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#930 - O Livro do Senhor Soares

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

Por Adelto Gonçalves (*)

 

BUONA NOTTE, SIGNOR SOARES (BOA NOITE, SENHOR SOARES), de Mário Cláudio, tradução para o italiano de Brunello de Cusatis. Perugia: Morlacchi Editore, 141 págs., 2009, 13 euros; Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2008.
E-mail: editore@morlacchilibri.com
Site: morlacchilibri.com


I
Publicado em 2008 por Publicações Dom Quixote, de Lisboa, o romance "Boa noite, senhor Soares", o mais recente livro de Mário Cláudio (1941) – se bem que é temerário afirmar-se isto, pois o prolífico autor parece que está sempre a publicar uma nova obra –, acaba de ganhar tradução para o italiano pelo professor Brunello De Cusatis, responsável pela cátedra de Literaturas Portuguesa e Brasileira da Universidade de Perugia, na coleção Letteratura Luso-Afro-Brasiliana da Morlacchi Editore, de Perugia, que já editou obras do angolano José Eduardo Agualusa (Frontiere perdute) e do brasileiro José Clemente Pozenato (Il caso del martello) e tem prevista a publicação de Il giorno in cui Paperino s´è fatto per la prima volta Paperina e altre storie, do português João Melo, e Racconti, do brasileiro Sérgio Faraco, todas em português e italiano.


Em Boa noite, senhor Soares, Mário Cláudio recria a sociedade lisboeta de 1931, por meio do heterônimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa (1888-1935), ajudante de guarda-livros e empregado de escritório na Rua dos Douradores, na Baixa de Lisboa. Como se sabe, o personagem seria o autor hipotético do Livro do Desassossego por Bernardo Soares, obra escrita de forma fragmentária por Pessoa entre 1913 e 1935, ou seja, durante quase toda a sua vida literária. Não há dúvida que este personagem, ou heterônimo, confunde-se com o seu criador, a ponto de não se saber onde começa a ficção e termina a vida pessoal.


A narrativa, porém, passa-se em torno de Antônio da Silva Felício, candidato a caixeiro-ajudante no armazém de tecidos da Rua dos Douradores, e do senhor Soares, figura apagada e fugidia que trabalha também como tradutor nesse mesmo armazém, a exemplo do que fazia profissionalmente Pessoa. A vida cinzenta, sem maiores lances de ousadia, de Felício permite ao leitor conhecer uma Lisboa bairrista e tradicional nos costumes, em que a mulher desempenhava um papel secundário na sociedade, representado no texto, de forma particularmente dura, pela irmã do narrador, que levava uma vida escrava de dona-de-casa, dividida entre tratar da filha, cuidar da sogra e ainda ter tempo para cozinhar e satisfazer o marido machista, que, provavelmente, preferia ficar a beber nas tascas com os amigos.
II
Ainda que o aproveitamento de heterônimos de Fernando Pessoa como personagens de romances não seja novidade, depois que José Saramago (1922) escreveu O ano da morte de Ricardo Reis (Lisboa, Editorial Caminho, 1984), ou mesmo do próprio poeta por autores menos talentosos, Mário Cláudio consegue manter o interesse do leitor com uma prosa fluida em que procura intuir, por meio da memória de Felício, o que teria sido o itinerário da vida de Soares.


“Ainda hoje o senhor Soares passa pela Rua Augusta, pela Rua da Prata, pela Rua dos Douradores, e pela Rua dos Fanqueiros, com as abas da gabardine desfraldadas ao vento que vem do Tejo. Ela roça o braço nos empregados do escritório, nas costureiras, nas secretárias, e nos moços de fretes, e um nó de angústia aperta-lhe a garganta, maravilhado e dorido por essa gente que transita (...). (p.74).


Com extrema habilidade para imitar o texto pessoano ou o estilo de Bernardo Soares, o autor dá vida ao armazém do patrão Vasques e do seu sócio capitalista, Alcino dos Santos Camacho, além resgatar outros personagens-funcionários como Borges, um faz-tudo na empresa, Moreira, o guarda-livros, José, Sérgio e Vieira, os caixeiros de praça, Antônio, o aprendiz de caixeiro, Tomé e Ernesto, os caixeiros-viajantes, Antônio, o moço de recados, e o gato Aladino, além, é claro, de Soares, o ajudante de guarda-livros e tradutor. Os demais personagens são integrantes da família de Felício, o aprendiz de caixeiro, que nunca fizeram parte do universo de Soares: Florinda, sua irmã, Gomes, o cunhado, Mimi, a sobrinha, a tia Celeste e Serafim, filho da tia Celeste que emigrara para o Brasil.


Por intermédio de Felício, o narrador, que funciona como ghost writer do antigo ajudante de caixeiro já no ocaso da vida, na década de 1980, trata de reatar os fios soltos de uma Lisboa que não existe mais, que vive apenas na memória do idoso, em suas lembranças mais caras, como aquela do dia em que completou dezoito anos em 1933 e, a convite de seus colegas de escritório, foi até ao Bairro Alto, onde todos jantaram numa taverna, perambularam por vielas e ruas estreitas até que desembocaram na Rua da Rosa, local em que o aniversariante teve a sua primeira experiência sexual, paga pelos amigos do escritório. Foi o seu inesquecível presente de aniversário, a uma época em que nem Sida (Aids) nem outras doenças venéreas assustavam tanto.


É uma cidade cinzenta, imersa no salazarismo em que o anacoreta de São Bento comandava da vida dos portugueses como se cuidasse de um teatrinho de títeres. Para os bem sucedidos na vida, porém, a vida não seria tão cinzenta: a filha de Camacho, o sócio capitalista, chega à maioridade e o ricaço que vivia num chalé de luxo na Brandoa convida todo o pessoal do armazém para uma festa em sua casa cujo ponto culminante é a entrega à rapariga de um “sobrescrito fechado” como cinqüenta contos de réis de prenda, uma dinheirama e tanto. Da festa, que marca o desnível social entre patrões e empregados, o pessoal do escritório fica apenas com uma fotografia em que ao fundo aparece a figura esquiva do senhor Soares com seus “olhitos piscos”.


Vivendo agora nas Galinheiras, um bairro degradado e meio esquecido na imensa Lisboa de hoje, o septuagenário Felício sabe que, apesar da vida fosca que levara, tivera a oportunidade de conviver diariamente com um homem que, meio século depois, transformar-se-ia em gênio da raça portuguesa, da estirpe de Luís de Camões (c.1524-1580), mas que em vida fora visto mais como um louco manso que andava nas nuvens e escrevia sem parar (e que, sem que quase ninguém soubesse, deitava as páginas um tanto a esmo numa arca).


Como não sabe escrever ou, no máximo, assinaria muito mal o nome, Felício começa a pensar num escritor que pudesse resgatar suas lembranças, antes que tivesse de entrar naquele túnel sem volta a que todo ser está condenado. Até que o encontra. E encontra um escriba disposto a escrever a sua história sem lhe cobrar um tostão pela tarefa, embora, por outro lado, não lhe garantisse maior veracidade ao que escrevesse na comparação com o que ouviria:


“(...) Eu utilizo palavras que o senhor é capaz de ignorar, recuso-me a aplicar umas quantas daquelas que o senhor usa, cometo umas elegâncias que alguns julgam excessivas, mas de que há quem goste, e acrescento por capricho vários posinhos ao que para certas pessoas mereceria um posinho só”. (...). (p.138).


Seja como for, ao septuagenário não há alternativa, a não ser confiar naquele que se propõe a ajudá-lo a resgatar do limbo de mais de cinqüenta anos aquelas lembranças fugazes, marcadas mais por gestos tímidos do que por palavras. Até porque o senhor Soares, figura fugaz, era homem de parcas palavras. A ponto de, no seu último dia no escritório do patrão Vasques, ao recolher seus pertences no cacifo e virar as costas em direção à porta da rua, foi com o senhor Soares, vindo na direção contrária, que se deparou. Abraçaram-se. E ouviu um murmúrio, quase um soluço, junto à orelha: “Até sempre, Antônio”. Em resposta, disse-lhe: “Boa noite, senhor Soares”.
III
Mário Cláudio (1941) faz parte de um seleto grupo de escritores portugueses – em número superior ao de brasileiros, apesar da diferença brutal entre o contingente populacional de cada país – que alcançaram projeção internacional, com livros traduzidos para o inglês, francês, alemão, húngaro, croata, checo e italiano.


Essa notoriedade, como assinala o professor Brunello de Cusatis na apresentação deste livro, teve início a partir das três biografias romanceadas que escreveu: uma do pintor futurista Amadeo de Souza-Cardoso (Amadeo, Lisboa:Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984), outra de uma violoncelista, Guilhermina Suggia (Guilhermina, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1986), e a terceira de uma ceramista analfabeta, Rosa Ramalha (Rosa, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988), personalidades de destaque da cultura lusa nos meios cultos europeus. Outra figura ímpar da cultura portuguesa que teve sua biografia escrita por Mário Cláudio foi Camilo Castelo Branco (Camilo Broca, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006).


Recuperado do espólio literário de Fernando Pessoa, que hoje faz parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa, pelas pesquisadoras Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha, o Livro do Desassossego por Bernardo Soares foi publicado pela editora Ática, em 1982, em dois volumes organizados por Jacinto do Prado Coelho. Em 1986, António Quadros deu outra organização ao livro, que saiu pela Europa-América.


Em 1991, Teresa Sobral Cunha preparou outra edição, que saiu pela editora Presença. No Brasil, em 1986, Leyla Perrone-Moisés organizou uma edição para a editora Brasiliense. E, em 1999, a Companhia das Letras publicou a edição preparada pelo tradutor de Pessoa para o inglês, Richard Zenith, que propôs outra organização para os fragmentos.
IV
Mário Cláudio, pseudônimo de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nasceu no Porto, numa família da burguesia industrial de raízes irlandesas, castelhanas e francesas ligada à História da cidade nos últimos três séculos. No Porto, cursou o liceu e, em seguida, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, tendo depois se transferido para a Universidade de Coimbra, onde se graduou em 1966.


Assumiu a direção da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, de onde saiu para freqüentar a Universidade de Londres, graduando-se como Master of Arts, em 1976, defendendo uma tese que seria parcialmente publicada com o título Para o Estudo do Analfabetismo e da Relutância à Leitura em Portugal (Porto: Brasília Editora, 1979), o único livro que assinou com o seu nome civil (Rui Barbot Costa). De regresso a Portugal, exerceu funções técnicas no Museu Nacional de Literatura. Em 1985, iniciou-se como professor na Escola Superior de Jornalismo do Porto e, atualmente, é professor convidado da Universidade Católica do Porto e da Fundação de Serralves.


Em 1969, publicou o seu primeiro livro de poesia, Ciclo de Cypris, em edição de autor financiada por seu pai, à época em que estava na Guiné participando da guerra colonial. Em 1972, publicou Sete Solstícios, também de poesia. Foi em 1974 que deu à estampa o seu primeiro romance, Um verão assim (Porto: Livraria Paisagem, 1974). Ao final da década de 70 e início dos anos 80, intensificou sua atividade literária, publicando dois romances – As máscaras de sábado (Lisboa: Assírio & Alvim, 1976) e Damascena (Lisboa: Contexto Editora, 1983) –, três livros de contos – Improviso para duas estrelas de papel (Porto, Edições Afrontamento, 1983), Das torres ao mar (Porto, Edições O Oiro do Dia, 1983) e Olga e Cláudio (Porto: Edições Afrontamento, 1984) – e três livros de poesia – A voz e as vozes (Porto, Editorial Inova, 1977), Estâncias (Porto: Brasília Editora, 1980) e Terra Sigillata (Lisboa, Edições & Etc., 1982), seguindo-se outro livro de poesia na década de 90, Dois equinócios (Porto: Campo das Letras, 1996).
De 1990 a 1997, Mário Cláudio publicou uma segunda trilogia de romances: A quinta das virtudes (Lisboa, Quetzal Editores, 1990; Tocata para dois clarins (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1992) e O pórtico da Glória (Lisboa: Publicações Dom Quixote,1997), onde a História volta a cruzar com a ficção, mas desta feita incorrendo na autobiografia familiar. Entre 2000 e 2004 publicou outra trilogia, composta por Ursamaior (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 200) Oríon (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2003) e Gêmeos (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2004), e que é descrita pelo autor como relacionada com “situações de alguma marginalidade” e “discurso problemático com o poder”.


Ganhou o prêmio Associação Portuguesa de Escritores (APE) de Romance e Novela em 1984 com a obra Amadeo. É considerado um dos mais importantes autores portugueses das últimas duas décadas. Embora se tenha dedicado à poesia, ao teatro, à tradução e ao ensaio e estudos literários, tendo publicado no total pelo menos 58 livros, é no romance que Mário Cláudio mais se tem destacado. Em 2004, foi agraciado com o Prêmio Fernando Pessoa.

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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Publicado na Revista "STORM MAGAZINE

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publicado às 18:38


#929 - OCHOA E NÓS

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

Saindo  de um tradicional bacoquismo, a literatura portuguesa autoriza-se pela mão de Tomás Vasques a sair das suas fronteiras imaginárias.


O romance O General de Todas as Estrelas Foi-se Embora Sem Ter Bebido Um Trago de Havana Club, de sua autoria, é um mergulho no castrismo (essa mistura sanguinária entre comunismo e nacionalismo exaltado), a partir da história de Arnaldo Ochoa.

 

 

Crónica de Carlos Amaral Dias publicada na PNETcrónicas

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publicado às 13:34


#928 - Supremo ‘indemniza’ mulher por impotência do marido

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

Numa decisão inédita em Portugal, uma mulher vai receber uma indemnização de 50 mil euros porque o marido ficou impotente na sequência de um acidente de viação, no qual não teve culpa.

A quem deveremos exigir indeminizações caso os políticos se tornem impotentes em cumprir as suas obrigações e promessas?

 

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publicado às 13:14


#927 - Prémios BES Revelação

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

Ana Braga, Inês Moura e Susana Pedrosa são as vencedoras do Prémio BES Revelação de 2009, decisão que mereceu a unanimidade do júri do galardão, anunciou ontem a Fundação Serralves. Cada uma das artistas receberá uma bolsa de produção no valor de 7.500 euros, apoio destinado à realização dos trabalhos a apresentar, a partir de 13 de Novembro, no Museu de Serralves, Porto.

Susana Pedrosa (Coimbra, 1983) apresentou um projecto que comunica com as experiências linguísticas e conceptuais das décadas de 1960-70. Recorrendo a agendas e calendários, emprega a fotografi a para descrever a passagem do tempo. Licenciou-se em 2006 em Artes Plásticas, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto.

O projecto de Ana Braga (Porto, 1986) recorre à ampliação de imagens de arquivo, nomeadamente detalhes de vegetação, para subverter as capacidades narrativas da projecção de diapositivos, confrontando-nos com pequenas diferenças na repetição. Ana Braga encontra-se actualmente a frequentar a licenciatura de Artes Plásticas Multimédia na Faculdade de Belas-Artes do Porto. Inês Moura (Coimbra, 1984) é fi nalista de Pintura da Faculdade de Belas- Artes de Lisboa (FBAUL) e desenvolve trabalho nas áreas do desenho, fotografi a e instalação, procurando estabelecer entre elas um diálogo interdisciplinar. O júri foi constituído por Mélanie Bouteloup, Aida Castro, Ricardo Nicolau e François Piron.

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publicado às 08:37


#926 - Espólio de Pessoa classificado como "tesouro nacional"

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09
Espólio de Pessoa classificado como "tesouro nacional"

O espólio documental do escritor Fernando Pessoa, que inclui cartas, fotografias, livros, apontamentos, foi classificado como "tesouro nacional" pelo "relevante interesse cultural", decidiu hoje o governo em Conselho de Ministros.

 

O decreto hoje aprovado em Conselho de Ministros estipula que todo o espólio de Fernando Pessoa passa a ter interesse nacional. Essa classificação teve em conta o "relevante interesse cultural, designadamente, histórico, linguístico, documental e social" e reflecte "valores de memória, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade", refere o Conselho de Ministros em comunicado.

 

Em declarações à agência Lusa, a sub-directora da Biblioteca Nacional, Maria Inês Cordeiro, explicou hoje que este é "o mais elevado grau de classificação dentro do património nacional". O decreto em Conselho de Ministros conclui um processo de classificação do espólio de Fernando Pessoa iniciado pela Biblioteca Nacional em Outubro de 2008. Esta classificação abrange todo o espólio documental conhecido e o que se vier a descobrir e impossibilita a sua saída de Portugal. O espólio documental de Fernando Pessoa está depositado sobretudo na Biblioteca Nacional, mas há documentos do escritor na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, na Casa José Régio, em Vila do Conde, nas bibliotecas municipais do Porto e Ponta Delgada e na posse dos herdeiros.


In "DN on line"

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publicado às 08:29


#925 - Festival Intercéltico de Sendim

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

10º Festival Intercéltico

Os sons das gaitas-de-foles dos Lenga-Lenga abrem hoje, sexta-feira, às 22.30 horas, no Parque das Eiras, a 10.ª edição do Festival Intercéltico de Sendim, em Miranda do Douro, que decorre até depois de amanhã, domingo.

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publicado às 08:17


#924 -Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09
Minha tão grande culpa

Minha tão grande culpa


Quem me veja por aí de cabeça baixa, incapaz de encarar o Mundo, como se carregasse uma culpa mais pesada e insuportável que o Menino nos braços de S. Cristóvão, não tenha piedade de mim.

 

Os resultados dos exames de Matemática da segunda fase do Secundário foram ainda piores do que os da primeira, que já haviam sido maus (média de 8,8 valores contra 10 na primeira fase, abissalmente abaixo dos gloriosos 14 do ano passado); ora se, na primeira, a culpa, segundo a ministra, já fora minha - porque, como a generalidade da "comunicação social", andei a dizer "que os exames eram fáceis" - agora não tenho remédio senão meter a mão na consciência e penar por aí como o velho marinheiro de Coleridge, arrancando os cabelos e contando a toda a gente que fui quem matou o albatroz e deu cabo das estatísticas da ministra em pleno período eleitoral.

 

O pior é que o mesmo aconteceu em Português, em Física, em Química, em Biologia, em Geologia. Os alunos não estudam e os professores não ensinam porque perdem tempo a ler jornais. Acabe-se com eles (jornais, alunos e professores) e os resultados subirão em flecha.

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publicado às 08:12


#923 - Álbum inédito para 50 anos de Astérix

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

 

 

O principal evento das celebrações dos 50 anos de Astérix será a edição de um álbum de 56 páginas, com histórias curtas inéditas, a lançar a nível mundial, em 15 línguas, a 22 de Outubro deste ano.

O anúncio já é oficial e está no recém-renovado site de Astérix, o pequeno guerreiro gaulês criado por Goscinny e Uderzo para o número inaugural da revista "Pilote".

Ao JN, Maria José Pereira, responsável do Departamento de BD das Edições ASA, confirmou o lançamento da versão em Português na mesma data, revelando que já está a trabalhar na respectiva tradução, enquanto, em França, Uderzo dá as últimas directivas relativas à aplicação da cor. No mercado francófono, a celebração do aniversário inclui a edição do livro "Astérix & Compagnie", oferecido gratuitamente na compra de dois álbuns da colecção, que nas suas 48 páginas em formato A5 reúne mais de três dezenas de retratos (escritos e desenhados) de algumas das mais marcantes personagens do universo Astérix, entre gauleses, romanos, piratas e outros.

A edição em Português ainda está em estudo, mas Maria José Pereira confirma que está a ser preparado "um acontecimento para 29 de Outubro, data exacta do aniversário do Astérix, que atempadamente será divulgado" e que para "os leitores portugueses haverá vários 'produtos Astérix' que serão oferecidos na compra da novidade e do fundo de catálogo".

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publicado às 00:22


#922 - Sob céus estranhos

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09



As casas velhas, estreitas, arbitrariamente altas e baixas, de dia pitorescas com as fachadas de azulejos e os balcões de ferro, distinguindo-se agora apenas pelo contraste das dimensões, talvez evocassem alguma coisa do passado, quem sabe? Mas a um estrangeiro, como ele, não diziam nada, não lhe inspiravam essa nmostalgia que podem sentir os indígenas por se suporem a continuação desse passado do qual ele, o estrangeiro, não participava, não só pela sua origem mas sobretudo porque a nostalgia de um passado histórico se cultiva na infância, tal como os usos e os costumes. O estrangeiro, quando muito, pode admirar, gostar, achar curioso, mas não se enternece nem se orgulha. As lutas e glórias de um país que não é o seu permanecewm-lhe alheias porque a  infância foi-lhe povoada de outras lutas e glórias, e a sua nostalgia é, por consequência, outra também. Era por isso que às vezes, mesmo depois de viver vários anos naquela cidade, ao deambular pelas ruas punha a si próprio a pergunta: "Mas que estou eu aqui a fazer? Por que é que ando por estas ruas?" Se um turista chega a um mundo estranho, onde nem o aspecto exterior, nem a língua, nem os costumes lhe conseguem despertar reminiscências, esse mundo exerce sobre ele um encanto delicioso. Não surge tudo isso que se oferece aos seus olhos - paisagem, costumes e fala - para o seu particular deleite? Não se lhe oferecem todas as características pitorescas ptara que ele se divirta e tire fotografias? Mas se o mesmo turista se vê, de repente, forçado a permanecer nesse mundo estranho para ganhar o seu pão, o pitoresco torna-se-lhe ambiente quotidiano, os habitantes passam a ser os seus vizinhos, amigos e inimigos e o caso muda inteiramente de figura. O que lhes parecera insólito e exótico ergue-se qual muro espesso entre ele e tudo o que constitui a sua vida, e por muito tempo não passa dum homem à parte, um observador sempre prestes a comparar com este mundo o seu de outrora: um comparsa que, não chegando a pisar o palco, permanece nos bastidores. Por isso o turista é para o estrangeiro domociliado o que o campista é para um homem que se instalou, de vez, numa cabana.


lse Losa - Sob céus estranhos

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publicado às 23:51


#921 - Roteiro da Precária Luz

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09

 

Maldito seja quem deste povoado

falar, por isso, como de um

pacote de rebuçados de nostalgia,

pois que digníssima é a dimensão

da linha de praias saturadas de óleo,

dos faróis que não prevêem o desastre dos

naufrágios que compõem um anel de

corrosão, do rosto das crianças exiladas do fogo.

E dura-se, entretanto, em certos interiores,

com o cheiro do café de saco

ou do sabonete da barba, e o

tédio equivale a uma esguia luz

de leitura, à fadiga da faina

desconexa do mercado ribeirinho,

ao amordaçado ruído, enfim, que

executa o movimento

de alguma bola de bilhar


Mário Claúdio - Roteiro da Precária Luz

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publicado às 23:35


#920 - Arqueologia

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09

Templo romano descoberto em Beja é o maior de Portugal e um dos maiores da Península Ibérica
 

O templo romano do século I d.C. soterrado em Beja, identificado há 70 anos e que tem sido escavado desde que foi descoberto há um ano, é "o maior" de Portugal e "um dos maiores" da Península Ibérica.

 

"É o maior dos templos romanos já conhecidos em Portugal", como o de Évora e o de Conímbriga, e, "sem dúvida, um dos maiores da Hispânia" (designação da Península Ibérica na época romana), confirmou hoje à agência Lusa a arqueóloga Conceição Lopes.

 

Trata-se de "um edifício imponente", com 30 metros de comprimento e 19,40 metros de largura, e, tal como os templos romanos de Évora, da província espanhola de Ecija (Sevilha) e de Barcino (Barcelona), é rodeado por um tanque, com 4,5 metros de largura, precisou a arqueóloga.

 

 

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publicado às 13:20


#919 - História de uma entrevista a Zeca Afonso

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09

Nos 80 anos do seu nascimento

Ouça aqui a voz de José Afonso, gravada durante uma entrevista que concedeu, em 1970, aos jornalistas Cáceres Monteiro e Daniel Ricardo. E leia a história da vida do cantor e a sua discografia

Oiça a entrevista e releia a versão integral, publicada, em 1970, no Cena 7:


Zeca Afonso: 'Sou um homem comum?

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publicado às 13:07


#918 - "Se dá trabalho também dá prazer"

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09


Alice Vieira, escritora há 30 anos, está de parabéns “por tantos e tão bons livros”, slogan da megacampanha que a Leya lhe preparou em surpresa. Até o neto dar o alarme.


Correio da Manhã – Como é que "uma escritora de manias" mas sem "a mania das grandezas" lida com uma megacampanha que inclui posters e crachás...

Alice Vieira – Só comecei a perceber que havia qualquer coisa por aí quando todos os jornais, de repente, queriam falar comigo... E quando um dos meus netos, o Diogo, disse: "Na FNAC há um cartaz com uma cara igual à tua. Só não és tu porque a do cartaz tem o cabelo azul..." Uma das coisas de que mais gosto na campanha é desse meu súbito cabelo à Wanda Stuart!

– E que manias são aquelas de que é pecadora confessa?

– Antes de começar a escrever tenho de limpar a mesa, ponho um caderno moleskine novo ao lado do computador, encho a parede em frente com fotografias das pessoas que amo e escolho o CD que me vai acompanhar durante o tempo de escrita. Cada romance tem a sua música de fundo... O próximo, a começar no dia 1 de Agosto, vai ter a ‘Mãe’ do Rodrigo Leão.

– Além do merchandising, a editora vai enviar um livro seu para Timor por cada postal que uma criança lhe escreva... Ideia sua?

– Foi. Achei boa ideia ligar a minha paixão pela escrita à minha paixão por Timor... Timor só suscita reacções extremas: ou se odeia ou se ama. Senti que ia ficar ligada desde o momento em que pisei aquela terra. E as pessoas são tão cativantes, abraçam-nos, querem sempre aprender mais. A única coisa que vi as crianças pedir foi lápis.

– Este é o Ano Alice Vieira?

– Todos são. Estou contente por os meus patrões se lembrarem de festejar os meus 30 anos de trabalho, mas não vou trabalhar mais nem melhor... O que dá trabalho, dá prazer e já tenho encomendas para três romances, um livro de crónicas e um texto para o maestro Eurico Carrapatoso musicar para a Orquestra Metropolitana de Lisboa...

– E a sua relação com a poesia?

– É uma relação diferente da que tenho com o resto da minha produção. Acho que devia ter usado outro nome, não como pseudónimo, mas como heterónimo porque, em poesia, sou mesmo outra pessoa.

– Desde a estreia, com ‘Rosa, Minha Irmã Rosa’, o que mudou?

– Tudo. O Mundo. Um mundo sem telemóveis nem laptops, sem via verde nem multibanco, sem televisão por cabo nem microondas, sem CD nem Zara... E nós vivíamos!

PERFIL

Alice Vieira completou este ano 66 de idade, 40 de jornalismo e 30 de literatura. Com obra feita e premiada em todos os géneros, é nos jovens que tem os mais fiéis leitores e, já em Setembro, recebe em Gotemburgo, o Prémio Peter Pan. Há dois anos descobriu a poesia e, dois livros mais tarde (‘Dois Corpos Tombando na Água’ e ‘O Que Dói às Aves’), é oficial: temos poeta!


Entrevista publicada no "Correio da Manhã"

 

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publicado às 12:12


Arménio

O escritor cabo-verdiano Arménio Vieira, Prémio Camões 2009, que esteve em Lisboa esta semana (para ser homenageado na Casa Fernando Pessoa), terá o seu último livro de poesia, Mitografias, editado pela Nova Vega «já para a próxima rentrée». Ou seja, em Setembro ou Outubro. Vieira mantém assim a ligação ao editor Assírio Bacelar, que publicou em Portugal o seu primeiro livro de ficção: O Eleito do Sol (na então Vega).


eleitodosol1

Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"

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publicado às 12:05


#916 - De profundis

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09

 

 

 

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publicado às 11:53


#915 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09

"Gays que não se assumam devem ser processados"

Gabriel Olim, Presidente do Instituto Português do Sangue, em entrevista ao "i".

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publicado às 11:44


#914 - Instrumentos Musicais

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09


Em cima: Caixa (Lavacolhos/Fundão, Castelo Branco);

Em baixo: Bombo (Braga).


In "Cancioneiro Popular Portugês" de Michel Giacometti e com a colaboração de Fernando Lopes-Graça

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publicado às 16:53


#913 - António Boto

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09


Sou como as velas do altar

Que dão luz e vão morrendo

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publicado às 16:31


#912 - O espírito criador

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09



Quando o homem primitivo imprimia a sua mão aberta na parede escura de uma caverna, fazia deliberadamente a sua própria marca no mundo que o rodeava. A história da arte tem sido, em grande parte, a história da procura contínua de marcas significativas - formas, sons, palavras, pinturas e movimentos de dança que podem exprimir com a maior eloquência as experiências dos mundos interior e exterior e, assim, alargá-as e perpetuá-las.

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publicado às 16:21


#911 - Matisse

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09

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publicado às 12:54


#910 - Coetzee na lista de candidatos ao prémio Booker

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09

 O  escritor JM Coetzee ("Summertime"), que já recebeu o prémio literário britânico Booker duas vezes, é outra vez candidato este ano. A escritora AS Byatt ("The Children's Book"), que desde 1990 tem um prémio destes, também está na lista.

A "lista longa" dos finalistas ao Man Booker para uma obra de ficção incluem ainda Colm Tóibín (Brooklyn), Sarah Waters ("The Little Stranger"), William Trevor ("Love and Summer"), Adam Foulds ("The Quickening Maze"), Sarah Hall ("How to paint a dead man"), Samantha Harvey ("The Wilderness"), Hilary Mantel ("Wolf Hall"), Simon Mawer ("The Glass Room"), Ed O'Loughlin ("Not Untrue & Not Unkind"), James Scudamore (Heliopolis) e James Lever ("Me Cheeta").

Este último foi um dos livros mais badalados na Feira do Livro de Frankfurt, em 2007, escrito por um ghostwriter (o seu nome só aparece na edição de bolso) e apresentado como "a história da Idade de Ouro de Hollywood vista através dos olhos da macaca Cheeta".
 

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publicado às 12:34


#909 - MIa Couto

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09


“Tenho habilidade para ficar calado”

Mia Couto, pseudónimo de António Emílio – assim rebaptizado por um irmão menor incapaz de lhe reproduzir o nome próprio – terminou ontem em Lisboa uma digressão exaustiva para promover o novo romance, ‘Jesusalém’, onde tudo e todos também são rebaptizados.



"Este é um livro sobre a impossibilidade de viver um sonho por alternativa à realidade. Estas personagens fogem do seu passado para acabar perseguidas por ele, o que as impede de recomeçar. Mais do que fazer as pazes com a vida, trata-se de cortar com o passado e recomeçar em absoluto. Como se fosse possível apagar tudo e tudo recriar. Como um deus", explica.

Ao contrário da história e das personagens de ‘Jesusalém’, Mia, 54 anos, natural da Beira (Moçambique), tem uma relação privilegiada com os dias passados.

"Tive uma infância mágica, sem medos nem restrições, que me deixou, por um lado, a ilusão de que o espaço era infinito e era meu, por outro, o sentimento de emigração em relação a esse país onde fui feliz, de onde fui expulso e onde vivo até hoje a tentar voltar, nomeadamente, através deste livro. Mas, a mim, interessa reconstruir o passado e não apagá-lo-lo. De todo", recorda.

A oralidade é a marca do escritor e a reinvenção da palavra o seu cartão-de-visita: uma opção poética mais do que linguística. Tudo o mais é inventado.

"É tudo inventado, mas, depois de escrito, reconheço traços biográficos. Tal como o ‘Mwanito’ da história, tenho habilidade para ficar calado, para afinador de silêncios, e também tinha com o meu pai uma relação mais de silêncios do que de palavras", diz.

Mia Couto estreou-se em 1983 com poesia e, mais de 20 anos passados e outros tantos livros publicados, apresenta contas: "O que mudou foi uma certa ingenuidade. Não tinha apurada a habilidade da contenção que é a maior qualidade de um escritor... No momento, estou na fase do luto por estas personagens ou elas não me deixam partir para outras. E elas é que mandam!"

 

PESSOAL

O CAOS

"Escrevo de forma caótica. Muito e ao mesmo tempo. Há sempre uma obra central e outras, muitas outras que são só ideias, mas vão ser histórias, um dia, não sei quando."

A NOSTALGIA

"Só escrevo quando estou triste, mas é uma tristeza boa, uma fuga para a frente e uma ponte com o meu passado. Sempre presente."

A EXPOSIÇÃO

"O lado penoso da exposição é que nem eu sou, nem quero ser uma estrela nem tenho tempo para dar tempo. Gosto de relações próximas e pessoais."

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publicado às 12:25


#908 - Educação para o ódio

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09

Educação para o ódio


Sempre julguei, ingenuamente, que a democracia boleasse as arestas desses ódios. Nada disso.

 

Baptista Bastos in DN

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publicado às 12:18


#907 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09


Muita parra

A entrevista ao Ministro da Cultura foi uma manifestação deprimente da pobreza dos objectivos do Governo.


Vasco Graça Moura in "DN"

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publicado às 12:13


#906 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.07.09
Direitos selectivos

Direitos selectivos


A CGTP, que "no plano internacional se rege por um conjunto de princípios e valores fundamentais", manifestou-se ontem diante do Consulado das Honduras em Lisboa porque "os trabalhadores portugueses não podem ficar indiferentes face às inaceitáveis violações dos direitos humanos do povo das Honduras".


 Quem, como a CGTP, não repudiará "a ditadura e brutal repressão" nas Honduras e as "numerosas detenções e mortes denunciadas por entidades de defesa dos direitos humanos"? Por isso, procurei no "site" da central o que, em nome dos seus "princípios e valores fundamentais", a CGTP teria também feito (ou dito, ou apenas murmurado) face à "ditadura e brutal repressão" e "numerosas detenções e mortes" em Xinjiang e Teerão e "às inaceitáveis violações dos direitos humanos" dos povos da China e do Irão denunciadas por "entidades de defesa dos direitos humanos". Pesquisei "Xinjiang" e obtive zero resultados; pesquisei "Irão" e obtive 15 futuros do indicativo do verbo "ir" e uma referência às "ameaças dos EUA ao Irão". Talvez, quem sabe?, a CGTP tenha, nestes casos, optado por manifestar-se silenciosamente.

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publicado às 12:08


#905 - .......................

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

 

Informação, comunicação, conhecimento, imagens, palavras, sons, gestos, afectos

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publicado às 22:39


#904 - Nouvelle Vague Brasileira

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

Da esquerda para a direita: Ilana Feldman, Cléber Eduardo, Luiz Carlos Oliveira Jr., Daniel Caetano, Eduardo Valente e Felipe Bragança. Seis amigos que se tornaram críticos e depois cineastas
Da esquerda para a direita: Ilana Feldman, Cléber Eduardo, Luiz Carlos Oliveira Jr., Daniel Caetano, Eduardo Valente e Felipe Bragança. Seis amigos que se tornaram críticos e depois cineastas

 

Revista BRAVO! | Junho/2009


Uma geração de jovens diretores renova a maneira de fazer filmes no país ao se espelhar nos cineastas franceses que começaram como críticos na revista “Cahiers du Cinéma”, nos anos 60

Por Caroline Rodrigues

Leia seleção de críticas e trechos de filmes dos jovens cineastas

Jean-Luc Godard disse certa vez que filmava para escrever e escrevia para filmar. A frase do diretor francês se explica: antes de criarem a Nouvelle Vague ("nova onda"), cineastas como François Truffaut, Eric Rohmer, Claude Chabrol e Alain Resnais, além do próprio Godard, eram críticos da revista Cahiers du Cinéma. A revolução promovida pelo movimento, surgido em 1959 com a estreia do filme Os Incompreendidos, de Truffaut, deriva, em grande parte, da origem de seus integrantes: para o grupo, era urgente vincular pensamento à imagem cinematográfica, de modo a subverter as regras da indústria do cinema e da narrativa clássica. Na Nouvelle Vague, as imagens são reflexivas.

 

Cinquenta anos depois, algo semelhante ocorre no Brasil. Críticos das revistas virtuais Contracampo e Cinética, oriundos da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro, começam a desenhar uma geração do cinema brasileiro. Nomes como Eduardo Valente, Cléber Eduardo, Ilana Feldman, Daniel Caetano, Luiz Carlos Oliveira Jr. e Felipe Bragança. Na definição de Valente, eles fazem parte da "missão carioca", que tem como características a defesa das produções de baixo orçamento, o experimentalismo de linguagem e a criação coletiva. Ao mesmo tempo em que refletem sobre quase toda a produção mundial — estrangeiros, independentes ou vinculados à indústria —, procuram colocar suas ideias em prática, por trás das câmeras, algo próximo ao que fizeram os franceses.

 

Essa história começa em 2000, quando Eduardo Valente, professor de cinema da UFF, convidou o aluno Felipe Bragança para escrever na Contracampo, criada por ele, Valente, e pelo jornalista e pesquisador Ruy Garnier em 1998. Era um projeto pequeno, com a intenção de transformar uma "paixão pelo cinema" em textos críticos de ponta. Contando com recursos do Fundo Nacional de Cultura do MinC, a revista defende o cinema que não se submete às regras e à linguagem do mundo comercial. A crítica independente também se caracterizaria dessa forma, disponibilizando online uma vasta reflexão sobre cinema.

 

A amizade e o trabalho conjunto conduziram o professor e o ex-aluno ao set de filmagem. Felipe (como roteirista) e Valente (como diretor) fizeram os curtas-metragens Um Sol Alaranjado (2001) e Castanho (2002). O primeiro foi considerado o melhor curta-metragem no Festival de Cannes de 2002. O prêmio foi um estímulo à realização de um longa-metragem e a garantia da estreia na França. Foi o que aconteceu no mês passado, em Cannes, que exibiu No Meu Lugar (2009), com direção de Valente e roteiro de Felipe. O filme vai estrear no Brasil em julho.

 

Considerando-se mais crítico do que cineasta, Valente diz que o filme nasceu de um desejo de falar algo íntimo e coletivo ao mesmo tempo: sua relação com o Rio de Janeiro, onde nasceu e vive até hoje. Seria uma forma de expor e se contrapor às visões do Rio estabelecidas no cinema de cinco anos para cá — que mostram uma cidade em guerra entre traficantes e policiais —, assunto amplamente comentado em seus textos. Partindo dessa temática, mas tentando mudar o foco, No Meu Lugar retrata o enlaçamento de personagens a partir da montagem de três tempos diferentes, na história de um trágico encontro entre um policial, um assaltante e seu refém, resultando na morte deste.

 

Felipe também acaba de estrear um longa como diretor, A Fuga da Mulher Gorila (2009), feito em parceria com Marina Meliande, outra ex-aluna da UFF. Em janeiro deste ano, o filme ganhou o prêmio do Júri da Crítica da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. A produção se pautou em um processo criativo muito curioso: a equipe conviveu por oito dias dentro de uma Kombi — casa e veículo da personagem mulher gorila e sua assistente. O filme, uma espécie de road movie sobre o subdesenvolvimento dessa arte performática meio circense, reflete o apreço pelo "cine-guerrilha", de baixíssimo orçamento e ousadia na linguagem, que Felipe defendeu em muitos textos de crítica.

 

Em 2006, Valente e Felipe trocaram a Contracampo pela Cinética, outra revista virtual que milita em defesa da produção independente, mas de forma menos acadêmica, com entrevistas com diretores antes do lançamento de seus filmes no circuito, agenda de cinema e cobertura de festivais, mesmo os grandes como o de Cannes — neste ano, feita por Eduardo Valente. Para a Cinética também foi, na ocasião, o casal Cléber Eduardo e Ilana Feldman, críticos que são parceiros de criação cinematográfica: ambos codirigiram os curtas Almas Passantes (2008) e Rosa e Benjamin (2009). Sobre a parceria, Ilana comenta: "É um exercício de diálogo, de negociação e de aprendizagem fantástico, além de tornar a criação e a reflexão territórios menos solitários".

 

Na Contracampo, a saída de Valente e Felipe foi compensada em parte pela chegada de Luiz Carlos Oliveira Jr., outro estudante da UFF. Em um polêmico texto publicado em março de 2009, A Publicidade Venceu, ele cobrou responsabilidade dos críticos com a formação de cinematografias mais artísticas e menos publicitárias, pedindo um papel mais ativo de quem reflete sobre cinema. "A diferença entre uma atividade e outra (o mero debate e a crítica responsável), assim como a diferença entre o cinema e a publicidade, é o que precisa urgentemente ser resgatado", diz no texto. Com esse posicionamento, dirigiu um curta-metragem, O Dia em que não Matei Bertrand (2008), baseado em um conto de seu escritor favorito, Sérgio Sant'Anna.

 

A QUESTÃO DA AUTORIA
Na UFF também surgiu Conceição — Autor Bom É Autor Morto (2007), dirigido por cinco alunos, entre eles Daniel Caetano, crítico tanto da Contracampo quanto da Cinética. Produção coletiva, o filme questiona a ideia tradicional de autoria no cinema, não só na forma de criação, mas também pela temática: as personagens, enfurecidas com seus autores representados na narrativa, os matam no bar onde tomam a fictícia cerveja Conceição, passando a inventar suas trajetórias.

 

Essa questão da autoria começou, justamente, na Nouvelle Vague, como forma de afirmar diretores que desejavam fazer cinema como expressão artística, fossem contemporâneos ao movimento ou mais antigos, pertencentes à indústria do cinema ou independentes. Criou-se na Cahiers du Cinéma a "política dos autores", uma estratégia cujos efeitos foram distorcidos mundo afora, fato admitido na década de 1980 pelos próprios críticos da revista. A distorção corresponde às tentativas de enquadrar, até hoje, o que seria um cinema de autor.

 

Eduardo Valente prefere o termo "cinema como arte", a fim de tirar a discussão do campo intelectual e transportá-la ao "lugar da paixão", que é, segundo ele, o que realmente interessa. Fazer cinema é, no caso do grupo carioca, um encontro entre amigos, Eduardo Valente e Felipe Bragança; entre um casal, Cléber Eduardo e Ilana Feldman; entre colegas de faculdade, Daniel Caetano e Luiz Carlos Oliveira Jr., que realizaram seus filmes com a participação da turma da UFF, codirigindo com Guilherme Sarmiento, André Sampaio, Cynthia Sims, Samantha Ribeiro e Ives Rosenfeld.

 

O que se pode notar, para além da autoria, são os diálogos entre textos e filmes. De Eduardo Valente destaca-se a busca incansável por virtudes nas atitudes humanas, não por falhas. Em cada filme que critica, ele procura um ponto para levar uma questão adiante; nenhum filme é perdido. Em seus curtas, gestos de afeto são destacados, como, por exemplo, em Um Sol Alaranjado, em que se veem os cuidados de uma mulher para com o pai doente. Felipe Bragança, por sua vez, transmite sua militância escrita pelo cinema jovem e independente para seu modo barato de produção, o "cinema de guerrilha".

 

O filme de Luiz Carlos baseado no conto de Sérgio Sant'Anna se destaca por câmeras estáticas e de longa duração, na observação aflitiva de um homem que se prepara para matar outro. Trata-se de um enquadramento que dialoga com o olhar do crítico, preciso e silencioso para observar cada detalhe do que se passa na cena, que, pela longa duração, se explicita em cada canto. Essa estética pode também ser encontrada nos curtas de Valente, no longa de Felipe e em Rosa e Benjamin, de Cléber e Ilana. Neste último, o casal de diretores cria outro casal, a ser observado na intimidade da rotina doméstica.

 

Cada um a seu modo, nos diferentes textos e filmes, esses críticos-cineastas são grandes estimuladores da produção experimental jovem e consolidam esse estímulo também por meio da participação em festivais, cineclubes e mostras, principalmente a de Tiradentes, da qual Valente, Cléber e Luiz Carlos são curadores. Todos eles, além disso, ou dão aulas em cursos de cinema ou fazem pós-graduação na área.

 

Assim, a paixão pelo cinema que a "missão carioca" cultiva equivale ao sentimento transformador dos participantes da Nouvelle Vague francesa. A cinefilia atua em suas vidas como combustível para expandir, cada vez mais, a reflexão em veículo de acesso gratuito, a exibição fora de circuito tradicional e a produção independente.


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publicado às 12:12


#903 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09


"Reparei que, entre os operários, na briga pela sobrevivência, os melindres do feminino e as prepotências do masculino se diluíam"

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publicado às 12:10


#902 - Investigação Sobre o Amor

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09
Sophie Calle em Paris, na Biblioteca Nacional da França, que abrigou a mostra Cuide de Você em 2008. O papel no chão simboliza o e-mail de rompimento enviado à artistaGrégoire Bouillier

Sophie Calle em Paris, na Biblioteca Nacional da França, que abrigou a mostra Cuide de Você em 2008. O papel no chão simboliza o e-mail de rompimento enviado à artistaGrégoire Bouillier


Um debate na Flip, um livro e uma instalação buscam compreender por que o escritor Grégoire Bouillier terminou o namoro com Sophie Calle, a cultuada artista contemporânea francesa.

 

Ler aqui

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publicado às 12:04


#901 - José Luís Peixoto

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

Conversa com o André

 

– André, deixa os brinquedos. Está na hora de ires dormir.

– Porquê, pai?

– Porque já é tarde. Olha, são quase onze horas da noite e já não são horas de os meninos de três anos estarem acordados.

– Porquê, pai?

– Porque os meninos, e todas as pessoas, têm de descansar. Depois de andarem todo o dia a correr e a brincar e a fazer coisas, têm de descansar. Além disso, amanhã, tens de acordar pronto para mais um dia. Amanhã, vai ser um dia mesmo bom, vais brincar mais, vais passear, vais ver muitas coisas novas.

– Porquê, pai?

– Porque é assim todos os dias. Cada dia traz sempre muitas coisas novas. Agora, neste momento, não sabemos ainda tudo aquilo que vamos ver, mas tenho a certeza de que vai ser assim. Amanhã, vais aprender palavras novas e, quando voltar a ser hora de ir dormir, já vais ser um menino mais crescido, a saber coisas que agora ainda não sabes. Vai ser assim todos os dias, todos os dias.

– Porquê, pai?

– Porque cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltámos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exactamente igual.

– Porquê, pai?

– Porque a memória não deixa que seja igual, mesmo que seja uma memória muito vaga, mesmo que seja só assim uma espécie de sensação muito vaga. É que a memória não é sempre aquilo que gostaríamos que fosse. Grande parte dos nossos problemas estão na memória volúvel que possuímos. Aquilo que é hoje uma verdade absoluta, amanhã pode não ter nenhum valor. Porque nos esquecemos, filho. Esquecemos muito daquilo que aprendemos. E cansamo-nos. E quando estamos cansados, deixamos de aprender. Queremos não aprender por vontade. Essa é a nossa maneira de resistir, mais ou menos, àquilo que nos custa entender. E aquilo que nos custa entender pode ter muitas formas, pode chegar de muitos lugares.

– Porquê, pai?

– Porque nos parece que é assim. Mas talvez não seja assim. Aquilo que nos custa entender é sempre uma surpresa que nos contradiz. Então, procuramos convencer-nos das mais diversas maneiras, encontramos as respostas mais elaboradas e incríveis para as perguntas mais simples. E acreditamos mesmo nelas, queremos mesmo acreditar nelas e somos capazes. Somos mesmo capazes. Não imaginas aquilo em que somos capazes de acreditar.

– Porquê, pai?

– Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva.

– Porquê, pai?

– Porque tivemos sempre boas intenções, porque tentámos sempre proteger aquilo que nos era mais precioso e aqueles que conhecíamos como importantes e válidos, aqueles que tínhamos visto sempre perto de nós a acharem-nos importantes, válidos e a protegerem-nos também. Mas isto que acontece connosco acontece também com aqueles que não conhecemos. Também esses acreditam que têm boas intenções e que tentam escolher o melhor. E, se escolhem um mal, tentam que seja um mal mínimo. E também eles choram às vezes.

– Porquê, pai?

– Porque somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilusões. As ambições que demorámos anos a acreditar que alcançávamos, a pouco e pouco, a pouco e pouco, não são nada quando vistas de uma perspectiva apenas ligeiramente diferente. Daqui, de onde estou, tudo me parece muito diferente da maneira como esse tudo é visto daí, de onde estás. Depois, há os olhos que estão ainda mais longe dos teus e dos meus. Para esses olhos, esse tudo é nada. Ou esse tudo é ainda mais tudo. Ou esse tudo é mil coisas vezes mil coisas que nos são impossíveis de compreender, apreender, porque só temos uma única vida.

– Porquê, pai?

– Não sei. Mas creio que é assim. Só temos uma única vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefinição, transformámos as certezas que construímos na nossa própria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa existência dependia delas e que não seríamos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, é o nosso sangue. Mas, em consciência absoluta, não podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada, nem de nada de nada de nada. Assim, repetido até nos sentirmos ridículos. E sentimo-nos ridículos muitas vezes e, em cada uma delas, a única razão desse ridículo é não conseguirmos expulsar da nossa biologia, do nosso sangue, dos nossos órgãos, essas certezas injustificadas, ou justificadas por palavras sempre incompletas. Mas é bom que seja assim. Porque podemos continuar e, enquanto continuamos, continuamos. Estamos vivos. Ou acreditamos que estamos vivos, o que é, talvez, a mesma coisa.

– Porquê, pai?

– Porque o amor, filho.

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publicado às 12:00


#900 - Prémio Biblioteca Breve

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

Juan Manuel de Prada, também cronista do ABC, publicado em Portugal pela Dom Quixote, ganhou o Prémio Biblioteca Breve, organizado pela editora catalã Seix-Barral.

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publicado às 10:46


#899 - Dario Fo

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

 

Dario Fo com quem tive o raro privilégio de partilha de alguns momentos.

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publicado às 10:40


#898 - XVII Prémio de Poesia Espiral Maior

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

A escritora Rosa Alice Branco venceu o XVII Prémio de Poesia Espiral maior, com a obra "O Gado do Senhor", tendo a escolha merecido a reuniu a unanimidade do júri, disse hoje à Lusa, no Porto, fonte da organização do evento.

O Prémio de Poesia Espiral Maior, no valor de 15 mil euros, pretende promover esta forma de expressão na área de influência das línguas galega e portuguesa.

Ao todo estavam a concurso 198 obras, precedentes de Portugal, Galiza, Angola e Brasil tornando esta numa das mais importantes edições deste prémio, apoiado pelo Âmbito Cultural do El Corte Inglés.

O júri foi formado pelos poetas Xosé Maria Alvarez Cáccamo, Xavier Rodriguez Baixeras e Miguel Anxo Fernan Vello, tendo como secretária com voz e sem voto Amparo Manteiga Vázquez.

Nas palavras do colectivo de jurados, a obra premiada "contém uma proposta poética que leva a cabo um discurso crítico e uma interpretação irónica sobre a Bíblia, centrada na consideração da injustiça que representa a morte consentida pela Providência".

"A obra vencedora denota igualmente um grande domínio técnico, tanto na composição do poema como no ritmo sintáctico e une uma grande intensidade dramática em equilíbrio com um olhar sereno sobre a realidade imediata", refere a decisão do júri.

Rosa Alice Branco, nascida em Aveiro, em 1950, tem publicada mais de uma dezena de livros de poesia, à qual se junta uma importante obra ensaística.

Doutorada em Filosofia Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa é actualmente professora de Teoria da Percepção na Escola Superior de Arte e Design, em Matosinhos.

A sua obra está traduzida e publicada em idiomas, nomeadamente alemão, árabe, castelhano, francês e inglês.

 

In "Diário de Notícias"

 

Arte Poética


Gostaria de começar com uma pergunta

ou então com o simples facto

das rosas que daqui se vêem

entrarem no poema.

O que é então o poema?

um tecido de orifícios por onde entra o corpo

sentado à mesa e o modo

como as rosas me espreitam da janela?

Lá fora um jardineiro trabalha,

uma criança corre, uma gota de orvalho

acaba de evaporar-se e a humidade do ar

não entra no poema.

Amanhã estará murcha aquela rosa:

poderá escolher o epitáfio, a mão que a sepulte

e depois entrar num canteiro do poema,

enquanto um botão abre em verso livre

lá fora onde pulsa o rumor do dia.

O que são as rosas dentro e fora

do poema? Onde estou eu no verso em que

a criança se atirou ao chão cansada de correr?

E são horas do almoço do jardineiro!

Como se fosse indiferente a gota de orvalho

ter ou não entrado no poema!


Rosa Alice Branco

Soletrar o Dia. Obra Poética

Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2002

 

 

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publicado às 09:55


#897 - Merce Cunningham [1919-2009]

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.07.09

Merce Cunningham morreu aos 90 anos

O bailarino e coreógrafo norte-americano Merce Cunningham, considerado um dos grandes revolucionários da dança contemporânea, morreu aos 90 anos, em Nova Iorque, EUA, anunciou, ontem, a fundação que tem o seu nome.

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publicado às 09:45

 

Santa Maria da Feira

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publicado às 13:23


#895 - Buika

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.07.09

 

 

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publicado às 13:03

A exposição pode ser vista até 30 de Agosto.

 

André Silva

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publicado às 12:55


#893 - Chick Corea e Gary Burton no Porto

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.07.09

A dupla Chick Corea (piano) e Gary Burton (vibrafone) actua na próxima sexta-feira nos jardins do Palácio de Cristal, às 22 horas, integrados no Porto Blue Jazz. A entrada é livre.

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publicado às 12:30


#892 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.07.09
Notícias do defeso
 

Quis o acaso que a pré-campanha para as legislativas coincidisse com o defeso futebolístico e que, na campanha partidária como na futebolística, sejam os clubes das camisolas que um dia foram vermelhas e são agora cor-de-rosa desmaiado que se evidenciam pelas aquisições mais notórias, o Benfica pescando nas suplências do Real Madrid, o PS no banco do BE.


Foi assim que Miguel Vale de Almeida, ponta-de-lança LGBT com contrato findo no Bloco, chegou a custo zero, com garantia de titularidade parlamentar, ao PS. O mesmo partido terá tentado ainda a contratação da suplente não utilizada Joana Amaral Dias, negócio inviabilizado pela elevada cláusula ideológica de rescisão que a prende ao seu actual clube, pese (como se diz nos jornais desportivos) o facto de o PS lhe ter acenado com (agora como diz Almeida Santos) "honrarias, cargos e nomeações". Na blogosfera, lugar onde quase toda a gente se conhece e onde, se abundam as cumplicidades e os catálogos de trocas de elogios, abunda também a controvérsia e o ressentimento, não se fala de outra coisa. E o período das transferências ainda vai no início.

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publicado às 12:27



Santa Maria da Feira, de 30 de Julho a 9 de Agosto


Ver programação aqui

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publicado às 12:13


#890 - Festival de Paredes de Coura

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.07.09

Jazz e poesia durante o dia

Jazz e poesia durante o dia

Jazz na Relva ou Palavras na Relva são as alternativas que o Festival Paredes de Coura, a decorrer entre  29 do corrente e 01 de Agosto, oferece aos espectadores durante o dia, antes da actuação dos grupos de rock.

No Jazz na Relva apresentam-se vários projectos, o primeiro dos quais é protagonizado pelo baterista e percussionista Jorge Qaije e pelo tubista Sergio Carolino.

Esta formação com bateria, percussão, electrónica e tuba, centra o seu trabalho na exploração sonora de ritmos e melodias na zona graves do registo sonoro.

No próximo dia 31, o Space Ensemble, formado por Gustavo Costa, João Tiago Fernandes, Henrique Fernandes, João Martins e Rodrigo Amado apresenta o seu trabalho "Spy Quintet", inspirado no álbum "Spy Vs Spy" (Elektra, 1989) no qual John Zorn, Tim Berne, Mark Dresser, Michael Vatcher e Joey Baron interpretam temas de Ornette Coleman.

No último dia do festival, 01 de Agosto, o Jazz na Relva pertence a Manuel d'Oliveira, acompanhado por Paulo Barros ao piano e Zé Maria nos saxofones, num concerto em que serão revisitados temas de "Ibéria" e "Amarte", os seus dois trabalhos discográficos.

No Palavras na Relva, o primeiro dia abre com o escritor valter hugo mãe (vencedor do Prémio José Saramago), que é também vocalista do grupo Governo, que integra Miguel Pedro e António Rafael (ambos dos Mão Morta) e Henrique Fernandes (dos Mécanosphère).

Valter hugo mãe apresenta-se com o performer e poeta Tiago Gomes, letrista dos grupos A Naifa e Linha da Frente, vocalista e letrista do grupo Os Inspectores e editor da revista Bíblia.

Completa o elenco deste espectáculo Isaac Ferreira, membro fundador do colectivo poético Caixa Geral de Despojos, colaborador regular das Quintas de Leitura (do Teatro Campo Alegre, Porto) e coordenador da poesia nos "Ciclos de poesia e música" e nos "Encontros de Mário Cesariny", na Fundação Cupertino de Miranda.

A 31 de Julho, actua o Colectivo Silêncio da Gaveta, descrito como "uma trupe de saltimbancos das palavras, intérpretes sem trono dos afectos" que há dez anos realiza sessões de poesia em bibliotecas públicas, auditórios municipais, feiras do livro, encontros literários, galerias de arte, bares e emissões de rádio.

Este grupo tem desenvolvido uma linguagem poético-musical própria em que os ritmos e harmonias, a expressividade da palavra, o recurso de elementos cénicos e plásticos se fundem, quebrando o espartilho classicista do dizer poético.

A sua actual formação é constituída por: João Rios - (leituras), José Peixoto (guitarra), Tiago Pereira (violino) e Fátima Fonte (piano).

A 01 de Agosto é a vez do projecto poético-musical Mana Calórica, nascido em 2006, que alia a performance ao rock, ao punk e ao experimentalismo.

O grupo é constituído por António Pedro Ribeiro (voz), Rui Costa (guitarra) e André Guerra (guitarra).

 

notícia retirada do jornal "DN"

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publicado às 12:03


#889 - Breyner 85

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.07.09

O Breyner 85 é um dos lugares mais originais do Porto: é simultaneamente bar, escola de música, estúdio de gravação, galeria de arte e, em breve, loja de instrumentos. Uma bela surpresa.

Com o tempo, o Porto tem vindo a encaixar no seu puzzle mental a Casa da Música. Se, por um lado, chamou a atenção dos portuenses para o sector e os fez perceber que, afinal, já antes do meteorito da Rotunda da Boavista havia pequenas grandes ideias de apoio à actividade musical postas em prática (como a do reciclado centro comercial Stop, autêntico viveiro de bandas), por outro o carácter messiânico que lhe foi atribuído ampliou a evidência das suas lacunas e dos erros ali cometidos. Até hoje, o edifício de Koolhaas tem sido uma espécie de Algarve do tempo em que este sobrestimava os estrangeiros e desprezava os portugueses.


Ora, isto produz efeitos colaterais. Para o caso, que já se dirá qual é, pensemos apenas num positivo: o fazer música, que antes era uma espécie de dado adquirido, como se as coisas caíssem do céu, subiu à esfera do interesse social. E passou a ser possível viabilizar ideias comerciais que juntam o útil de apoiar quem faz ao agradável de servir quem assiste. E até, por vezes, promover a troca de papéis entre uns e outros. Eis-nos chegados ao caso: o Breyner 85.


O nome, desde logo, indica-nos que antes de ser um caso era uma casa. Lindíssima. Construída em 1906, na Rua do Breyner, alguns dos seus tectos são originais de Aurélia de Sousa. Tem quatro pisos. O de baixo, que é a cave, e o de cima, que é bem mais do que um sótão, são os de menor pé direito e os que mais se adequam às funções para eles designadas: estúdio e escola de música, respectivamente. Naquele ensaia-se e grava-se, nesta aprende-se. O rés-do-chão, digamos assim, é o núcleo duro do edifício, com o bar central, a varanda para o enorme jardim/esplanada/palco de concertos (à cota da cave) e ainda uma sala ampla que, a partir de Setembro, funcionará como loja de instrumentos. Por fim, o primeiro andar, onde se pode fumar, engloba uma galeria de arte, um palco para projectos mais portáteis ou experimentais e uma sala pequena de convívio, munida de bar.


Rui Pina e David Fialho, autores do conceito e parceiros na gestão da casa, quiseram corporizar a sua visão da música, enquanto circuito que, como o curso de um rio, tem uma nascente e uma foz. Não se trata aqui, porém, da foz do Douro. Estamos em plena nova Baixa, junto à Miguel Bombarda (rua das galerias) e a Cedofeita (cada vez mais a recuperar o seu antigo estatuto no comércio) e perto dos Clérigos (zona que parece tocada por Midas), um outro rio que, de charco, após alguém ter atirado a primeira pedra, virou onda.


A vida diária do Breyner 85 vai das duas da tarde às duas da manhã, com aulas (que variam do regime livre a cursos certificados por prestigiadas instituições britânicas), ensaios, gravação de discos, música ambiente, copos, concertos dentro e fora de casa, exposições, venda de instrumentos, sessões de poesia, tertúlias filosóficas e o mais que haja. As sextas e os sábados estendem-se pela noite, até às 4h00, "e com gente de todas as idades", como sublinha Beatriz Bastos, um dos rostos da mansão, cujas portas abriram apenas em Janeiro deste ano. É, pois, de saudar mais um exemplo do renascimento criativo do Porto. Uma caixinha de música.


Morada: Rua do Breyner, n.º 85, Porto


Horário: quarta, quinta e domingo, das 14h00 às 2h00; sexta e sábado, das 14h00 às 4h00. Fecha segundas e terças.


Telefone: 226 109 760

 

retirada do jornal online "i"

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publicado às 11:56


"888 - Guerra de blogues anima campanha para as legislativas

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.07.09

Novo blogue de apoio ao PSD é lançado hoje: chama-se Jamais e vai rivalizar com o SIMplex do PS

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publicado às 11:52


#887 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.07.09

Elisa Ferreira: "Vou ganhar a Câmara do Porto"


entrevista publicada no  Jornal "i", aqui

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publicado às 11:47


#886 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.07.09
Constipado & perigoso


A Metafísica é um lugar longínquo. Talvez uma grande constipação transforme, como diz o engenheiro por Glasgow, o mundo até à Metafísica, mas os danos que uma grande constipação provoca no Ser não são nada comparados com os que, nos dias que correm, uma pequena constipação causa no Estar. Quem hoje saia de casa entre a conferência de Imprensa da manhã e a conferência de Imprensa da tarde da ministra da Saúde sobre a Gripe A, levando atrás de si animais de companhia, buliçosos mas amigáveis, como uns espirros e uma dessas tosses habitualmente incluídas no pacote das constipações, não deve preocupar-se com o mundo das Ideias mas com o dos factos. Ao mais leve espirro, as pessoas mudam de passeio e fogem como se fôssemos vender-lhes um seguro, as mulheres apertam os filhos nos braços deitando-nos olhares assassinos e à nossa volta abre-se uma cratera de suspeita e hostilidade maior que o atol de Mururoa. Talvez a ministra devesse explicar ao bom povo que morrem todos os anos de gripe sazonal, sem notícias nas TV, 2000 autóctones e que um tipo constipado não é necessariamente um inimigo público.

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publicado às 11:41


#885 - Nova Revista on-line sobre Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.07.09

 

Esta segunda-feira, dia 20 de Julho de 2009, nasceu a revista LIVROS & LEITURAS. Trata-se de uma nova revista portuguesa destinada a todos os amantes dos livros.

A revista LIVROS & LEITURAS é um novo projecto editorial, sem fins lucrativos, que visa a divulgação e promoção do livro, dos hábitos de leitura e das respectivas novidades editoriais. Tal como faz alusão o seu estatuto editorial, a Revista LIVROS & LEITURAS é também um meio de contribuir para a cultura, divulgando a qualidade de obras que se vai produzindo no nosso país.

Ela visa também criar o gosto pela leitura e amor pelos livros, publicados nos mais diversos géneros literários.Esta revista resulta da colaboração entre vários críticos literários que, há muito, trabalham o livro e a leitura na imprensa regional e nacional. A revista LIVROS & LEITURAS encontra-se disponível para o mundo inteiro em http://www.livroseleituras.com, sendo actualizada, pela equipa, diariamente.

Para já, nela podemos encontrar propostas de leitura, novidades editoriais, notícias, entrevistas a escritores, editores e livreiros e artigos de opinião

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publicado às 12:11


#884 - Questão de tamanho?

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.07.09


Empresário das festas eróticas diz: "Berlusconi não usa preservativo"

Será que os preservativos são excessivamente grandes, mesmo  os de tamanho small?


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publicado às 11:58

festival avanca 2009
AVANCA'09
  PROGRAMAÇÃO / PROGRAMS    |   7 workshops in the AVANCA'09

80 Filmes em exibição / Screened movies
12 Filmes em estreia mundial / World premiere movies
48 Filmes em estreia nacional / National premiere movies
71 Países inscreveram cerca de… / Countries have registered about…
2000 …filmes / …films
7 Worshops internacionais / International workshops
11 Individualidades no trabalho / Personalities working
12 Anos de Festival / Years of Festival

Presenças no festival vindas de:
Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, EUA, Finlândia, França, Guiné-Bissau, Holanda, Hungria, Irlanda, Lituânia, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Rússia, São Tomé e Príncipe, Sérvia e Suíça.

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publicado às 11:48


#882 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.07.09
O fim de festa

O fim de festa

Desta vez, os autores da "campanha negra" estão devidamente identificados: são os juízes do Tribunal de Contas. Por motivo de "urgência", embora o contrato só terminasse em 2015, o Governo assinou com a Liscont, empresa da famosa "holding" económico-partidária Mota-Engil/Jorge Coelho (e, já agora, Luís Parreirão, também ex-governante socialista da área das Obras Públicas) um "aditamento" à concessão do terminal de Alcântara. Sem concurso, que a coisa era "urgente" e sabe-se lá quem estará no Governo em 2015. É um contrato justo: a Liscont cobra os lucros e o Estado (a Grande Porca bordaliana, a de inesgotáveis tetas) suportará eventuais prejuízos, ou, nas palavras do TC, "o ónus do risco do negócio passa para o [Estado]". O Estado pagará ainda 1,3 milhões em advogados, consultores & assessores para a montagem e gestão da ampliação do terminal; e até se, durante as obras, calhar serem descobertos vestígios arqueológicos, será (adivinhem quem) o Estado a pagar a paragem dos trabalhos. Só de má-fé é que alguém pode concluir que tudo isto não é de interesse público e do mais transparente que há.

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publicado às 11:41


#881 - 2666 de Roberto Bolaño

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.09

Quetzal tem 2666 argumentos de peso para a rentrée

 

A obra-prima de Roberto Bolaño chega às livrarias portuguesas a 26 de Setembro. Pode ser o romance do ano. Pode ser o romance da década. O entusiasmo por 2666 é inegável. Veja aqui o booktrailer.

 

A Teorema ficou para trás: 2666, de Roberto Bolaño, um dos livros mais aguardados dos últimos anos vai ser publicado pela Quetzal. A notícia é avançada pelo blogue Senhor Palomar, que, citando fonte da editora, acrescenta a data de 26 de Setembro para a publicação da tradução portuguesa do volume.

 

2666, diz-se, é a obra-prima do chileno que, entre outros, escreveu Os Detectives Selvagens. Era precisamente este título, forte aposta da Teorema em 2008, já depois de publicar Estrela Distante (2006) — ainda este ano reeditado —, que fazia prever a continuidade de Bolaño no mesmo catálogo em Portugal. Embora, anos antes, tenha sido a Gótica a introduzir o escritor no mercado português, através de Nocturno Chileno (2003).

 

Roberto Bolaño faleceu em 2003, pouco depois de entregar o primeiro rascunho de 2666, de insuficiência hepática. A edição espanhola, com a chancela da Anagrama, tem mais de 1100 páginas, que resultam quase todas dos esforços dos seus cinco últimos anos de vida. Isto porque das cinco partes em que se divide o romance, apenas quatro e meia são da responsabilidade de Bolaño.

 

Publicado pela primeira vez em 2004, seria a tradução inglesa de Natasha Wimmer, levada ao prelo nos Estados Unidos em Novembro de 2008 pela Farrar, Straus and Giroux, a valer a Bolaño, postumamente, o National Book Critics Circle Award. A mesma versão foi publicada pela Picard, dois meses mais tarde, em Janeiro de 2009, no Reino Unido. Ainda não é conhecido o tradutor para a edição portuguesa.

 

A violência e a morte são panos de fundo em 2666, que liga várias estórias através dos assassinatos de 300 jovens e pobres raparigas da cidade ficcional de Santa Teresa (que terá correspondência na real Ciudad Juarez, no México). A crítica respondeu de forma entusiástica. Houve quem falasse num momento definidor da literatura sul-americana, comparando esta obra de fôlego a uma outra – Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.

 

Para já, os leitores portugueses podem ir descobrindo 2666 a partir do booktrailer, que pode ser visto abaixo.

 

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publicado às 12:59


#880 - Prémio Peter Pan distingue romance de Alice Vieira

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.09

A escritora Alice Vieira obteve, com o romance juvenil "Flor de Mel", a Estrela de Prata do Prémio Peter Pan, atribuída pela International Board on Books for Young People, IBBY, e a Feira do Livro de Gotemburgo, na Suécia.

"Honungsblomma" na tradução sueca, "Flor de Mel" foi publicado na Suécia pela Lusima Böcker em 2008. O prémio, sem dotação pecuniária, consta de um diploma para o autor, o ilustrador, o tradutor e o editor sueco.

Como a autora relembrou à agência Lusa, o livro, um dos primeiros romances juvenis que escreveu, conta "a história de uma criança muito imaginativa que vive com o pai, mas a quem nunca ninguém fala da mãe e para quem ela imagina destinos fabulosos".

No final, o pai "aparece em casa com uma senhora ao lado" mas, observa Alice Vieira, tudo fica "um bocadinho em aberto: os mais optimistas dirão que é a mãe que regressa, outros que é a segunda mulher do pai".

"É uma história muito poética", sintetizou.

Relativamente ao prémio, que vai juntar-se a uma já longa lista de galardões recebidos numa carreira literária iniciada há 30 anos, Alice Vieira realça sobretudo a importância que tem o reconhecimento do seu trabalho literário por entidades prestigiadas como a IBBY.

Instituído em 2000 pelo IBBY e pela Feira do Livro de Gotemburgo, o Prémio Peter Pan é atribuído anualmente a um livro infantil ou juvenil de autor estrangeiro com qualidade literária e temática.

O IBBY, uma associação internacional sem fins lucrativos criada em 1953 em Zurique e com secções nacionais em dezenas de países, entre os quais Portugal, apoia a divulgação, por vários meios, da boa literatura para crianças e jovens em todo o mundo

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publicado às 12:42


#879 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.09

Tenham medo, muito medo


Tenham medo, muito medo

Ocenário é apocalíptico, verdadeiro "Mad Max" sanitário: ruas desertas, escolas, fábricas, restaurantes, centros comerciais fechados, os próprios pilares da portugalidade, igrejas, estádios, casas de fado, fechados; e as famílias fechadas em casa (persianas corridas, janelas fechadas, portas fechadas, casota do cão fechada) com as câmaras de segurança direccionadas, já não para os bairros periféricos, mas para partículas em suspensão e vizinhos, a suspeita corroendo os valores mais sólidos do matrimónio, filhos, criadas, maçanetas das portas. A crer em jornais e TV (e na Roche, e na Gilead), o H1N1 propaga-se mais depressa que o comunismo; pior: os comunistas só comiam criancinhas, o H1N1 come a família toda. 127 mortos nos Estados Unidos, 21 no Canadá, 7 na Austrália, 29 no Reino Unido, 3 em Espanha… Segundo o último relatório da OMS, já há 311 mortos em todo o mundo, principalmente no mundo ocidental. Face a números tão aterradores, o que são 6 milhões de crianças morrendo anualmente devido a fome e subnutrição e 10 milhões devido a doenças que podiam ser evitadas com uma simples vacina?

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publicado às 12:36


#878 - Orchestra Baobab

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.07.09

 

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publicado às 23:28


#877 - David Bowie

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.07.09

 

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publicado às 23:21


#876 - Herbie Hancock

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.07.09

 

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publicado às 23:09


#875 - Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.07.09

Orgulho,diz ela

Orgulho,diz ela

A Língua não é apenas um meio de comunicação, é também um instrumento de conhecimento e de pensamento. A Língua fala em nós tanto quanto nós a falamos, constitui o elemento fundamental da nossa identidade enquanto povo (e, sobretudo, enquanto "pátria", pluralidade de valores identitários que herdámos dos nossos país e que os nossos filhos herdarão de nós). São, por isso, dramáticas as notícias que dão conta de que, nos recentes exames nacionais do 9.º ano, o número de negativas a Língua Portuguesa aumentou 70%, apesar de o actual ME ter levado o nível de exigência dos exames ao grau zero. A falta de exigência a que se chegou é tal que, para se opor à opinião dos peritos para quem os exames do 12.º ano de Matemática foram este ano de novo "escandalosamente fáceis", o presidente da APM argumenta que o exame "tinha algumas coisas que exigiam alguma interpretação de (…) linguagem escrita". Ou seja, o exame não seria assim tão fácil porque… exigia "alguma" interpretação de linguagem escrita. Isto a alunos do último ano do Secundário! Diz a ministra que o país devia "encher-se de orgulho" com isto…

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publicado às 09:10


#874 - Ángel Campos Pámpano

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.07.09



AZULEJOS


Asume el aire

su vocación perdida

la densidad

abierta de tus manos

cuando en la tarde llueve.


Entre tu nombre

y el mío hay un lugar

donde no falta

la luz, la arquitectura

que nace de tu sombra.


Irrepetible,

sorprendida en su vuelo

tu otra imagen.

La certeza del pájaro

te acoge en su huida.


Ojos furtivos

(azules) de mujer

pueblan la casa.

Una mirada incendia

las paredes del cuarto.


Última escena:

(lejos) tu voz desnuda

es un lenguaje

cifrado en lo más liso

del agua, en lo más hondo.


                         8 de diciembre de 1989

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publicado às 08:42


#873 - Cartaz

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.07.09

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publicado às 11:27


#872 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.07.09

"Santana Lopes tem um difícil problema com a realidade"


António Costa em entrevista ao "i"

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publicado às 17:22


#871 - Tord Gustavsen Trio

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.07.09

 

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publicado às 17:13

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