as 23.30, no âmbito do encontro literário de escritores de expressão ibérica.

O diretor editorial da Quetzal, Francisco José Viegas, fará uma breve apresentação do livro e, depois, a noite será conduzida pela música do dj irmãolúcia, numa sessão intitulada "Rock afinado pela literatura de Roberto Bolaño", disse à Lusa fonte da editora.

A iniciativa não é inédita - já tinha feito o mesmo no lançamento do romance 2666, considerado a obra-prima do escritor falecido em 2003, aos 50 anos. Agora, a ideia repete-se na Póvoa (e voltará a Lisboa, ao Musicbox, na noite de 5 para 6 de Março, após a 01.30).

In "DN"

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publicado às 17:40


#1216 - Correntes d’ Escritas

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.02.10

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publicado às 18:40


#1215 - 30.º Festival Internacional de Cinema do Porto

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.02.10

 

Ver programação, lista de filmes e secções oficiais competitivas

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publicado às 18:27


#1214 - Haiti. Onde estava Deus? (2)

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.02.10


Como se lê no documento da Associação de Teólogos João XXIII, aqui citado na semana passada, a pergunta religiosa "onde está Deus no Haiti?" "não é nem pode ser a primeira". Na tragédia do Haiti, converge um conjunto de dados: uma zona sísmica; a mão agressiva do Homem, que desflorestou o Haiti, explorou sem limites as suas reservas naturais e construiu sem o mínimo de segurança; as condições de extrema precariedade em que os colonizadores deixaram o país, a tradição esclavagista, a corrupção generalizada, a ditadura de Governos exploradores, a distribuição injusta dos recursos... O documento observa, criticamente: tudo se afundou, mas o moderno bairro rico de Pétionville, em Port-au-Prince, foi preservado.

 

A ordem internacional "está montada sobre a concentração da riqueza em 20% da Humanidade e o desamparo de boa parte dela". Governos corruptos, países ricos que os protegem por causa dos seus próprios interesses, tornam alguns povos e Estados incapazes de defender-se de catástrofes naturais. "Sem esta ordem de coisas, a catástrofe teria sido muito menor." Os haitianos são tão pobres que nem possibilidades tinham de receber e distribuir as ajudas que chegavam ao território. Assim, deve-se culpar "a actual ordem internacional que só pode sustentar-se na base do poder económico, político e militar dos países ricos e a persistente corrupção das elites dirigentes do país".

 

E Deus? Todos temos de mudar, para que não haja mais "Haitis assolados nem Palestinas massacradas nem Auschwitz nem Hiroshimas", e o Deus de Jesus deve ser "o grande acicate de justiça e solidariedade para todos os que se chamam cristãos".

Mas a pergunta atravessa a história do pensamento, e é particularmente dramática para quem acredita no Deus pessoal e criador, omnipotente e infinitamente bom. Deus quis evitar o mal, mas não pôde: então, não é omnipotente. Pôde, mas não quis: então, não é bom. Pôde e quis: então, donde vem o mal?

Aqui, também é necessário perguntar: donde vem o bem? De qualquer modo, as tentativas de resposta sucederam-se. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino argumentaram que o mal não existe em si mesmo, pois é só uma privação no bem. Ou então que Deus não quer o mal, apenas o permite como provação e castigo. Pergunta-se: e as crianças inocentes? É por causa do sofrimento das crianças que Dostoievski, em Os Irmãos Karamazov, faz Ivan dizer que entrega o "bilhete de entrada" no mundo. Em A Peste, de A. Camus, o Dr. Rieux diz ao padre que, diante da criança que morre, não pode aceitar Deus.

À famosa Teodiceia (justificação de Deus), de Leibniz, onde se defende que este é o melhor dos mundos possíveis, Voltaire contrapôs ironicamente o seu Cândido e o "Poema sobre o desastre de Lisboa", por causa do terramoto. A. Schopenhauer escreverá que este é o pior dos mundos possíveis.

Hegel dialectizou o sofrimento em Deus: a negatividade é um momento da história de Deus. Um pouco na esteira hegeliana, alguns teólogos falaram de um "Deus sofredor" e, face ao horror do Holocausto, o filósofo judeu Hans Jonas defendeu a impotência de Deus: em Auschwitz, Deus calou-se, "não porque não quis, mas porque não pôde". Pergunta-se: é claro que o poder e a bondade de Deus não podem ser concebidos ao modo humano, mas que ajuda traz um Deus impotente? Deus solidariza-se com o ser humano na cruz de Cristo.

O teólogo A. Torres Queiruga pergunta se não é contraditório pretender pensar um mundo finito sem mal. Face ao mal, que atinge crentes e não crentes, todos têm de viver e justificar a sua fé. E Hans Küng, que reconhece que o mal parece ser "a rocha do ateísmo", pergunta, com razão, na sua última obra Was ich glaube (A minha fé): "O ateísmo explica melhor o mundo" do que a fé em Deus? "No sofrimento inocente, incompreensível, sem sentido, a descrença pode consolar? Como se a razão descrente não encontrasse também neste sofrimento o seu limite! Não, o antiteólogo não está aqui de modo nenhum melhor do que o teólogo."


Artigo de Professor Anselmo Borges in Diário de Notícias

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publicado às 16:25


#1213 - Recordar Bartolomeu Cid dos Santos [1931-2008]

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.02.10

Bartolomeu Cid dos Santos, Minha Adelina, 1979, trial proof final state, técnica mista, 53 x 68 cm

Bartolomeu Cid dos Santos, O Poeta Álvaro de Campos, 1984, técnica mista, mancha 60 x 40 cm papel 76 x 57 cm

Don't 2001

Birth of an all American boy, 2001

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publicado às 16:13


#112 - Saramago lança livro onde “se mete com toda a gente"

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10


 

Saramago lança livro onde “se mete com toda a gente” (COM VÍDEO)

O Nobel da Literatura José Saramago acaba de lançar um novo livro: ‘Caderno 2’, que resulta da compilação das suas crónicas escritas no blogue com o mesmo nome.

Depois do primeiro volume, esta continuação editada pela Caminho, com prefácio do escritor Umberto Eco, aglutina os escritos produzidos entre Setembro de 2008 e Novembro do ano passado.

No seu prefácio, Umberto Eco descreve Saramago como sendo alguém que “tem 87 anos e (diz eles) alguns achaques, ganhou o Nobel, distinção que lhe permitiria nunca mais produzir nada porque seja como for já tem no Panteão o seu lugar garantido”. Já sobre a base do blogue, o escritor de ‘O Nome da Rosa’ realça que no espaço online Saramago “se mete um pouco com toda a gente, atraindo sobre a sua pessoa polémicas e excomunhões vindas de muito lado”.

“Então volta à cena o Saramago filósofo-narrador, já não zangado mas meditativo e incerto. Contudo não nos desagrada mesmo quando se enfurece. É simpático”, acrescenta Eco. [In Correio da Manhã]

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publicado às 21:57


#1211 - Lâmpadas com alguns insectos

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10



Para receberem a alegria de um raio puro

os homens seguiam a direcção do vento

e nas mãos obscuras erguiam as silenciosas colunas

que edificavam a terra


Era o azul no centro e povoado de astros

e na arca da noite os cavalos e as serpentes

atravessavam os espelhos e bebiam o esplendor

como um fruto inteiro de argila e fogo


Repousavam no horizonte entre um ribeiro e um bosque

e nas suas sombras agurdavam os tesouros das constelações

O seu ritmo natural era o ritmo do universo

e eram seres recém-nascidos navegando nas veias

de um corpo paradisíaco

 

poema de antónio ramos rosa - lâmpadas com alguns insectos - Edição: Pedra Formosa Edições, 1992

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publicado às 21:45


#1210 - Por Outras Palavras de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10



Guilhotinar a cultura

Em 1933, a Alemanha hitleriana promoveu, em dezenas de cidades, a queima pública de livros "não alemães" e de "intelectuais judaicos". A "Bücherverbrennung" (queima de livros) obedeceu ao projecto de "sincronização cultural" de Goebbels visando a "limpeza" da cultura alemã.

Foram assim atirados ao fogo, no meio de multidões ululantes e de braço estendido, obras de, entre outros, Thomas Mann, Walter Benjamin, Brecht, Musil, Heine, Freud, Einstein... Hoje já não se acendem fogueiras, usam-se guilhotinas. Mas o objectivo continua a ser a "limpeza", desta vez comercial, e a "sincronização cultural", agora com os padrões do lucro a qualquer preço, mesmo que seja ao preço da própria cultura. Se não vejam-se os "intelectuais" sacrificados na "Bücherguillotinierung" (guilhotinagem de livros) recentemente organizada pelo Grupo Leya de Miguel Pais do Amaral: Garrett, Fernão Lopes, Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Ramos Rosa, Goethe, Holderlin... Ao menos os nazis queimavam livros em nome de uma ideia de cultura, o que sempre é um pouco mais respeitável que fazê-lo por mera ganância.

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publicado às 21:28


#1209 - Bernardo Soares

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10


Ter opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta.


::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::.


O entusiasmo é uma grosseria.

A expressão do entusiasmo é, mais do que tudo, uma violação dos direitos da nossa insinceridade.

Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária.


Por mim não tive convicções. Tive sempre impressões. Nunca poderia odiar uma terra em que eu houvesse visto um poente escandaloso.


Exteriorizar impressões é mais persuadirmo-nos de que as temos do que termo-las.


O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa (Bernardo Soares), edição de Richard Zenith - Assírio & Alvim, edição 490. 1.ª Edição: Setembro 1998 | 5.ª Edição: Março de 2005

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publicado às 21:10


#1208 - Sinais de Vida

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10



ANJO MORTO


O corpo passa entre fendas na madeira.


Graficamente a representação é igual

aos veios claros e escuros. Podes

ser um corpo e no entanto também uma

linha cor de sépia. Tu foste

asfixiado pela Poética. A liberdade que

Te era possível na estrutura do Poe-

ma levou-te até à agonia. Mas a voz

em estertor é minha. E as linhas frágeis

no papel comovem-me. Tu és o Único

nesta gravura baça a água-forte.


És um resíduo incandescente. Quan-

do Te invoco recupero-Te poe-

ticamente. Nada de Ti me falta. Apenas

não Te conheço mais completo do que

ver-Te entre fendas. Ou sem lucidez.

A possibilidade que tens de me seres

alheio torna-Te incisivo como o corte

da goiva. A tua presença morta é a úl-

tima confirmação da natureza íntima

da imagem. Sulco morto na matéria.


Poema de Fiama Hasse Pais Brandão extraído do livro "Obra Breve - Poesia Reunida", edição Assírio & Alvim n.º 0976, Maio de 2006

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publicado às 20:51


#1207 - Cabrera Infante revive en La Habana

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10

Se edita 'Cuerpos divinos', obra autobiográfica inédita de la vida en Cuba del escritor

 

"Las revoluciones son el final de un proceso de las ideas, no el principio, y es siempre un proceso cultural, nunca político. Cuando interviene la política -o mejor los políticos- no se produce una revolución, sino un golpe de Estado, y el proceso cultural se detiene para dar lugar a un programa político. La cultura entonces se convierte en una rama de la propaganda. Es decir, las ilusiones de la cultura, el sueño de la razón, se transforman en pesadilla".

El manuscrito de Cuerpos divinos estaba, como tantos otros papeles, notas y cuadernos de Guillermo Cabrera Infante, en la casa de Gloucester Road, en Londres, donde el escritor cubano vivió hasta su muerte, el 22 de febrero de 2005. Muy a su pesar, Cuerpos divinos no era una novela sino unas memorias -"veladas", dijo él- que arrancaban en 1958 y se cerraban (de momento) en 1962. Un libro inacabado de alto valor testimonial ya que en él se encierra, según explica Miriam Gómez, viuda del escritor, "todo el dolor" del autor de Tres tristes trigres y de La Habana para un infante difunto.

Cuerpos divinos (Galaxia Gutenberg / Círculo de Lectores) saldrá a la venta la próxima semana. Casi 600 páginas llenas de encantos y desencantos. La Habana, el cine, el sexo, la música y, cómo no, la revolución y el exilio: "No sólo la historia, sino la geografía nos condena", escribe Cabrera. "Han hecho truco hasta con la topografía. Nacimos en un oasis y con un pase de mano nos encontramos en pleno desierto".

"Fue aquélla la mejor época de nuestra vida.

-Sí -le dije-. Es muy posible que fuera la mejor". Así termina un libro que podía haber terminado de otras mil maneras distintas. Para Toni Munné, director de las obras completas del escritor cubano que aparecerán a partir de otoño en la misma editorial, Cuerpos divinos es un libro fundamental dentro de la obra de Cabrera. "Es el libro que le acompañó toda su vida. Si seguimos las entrevistas a Guillermo vemos que él siempre estaba escribiendo Cuerpos divinos. Es un libro escrito desde el recuerdo, desde la voluntad de recordar".

 

"Le dolía. Luchaba para escribirlo", explica Miriam Gómez. "Yo le tenía miedo a Guillermo cuando la escribía. Se desnudaba y sólo la luz de su lámpara le calentaba. Me aterraba saber qué podía contar". Intimidades sexuales, reflexiones políticas, amigos desenmascarados y otros fusilados o muertos en vida. "Estaba todo el horror y yo no he querido ni he podido tocarlo", dice Gómez. "Quedan notas, muchas, pero era imposible encajarlas bien. Todas estarán incluidas en las obras completas, pero el libro debía salir así, hasta el desencanto".

Cabrera Infante le pidió a su mujer que cambiara los nombres falsos que había puesto en el libro una vez que las personas de las que hablaba hubieran muerto. "Sólo la gente que él despreciaba seguirá con seudónimo". Con su nombre aparecen Hemingway o el propio Fidel Castro, y, con todo lo demás, las mujeres de un hombre enamorado y sexualmente apasionado. "Yo temblaba cuando cogí el libro", recuerda Miriam Gómez. "Me lo llevé a la cama y temblaba. ¿Cómo voy a aparecer yo? Pero ya tengo 70 años y no me importa nada. Guillermo era un loco de las mujeres y era un hombre enamorado. Su madre fue una mujer superior y eso siempre le marcó. Él adoraba escuchar a su madre y a las amigas de su madre, siempre recordaba ese olor a frutas que tenemos las mujeres cuando cruzamos las piernas en el trópico".

Y vuelve a escribir Cabrera: "El hombre es un animal geográfico. La historia no es más que geografía en movimiento, una suerte de isla flotante. Las islas tienden a dominar el continente. Me sé todas esas citas. Son tantas que podrías construir una casa de citas".

"Tuve que reírme. Yo siempre termino por reír. Tengo que reírme como hombre de lo que he perdido como mujer. Tienda de citas".

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publicado às 12:20


#1206 - Os seguidores de Manuel Pinho

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10

'El dedo de Aznar'

El ex presidente del Gobierno respondió ayer con un gesto grosero a unos estudiantes universitarios

 

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publicado às 12:06

Afirmação feita por Xavier Harel em entrevista à Visão n.º 885 de 18 de Fevereiro de 2010 e conduzida por Emília Caetano.


Xavier Harel é jornalista no diário económico francês La Tribune que acaba de lançar uma nova obra La Grande Évasion. Le vrai scandale des paradis fiscaux. Publicou, em 2006,  Afrique, pillage à huis clos, um livro que aborda o negócio do petróleo no continente africano.

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publicado às 16:31


#1204 - Faróis - FAROL de Aveiro

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.02.10

FAROL DE AVEIRO

 

 



Local:

Aveiro

Altura: 62 m
Altitude: 66 m
Luz: FI (4) W 13 s
Alcance: 23 M   ( 43 km )
Óptica: 3ª Ordem
Ano: 1893

 

 

O farol de Aveiro entrou em funcionamento em 1893, consistindo numa torre de 62 metros de altura e 66 metros de altitude. Foi equipado com um aparelho óptico de 1ª ordem (920mm distância focal) com 4 painéis e, como fonte luminosa, a incandescência pelo vapor de petróleo. A fonte luminosa de reserva era um candeeiro de nível constante, sendo a rotação que lhe definia a característica, produzida por uma máquina de relojoaria. Em 1948, foi instalado um radiofarol. Em 1950 passou a estar ligado à rede pública de distribuição de energia, sendo instalada uma lâmpada de 3000W. Para acesso à torre foi montado um elevador em 1958. A potência da fonte luminosa, nesta altura, foi reduzida, instalando-se então uma lâmpada de 1000W.

 

Posição:  Latitude 40º 38,64" N   Longitude 08º 44,79" W

 

Ver mais faróis em

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publicado às 21:36


#1203 - SALTO À CORDA

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.02.10


SALTO À CORDA

O cordão que nos abre
aos acres ventos de humidade e sombra,
a luva dura nos abriga
ou é que nos enforca, nos afoga?
Mal saltamos à terra,
dela nos soltam como às aves
da espécie das galinhas.
Mas o fantasma duma linha cinza,
esse nos fecha os olhos
e diz: saltai à corda.
E é questão então a de saber
se temos pés azuis
ou sangue negro e goma
que nos cape. O pé direito sobe,
oh, que vitória, no verdadeiro ar.
Mas que invisível fio
o puxa e traz à pequenez do outro?
Que terror canaliza
cada comparação? De que margem,
de que maresia mesmo o cheiro nos agrada?
Que pátria e que dolores?
Que malfeição?

(Um aceno insular
habita o nosso olhar.
Uma pílula pink
dá-se ao dente que a trinque.
E que ternura é esta,
rosa de sal, giesta,
serra aberta de pinhas,
toque de campainhas?)
 
(Poemas a Isto, 1962) de Pedro Tamen

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publicado às 20:59


#1202 - No País dos Sacanas

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.02.10

 

No País dos Sacanas


Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já Ee pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

10/10/1973  - Poema de Jorge de Sena

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publicado às 20:46


#1201 - Festival para gente sentada

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.02.10

www.feiraviva.com/index.php

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publicado às 20:26


#1200 - Prémios Goya 2010

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.02.10

 

GOYA 2010, OS VENCEDORES

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publicado às 15:19


#1199 - Estado de Sítio, crónica de António Ribeiro Ferreira

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.02.10


Chefe, mas pouco

O senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, obviamente que não se demite. Os boys do chefe na Portugal Telecom obviamente que não se demitem. O chairman da PT obviamente que não se demite. O presidente executivo da maior empresa lusa obviamente que não se demite. O senhor procurador-geral da República obviamente que não se demite. O senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça obviamente que não se demite.



Os partidos da oposição obviamente que não vão apresentar qualquer moção de censura ao Governo do senhor presidente relativo do Conselho, o chefe. E o senhor Presidente da República, preocupado com o desemprego, o défice, a dívida pública, o endividamento externo e as agências de rating, obviamente que não vai demitir o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe de um bando de incompetentes que andou por aí a tentar controlar a Comunicação Social e que foi apanhado numa rede estendida pela polícia a um sucateiro manhoso, especialista em fintas ao Fisco e outros negócios escuros.

Dito isto, não se passa nada. O sítio continua como dantes miserável, deprimido, manhoso, hipócrita, corrupto, incompetente e, obviamente, cada vez mais mal frequentado. Bem podem andar por aí uns socialistas atrevidos a congeminar conspirações contra o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe. Bem podem andar por aí algumas almas indignadas com a degradação a que isto chegou. Bem podem andar por aí umas comissões de ética a ouvir vilões e mártires sobre a liberdade de expressão e outras importantes liberdades consagradas na Constituição desta III República, herdeira de duas ditaduras de má memória. A verdade é que ninguém acredita em nada.

Da política à justiça, passando por uma economia dependente do Estado, com empresários de joelhos à espera de negócios, benefícios e subsídios. Na verdade, o único que teve algum senso nestes dias agitados e cheios de emoções foi o senhor que preside ao conselho de administração da Portugal Telecom.

O homem, embrulhado em contradições, aflito com uma memória malvada que o trai sempre que abre a boca, acabou por confessar que se sentia encornado. Na verdade, quem se deve sentir completamente encornado são os indígenas que andam a fazer pela vidinha e dependem destes encornados. Mas, no meio desta desgraça toda, importa salvar a Pátria e impedir que o chefe também nos venha dizer que se sente encornado.

 

In "Correio da Manhã"

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publicado às 15:02


#1198 - Carlos Drummond de Andrade

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.10



ODE A JACKSON DE FIGUEIREDO


JACKSON,

nem amigo nem inimigo,

nem mesmo (o que seria cómodo) espectador displicente na sua poltrona

espiando teus gestos, tuas palavras e obras,

mas distante, extraordinariamente distante daquilo que foi a tua vida,

mais distante ainda dos mundos que exploraste, viajante inquieto, sem

tempo para esgotá-los,

e só te conhecendo bem depois que abriste os braços para morrer,

aqui estou, testemunha, depondo.


Jackson,

os que te conheceram e te amaram,

os que te conheceram e não te amaram,

os que não tiveram tempo de te amar,

os que não cruzaram no teu destino, os que ignoram o teu nome, os que jamais saberão que exististe,

estão todos um pouco mais pobres do que eram antes.

Uns perderam o amigo.

Outros, o inimigo, o grande e belo inimigo que orgulha.


Outros nada perderam, e é tão triste, tão doloroso não perder nada.

Como estes, eu me sinto pobre da pobreza de não ter sido dos teus, Jackson,

e eu sinto verdadeiramente por todos aqueles que jamais suspeitarão disso.


Voltou o tempo dos prodígios.

Ainda há pescas maravilhosas, eu sei,

e os peixes que arrebataste a um mar mais crespo que o de Tiberíades

estão cantando a glória do Senhor.


Milhares de escamas, milhares de dorsos, de luzes, de almas

elevam um cântico tão puro que a terra se mistura com o céu

e nem se percebe o pescador que as ondas arrebatam,

que as ondas arrebatam violentamente, para depois se apaziguar,

enquanto o corpo mergulha e os peixes cantam a glória do Senhor.


Agora sentimos que estás msi perto de nós,

que por obscuros caminhos nos chegamos mais a ti,

(pouco importam as ondas e esta camada de terra que nos separa de tuas espécies em decomposição).

Muitas coisas nos ensinou a tua morte, que a tua boca nõao soubera exprimir

e a tua pesca mais opulenta, Jackson, foi a de ti mesmo pelo oceano,

pesca terrível e prodigiosa de amor e de redenção.


Belo Horizonte, 1929

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publicado às 23:56


#1197 - Levi Condinho

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.10



CARRILHÃO


Rebusco os cantos mais apagados do meu corpo

e agora em todos eles toca um sino

de que puxas a corda

que vai da base da catedral às torres

movimentando uma enorme rede

de guitas invisíveis

contigo este corpo é um carrilhão

de múltiplas escalas

sinos de bronze e outros metais de ouvir ao longe

tangendo convulsivos hinos subterrâneos de sangue

ou de suspiros cadenciados

no movimento rotatrivo e centrípeto

do amor


Poema de Levi Condinho escrito em 7 de Maio de 1981 e refeito em 16 de Fevereiro de 1995

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publicado às 23:44


#1196 - Spiritualized

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.02.10

 

 

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publicado às 18:10


#1195 -Life before your eyes

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.02.10

Photographer: Magera Holton

My grandmother had always been the one to show us kids love and affection, while my quiet (and slightly grumpy) grandfather preferred to sit in his chair and keep to himself. We knew all along that he loved us, but it just wasn’t in his nature to express his feelings. When he lost my grandmother, his wife of 70 years, we started to notice a softer side. He’s still grumpy at times — but now when we say goodbye we can see that he’s sad we are going, while before he would have silently stayed in his chair. A week ago he even told me that he loved me.

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publicado às 23:41


#1194 - Fotografias

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.02.10

A Foto do Ano

Varias mujeres se comunican desde las azoteas de sus viviendas durante una manifestación en Teherán, Irán. Esta ha sido la imagen ganadora del premio World  Press  Photo  de  2010.

Pietro Masturzo

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publicado às 23:27


#1193 - Henrique Granadeiro diz sentir-se "corno"

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.02.10

Henrique Granadeiro, presidente não executivo da Portugal Telecom, diz sentir-se "encornado" com a notícia, avançada pelo semanário Sol, de que a PT fazia parte de um alegado plano do Governo de José Sócrates para controlar a Comunicação Social, revela em declarações à Visão.


In "i"

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publicado às 23:09


#1192 - Demita-se....

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.02.10

Já vomito.


Não suporto mais tantas trapalhadas. Já chega de tanta obscenidade.

Se ainda correm algumas pintas de orgulho no seu sangue, preste-me, por favor,  um grande serviço, demita-se.


Já não consigo ouvir a sua voz, ver a sua imgem, pois a continuar assim  vai transformar este país num imenso asilo psiquiátrico.


Demita-se senhor primeiro-ministro se ainda lhe restar alguma dignidade.


A bem da saúde mental dos portugueses,


Um Português

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publicado às 12:05


#1191 - 5 Poemas de Antonio Cicero

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.02.10

cinco poemas – antonio cicero


Aparências

Não sou mais tolo não tenho mais queixas:
enganasse-me mais desenganasse-me mais
mais rápida mais tempo mais voraz e arrebatadora
mais volúvel mais volátil
mais aparecesse para mim e desaparecesse
mais velasse mais desvelasse mais revelasse mais re-
velasse mais
eu viveria tantas mortes
morreria tantas vidas
jamais me queixaria
jamais.




Capricciosa

É claro que estou exposto
eu como todos os outros
animais às intempéries
que cedo ou tarde nos ferem;
mas aqui a noite, seda,
suavemente me enleia:
espelhos olhares vinhos
uvas cachos rosas risos
e ali, do lado de lá
das lâminas de cristal
tão tranqüila e cintilante
quanto o céu, sonha a cidade.
Desperta-me um celular:
a morte também tem arte.




Balanço

A infância não foi uma manhã de sol:
demorou vários séculos; e era pífia,
em geral, a companhia. Foi melhor,
em parte, a adolescência, pela delícia
do pressentimento da felicidade
na malícia, na molícia, na poesia,
no orgasmo; e pelos livros e amizades.
Um dia, apaixonado, encarei a minha
morte: e eis que ela não sustentou o olhar
e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
que me abate. Tarde aprendi a gozar
a juventude, e já me ronda a suspeita
de que jamais serei plenamente adulto:
antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
os deuses façam felizes e maduros
Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.




Ícaro

Buscando as profundezas do céu
conheceu Ícaro as do mar

Adeus poeira olímpica
grãos da Líbia
barcos de Chipre

Adeus riquezas de Átalo
vinhos do Mássico
coroas de louro
flautas e liras

Adeus cabeça nas estrelas,
Adeus amigos
mulheres
efebos
Adeus sol:
Ouro algum permanece.




A morte de Arquimedes de Siracusa

Os equilíbrios dos planos, as quadraturas
das parábolas, os cálculos da areia,
das esferas, dos cilindros e das estrelas:
nada do que realizei se encontra à altura
do que há por fazer. A matemática é longa,
a vida breve; e logo agora Siracusa,
sitiada, quer alavancas, catapultas,
dispositivos catóptricos, cuja obra
suga meu sangue, que é meu tempo. Por milagre,
hoje deixaram-me em paz. Na garganta trago
intuições por formular: áspero e amargo
pássaro engasgado. Nas paredes não cabe
mais diagrama algum. Traço-os no chão do períbolo,
na terra. Quem vem lá? Não pises nos meus círculos!

O poeta e ensaísta Antonio Cicero é autor, entre outras coisas, dos livros de poemas Guardar (1996) e A cidade e os livros (2002), e dos livros de ensaios filosóficos O mundo desde o fim (1995) e Finalidades sem fim (2005). Organizou, em parceria com o poeta Waly Salomão, O relativismo enquanto visão do mundo (1995) e, em parceria com o poeta Eucanaã Ferraz, a nova antologia poética de Vinícius de Moraes (2003). É também compositor de inúmeras letras de música popular, tendo parceiros como Marina Lima, Adriana Calcanhotto e João Bosco, entre outros. Atualmente escreve uma coluna para o jornal Folha de São Paulo

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publicado às 07:18


#1190 - Manif de Bloguistas pela liberdade de expressão

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.02.10

 

Hoje em Lisboa, às 13.30h, em frente ao Parlamento

Clicar no link abaixo para ver o vídeo

 

http://www.ionline.pt/itv/30116-bloguistas-acusam-socrates-pr-em-causa-liberdade-expressao

in Jornal i

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publicado às 05:04


#1189 - Liberdade, eis a questão

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.02.10



A questão é esta: há liberdade de imprensa em Portugal? É ociosa, a pergunta, para quem, como eu, vem do tempo em que se escrevia baixinho, tão baixinho que perdêramos muitas das palavras, por mudez e falta de uso. Já me não surpreende a desvergonha de alguns daqueles que têm desfilado nas televisões a proclamar que vivemos numa asfixia. Mas indigna-me o silêncio calculado dos que se não erguem a protestar contra a ambiguidade do assunto.

 

O alvo, naturalmente, é e tem sido José Sócrates. O homem mente compulsivamente, denegou os testamentos da esquerda, bandeou-se com a direita procedendo às mais graves traições, não possui bússola ideológica, ignora o que são convicções, é destituído de compleição de estadista e cultiva uma mediocridade feliz dissimulada numa incontinência retórica que, amiúde, o emparelha com um vendedor de feira.

 

Depois disto e com o desenrolar de acontecimentos que o perseguem, porque por ele próprio provocados -, chega-se a este melancólico resultado: José Sócrates é tolo, ingénuo ou extremamente sinistro. As escutas esclarecem não só os contornos desses defeitos como no-lo dizem da desastrosa escolha das suas companhias e das relações perigosas que tem sustentado. Enfim: Sócrates não tem amigos; tem instantes de amizade.

Os documentos agora revelados e alguns esparsos factos ocorridos alinham-se como consequências uns dos outros, e apontam para o primeiro-ministro, sublinhando os defeitos por mim acima indicados com amena benevolência. Se havia um plano tenebroso para controlar a comunicação social; se a censura está instalada no cerne da sociedade portuguesa, é bom que se crie a tal Comissão Parlamentar de Inquérito, a fim de se averiguar a extensão e a natureza do crime - como será urgente que os jornalistas vítimas do fluxo censório venham à praça queixar-se das suas desventuras.

Há algo de torpe neste alvoroço. Um ex-ministro, agora protestador grave e atroz, foi, na sombria década cavaquista, controleiro da RTP. E um dos agora acusadores da falta de liberdade era o zeloso varejeiro do noticiário. Não cauciono, de forma alguma, tentativas de domínio da imprensa pelo poder político. Mas não colaboro neste imbróglio, que tem estimulado a perda do sentido das coisas e a adulteração da verdade histórica. A reabilitação de falsos fantasmas apenas serve para se ocultar a medonha dimensão do que ocorreu na década de 80. Os saneamentos, a extinção de títulos, a substituição de direcções de jornais e a remoção de jornalistas incómodos por comissários flutuantes eram o pão nosso de cada dia. Já se esqueceram?

Crónica de Baptista-Bastos, in "DN"

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publicado às 04:51


#1188 - Metapolítica, Um novo Blog

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.02.10

Um Bem-Vindo ao Tiago Barbosa Ribeiro e ao seu Blog "Metapolítica"

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publicado às 18:31


#1187 - A CULTURA DA BORLA, por Rui Zink (*)

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.02.10



N.E.: texto publicado originalmente no jornal Metro.
 

 

 

A CULTURA DA BORLA,

por Rui Zink (*)


Querido Metro,

O caso Face Oculta não é nada, comparado com o caso Face Culta. No Face Oculta, o problema é um empresário ter distribuído dinheiro a rodos em troca de favores. No Face Culta, o problema é as empresas quererem favores sem distribuírem dinheiro nenhum. É que a cultura é a área na qual há a cultura de não pagar — não atribuir um valor — a grande parte do trabalho que se faz. Idas a escolas «falar com jovens», apresentações de livros, debates, conferências, leituras críticas, é toda uma indústria que vive da vergonha do dinheiro, dos «conhecimentos», dos «contactos», das «amizades». E, na sua face mais sórdida, do «uma mão lava a outra», a sugestão ignóbil de que, se dermos uma borla hoje, pode ser que amanhã nos atirem um ossito. Sei do que falo, porque chapinho nesta área há quase 30 anos. E eu próprio já cravei artistas — pode-se lá viver sem ter cravado artistas! Mas é feio. Todos os anos, dezenas de escritores vão graciosamente a centenas de escolas. E, se nunca nos sentimos explorados pelos professores ou pelos alunos, o mesmo já não direi do ministério, que devia ter uma verba para estas minudências. As televisões ainda são piores. Não há semana em que não chova um convite, o que é simpático, só que… Este é um caso de corrupção tão enraizada que ninguém dá por ele. E o pior é que não há nenhum Empresário Godinho a distribuir cheques! Se houvesse não estaria eu para aqui a jeremiar. Mas não, como «a cultura não tem preço», e o artista é de «pensamentos elevados», nicles cacau, népia pilim, nanja verdum. Isto depois é contagioso: incautos comerciantes que não oferecem nem um cafezinho (55 cêntimos) estranham que um escritor não lhes dê um livro (14 euros). Para já não falar de primos, vizinhos, amigos, jornalistas. Entrementes, o polvo lá vai cantando e rindo, fazendo ao mesmo tempo de corruptor e de PJ: «Se continuas a recusar-te a dar-nos borlas, pá, garantimos-te o anonimato.»

 
 

(*) Nascido em Lisboa em 1961, Rui Zink é escritor e professor no departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo também aí coordenado a pós-graduação em Edição de Texto. Autor de uma vasta obra ficcional traduzida em várias línguas, O Destino Turístico, publicado pela Teorema em 2008, é o seu romance mais recente.

 

Post retirado do blog "Blogtailors"

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publicado às 18:21

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? venceu a categoria de Melhor Ficção Narrativa; A Luz Fraterna, de António Osório, foi escolhido como Melhor Livro de Poesia e O Tubarão na Banheira, de David Machado, ganhou o prémio de Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil. A cerimónia decorreu ontem no CCB, em Lisboa. Confira a lista completa dos nomeados e dos vencedores.

 

In Revista Ler

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publicado às 19:03


#185 - Protestos

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.02.10

Contra la explotación

Miembros de Amnistía Internacional enmascarados con papel de plata participan en una protesta en Londres contra la explotación laboral de los trabajadores de una refinería de aluminio en Orissa, La India.

Lewis Whyld / AP

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publicado às 13:26


#1184 - Tzvetan Todorov - "Literatura não é Teoria, é Paixão"

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.10


O filósofo Tzvetan Todorov afirma que o excesso de "ismos" afasta os jovens da leitura, e diz que a principal função de um professor é ensinar o aluno a amar os livros

Nascido em 1939 em Sófia, na Bulgária, e naturalizado francês, o filósofo e linguista Tzvetan Todorov é um dos mais importantes pensadores do século 20. Traduzida para mais de 25 idiomas, sua obra inspira críticos literários, historiadores e estudiosos do fenômeno cultural do mundo todo. Em seu mais recente livro publicado no Brasil, A Literatura em Perigo, Todorov faz um mea culpa raro entre intelectuais. Ele diz que estudos literários como os seus, cheios de "ismos", afastaram os jovens da leitura de obras originais - dando lugar ao culto estéril da teoria. De Paris, ele falou a BRAVO! por telefone:

 


 

BRAVO!: Gostaria que o sr. falasse sobre o seu primeiro contato com a literatura quando criança, e como ela se transformou em uma paixão.

Tzvetan Todorov: Eu cresci na Bulgária durante a Segunda Guerra, quando quase ninguém vivia em Sófia, sob constante bombardeio. A maior parte da população vivia fora da capital, em apartamentos divididos por várias famílias. Dentro da coletividade em que habitávamos, havia um especialista em literatura. Foi ele que me ensinou a ler, antes que eu atingisse a idade escolar. Ele me incentivou a praticar a leitura nos livros infantis, e logo comecei a gostar dos contos populares. Apreciava especialmente as histórias dos irmãos Grimm e As Mil e Uma Noites. Essas obras faziam minha alegria. Eu já tinha um sentimento do enriquecimento pessoal que o contato com a ficção podia proporcionar.


Por que o contato com a ficção é tão importante?

Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade.


E como fazer para que as crianças e os jovens tenham acesso a esse conhecimento tão importante?

A escola e a família têm um papel importante. As crianças não têm idéia da riqueza que podem encontrar em um livro, simplesmente porque eles ainda não conhecem os livros. Deveríamos então ser iniciados por professores e pais nessa parte tão essencial de nossa existência, que é o contato com a grande literatura. Infelizmente, não é bem assim que as coisas acontecem.

 

Por quê?

Quando nós professores não sabemos muito bem como fazer para despertar o interesse dos alunos pela literatura, recorremos a um método mecânico, que consiste em resumir o que foi elaborado por críticos e teóricos. É mais fácil fazer isso do que exigir a leitura dos livros, que possibilitaria uma compreensão própria das obras. Eu deploro essa atitude de ensinar teoria em vez de ir diretamente aos romances, por que penso que para amar a literatura - e acredito que a escola deveria ensinar os alunos a amar a literatura - o professor deve mostrar aos alunos a que ponto os livros podem ser esclarecedores para eles próprios, ajudando-os a compreender o mundo em que vivem.


Ao comentar esse assunto no livro, o sr. fala em "abuso de autoridade". Poderia explicar melhor?

É um abuso de autoridade na medida em que é o professor quem decide mostrar aos alunos o que é importante, com base em um programa definido previamente pelo Ministério da Educação. E isso é sempre uma decisão arbitrária. Não temos o direito de reduzir a riqueza da literatura. O bom crítico - e também o bom professor - deveria recorrer a toda sorte de ferramentas para desvendar o sentido da obra literária, de maneira ampla. Esses instrumentos são conhecimentos históricos, conhecimentos linguísticos, análise formal, análise do contexto social, teoria psicológica. São todos bem-vindos, desde que obedeçam à condição essencial de estar submetidos à pesquisa do sentido, fugindo da análise gratuita.


Como conciliar esse desejo de liberdade num sistema em que o professor tem que atribuir notas, como ocorre no Brasil e na França?

Acredito que o essencial é escolher obras literárias que sejam, por sua complexidade e temas, acessíveis à faixa etária a que se destinam. Cabe ao professor mostrar o que esses livros têm de enriquecedor para os alunos, levando em consideração a realidade deles. O importante é não ter medo de estabelecer pontos em comum entre o presente dos alunos e do sentido dos livros.


O escritor italiano Umberto Eco fala que o livro, ao lado da cadeira, é o objeto de design mais perfeito criado pela humanidade. Num momento em que se questiona isso, o senhor vê futuro para o livro?

É verdade que hoje lemos muito diante da tela, mas não acho que o livro vá desaparecer. Ele estabelece uma relação de possessão e de interiorização que nós não podemos estabelecer com algo tão imaterial quanto o texto na tela do computador. Claro que eu mesmo, quando busco uma referência, o faço facilmente diante da tela. Mas se eu desejo me embrenhar em um livro, se eu quiser me render a seu interior, é preciso que seja com o objeto "livro". A isso ele se presta maravilhosamente.


Por Anna Carolina Mello e André Nigri, in Revista Bravo

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publicado às 15:08


#1183 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.10

 

'El fascismo económico se ha impuesto en el mundo'

John Berger

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publicado às 13:33


#1182 - Novo livro de Philip Roth

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.10



Philip Roth vuelve a cumplir la cita anual con sus lectores. Esta vez con La Humillación (Mondadori) donde continúa dando cuenta de las pasiones, incertidumbres, decepciones y temores que cercan a un hombre mayor de 60 años. Sobre todo de las rondas de la muerte. Y, de nuevo, a través de la historia de un derrumbamiento personal que encuentra en el deseo su salvación. El momento de ese resquebrajamiento es lo que hoy adelanta

Babelia en exclusiva y que se puede leer en ELPAÍS.com. Una novela que ha suscitado todo tipo de críticas en Estados Unidos.


Excerto em espanhol

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publicado às 13:25


#1181 - Prémio Biblioteca Breve

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.10

 

O escritor argentino Guillermo Saccomanno venceu o Prémio Biblioteca Breve com o seu romance El oficinista.

 

No El País

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publicado às 13:14


#1180 - Máscaras

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.02.10

CARETOS DE PODENCE

 

Máscaras de Metal utilizadas durante o Carnaval em Podence (Trás-os-Montes)

Esta tem de altura cerca de 30 cm e de largura 15cm.

Saiba mais sobre o carnaval de Podence aqui

 

Festa dos Rapazes de Aveleda
O dia principal da festa dos rapazes é o Natal, prolongando-se pelo dia de Santo Estêvão, 26 de Dezembro. Antes da hora da missa de Natal, reúnem-se os rapazes para participarem neste acto litúrgico, após o qual tem lugar o ritual mais significativo desta festa, as críticas sociais, designadas de "comédias". Pela tarde, os "caretos" percorrem a aldeia, acompanhados pela música tradicional do gaiteiro.

Festa de Santo Estêvão 

 

CARETO DE OUSILHÃO

A festa começa no dia de Natal, à tarde, com a ronda de Boas Festas, uma visita cerimonial a todos os vizinhos da terra. A 26 de Dezembro, dia de Santo Estêvão, de manhã, procede-se à ronda das Alvoradas, segue-se a missa solene em honra do santo, com a presença de todos os intervenientes excepto os "máscaros". No decorrer da liturgia, o celebrante procede à bênção do pão. À tarde acontece o ritual da mesa de Santo Estêvão, durante o qual se faz a transmissão dos poderes, dos mordomos cessantes para os que vão iniciar funções. No final organiza-se um cortejo com os actores principais, transportados no carro de bois, e todo o povo até às casas dos novos líderes, onde se come, bebe e dança... A festa termina à noite com a "galhofa", o baile tradicional exclusivo destes dois dias festivos.

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publicado às 23:13


#1179 - Fernando Echevarría

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.02.10



Quando a altura da idade já vai sendo

só quase que retina,

tudo nela se dói. E o pensamento

é o lugar onde essa dor é vista.

Músculos jovens movem-se de dentro

do espírito. Que incita

o vigor ao seu dispêndio

e este ao brio de uma luz fatídica.


E tudo isto entra pela idade.

Alargando-lhe, acaso, mais a altura

de ver. E o aperto súbito da análise

decompõe-se nos membros. Ou acusa

no movimento a base

do nascimento aquático da curva.

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publicado às 22:41


#1178 - Babel apresenta-se amanhã em Lisboa

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.10


Guimarães, Verbo, Ulisseia, Ática, Arcádia, Athena, Centauro, K4 e Pi são as nove chancelas do novo grupo editorial de Paulo Teixeira Pinto. Apresentação oficial, amanhã, às 18h, no Auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa.

 

In Revista Ler

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publicado às 22:20


#1177 - Pablo Neruda: Cartas de amor inéditas a Matilde Urrutia

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.10



De todos los amores de Pablo Neruda (1904-1973), el de Matilde Urrutia (1912-1985) fue quizá el más intenso y prolongado. Una pasión encendida al principio, cotidiana y perruna al final, de la que dan cuenta las Cartas de amor inéditas que lanza esta semana Seix Barral, en edición de Darío Oses y de las que El Cultural adelanta las más significativas y desesperadas.

 

Ler resto aqui - Jornal "El País"

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publicado às 21:45


#1176 - Books on a Wire

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10

Photographer: Dana Curran

San Francisco is a place where things are constantly happening. Morning to night, the city is abuzz with activity and culture. This mural of famous jazz musicians, political figures, and writers sits on the boundary of Chinatown and North Beach, the historic Italian neighborhood. I love the bird sculpture that reaches out over the street from the legendary beat era bookstore City Lights, implying the migration of ideas.

This image was taken with a Canon EOS 5D Mark II.

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publicado às 13:18


#1175 - Thai Delight

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10



Photographer: Tara Kocourek

Tara Kocourek is a freelance photographer in Washington, DC. A traveler from a very young age, Tara grew up in Japan, Australia, and Thailand; and has traveled to Burma, China, Costa Rica, England, Fiji, Honduras, Indonesia, India, New Zealand, Malaysia, Nicaragua, Singapore, Switzerland, Taiwan, and Vietnam.

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publicado às 13:14


#1174 - Leitura de outros blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10
 
Big Brother.

Leio nos jornais que o PS se prepara para apresentar um projecto de Lei que, a ser aprovado, colocará on-line os rendimentos brutos anuais de todos os cidadãos portugueses contribuintes. O combate à corrupção só pode acabar num grande big brother. Já se perdeu a noção de direitos individuais, de privacidade. Não vão acabar com a corrupção, mas vão acabar com as sociedades democráticas.

Adenda:

«Francisco Assis, líder da bancada parlamentar do PS, deixou hoje cair uma proposta que três deputados socialistas e vice-presidentes da bancada tinham feito com o objectivo de tornar públicos os rendimentos dos contribuintes.»

Adenda 2: Desculpem-me a ousadia. Não sei se alguém chamou louco ao Mário Crespo ou não, mas isso não é relevante, porque de louco todos temos um pouco. Mas, digo eu, se Strecht Ribeiro, deputado do PS, produziu mesmo esta afirmação, pode ser desde já internado, com dispensa de exames médicos:

 

«Parece-nos razoável que, sendo nós um imenso condomínio de 10 milhões, cada um de nós saiba a permilagem de cada um dos outros para sabermos se há um efectivo contributo que corresponda àquilo que é o bocado que temos neste imenso latifúndio»



Por Tomás Vasques, autor do blog 'Hoje há conquilhas amanhã não sabemos'

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publicado às 13:06


#1173 - Correntes D'Escritas

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10

 

 

Ver notícias e programação aqui

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publicado às 12:58


#1172 - Um homem sem remorsos - crónica de Baptista-Bastos

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10



Tony Blair, ex-primeiro-ministro de Inglaterra, "socialista", católico recém-converso, actual conselheiro de empresas e conferencista de temas vários, fez declarações inquietantes, a uma comissão de inquérito, sobre as suas responsabilidades na Guerra do Iraque. Há muito, perdera a dignidade; restava-lhe, acaso a tivesse, um mínimo de decência. "Faria tudo outra vez", disse, sem que a cara se lhe transformasse em sal podre. Ante o assombro dos inquiridores confessou: em nenhuma circunstância da sua vida, posterior à invasão de Bagdad, "houve arrependimento, nem desculpas, nem remorsos".

 

Sabe-se: a política deixou de ser pedagogia, para se converter em malícia, omissão e mentira. Neste caso, como em muitos outros, deixa atrás de si um caudal de morte, de destruição, de horror e de ressentimento. Quando da Cimeira dos Açores, em 2003, na qual Durão Barroso foi o mordomo jovial e adulador de Bush, de Blair e de Aznar, os dados estavam lançados e as informações adquiridas. O diplomata sueco Hans Blix, chefe da missão das Nações Unidas, procurara, em vão, durante 2002, as "armas de destruição maciça" de que Saddam teria posse. As advertências de Blix, para travar o inevitável, chegaram a ser excruciantes. Mas o monumental embuste fora montado com cínica minúcia e calculada eficácia. Os senhores da guerra e os seus catecúmenos berravam com tal amplidão que abafavam as vozes da sensatez e do acerto. A lista daqueles que, em Portugal, alinharam na infâmia, só não é patética porque excessivamente abominável.

 

Perante a tragédia no Iraque, com o lúgubre desfile de crimes contra a Humanidade, de sórdidos negócios de que o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld é um dos beneficiários (está relacionado com empresas de construção, a actuar em Bagdad), pode alguém, e ainda por cima católico, como Blair, manifestar ausência de arrependimento, sendo um dos responsáveis da carnificina? A inversão de valores parece ter encontrado, no comportamento de muitos políticos, a verdadeira natureza dos seus objectivos. Desejam tornar conversíveis para a "normalidade" o que, ainda não há muito tempo, era entendido como desonestidade e vileza. Blair e seus cúmplices são culpados não somente do que acontece de medonho no Iraque como, também, de manipulação emocional e intelectual de milhões de pessoas.

As coisas vão perpassando, as afirmações de arrogância sucedem-se, a soberba das decisões chega a ser afrontosa porque resulta na miséria moral em que o mundo se afunda - e ninguém é apontado à execração, poucos combatem a hegemonia da desigualdade e da injustiça. Entretanto, os assassinos andam por aí.

 

In "DN"

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publicado às 12:43


#1171 - Novo livro de Urbano Tavares Rodrigues

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10



A novela Assim Se Esvai a Vida dá título ao novo livro de Urbano Tavares Rodrigues, que reúne três obras e é apresentado hoje, às 18.30, na Livraria Barata, em Lisboa. O livro, editado pela Dom Quixote e apresentado por Francisco José Viegas, inclui "O cornetim encarnado" e "Os olhos do demónio e outros contos".

 

In "DN"

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publicado às 12:37


#1170 - Out of Africa

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.02.10

Photographer: Tyler Sharp

Tyler Sharp is a photographer, writer, and artist who has spent the last few years documenting countries and cultures both near and far, in hopes of creating stories of adventure, spirit, and human triumph.

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publicado às 13:35

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