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#1054 - Buika & Chucho

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.11.09

 

 

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publicado às 21:15


#1053 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.11.09
Missão de sacrifício

Missão de sacrifício

Na gíria do atletismo, chama-se "lebre" ao atleta contratado para puxar pelos outros (levá-los na "roda", como se diz no ciclismo), impondo um ritmo óptimo para obtenção de melhores resultados.

 

Por vocação, ou porque é o modo como entende as suas funções de governador do Banco de Portugal, Constâncio costuma ser a "lebre" do Governo, aparecendo a apalpar terreno sempre que há medidas restritivas, previsivelmente impopulares, no horizonte orçamental. Por esta altura do ano, quando se prepara o Orçamento, é habitual vê-lo justificar, em adequado socioleto económico, a "contenção", ou "prudência", salarial, eufemismos pios da redução do poder de compra. Desta vez, porém, foi a "necessidade" de aumento dos impostos, que permitiu ao Governo, desmentindo-a de imediato, marcar pontos politicamente. A coisa funciona como os clássicos "polícia mau" e "polícia bom": aos olhos dos eleitores, a bondade política do Governo resulta mais óbvia face à maldade técnica dos anúncios catastróficos do governador. Se o Governo não der uma medalha, ou o tal cargo no BCE, a Constâncio é que não há justiça neste mundo.

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publicado às 12:49


#1052 - Comunicado

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.11.09
Comunicado


"Ilibação progressiva" devia ser um termo da ciência jurídica em Portugal. Descreve uma tradição das procuradorias-gerais da República. Verifica-se quando o poder cai sob a suspeita pública. Pode definir-se como a reabilitação gradual das reputações escaldadas por fogos que ardem sem se ver porque a justiça é cega. Surge, sempre, a meio de processos, lançando uma atmosfera de dúvida sobre tudo. As "Ilibações" mais famosas são as declarações de Souto Moura sobre alegadas inocências de alegados arguidos em casos de alegada pedofilia. As mais infames, por serem de uma insuportável monotonia, são os avales de bom comportamento cívico do primeiro-ministro que a Procuradoria-Geral da República faz regularmente. Dos protestos verbais de inocência dos arguidos que Souto Moura deu à nossa memória colectiva, Pinto Monteiro evoluiu para certidões lavradas em papel timbrado com selo da República onde exalta a extraordinária circunstância de não haver "elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal contra o senhor primeiro-ministro". Portanto, pode parecer que sim. Só que não se prova. Ou não se pode provar. Embora possa, de facto e de direito, parecer que sim. Este género de aval oficial de "parem-lá-com-isso-porque-não-conseguimos-provar" já tinha sido feito no "Freeport". Surge agora no princípio do "Face Oculta" com uma variante assinalável. A "Ilibação progressiva" deixou de ser ad hominem para ser abrangente. Desta vez, o procurador-geral da República não só dá a sua caução de abono ao chefe do Governo como a estende a "qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões", que ficam assim abrangidos por estes cartões de livre-trânsito oficiais que lhes vão permitir dar voltas sucessivas ao jogo do Poder sem nunca ir para a prisão. Portanto, acautelem-se os investigadores e instrutores de província porque os "indivíduos mencionados em certidões" já têm a sua inocência certificada na capital e nada pode continuar como dantes.

 

Desta vez, nem foi preciso vir um procurador do Eurojust esclarecer a magistratura indígena sobre limites e alcances processuais. Bastou a prata da casa para, num comunicado, de uma vez só, ilibar os visados e condicionar a investigação daqui para a frente. Só fica a questão: que Estado é este em que o chefe do Executivo tem de, com soturna regularidade, ir à Procuradoria pedir uma espécie de registo criminal que descrimine vários episódios de crime público e privado e que acaba sempre com um duvidoso equivalente a "nada consta - até aqui".

 

Ângelo Correia, nos idos de 80, quando teve a tutela da Administração Interna acabou com a necessidade dos cidadãos terem de apresentar certidões de bom comportamento cívico nos actos públicos. A Procuradoria-Geral da República reabilitou agora estes atestados de boa conduta para certos crimes. São declarações passadas à medida que os crimes vão sendo descobertos, porque é difícil fazer valer um atestado de ilibação progressiva que cubra a "Independente", o "Freeport" e a "Face Oculta". Quando se soube do Inglês Técnico não se sabia o que os ingleses tinham pago pelos flamingos de Alcochete e as faces ainda estavam ocultas. Portanto, o atestado de inocência passado pelo detentor da acção penal, para ser abrangente, teria de conter qualquer coisa do género… "fulano não tem nada a ver com a 'Face Oculta' nem tem nada a ver com o que eventualmente se vier a provar no futuro que careça de qualquer espécie de máscara", o que seria absurdo. Por outro lado, a lei das prerrogativas processuais para titulares de órgãos de soberania do pós-"Casa Pia", devidamente manipulada, tem quase o mesmo efeito silenciador da Justiça.

 

In "JN"

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publicado às 16:27


#1051 - Nick Cave e PJ HARVEY

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

 

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publicado às 22:43


#1050 - Nick Cave e Barry Adamson

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

 

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publicado às 22:36


#1049 - ISAN

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

 

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publicado às 22:24


#1048 - Alpha

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

 

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publicado às 22:16


#1047 - Fjordne

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

 

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publicado às 22:10



   

O facto é pouco conhecido. Entre 1957 e 1959, o artista pop Andy Warhol, então com cerca de 30 anos, ilustrou o clássico da literatura infantil "The Little Red Hen".


O conjunto de desenhos vai agora a leilão, dia 9 de dezembro, em Nova Iorque. As peças não estão sozinhas. Fazem parte de um total de 365 livros e ilustrações originais.

 

Entre as peças mais cobiçadas estão a correspondência entre o autor Roald Dahl ("O Fantástico Mr. Fox", "Charlie e a Fábrica de Chocolates") e o editor Alfred A. Knopf, com um preço indicativo entre os 675 e os 1025 euros.


Vai estar também à venda uma edição rara do primeiro livro de Maurice Sendak, "Gabbos". O norte-americano é o autor de "O Sítio das Coisas Selvagens", adaptado ao cinema por Spike Jonze e com estreia marcada para 2010.


Pode ver

aqui

uma fotogaleria com todas as ilustrações de Warhol para "The Little Red Hen"

In "Jornal i"

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publicado às 21:50


#1045 - O Porto ganhou nova vida e é portuguesa

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

Foi preciso andar muito, quase dois anos e meio e muitos quilómetros pela Baixa do Porto fora, para encontrar o espaço onde agora abre portas A Vida Portuguesa. Não podia ser um edifício qualquer. Para Catarina Portas, tinha de ter história, se possível tão antiga como as dos produtos que ali se iriam vender. De Santa Catarina até aos Clérigos, a empresária andou, andou e andou. E foi na esquina da Rua Galeria de Paris com a das Carmelitas que encontrou o prédio que, a partir de amanhã, data oficial da inauguração, é a nova morada da loja A Vida Portuguesa, agora no Porto.

 

In "Jornal i"

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publicado às 21:43


#1044 - Novidades da Assírio & Alvim

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.09

 

A reedição de Os Passos em Volta é em capa dura. A de Gilles Deleuze, tem nova tradução e nova capa.

 

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publicado às 21:15


#1043 - Lee Marvin - Wonderin'star

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.11.09

 

 

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publicado às 20:35


#1042 - A sobrevivência da civilização

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.11.09

Anselmo Borges

 

 

 

Leszek Kolakowski morreu no dia 17 de Julho último, em Oxford. Era pouco conhecido entre nós, mas foi um filósofo ilustre. Nasceu em Radom (Polónia), em 1927. Partidário de um "marxismo humanista", foi expulso do Partido comunista e da cátedra universitária, por causa da oposição ao regime e luta pela liberdade. Deixou o país e leccionou em Universidades afamadas, como Oxford, Yale e Berkeley. "Correntes principais do marxismo" é uma obra fundamental para conhecer o marxismo, que considerou uma religião secular.

Pouco antes de morrer, o alemão DIE WELT entrevistou-o. Fica aí uma síntese da entrevista.

As profecias racionalistas sobre a religião mostraram-se falsas. "Não conto com a morte da religião nem de Deus. O país tecnologicamente mais desenvolvido do mundo, os Estados Unidos, não é de modo nenhum o mais secularizado. A secularização, longe de conduzir inexoravelmente à morte da religião, levou à busca de novas formas de vida religiosa. Nunca se chegou à vitória iminente do reino da razão. Nem só de razão vive o Homem."

Um admirável mundo novo, tecnologicamente avançado, no qual a Humanidade esquecesse "a sua herança religiosa e a sua tradição histórica" - por isso, sem fundamento para captar a sua própria vida em conceitos morais -, significaria "o fim da Humanidade". Aliás, "é sumamente improvável que a Humanidade, privada da sua consciência histórica e das suas tradições religiosas, por serem tecnologicamente inúteis, pudesse viver em paz, satisfeita com as suas conquistas".

A razão disso está em que os desejos do Homem não têm limites: "Podem crescer incessantemente, numa espiral sem fim de avidez." Mas, uma vez que o nosso planeta é limitado, somos forçados a limitar os nossos desejos. Ora, sem uma consciência dos limites, que "só pode provir da história e da religião", toda a tentativa de limitá-los "terminará numa terrível frustração e agressividade", possivelmente em grande escala. "Todas as tradições religiosas nos ensinaram ao longo de séculos a não nos vincularmos a uma só dimensão: a acumulação de riqueza e ocuparmo-nos exclusivamente com a nossa vida material presente." Assim, "a sobrevivência da nossa herança religiosa é condição para a sobrevivência da civilização".

A mais perigosa ilusão da nossa civilização consiste em o Homem pretender libertar-se totalmente da tradição e de todo o sentido preexistente, para abrir a perspectiva de uma autocriação divina. Esta "confiança utópica" e esta "quimera moderna" de inventar-se a si mesmo numa perfeição ilimitada "poderiam ser o mais impressionante instrumento do suicídio criado pela cultura humana". É que, "quando a cultura perde o sentido do sagrado, perde todo o sentido".

A religião não deve entrar no lugar que pertence à ciência e à técnica. Ela surge de outra dimensão, que "nos capacita para conviver com o fracasso, o sofrimento e a morte". Ela é o caminho que nos leva a "aceitar a derrota inexorável". Para a Humanidade, não há a última vitória, já que, "no fim, morremos".

Não se fundamentam os valores éticos na razão? "Evidentemente, os indivíduos podem manter altos padrões morais e ser a-religiosos. Mas duvido de que também as civilizações o possam fazer. Sem tradições religiosas, que razão haveria para respeitar os direitos humanos? Vendo as coisas cientificamente, o que é a dignidade humana? Superstição? Do ponto de vista empírico, os homens são desiguais. Como justificar a igualdade? Os direitos humanos são uma ideia a-científica."

As normas morais não podem assentar apenas no medo, segundo o modelo de Hobbes. Até certo ponto, "estamos programados instintivamente para a conservação da espécie". Mas não se pode esquecer que "a história do século passado mostrou inequivocamente que podemos, sem grandes inibições, aniquilar membros da nossa própria espécie. Por isso, precisamos de instrumentos de solidariedade humana, que não assentam nos nossos instintos, interesses próprios ou violência". "A falta da dimensão da Transcendência enfraquece o acordo social."

 

Artigo do Professor Anselmo Borges publicado no DN de hoje

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publicado às 19:27


#1041 - Respuesta de Barack Obama a Yoani Sánchez

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.11.09


barack_obama

 

Presidente Barack Obama: Agradezco esta oportunidad que me brindas para compartir impresiones contigo y con tus lectores en Cuba y en el mundo, y aprovecho para felicitarte por el premio María Moore Cabot de la Escuela Graduada de Periodismo de la Universidad de Columbia que recibiste por promover el entendimiento mutuo en las Américas mediante tus reportajes. Me decepcionó que se te impidiera viajar para recibir el premio en persona.

Tu blog ofrece al mundo una ventana particular a las realidades de la vida cotidiana en Cuba. Es revelador que el internet les haya ofrecido a ti y a otros valientes blogueros cubanos con un medio tan libre de expresión, y aplaudo estos esfuerzos colectivos para apoderar a sus compatriotas para expresarse a través de la tecnología. El gobierno y el pueblo estadounidense nos unimos a todos ustedes en anticipación del día que todos los cubanos puedan expresarse libre y públicamente sin miedo ni represalias.

 

Post retirado do blog "Generación Y"

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publicado às 00:47


#1040 - António Aleixo.

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.11.09
António Aleixo.

 

Fez anteontem 60 anos que morreu António Aleixo, o mais conhecido poeta popular algarvio. Homem pobre, nobre e de uma grande sabedoria. Aqui ficam 5 quadras em sua memória.

 

Tu, que tanto prometeste

Enquanto nada podias,

Hoje que podes – esqueceste

Tudo quanto prometias…

 

Os que bons conselhos dão

Às vezes fazem-me rir,

- Por ver que eles próprios são

Incapazes de os seguir.

 

P'ra a mentira ser segura

e atingir profundidade,

tem de trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.


Que importa perder a vida

em luta contra a traição,

se a razão, mesmo vencida

não deixa de ser Razão.


Embora os meus olhos sejam

os mais pequenos do Mundo,

o que importa é que eles vejam

o que os homens são no fundo.

 



Por Tomás Vasques às 18:34  do Blog "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos"

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publicado às 00:20


#1039 - Colum McCann ganha National Book Award de 2009

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.11.09

O escritor irlandês Colum McCann venceu na quarta-feira, em Nova Iorque, o 60.º National Book Award, atribuído pela Fundação National Book ao seu romance "Let the Great World Spin".

 

Colum McCann, de 44 anos, nascido em Dublin, tem dois livros traduzidos em português: "Deste Lado da Luz" (Difel, 2001) e "O Bailarino" (Bizâncio, 2003).

 

Na categoria de não-ficção, o vencedor foi T.J. Stiles, com "The First Tycoon", a biografia do patriarca da multimilionária família Vanderbilt, o comodoro Cornelius Vanderbilt, que construiu o seu gigantesco património no Século XIX na marinha mercante.

 

Phillip Hoose, com "Claudette Colvin", ganhou o prémio de literatura para jovens.

Na poesia, o prémio foi para "Transcendental Studies: A Trilogy", de Keith Waldrop.

Cada vencedor recebeu 10 mil dólares (6700 euros) e, na cerimónia de quarta-feira, em Nova Iorque, foram entregues medalhas de honra aos escritores Gore Vidal e Dave Eggers.

 

Os National Book Awards, iniciados em 1950, são, a par com os Pulitzer, os mais importantes prémios literários atribuídos nos Estados Unidos.

 

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publicado às 00:07

Inicialmente previsto para 2010, a Dom Quixote antecipou para 30 de Novembro a publicação do livro Histórias de Canções - Chico Buarque, de Wagner Homem, lançado pela Leya Brasil em Outubro.

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publicado às 13:03


#1037 - Nada de Dois, por Pedro Mexia

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.11.09

Lançamento marcado para amanhã, às 19h, no foyer do Teatro Aberto, em Lisboa, com apresentação de Nuno Artur Silva e leitura de excertos por Joana Seixas e Albano Jerónimo.

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publicado às 13:00

O filme “Bartolomeu Cid dos Santos – Por Terras Devastadas”, de Jorge Silva Melo, conquistou o prémio de Melhor Filme Português na competição de Filmes sobre Arte do Festival Temps d´Images, que acabou ontem em Lisboa.

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publicado às 12:48



“Diário de luto”, que reúne os escritos inéditos do francês Roland Barthes após a morte da mãe, é publicado esta semana pelas Edições 70.


A obra, “Journal du deuil” no original, foi editada em final de Fevereiro com chancela das Éditions Seuil, envolta em alguma polémica. François Whal, editor e seu amigo, considerou que os textos até então inéditos não seriam do agrado do próprio Barthes, que era “muito cuidadoso”.


No dia seguinte ao da morte da mãe, a 26 de Outubro de 1977, Roland Barthes iniciou um “Diário de Luto” que escreveu até 15 de Setembro de 1979.


Nathalie Léger, responsável pela fixação de texto e notas, afirma na introdução que Barthes “escreve a tinta, e por vezes a lápis, em fichas que ele próprio prepara a partir de folhas A4 cortadas em quatro, e das quais mantém sempre uma reserva em cima da mesa de trabalho”.


Nas 330 fichas, dia a dia, o ensaísta registou as suas impressões, emoções e sentimentos, face ao luto da mãe, Henriette Binger que faleceu aos 84 anos. Henriette casou com Louis Barthes aos 20 anos, foi mãe aos 22 e aos 23 enviuvou.


Nathalie Léger alerta na introdução que este não é “um livro concluído pelo autor mas a hipótese de um livro por ele desejado”.

Fonte da editora portuguesa disse que o outro livro, “Carnets du Voyage en Chine”, que Barthes não tinha também publicado em vida, mas que foi já editado pela Bourgois, sairá em Portugal em Março do próximo ano, quando passam 30 anos sobre a morte do filósofo francês.


Roland Barthes faleceu em 1980, atropelado por um veículo de transporte de carga que, ironicamente, pertencia a uma firma cuja publicidade o escritor criticara nas suas “Mitologias”.


A obra de Barthes influenciou transversalmente ciências humanas, arte e literatura.


As Edições 70 com a publicação de “Carnets du Voyage en Chine” completam a colecção “Obras de Roland Barthes” que integra já 12 títulos.

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publicado às 12:43


#1034 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.11.09
Entre Dominica e o Botswana

Entre Dominica e o Botswana

Desde 2005 (o ano pode não significar nada, mas dá que pensar) que Portugal vem descendo no "ranking" de percepção da corrupção da Transparency International, isto é, vem-se alegremente revelando um país cada vez mais corrupto, tendo este ano descido mais três lugares, da 32ª para a 35ª posição, e estando agora, em termos de corrupção, ao nível de Porto Rico, numa honrosa posição entre a Dominica (um pouco menos corrupta que nós) e o Botswana (um pouco mais corrupto).

Os índices da Transparency International resultam da avaliação anual de analistas e homens de negócios, bem como de organizações como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial, os Bancos de Desenvolvimento da África e da Ásia e centros de pesquisa como o Economist Inteligence Unit e o Global Insight. Curioso foi o modo detergente como alguns jornais deram ontem a notícia. O "Jornal Digital", por exemplo, deu-a sob o animador título de "Corrupção: Portugal é o país lusófono menos corrupto". Algo assim como, numa corrida com dois corredores, noticiar: "O nosso ficou em segundo lugar, ao passo que o adversário ficou em penúltimo".

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publicado às 12:31


#1033 - Escrita de Mário Cláudio em Serralves

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.11.09

A partir do próximo dia 25 de Novembro, Mário Cláudio orienta mais uma edição do Atelier de Escrita em Serralves. Desta vez, a temática são «Homens e Bichos». Sempre às quartas-feiras, até 10 de Fevereiro, das 19h às 21h.

 

In "Revista LER"

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publicado às 13:12


#1032 - Instantâneos

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.11.09

Pintura realista

Una mujer mira a través de su ventana durante los enfrentamientos entre la policía y unos manifestantes seguidores del líder cachemir arrestado en Srinagar, India.

AP

 

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publicado às 21:58


#1031 - "The spine" do Canadátriunfa no Cinanima

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.11.09

 

http://www.nfb.ca/film/spine_making_of_trailer

"The spine", do norte-americano Chris Landreth, é o vencedor do festival Cinanima que termina, hoje, em Espinho. Dos filmes portugueses em competição, "Mi vida en tus manos", de Nuno Beato, foi considerado o melhor.


Já bem conhecido do público amante do cinema de animação, muitas graças à obra "Ryan", de 2004, Chris Lambreth, norte-americano residente no Canadá, arrecadou, ontem, o Grande Prémio da 33.ª edição do Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação que decorreu no Centro Multimeios de Espinho.

 

"The Spine", uma curta-metragem de pouco mais de 11 minutos, em 3D, conta-nos uma história de redenção através da relação entre um homem e uma mulher "presos numa espiral de destruição mútua", um argumento da autoria do próprio realizador.

 

Diga-se que o realizador tem já um vasto trabalho na animação com recurso ao computador, destacando-se filmes como "The End", "Bingo", "The Listener", entre outros.

No que toca aos filmes portugueses, "Mi vida en tus manos", de Nuno Beato arrecadou o Prémio António Gaio. Trata-se de uma obra que conta a história de um conhecido matador português, "El Matador", que chega a Espanha para realizar uma "faena" há muito esperada, na companhia do filho, Pedrito que sonha, um dia, vir a ser como o pai.

O Prémio Especial do Júri e também o Prémio do Público foram para "Logorama", de François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain, da França.

"Panique au village", dos belgas Stéphane Aubier e Vincent Patar, foi considerada a melhor longa-metragem, enquanto que "Red-End and the seemingly symbiotic society", dos holandeses Robin Noorda e Bethany de Forest, ganhou o prémio de melhor curta-metragem. "Lost and found", do britânico Philip Hunt, foi considerada a melhor média-metragem. Os filmes vencedores poderão ser vistos, hoje, em várias sessões, na sala Tempus do Centro Multimeios.

 

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publicado às 21:28


#1030 - Vincent Delerm

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.11.09

 

 

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publicado às 15:07

Está patente, a partir de hoje, em Serralves, no Porto, a segunda parte da mostra "A colecção", que decorre até Março de 2010. O director do museu, João Fernandes, guiou o JN pela exposição e escolheu as obras favoritas.

Em ano de comemoração dos 20 anos da criação da Fundação de Serralves e de uma década sobre a inauguração do Museu de Arte Contemporânea, a aposta principal, a nível de exposições, é a mostra da colecção, que integra largas centenas de obras, adquiridas nos últimos 12 anos. Depois da pintura, do desenho e da escultura, que constituíram a primeira parte da colecção, é agora possível observar as obras centradas em múltiplos, através de fotografia, filmes, livros e discos de autores nacionais e estrangeiros.

Distribuída por dez salas do museu e, ainda, na Rua de Cândido dos Reis, também no Porto (nas antigas instalações da RDP), a exposição integra cerca de 500 obras, da autoria de artistas como Dan Graham, Gordon Matt-Clark, Gilbert & George, David Lamelas, Group Collective Actions, Adrian Piper, Ana Vieira, Leonel Moura, Artur Barrio, Sigmar Polke, Vítor Pomar, Alberto Carneiro, Jorge Molder e Júlia Ventura, Augusto Alves da Silva, Grupo KWY, Lourdes Castro e Dieter Roth, entre muitos outros.

Sem pretender, de forma alguma, imprimir-lhes o rótulo de "as obras mais importantes da colecção", João Fernandes acedeu, por outro lado, a comentar e a destacar quatro obras, por considerar "exemplares nos caminhos que colocam na colecção" (ver textos ao lado).

Para o director do Museu de Serralves, o objectivo desta colecção é "procurar que as obras de arte criem novas possibilidades de reafirmação da própria obra de arte". As obras que agora podem ser observadas documentam, segundo João Fernandes, "um capítulo importante da história desta colecção, uma vez que fazem convergir mais suportes que vão além da pintura e da escultura".

 

In "Jornal de Notícias"

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publicado às 11:55


#1028 - Prémio Portugal Telecom de Literatura

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.11.09


O escritor brasileiro Nuno Ramos, autor do livro "Ó", venceu a edição 2009 do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, anunciou terça-feira o presidente-executivo da empresa.

 

Os também autores brasileiros João Gilberto Noll, com "Acenos e Afagos", e Lourenço Mutarelli, com "A Arte de Produzir Efeito sem Causa", ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares.

Numa conferência de imprensa, em São Paulo, o escritor Nuno Ramos revelou-se "surpreso" com o prémio, que vai na sua sétima edição.

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publicado às 09:46


#1027 - Jacinto Lucas Pires apresenta ‘Os Quais’

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.09

Faro: Sexta-feira, dia 13, no Centro de Artes Performativas


O escritor Jacinto Lucas Pires e o pintor Tomás Cunha Ferreira conheceram-se há cerca de duas décadas. Os gostos comuns pelos diversos aspectos da arte, leva-os, de vez em quando, a juntarem-se em espectáculos de música de qualidade.

É o caso da apresentação do musical ‘Os Quais’, sexta--feira, dia 13, às 21h30, no CAPa- Centro de Artes Performativas, em Faro.

 

Lucas Pires será a voz e a guitarra eléctrica deste duo, que não quer ser apresentado como um dueto e muito menos como um projecto.

 

Lucas Pires será acompanhado por Tomás Cunha Ferreira em omnichord e violão. A voz e pianet T de Madalena Sassetti completa o elenco do programa do espectáculo.

 

Jacinto Lucas Pires tem vários livros publicados. ‘Azul turquesa’ (ficção 1998), ‘Livro usado’ (viagem ao Japão 2001), ‘Perfeitos milagres’ (romance 2007), ‘Assobiar em público’ (contos 2008). Realizou duas curtas-metragens e escreve teatro para diversos grupos e encenadores.

 

Tomás Cunha Ferreira é pintor e expõe regularmente desde 2000. Actualmente, é professor de Pintura, Desenho e Comunicação social na Universidade de Évora.

Os bilhetes para o espectáculo custam seis euros, havendo descontos para menores de 26 anos e maiores de 65 bem como para estudantes.

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publicado às 13:12


#1026 - Cinanima com maior número de inscrições de sempre

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.09

A 33.ª edição do Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, que decorre entre segunda-feira e domingo, registou este ano o maior número de sempre de inscrições, tendo recebido 787 filmes provenientes de 47 países.

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publicado às 13:08


#1025 - A Europa de Hungria e Portugal

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.09
A Europa de Hungria e Portugal

'Territórios de Caça', do jornalista Luís Naves, foi lançado ontem na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa.

No início, era um blogue (Prazeres Minúsculos), depois foi trabalhado uma e outra vez até à versão quase final. Territórios de Caça (Quetzal, 175 páginas), novo romance de Luís Naves, foi lançado ontem em Lisboa, na Bertrand do Chiado.

Jornalista do DN, Luís Naves é um dos autores deste livro; o outro é Lajos Kormányos (tradução livre para magiar de Luís Naves). Uma intersecção pessoal, ou uma duplicação do autor, que se divide por dois territórios que lhe são próximos: a Hungria (é casado com uma húngara) e Portugal. Ou, simplificando, a Europa, sobretudo a que fica para Leste.

João Villalobos, que se gaba de ser "a única pessoa que já leu todos os livros" do autor, "mesmo os que não foram ainda publicados", diz que a obra trata de uma intersecção entre a Hungria e Portugal. Da forma como quem quer controlar, diz aquele que foi escolhido pelo escritor para apresentar a obra, se apropria dos que quer controlar através do somatório das pequenas fraquezas humanas. Villalobos falou, por exemplo, da polícia política comunista da Hungria e da República Democrática da Alemanha (fez ontem 20 anos que o muro tombou) e da PIDE.

Com a propriedade do privilégio de conhecer a obra de Luís Naves (que é jornalista no Diário de Notícias), Villalobos fez uma pequena leitura da duplicidade Lajos Kormányos/Luís Naves. "Lajos é um vencido pela vida, que não tem controlo sobre as suas personagens; o Luís tem total controlo sobre os seus personagens; Lajos vai-se apagando com a vida, o Luís vai-se iluminando", descobriu.

O editor da Quetzal, Francisco José Viegas, tocou nos "vários motivos" com que a obra se vai justificando durante a leitura e aludiu ao pouco que se sabe sobre a Europa de Leste para convidar os leitores a mergulharem no livro.

 

Antes, o Quarteto de Câmara de Vasco Barbosa interpretou uma peça de Alexander Borodin.

 


A seguir, retirado do blog de Francisco José Viegas, A Origem das Espécies:

 

Momento único e belíssimo: a actuação do Quarteto de Vasco Barbosa (um cavalheiro de 79 anos, vivísssimo, um violino melancólico e profundo, de acorde eslavo), que interpretou o Nocturno de Borodin antes da apresentação do livro, propriamente dito, por um João Villalobos inspirado — entre livros e música, portanto, foi assim o final de tarde de hoje na Bertrand do Chiado. Muitos amigos de Luís Naves e muitos bloggers (Tomás Vasques, João Gonçalves, Tiago Moreira Ramalho, José Mário Silva, Inês Almeida, Cristina Ferreira de Almeida, Pedro Correia, Francisco A. Leite, João Távora, Fernando Madaíl, António Manuel Venda, Fernando Sobral, muitos mais).
O livro vem a propósito — não só pelo seu cenário, a Hungria, mas pelos seus temas e pela sua melancolia. Não percebemos nada dessa Europa, da velha, civilizada e culta Mittleuropa —
o livro de Luís Naves pode ajudar, como uma introdução ao estudo da relação entre diferentes que nunca se encontram verdadeiramente.

«A rua Gogol deve ser das mais agradáveis da nossa cidade: tem fileiras de faias pujantes, muitas delas plantadas no início do século. O bairro, fisicamente, não sofreu durante a guerra. Durante o regime comunista, as melhores casas foram nacionalizadas, para alojar trabalhadores. No fim do regime, foram vendidas, a bons preços. Os prédios estão preservados e só alguns se encontram em mau estado sem obras há décadas.

Enfim, nesta parte da cidade não houve bombardeamentos de guerra, mas aidna se podem ver as cicatrizes do século. Aqui fica o gueto judeu, com a sinagoga e ruas elegantes, com jardins tranquilos. E o que ainda hoje se observa é ausência de antigos habitantes.

 

Jamais pensamos nas pessoas que faltam, mas para se compreender a nossa cidade, é preciso pensar nas ausências, nos hiatos, no que devia estar ali, mas não está. Famílias inteiras, gente que vibrava e pensava, cheia de vida e de paixão, de sonhos como os nossos... »



FJV

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publicado às 13:02


#1024 - Richard Hawley

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.09

 

 

 

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publicado às 19:32


#1023 - Prémio PT de literatura é atribuído amanhã

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.09

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Lobo Antunes, Inês Pedrosa, Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto entre os finalistas.

 

Quatro autores portugueses estão entre os dez finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, cujo vencedor será anunciado amanhã à noite, em São Paulo. António Lobo Antunes (com o romance Ontem não Te Vi em Babilónia), Gonçalo M. Tavares (Aprender a Rezar na Era da Técnica), Inês Pedrosa (A Eternidade e o Desejo) e José Luís Peixoto (Cemitério de Pianos) são os romancistas que concorrem à sétima edição de um prémio que, em 2007, já contemplou o português Gonçalo M. Tavares (este ano reincidente), com a obra Jerusalém.


Entre os finalistas estão também os brasileiros Lourenço Mutarelli (pelo romance A Arte de Produzir Efeito sem Causa), João Gilberto Noll (Acenos e Afagos), Silviano Santiago (Heranças) e Maria Esther Maciel (O Livro dos Nomes). Estão ainda seleccionados um livro de contos (Ó), de Nuno Ramos, e outro de poesia, Cinemateca, de Eucanaã Ferraz.

O Prémio PT é considerado um dos mais importantes atribuídos a livros em português (ficção, poesia, crónica, biografia) editados no Brasil. O vencedor recebe cem mil reais (cerca de 39,2 mil euros).

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publicado às 13:22


#1022 - Romance inacabado de Nabokov sai no dia 17

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.09
Romance inacabado de Nabokov sai no dia 17

Antes de morrer, em 1977, o autor de 'Lolita' mandou a mulher e o filho destruirem as 138 fichas escritas a lápis de 'The Original of Laura'. Eles não obedeceram e o "livro" vai agora ser editado.

 

Intitula-se The Original of Laura, é um romance que Vladimir Nabokov estava a escrever por altura da sua morte, em 1977, em Montreux, na Suíça, e que ordenou à mulher, Vera, que queimasse. Mas Vera Nabokov, e o filho Dimitri, não cumpriram a última vontade do marido e pai, e a obra, ainda em estado fragmentário (138 fichas cartonadas escritas a lápis, algumas quase ilegíveis), foi fechada a sete chaves no cofre de um banco daquela cidade.

 

Mais de 30 anos depois, esta obra incompletíssima de Vladimir Nabokov vai chegar às livrarias no próximo dia 17, numa edição de apenas 76 páginas, com o subtítulo "Um romance em fragmentos".

 

Um primeiro excerto de 5 mil palavras será publicado em exclusivo pela revista Playboy na sua edição deste mês, que sai amanhã, e o diário alemão Die Zeit já reproduziu algumas das fichas no passado dia 14 de Agosto.

Dimitri Nabokov disse que hesitou muito, e durante muito tempo, antes de ter decidido entregar The Original of Laura ao agente literário Andrew Wylie, para que este negociasse os direitos.

 

Numa entrevista dada à BBC em 2008, Dimitri justificou-se: "O meu pai disse-me certo dia quais eram os seus livros mais importantes. E fez alusão a Laura. Um autor não diz que um livro que quer destruir é importante".

Outros concordam com ele, caso de Gavriel Shapiro, professor de literatura russa na Universidade de Cornell, e especialista em Nabokov, que disse à AFP: "Dimitri tomou a decisão certa. Se o seu pai tivesse querido destruir o manuscrito, tê-lo-ia feito ele mesmo".

 

Já o escritor e crítico americano Edmund White discorda em absoluto da publicação de The Original of Laura, e declarou ao The Times: "Nabokov queria queimá-lo, por isso queimemo-lo».

Pouco antes de morrer, Vladimir Nabokov declarou à BBC que as fichas cartonadas do livro não eram "capítulos completos. Tenho que preencher as lacunas". Não chegou a fazê-lo, e agora The Original of Laura vai chegar às mãos dos leitores sob a forma de um puzzle inacabado.(In "DN")

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publicado às 13:19


#1021 - Mais de 500 enfermeiros saem do País

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.09
Mais de 500 enfermeiros saem do País

Pelo menos dez empresas, algumas das quais com agências em Portugal, estão neste momento a recrutar para países europeus, Canadá e Arábia, neste caso a troco de salários milionários.

 

Oferecem-se três mil euros de salário livre de impostos, casa, serviços médicos e voos gratuitos, 64 dias de férias por ano. A oferta de trabalho da ProfCo, para a Arábia Saudita, destina-se a enfermeiros portugueses e é uma das muitas que se encontram nos portais de emprego, anúncios de jornal e fóruns dedicados à profissão. Só entre as empresas contactadas pelo DN foram ou vão ser colocados mais de 500 enfermeiros, entre 2008 e 2010. E a tendência é para o recrutamento aumentar.

 

A Professional Connections, com sede na Finlândia, é uma das maiores recrutadoras para o Reino Unido e está agora à procura de portugueses para colocar na Arábia Saudita (ver texto ao lado). Em 2010, e apesar de ainda não haver dados muito específicos, pensam contratar "pelo menos cem enfermeiros portugueses", refere ao DN Ann Griffin, gestora da empresa. Habitualmente, estes hospitais recorriam a países escandinavos, à Irlanda, Inglaterra "porque o inglês era melhor e estavam mais abertos ao recrutamento, o que agora já é mais difícil".

A Prof Co, que admite contratar para os hospitais de Londres, não é caso único. Há cada vez mais unidades hospitalares estrangeiras a contratar enfermeiros portugueses, especialmente para destinos como o Reino Unido, Bélgica, França, Canadá ou Arábia Saudita.

 

As condições são muito apelativas, especialmente quando há milhares de enfermeiros desempregados ou em condições precárias. Há sobretudo interesse em recrutar enfermeiros especializados, em áreas como a saúde materna, cuidados intensivos, cardiologia, entre outros, mas aos recém-licenciados as empresas também não recusam trabalho.

 

A CLR Healthjob, empresa que tem sócios espanhóis mas também um português, Ricardo Damas, está também interessada neste mercado. "Contratámos quinze profissionais em 2008, mas para ir para hospitais da zona de Barcelona. Mais tarde contratámos mais cinco para Madrid", refere. Entretanto, o mercado espanhol fechou e a empresa começou a investir noutros mercados, como o londrino. "Neste momento estamos a recrutar enfermeiros para Londres. Perspectivamos contratar 40 enfermeiros nesta primeira fase, para integrar em meados de Dezembro, e depois, mensalmente, recrutar quatro a seis", conta.

 

Liliana Rodrigues, consultora inglesa da HCL International, conta ao DN que "desde 2008, já foram trabalhar para o Reino Unido mais de 150 portugueses". Com inúmeros clientes, públicos e privados, a empresa está sempre a recrutar, especialmente se os recursos forem especializados.

 

A Best Personnel Limited, com agência em Portugal, está agora a recrutar 50 enfermeiros para o Reino Unido, mas admite querer empregar "mais de cem portugueses para o Canadá", onde pagam em média 55 mil dólares por ano, segundo Sylwia Markiewics. Outras empresas enchem os portais de emprego, como o da Contexte Médical ou o da Moving People. [In "DN"]

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publicado às 13:01


#1020 - Este país é para pobres

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.09
Este país é para pobres

Este país é para pobres

Aumentar o salário mínimo para 500 euros não serve para nada. Não nos aproxima dos europeus, que ganham muito mais que isso, e afasta-nos dos chineses e indianos, que trabalham por uma malga de arroz. O que seria da nossa competitividade?

1 - Regressam os debates ao Parlamento, regressam as boas notícias. Mostrando um elevado sentido de responsabilidade social, o Governo anunciou que vai aumentar as pensões. Quanto mais baixa a pensão, maior será o aumento. No limite, pode chegar à loucura de subir 1,25%. Mais ainda, como oportunamente lembrou o primeiro-ministro: se a lei fosse cumprida, as pensões não só não aumentariam, como teriam de diminuir. Tudo por causa da inflação negativa. Ou seja, os pensionistas com pensões miseráveis terão um aumento real que chega aos 2%. E em tudo isto, o Estado vai gastar, de forma altruísta, 150 milhões de euros, que tanta falta fazem, por exemplo, para tapar o buraco do BPN, ou para a construção de uma terceira ponte sobre o Tejo. O senhor Silveira, reformado e residente em Torneiros, Vila Real, recebeu a notícia de forma efusiva. A sua pensão passará de uns míseros 374 euros, para uns abastados 378 euros. Poderá deixar a venda de couves e grelos que cultiva no quintal, para se dedicar a tempo inteiro a programas de turismo sénior.

2 - Nada como as sábias declarações de um antigo ministro das Finanças, ainda por cima também antigo administrador do Banco de Portugal, para acabar com a balbúrdia que se adivinhava no que diz respeito a aumentos salariais. Silva Lopes não esteve com meias tintas e qualificou os aumentos salariais, quaisquer que sejam, como "fábricas de desemprego". Um dia depois, José Sócrates mostrava ter tomado boa nota dos conselhos, deste ou de outros economistas. E no que lhe diz respeito, o aumento das pensões será mesmo a única loucura a cometer. Quanto ao salário mínimo, o melhor é renegociar os prazos, assume o primeiro-ministro. Porque o que estava aceite por sindicatos e patrões, agora já não convém aos patrões. Sendo que o que estava acordado era a ousadia de passar o salário mínimo de 450 para 475 euros em 2010, e para uns incríveis 500 euros já em 2011. Com nenhuma vantagem, como é evidente. Porque não só não nos aproxima dos europeus, que ganham muito mais que isso, como nos afasta dos chineses e dos indianos, que aceitam trabalhar por uma malga de arroz. Se começassem para aí a dar aumentos salariais, pequeninos que fossem, o que aconteceria à nossa competitividade?

3 - Os lucros da Corticeira Amorim aumentaram no terceiro trimestre do ano, pela terceira vez consecutiva. Foram 5,7 milhões de euros (3,6 milhões no mesmo período do ano passado). Lucros que só se conseguiram graças a vendas de 103 milhões de euros. E é aqui que bate o ponto. Porque, ao contrário dos lucros, as vendas apresentam valores mais baixos do que um ano antes. Assim, se há lucro, isso deve-se à diminuição dos custos da empresa. E como conseguiram os notáveis gestores da Corticeira Amorim diminuir os custos para aumentar os lucros? Com o despedimento de cerca de duas centenas de trabalhadores, pois claro. Mas atenção que a isto não se chama "fábrica de desemprego", chama-se visão estratégica.

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publicado às 12:54


#1019 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.09
O país subterrâneo

O país subterrâneo

Casa Pia, "Furacão", sobreiros, submarinos, BPP, BPN, Freeport , "Face Oculta"…. Os portugueses vão-se apercebendo, aos poucos, da podridão escondida sob as vistosas roupagens modernaças do regime e entendendo o sentido dos entraves de toda a ordem que, da parte dos partidos do chamado "arco da governação", sempre se intrometem entre as promessas de combate à corrupção e a sua efectivação. Entretanto, uma nova classe de empresários, políticos e ex-políticos vindos do nada instalou-se no país, ascendendo social e economicamente a velocidades nunca vistas e dificilmente explicáveis à luz dos critérios usuais do enriquecimento dentro da lei. Há hoje dois países e duas economias, o país e a economia visíveis e aqueles de que só se ouve falar a espaços, quando alguma investigação criminal os traz episodicamente à luz do dia, e que rapidamente desaparecem de novo na obscuridade pelas portas travessas de uma Justiça que só funciona eficazmente para o cidadão comum. A tentação de se desembaraçar de escrúpulos morais e emigrar para esse país subterrâneo é grande. Aí a vida é fácil, é barata e dá milhões.

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publicado às 12:51


#1018 - Peter Hammill

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.11.09

 

 

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publicado às 23:22


#1017 - Zoltan Kodaly (1882-1967)

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.11.09

 

 

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publicado às 16:47


#1016 - António Franco Alexandre

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



o teu amor, bem sei, é uma palavra musical,

espalha-se por todos nós com a mesma ignorância,

o mesmo ar alheio com que fazes girar, suponho, os epiciclos;

ergues os ombros e dizes, hoje, amanhã, nunca mais,

surpreende o vigor, a plenitude

das coxas masculinas, habituadas ao cansaço,

separamo-nos, à procura de sinais mais fixos,

e o circuito das chamas recomeça.


é um país subtil, o olho franco das mulheres,

há nos passeios garrafas com leite apenas cinzento,

os teus pais disseram: o melhor de tudo é ser engenheiro,

morrer de casaco, com todas as pirâmides acesas,

viajar de navio de buenos aires a montevideu.

esta á a viagem que não faremos nunca, soltos

na minuciosa tarde dos lábios,

ágil pobreza.


permanentemente floresce o horizonte em colinas,

os animais olham por dentro, cheios de vazio,

como um ladrão de pouca perícia a luz

desfaz devagarmente os corpos.

ele exclama: quando me libertarás da tosca voz dormida,

para que se veja

alto e altivo o coração das coisas? até quando aguardarei,

no harmonioso beliche, que a tua visão cesse?

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publicado às 23:19


#1015 - Rolf Dieter Brinkmann (1940-1975)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



POEMA


Paisagem destruída,com

latas de conserva, as entradas das casas

vazias, o que há lá dentro? Aqui cheguei


à tarde, de comboio,

duas panelas atadas

ao saco de viagem. Agora deixei


para trás os sonhos que sopram

numa encruzilhada. E pó,

pavana fragmentada, néon


morto, jornais e carris,

este dia, que me resta agora,

um dia mais velho, mais afundado e morto?


Quem é que disse que a isto

se chama vida? Eu retiro-me

para outros tons de azul.


Poema de Rolf Dieter Brinkmann

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publicado às 23:05


#1014 - Ferreira Gullar

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



ARTE POÉTICA


Não quero morrer não quero

Apodrecer no poema

Que o cadáver de minhas tardes

Não venha feder em tua manhã feliz

               E o lume

Que a tua boca acenda acaso das palavras

- ainda que nascido da morte -

                    some-se

                    aos outros fogos do dia

aos barulhos da casa e da avenida

                      no presente veloz


Nada que se pareça

a pássaro empalhado múmia

de flor

dentro do livro

                             e o que da noite volte

volte em chamas

               ou em chaga


                  vertiginosamente como o jasmim

que num lampejo só

ilumina a cidade inteira


Poema de Ferreira Gullar

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publicado às 22:54


#1013 - Buland Al-Haydari (1929-1996)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



O CARTEIRO


que queres tu carteiro?

estou longe do mundo

sem dúvida estás equivocado...

já que nada de novo há

que o mundo possa trazer a este fugitivo.

o que era

é ainda costume:

sonhar

ou enterrar

ou evocar

enquanto a gente tem ainda seus festejos

e seus funerais juntando festa com festa

seus olhos desenterrados em suas mentes

outro osso para uma nova fome.

a china ainda tem a sua muralha

um mito apagado e um destino em repetição

a Terra tem ainda o seu Sísifo

e uma pedra que não sabe o que quer.


carteiro

sem dúvida estás equivocado...

já que nada é novidade

volta à estrada

já que a estrada tanta vez te trouxe.

e que queremos nós?

 

Poema do Iraquiano, Buland Al-Haydari

 

 

In “Age of the Rubber Seals,” al-Haidari longs for a better time beforehand, before all of the chaos and agony settled into his homeland. The imagery of “whips rasping on our skins” and “chains without crime” highlight the political crisis and anguish in his lifetime. “Return to us our old eyes so we can see the victory that looms in defeat,” he says, wistfully. “We’re bored with your face plunged in rubber implanted in the earth in crime.” This poem expresses an angst that nearly every teenager can relate to, yet it is beneficial to the older generation as well, because poems like these are a wake-up call that things are not all right. Even in translation, one can still feel the impact of this poem.


Age of the Rubber Seals 


Oh Age of ours
(Age of rubber seals,
of whips rasping on our skins,
of chains without crime)
     Return to us our old eyes
our grim, black doors open
to night and gale.
     Return to us our shadows
shaken by trembling candlelight
in the dark night.
     Return to us
our children bare in winter’s anger;
their little hands craving to tear down the sky.
O Age of ours
(Age of rubber seals,
of chains without crime,
of rasping whips)
     Return to us our old eyes
so we can see the victory that looms
in defeat.
     Erect for us
from the feet of locusts in our desert
from the dry cactus
from the limbs of our dead sons
scaffolds that charge us
with anger that can carry us
on a great song

We’re bored with your face plunged in rubber
     implanted
     in the earth
          in crime.

 

From Salma Khadra Jayyusi, ed., Modern Arabic Poetry: An Anthology (New York: Columbia University Press, 1987): 243-44.

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publicado às 22:34


#1012 - Rosaro Csatellanos (1925-1974)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



AMANHECER


      Que se faz na hora de morrer? Volta-se

a cara contra a parede?

Agarra-se pelos ombros o que está perto e ouve?

Deita-se cada um a correr, como o que tem

as roupas incendiadas, para chegar ao fim?


      Qual é o rito desta cerimónia?

Quem vela a agonia? Quem puxa o lençol?

Quem afasta o espelho por embaciar?

Porque a esta hora não há mãe nem parentes.


      Já não há soluço. Nada, mais que um silêncio atroz.


      Todos são uma face atenta, incrédula

de homem de outra margem.


      Porque o que sucede não é verdade.


Poema de Rosario Castellanos

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publicado às 22:21


#1011 - Berlim 1989

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09


Dos ciudadanos saludan al otro lado en la navidad de 1961. | Lon Herschtritt



Las autoridades del este pretendían frenar la huida masiva de sus ciudadanos y mano de obra cualificada al oeste, unos tres millones de personas desde el final de la II Guerra Mundial. | AP


Veja o vídeo que conta a História em 3 minutos

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publicado às 21:06


#1010 - Gastão Cruz

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09

Então a Voz

Então a voz passou por cima

do oceano
e era um som de vagas
 
o mesmo som ouvido nos verões
quando a luz sobre a pele
se transformava em água

 

Gastão Cruz, Os Poemas [1960-2006] - já disponível nas livrarias


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publicado às 19:58


#1009 - PRÉMIO CLUBE LITERÁRIO DO PORTO

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09


No próximo mês de Dezembro decorrerá a 5ª edição do Prémio do Clube Literário do Porto atribuído, nos termos do respectivo regulamento, por concurso de ideias e sugestões, visando galardoar o autor que mais criatividade teve na narrativa e ficção.

 

Instituído em 2005, o galardão, com um valor pecuniário de 25.000 euros, foi criado pela Fundação Dr. Luís Araújo, chegou a ser considerado uma lufada de ar fresco para a cultura portuense.

 

Esta é a quinta edição do prémio, que nos anos anteriores distinguiu os escritores Mário Cláudio, Armando Baptista Bastos, Miguel Sousa Tavares e António Lobo Antunes.

 

De forma a contar com a colaboração dos utentes e amigos desta casa, vimos por este meio, junto de V/ Ex.ª, solicitar que nos indique um nome que seja meritório de receber tal galardão.

 

Uma vez que a cerimónia da entrega do referido Prémio decorre já no próximo mês de Dezembro, agradecemos que nos envie a Vossa estimada opinião o mais breve possível.

 Com os nossos melhores cumprimentos,

 

Clube Literário do Porto
Rua Nova da Alfândega, n.º 22
4050-430 Porto
T. 222 089 228
Fax. 222 089 230
Email: clubeliterario@fla.pt
URL: www.clubeliterariodoporto.co.pt

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publicado às 19:43


#1008 - Isaac Felipe Azofeifa

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



 

SE OYE VENIR LA LLUVIA


L

a casa de mi infancia es de barro del suelo a la teja,


y de maderas apenas descuajadas, que en otro tiempo obedecieron


hachas y azuelas en los cercanos bosques.


El gran filtro de piedra vierte en ella, tan grande,


su agua de fresca sombra.


Yo amo su silencio, que el fiel reloj del comedor vigila.


Me escondo en los muebles inmensos.


Abro la despensa para asustarme un poco


del tragaluz, que hace oscuros los rincones.


Corro aventuras inauditas cuando entro


en el huerto cerrado que me está prohibido.


En la penumbra de la tarde, que va cayendo lenta


sobre el mundo, el grillo del hogar canta de pronto,


y su estribillo triste riega en el aire quieto,


paz y sueño sabrosos.



Cuando venían las lluvias miraba los largos aguaceros


desde el ancho cajón de las ventanas.


Nunca huele a tierra tanto como esa tarde.


Se oye la lluvia primero en el aire venir como un gigante


que se demora, lento, se detiene y no llega,


y luego, están ahí sus pies sobre las hojas, tamborileando,


rápidos, mojando,


y lavando sus manos deprisa, tan deprisa, los árboles,


el césped, los arroyos,


los alambres, los techos, las canoas.



Pero también su llanto desolado,


su sinrazón de ser triste, su acabarse de pronto,


sin objeto ni adiós,


para siempre en mi infancia, para siempre.



Llueve en mi alma ahora, como entonces.


---------------------------------------------------------------------


Dispo-te lentamente, beijo a beijo.

Esse botão, esse colchete, aquela fita,

uma pequena fivela, uma ilhá diminuta,

a suavíssima seda que resvala, as rendas

em cuja nuvem crespa até dormito

moroso, prolongando o termo

do beijo, buscando as mais suaves

regiões, as profundas fontes. E de súbito

detenho-me

e olho-te nua, plena, bela, minha,

forma total que o amor criou no sonho,

estátua levantada por minhas mãos, meus beijos.


Poemas de Isaac Felipe Azofeifa, Costa Rica

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publicado às 19:11



A curta-metragem de ficção “Um Dia Frio", da realizadora portuguesa Cláudia Varejão, conquistou o Grande Prémio de Curta-Metragem no Festival Internacional de Cinema Mediterrâneo de Montpellier, em França.

 

A 31.ª edição do festival decorreu entre 23 de Outubro e 1 de Novembro em Montpellier, onde foram exibidos 239 filmes, passando pelas longas e curtas-metragens de ficção e documentários. Segundo a organização, este ano contabilizaram-se 87.200 espectadores.


Do palmarés, consta a realizadora Cláudia Varejão, premiada com o Grande Prémio de Curta-Metragem pelo filme “Um Dia Frio”, também galardoado em Outubro com o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Tânger, em Marrocos.


A curta-metragem foi produzida pela Filmes do Tejo II em co-produção com a RTP2 e a Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do Programa Criatividade e Criação Artística.


Com Adriano Luz, Ágata Pinho, Ana Rodrigues, Isabel Ruth, Maria D´Aires e Vicente Wallenstein, a película tem argumento de Cláudia Varejão e de Graça Castanheira, e música de Bernardo Sassetti.


No filme, sobre o quotidiano de uma família, a realizadora quis “retratar a intimidade, a partir de gestos e palavras que nos identificam”, informa uma nota sobre a curta-metragem de 27 minutos.


“Procuro um cinema onde, por momentos, se esqueça a ficção e a paisagem humana se insinue, frontal, em cada plano. Onde, quanto mais prováveis e até rotineiros os movimentos das personagens, maior a possibilidade e a probabilidade de se chegar ao âmago de nós”, explica a realizadora no texto.


Nascida no Porto, em 1980, Cláudia Varejão estudou imagem em movimento no curso de câmara, e mais tarde no curso de realização, no centro Restart, em Lisboa.

 

Frequentou o curso de direcção de cinema de ficção na Academia Internacional de Cinema em São Paulo e o curso de cinema do Programa de Criatividade da Fundação Calouste Gulbenkian, com a Deutsche Film und Fernsehakademie Berlim.


A filmografia de Cláudia Varejão inclui o documentário “Falta-me”, de 2005 e a curta-metragem “Fim-de-semana”, de 2007.


Cláudia Varejão tem trabalhado ainda em direcção de fotografia e em projectos de vídeo com artistas de diferentes áreas como Beatriz Batarda, Inês de Medeiros, Joana Vasconcelos, Madalena Victorino, Maria João Pires, Miguel Bonneville e Sandra Faleiro, entre outros.


In Jornal Público

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publicado às 18:54


Um sítio online dedicado à arte contemporânea, Blablart.com, acaba de ser criado para dar acesso a 10 mil museus e galerias de todo o mundo.

 

Os fundadores do projecto são três: a jornalista portuguesa Maria Manuel Stocker, a curadora madrilena Helena Tatay e o "web master" catalão Alberto Lucas, que apostaram em construir "um site útil e actual", com informação sobre o sector proveniente de uma centena de países.

 

 

Em declarações à Agência Lusa sobre o Blabart, Maria Manuel Stoker justificou que esta iniciativa resultou da constatação de que "não havia um único sítio na internet onde fosse possível visitar o mundo da arte contemporânea na sua globalidade".  

 

"Há muitos sítios de arte contemporânea mas estão orientados por zonas geográficas, ou com um grande foco nos dois lados do Atlântico – Londres, Nova Iorque, Paris - ou então concentrados apenas no mercado americano", observou.  

Maria Manuel Stocker comentou que "todo o desenvolvimento do mercado da arte contemporânea na Índia, China, Coreia, Japão, Austrália, Brasil e Médio Oriente não tem grande repercussão nos sítios existentes, que se concentram em divulgar apenas as grandes galerias internacionais com representação em Deli ou em Pequim".  

Verificada esta "falha de informação organizada" no sector da arte contemporânea, o grupo procurou soluções que conjugassem simplicidade e, ao mesmo tempo, "um máximo de interactividade entre os utentes e o uso das tecnologias de imagem sofisticadas, dado que a imagem é fundamental na arte".  

O grupo decidiu criar o Blablart.com - de acesso gratuito para quem nele se inscreve – para permitir "a qualquer pessoa visitar as galerias e museus do mundo sem sair do sofá, e com poucos clickes".  

É dirigido sobretudo a profissionais da arte, galeristas, curadores, artistas, que poderão comunicar entre si dentro da plataforma e dar conhecimento à comunidade global das suas exposições, eventos e obras.  

O Blablart é composto por um directório (intitulado "The Art World") com museus e galerias de cerca de uma centena de países, que demorou dois anos a criar.  

Contém ainda uma rede de comunicação ("Who´s On") entre todas as galerias e museus que fazem parte do directório, mas também aberta a artistas, coleccionadores ou qualquer pessoa interessada em arte.  

O "Talk Art" está aberto a quem quiser debater a arte contemporânea online, em qualquer língua, tal com o sítio, que tem a possibilidade de ser lido em tradução Google em dezenas de idiomas.  

A primeira página do Blabart tem também uma secção de notícias actualizadas regularmente que cobre galerias, museus, colecções e também artes performativas.

Maria Manuel Stocker considera que o sector da arte contemporânea pode beneficiar da forma como o sítio está organizado, "dado o crescimento global do mercado e o interesse também óbvio do público pela cultura".

"O Blablart permite a alguém no sul da Índia visitar os museus do Canadá, as colecções brasileiras ou as galerias de Berlim, sem ter que as procurar uma a uma em sítios díspares", exemplificou.

Segundo a jornalista portuguesa, o projecto começou sem financiamento, mas no ano passado a empresa Energies Nouvelles deu um apoio à execução e o sítio foi concretizado.

Actualmente, o grupo procura patrocínios e publicidade de empresas e serviços desde as energias limpas às seguradoras ou telecomunicações e empresas ligadas ao turismo, "com mais vocação para se anunciarem nas páginas das cidades".

In Jornal de Notícias

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publicado às 18:45


#1005 - Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09

O Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação é o mais importante festival de cinema de animação português. Realiza-se em Espinho desde 1976, tendo este ano a sua 33ª edição, o que o torna um dos mais antigos festivais deste tipo de cinema em todo o mundo. É organizado pela Cooperativa NASCENTE e pela Câmara de Espinho.

 

Para além das secções não competitivas, tem duas secções competitivas principais. A Secção Internacional abrange as categorias de Curtas-metragens, Médias-metragens, Longas-metragens, Primeiro Filme ou Filme de Estudos, Séries, Publicidade e Informação. Na Competição Nacional há dois concursos: Prémio António Gaio / Prémio FNAC, para o melhor filme português em competição e Prémio Jovem Cineasta Português.

 

O Cinanima atribui prémios relativos a cada categoria, e vários outros como, por exemplo, o Grande Prémio Cinanima 2009 para o melhor filme do Festival, o Prémio Especial do Júri ou o Prémio José Abel.

 

À semelhança do que vem acontecendo desde há uns anos, a Culturgest tem o prazer de se associar ao Cinanima projectando uma selecção de filmes premiados feita pela organização do Festival.

 

Ver programação e outras informações aqui

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publicado às 18:40


#1004 - George Steiner em Viseu

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.09

O professor da Universidade de Cambridge é o convidado de honra da 5ª Conferência Internacional de Filosofia e Epistemologia, onde se debate «a temática da condição humana a partir das obras do neurocientista António Damásio, do filósofo Espinosa, do pensador multifacetado George Steiner e de um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, Miguel Torga.» De 23 a 25 de Novembro, no Instituto Piaget, em Viseu.


Revista Ler

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publicado às 23:00


#1003 - Compostela homenageia Zeca Afonso

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.09



Músicos portugueses e espanhóis participam num concerto de homenagem aos 80 anos do nascimento de Zeca Afonso.

O concerto "Traz um amigo também" é organizado pela associação "A Gentalha do Pichel", de Santiago de Compostela (Galiza, Espanha), e contará com a participação de vários músicos que partilharam palcos com a voz mais famosa da canção de intervenção portuguesa.

Xico de Carinho, que tocará com o seu grupo Na Virada, Luis Almeida, Juan Guitián, Arturo Regueira e Antom Labranha, são alguns exemplos. Participam ainda os músicos Uxía Senlle, José Pumar e Benedito de Voces Ceibes.

Eduardo Maragoto, da associação que promove o concerto, explica que se trata de mais uma iniciativa no âmbito de encontros "entre a Galiza e os demais países de língua lusófona".

Acrescentou ainda que a associação galega tem vindo a colaborar cada vez mais com a Associação José Afonso, no intuito de "actualizar a vida e a obra do Zeca" que "sempre manteve uma relação especial com a Galiza e com a luta anti-fascista, dos dois lados do rio Minho".

Foi aliás em Santiago de Compostela, na praça do Burgo das Nações, onde Zeca cantou em público pela primeira vez, a 10 de Maio de 1972, a sua canção mais mediatiza, "Grândola Vila Morena".

"O Zeca estava muito vinculado à Galiza e muito comprometido com a causa galega", disse Eduardo Maragoto que explicou que o músico incorporou vários temas tradicionais desta região espanhola no seu reportório.

In "JN"

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publicado às 22:46


1002 - Morreu poetisa italiana Alda Merini

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.09

 

Alda Merini, de 78 anos, faleceu no domingo no hospital São Paulo de Milão após prolongada doença, informaram os "media" italianos. Merini era considerada a maior poetisa italiana viva e uma das grandes escritoras do século XX em Itália. A sua vida e a sua obra estão marcadas pela alternância entre a loucura e a lucidez, como ficou patente na que é considerada a sua obra mais importante, A Terra Santa (1984), já traduzida em Portugal (Livros Cotovia), com a qual ganhou vários prémios. Em 1996 Alda Merini tinha sido indigitada para o Prémio Nobel da Literatura, uma candidatura apoiada, sobretudo, pelo escritor italiano Dario Fo, Nobel em 1997. (fonte: DN

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publicado às 22:44


1001 - Prémio Jabuti de melhor ficção do ano para Moacyr Scliar

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.09

Depois do Jabuti de melhor romance, o escrito gaúcho recebeu ontem novo prémio por Manual da Paixão Solitária (Companhia das Letras). Melhor obra de não-ficção do ano: Monteiro Lobato: Livro a Livro, de Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Unesp).

 

In Revista Ler

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publicado às 22:09


#1000 - Hino dos funcionários públicos

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.09

 

 

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publicado às 21:56


#999 - Exposição no Museu de Serralves

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.09

 


AUGUSTO ALVES DA SILVA  


23 Out 2009 - 31 Jan 2010 - MUSEU

Augusto Alves da Silva (n. 1963, Lisboa) é um dos mais importantes artistas portugueses revelados na década de 1990. Embora não trabalhe exclusivamente com a fotografia, é neste meio que tem executado alguns dos trabalhos mais marcantes no contexto artístico português dos últimos vinte anos. Augusto Alves da Silva tira partido da ilusória neutralidade da fotografia e dos códigos convocados automaticamente por determinados regimes de imagens (paisagem, retrato), apresentando imagens claras, nítidas, em que o excepcional nunca salta à vista, antes tendo de ser procurado; em que, no fundo, nunca nada é dado a ver de forma imediata, promovendo um diferimento que desmente retrospectivamente, consoante olhamos mais atentamente para cada imagem, aquilo que, num primeiro olhar, ela parecia significar. Esta será a primeira exposição retrospectiva de um dos mais importantes fotógrafos portugueses da actualidade.

Comissariado: João Fernandes
Produção: Fundação de Serralves


Visita Guiada exclusiva para Amigos
24 OUT (Sáb.), 17h00 por Ricardo Nicolau

Visita guiadas
03 DEZ (Qui), 18h30, por Ricardo Nicolau
14 JAN (Qui), 18h30, por João Fernandes
19 JAN (Ter), 18h30, por Ulrich Loock (em inglês)

 


 

Mecenas Exclusivo da Exposição
Mecenas do Museu


 

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publicado às 22:05


#998 - Herberto Helder, A Faca não corta o fogo

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.09

 

alexandra de pinho

O que está escrito no mundo está escrito de lado

 

 

a lado do corpo - e tu, pura alucinação da memória,

entra no meu coração como um braço vivo:

o dia traz as paisagens de dentro delas, a noite é um grande

buraco selvagem -

e a voz agarra em todo o espaço, desde o epicentro às constelações

dos membros abertos: e irrompe o sangue

das imagens ferozes:

as rótulas unidas aos dentes e,

como um sexo trilhado:

a boca expele por entre os joelhos o seu grito com a fundura

de uma paisagem - uma

paisagem arrancada ao meio da noite, com as golfadas

de luz

que se despenharam: porque não há lembrança

dos jardins refrigerados com seus pequenos planetas

fotostáticos

levitando - a loucura está tão próxima que o meu braço

se entranha na água, e este atelier onde escrevo

sobe

dos precipícios curvos, forte desde o fundo:

aquilo que se escreve é o próprio corpo pregado como uma estrela

à purpura das madeiras, aos lençóis

ofuscantes cheios de sangue, de água

magnetizada - e esta sala brilhando apoia-se às espáduas,

e em baixo a queimadura

dos instetinos arde do alimento: os cabelos luzem, o rosto

plantado

em sua estaca de sangue como uma grande veia animal -

eu tenho sangue até às órbitas: a estrela fechada eleva-se

no remoinho da garganta - e levanto  a mão e explode

cinematograficamente

a imagem da própria mão

afogada

- porque eu morro da minha vida grave: a longa pálpebra

do corpo cerra-se

sobre a fenda negra aberta à paisagem que corre

como uma chama

por toda a casa - ceifem-me os cabelos à luz

panorâmica: e nas raízes sangrentas

a cabeça queima-se como a lua queima as roupas

levantadas - o meio do vento que cresce nesses cabelos cresce

dentro de mim: meu coração aumenta como uma pedra

aumenta

exposta às mãos como outra mão

de carne larga - esse

osso vedado alumiando o fundo da cabeleira que cortam

como se corta a noite

com uma foice, e os ossos se cortam a plena voz,

na terra, num incêndio completo, enquanto

ceifam: porque há uma cabeça no centro

do choque

do corpo: uma cabeça movida pelo refluxo escuro dos dias

sem fracturas: a cabeça

que vê e cheira e que se abre e fecha

e ouve e refulge e morde

e come depressa e respira para dentro e para fora -

e a voz ascende de todas as raízes entrelaçadas

- a largura, o sangue, o movimento: a fruta em claridade

entre as unhas,

labaredas, um puro génio mundial - tudo como uma forma límpida,

sutura

do coração, uma leveza tremenda

no poder: quando op dia é muito perto, uma estrela comprida

- as mães brilhavam: o que eu escrevo, elas o escreviam

na queimadura da paisagem: uma visão

cerrada pela força: e um comeya desentranha-se

da branca carnagem das memórias, fervendo

entre axilas e falangetas como

um braço, ou uma dança luzente na sua teia até às pálpebras -

o que se lembra e pulsa: fibras

vivas

de uma vara embrenhada no meio da água,

e à volta os planetas oscilam como folhas cantando

desde o abismo -

os dedos das mães nas linhas sangrentas que cosem

profundamente

o espelho e a imagem, como pelas artérias se cose

o coração

aos pedaços de carne, entre orifícios

negros, ressacas

fulgurantes, o corpo aberto com o centro estancado na terra.


Poema de Herberto Helder, do livro "A Faca não corta o fogo", edição Assírio & Alvim

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publicado às 21:27


#997 - Prémio literário francês distingue Dany Laferriète

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.09



O escritor canadiano de origem haitiniana Dany Laferriète recebeu, ontem, o prémio Médicis 2009 do romance, uma das grandes distinções literárias francesas, pelo seu livro “L´énigme du retour”.


O prémio Médicis do romance estrangeiro foi atribuído ao americano Daves Eggers com “What is the what”, história verdadeira de um refugiado do Sudão, Valentino Achack Deng, e da sua viagem desde a sua vila no Sudão até Atlanta, nos Estados Unidos.

O Médicis Essais premiou Alain Ferry por “Mémoire d´un fou d´Emma”, digressão sobre o amor, a literatura e Madame Bovary de Gustave Flaubert.

Dany Laferrière nasceu, em 1953, em Port-au-Prince, Haiti, e vive em Montréal, Canadá e Miami, Estados Unidos. Romancista, ensaísta e cineasta, Laferrière foi primeiramente jornalista no Haiti, deixando a ilha em 1974 para se instalar no Québec.

O escritor publicou mais de vinte livros, entre os quais “Pays sans chapeau” e “Vers le sud”. Em “L´énigme du retour”, o autor regressa ao Haiti após a morte do seu pai.

As suas obras contêm muito da realidade que observa e que experiencia, são marcadas por influências biográficas muito fortes.

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publicado às 18:10


#996 - Guimarães Jazz arranca evocando Miles Davis

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.09

Durante dez dias, Guimarães voltará ser a capital do jazz em Portugal, com a realização de um festival que vai já para a 18.ª edição e que marca o panorama jazzístico nacional. Os primeiros acordes soam no próximo dia 12.

Cabe ao espectáculo "Kind of blue @ 50" - celebração de um disco, de Miles Davis, considerado por muitos como o melhor de sempre - abrir o festival.

"Temos um percurso notável num longo caminho a nível de programação e espaços de actuação", considerou José Bastos, director da Oficina, uma das entidades co-organizadoras do Guimarães Jazz, ontem, em conferência de Imprensa de apresentação do programa, no Centro Cultural Vila Flor (CCVF).

O festival decorrerá, neste ano, nos moldes que já vêm sendo habituais e apresentará um programa diversificado que se estende pelo grande auditório do CCVF, pelo Centro de Espectáculos São Mamede e pela sede da Associação Convívio. "O festival é um processo em que o nível médio é muito elevado e torna-se difícil conseguir outra situação parecida com esta. Mas talvez daqui a dois anos estejamos a dizer o mesmo", alertou Ivo Martins, director do certame, referindo-se à qualidade do evento.

Além dos concertos no CCVF, a grande particularidade é a realização das Oficinas de Jazz e das Jam Sessions. "As oficinas são dirigidas por músicos dos Estados Unidos que vão estar em Guimarães e serão responsáveis pelas actividades formativas, enquanto as Jam Sessions são concertos fora de horas, mais informais, que proporcionam um contacto mais directo com o público".

Os mentores do Guimarães Jazz olham para um horizonte temporal que os levará a 2012, ano em que a cidade será Capital Europeia da Cultura (CEC). Nesse âmbito, José Bastos releva a importância de captação de novos públicos e de um nível que em 2012 pode atingir o auge. "Com a CEC, podemos criar condições para atingirmos o patamar mais alto e a partir daí o Guimarães Jazz manter-se nesse nível".

O trio do pianista Hank Jones, o quarteto de Branford Marsalis, o quinteto de George Colligan, o Overtone Quartet (com Jason Moran, Dave Holland, Chris Potter e Eric Harland), Cassandra Wilson e Dave Douglas são os outros nomes que compõem o núcleo duro do cartaz.

 

Vêr programa aqui

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publicado às 00:17


#995 - Morreu Claude Lévi-Strauss (1909-2009)

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.09

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, considerado um dos intelectuais mais relevantes do século XX, destacado antropólogo e "pai" da corrente estruturalista das ciências sociais, morreu sábado aos 100 anos, informou hoje, terla-feira, a editora Plon.

Lévi-Strauss influenciou de forma decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.

Nascido em Bruxelas em 1908, Lévi-Strauss lançou as bases da antropologia moderna e influenciou gerações de investigadores, deixando também uma marca decisiva na filosofia, sociologia, história e teoria da literatura.

Filho de judeus franceses, mudou-se para França quando estudava no liceu e depois, na Sorbonne, em Paris, estudou Direito e Filosofia, disciplina que leccionou no ensino secundário.

Em 1935, rumou ao Brasil, aceitou um lugar de professor de Sociologia na Universidade de São Paulo e aí iniciou a sua carreira de etnólogo, dedicando os fins-de-semana ao estudo dos milhares de índios que habitavam nos subúrbios da cidade e partindo, depois, para o Mato Grosso e Amazónia, para contactar com tribos.

Na sua primeira obra de grande projecção, "As Estruturas Elementares do Parentesco", publicada em 1949, propôs um novo método de análise que foi adoptado por muitos antropólogos.

No livro, Lévi-Strauss sustenta que o "parentesco" está no centro da Antropologia, que estuda o homem na sua dimensão social, entendendo-se aqui parentesco como as regras de aliança, filiação, residência e perpetuação de populações.

A sua autobiografia intelectual, "Tristes Trópicos", publicada em 1955 (editada em Portugal pelas Edições 70), é considerada a sua obra mais marcante e um dos grandes livros do século XX.

Valeu-lhe o Prémio Goncourt e foi lida por um público bastante mais vasto do que a comunidade científica.

Professor no Collège de France - um prestigiado estabelecimento de ensino e de investigação em Paris - entre 1959 e 1982, foi o primeiro antropólogo eleito para a Academia Francesa, em Maio de 1973, e o primeiro membro centenário da instituição, a partir de 28 de Novembro de 2008, data em que completou 100 anos.

Considerado também um crítico do etnocentrismo e, de alguma forma, um precursor intelectual do movimento ecologista, embora cedo se tenha tornado célebre, Lévi-Strauss nunca se preocupou com a posteridade e não escreveu memórias.

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publicado às 00:11

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