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Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.04.09

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publicado às 16:19


Dia do Livro

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.04.09

Celebra-se hoje o dia mundial do Livro


Desenho de

MARCOS BALFAGÓN

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publicado às 07:01


Fernando Lemos

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.09



O QUADRADO VISUALTERADO


Recortada na maçã preta

circular

quantidades amanhecidas


volúpia em estacionária

entranha

Duas fatias anoitecidas


na simetria do fruto só

paladar

Pela dobra trivididas


Disfurtando brio à faca

frutado

Peles por aroma tecidas


a sobremesa da Natureza

morta

Ovo recôncavo

esquecido


traço aberto perfilando

casca

Maçã e original fingido


na boca a multicolorada

fondura

A prata saliva revelada


goteja a cinza inscrita

retirada

retrata retraída acuada

forma do irreconhecível

cubismo

Dos meados deste século


Poema de Fernando Lemos

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publicado às 16:07


Allen Ginsberg [1926-1997]

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.04.09



Saudação a Fernando Pessoa


De cada vez que leio Pessoa penso

que me saí melhor do que ele fazendo a mesma coisa

de maneira mais extravagante - ele só vem de Portugal

eu sou da América o maior país do mundo

agora mesmo no final do século XX e se Portugal

teve um grande império no século 15 não interessa

agora encolhido a um canto da Penísula Ibérica

enquanto Nova Iorque por exemplo, vejam Nova Iorque

e se a cidade do México é maior N.I. é mais rica pensem no Empire State

Building até há pouco o maior arranha-céus do mundo -

seja como for eu gozei 61 anos do século XX

Pessoa desceu a rua do Ouro só até 1936

Ele apossou-se de Witman por isso eu apossei-me de Pessoa não

interessa o que digam porque ele está morto e não se importaria


Como é que me saí melhor que Pessoa?

Conhecido em 4 Continentes tenho 25 livros em inglês e ele só 3

é em grande parte português, mas a culpa não é dele -

Os EUA são um país maior

uns meros 2 triliões condenados a passarem-se

o trabalho sujo d Reagan uma aberração do Século Americano

não representando a nossa Nação que Witman cantou em modo épico

embora preocupado com as "Democratic Vistas"

Como budista ficou pouco ufano da minha superioridade sobre Pessoa

Eu sou humilde Pessoa fazia uma diferença louca,

embora aparentemente paneleiro - igual a Sócrates,

considerem Michelangelo Da Vinci Shakespeare

o inestimável camarada Walt

Na verdade também fui suspeito na juventude uma mera bagatela

A própria Ciência destrói camadas de ozono nesta era anti-Estalinistas

envenenam a terra inteira com comunismo anti-radioactivo

Talvez eu tivesse fingido um pouco

raramente em verso, só parar proteger a reputação de outros

Francamente demasiado Cândido quanto à minha mãe com boas intenções

Pessoa falou da mãe? Ela é interessante,

poderosa para dar à luz sêxtuplos

Alberto Caeiro Álvaro de Campos Ricardo Reis Bernardo Soares & Alexander Search ao           mesmo tempo

que Fernando Pessoa o próprio um sexofrénico clássico

Confundindo personas não tão populares

fora do minúsculo reino de Portugal (até há pouco um estado policial de segunda)

Deixem-me chegar ao que interessa eh esqueci-me do que era

mas decerto me dá prazer fazer comparações entre este Ginsberg & Pessoa

de quem as pessoas falam na Ibéria e pouco nos livros em inglês

hoje a grande língua diplomática do mundo que se estende até à China

Além disso ele era um minorca, ele próprio o admite na interminável "Saudação a Walt Witman"

Enquanto eu tenho 1,72 m de altura

um pouco acima da média mundial, sem presunção,

Estou a falar seriamente sobre mim & Pessoa.

De qualquer modo ele nunca me influenciou, nunca li Pessoa

antes de ter escrito o meu célebre "Uivo" já traduzido  em 24 línguas

nunca Pessoa me infleiciou com ansiedade até hoje

Meia-noite de 12 de Abril de 88 o dar uma olhadela ao livro dele

decerto me influenciou de passagem, será razoável

mas ler uma página em tradução dificilmente prova "Influências".

Voltando a Pessoa, o que é que ele tinha para escrever? Whitman,

(Lisboa, o mar, etc.) um método peculiarmente verborreico,

diarreia oral dizem alguns - Pessoa Parlapatoa.


Tradução de Helena Barbas

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publicado às 12:58


Nina Simone

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.09

 

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publicado às 12:41


Stacey Kent

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.09

 

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publicado às 11:39


Novo 'site' reúne bibliotecas e arquivos mundiais

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.09

World Digital Library será apresentada hoje de manhã na sede da UNESCO, em Paris, durante uma conferência de imprensa.

A partir de hoje, o acervo de diversas bibliotecas e arquivos mundiais estará reunido num só site. A plataforma, de nome World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial), será apresentada pelas 11.00 na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em Paris. Depois, no endereço www.worlddigitallibrary.org poderão ser consultados, gratuitamente, livros e manuscritos, mas também mapas, gravuras, fotografias e pinturas, bem como partituras ou filmes.

O português é uma das sete línguas em que o site estará disponível, juntamente com o inglês, o francês, o espanhol, o chinês e o russo. Não obstante, as bibliotecas e arquivos nacionais decidiram ficar de fora desta iniciativa. Todos os materiais em língua portuguesa disponíveis na nova plataforma digital foram por isso doados por instituições do Brasil.

Apesar do projecto ter a chancela da UNESCO, a ideia partiu de James Billington, director da Biblioteca do Congresso dos EUA, que em 2005 o apresentou aos responsáveis por aquela organização da ONU. O objectivo é não só facilitar o acesso a um vasto leque de objectos e materiais, mas também promover valores como a diversidade linguística e cultural, unindo os vários povos e, simultaneamente, reduzindo o "fosso digital" entre os países desenvolvidos e o Terceiro Mundo.

De acordo um comunicado da UNESCO, o projecto visa ainda aumentar a qualidade e a variedade da oferta cultural na Internet, através da divulgação de materiais que poderão ser utilizados por "professores e académicos, mas também pelo grande público". Para atingir estes objectivos, e desenvolver a nova plataforma, a Biblioteca do Congresso (EUA), colaborou com 32 outras instituições internacionais, incluindo a Biblioteca de Alexandria.

Entre os artigos que a partir de hoje poderão ser encontrados online encontra-se o Codex Giga, cedido pela Biblioteca Nacional da Suécia e considerado o maior manuscrito medieval. A Biblioteca Nacional do Brasil, por outro lado, cedeu algumas das mais antigas fotografias da América Latina, bem como mapas e obras cartográficas da época dos Descobrimentos.

 

Retrado do "DN" de hoje

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publicado às 11:23


Prémio Azorín 2009

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.09

LOLA BECCARIA obteve o Prémio Azorín 2009 pelo seu  livro "Arte de Perder".

A escritora nasceu em Ferrol, Corunha, em 1963. É doutorada em Filologia Hispânica e terapeuta gestual pelo Centro de Terapia e Psicologia de Madrid..


Publicou o seu primeiro romance - A Debutante - em 1996;

Foi finalista do Prémio Nadal em 2001 com o seu segundo romance "A Lua em Jorge";

Em 2004 publica "Mulher Nua".

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publicado às 11:03


Traídos pelo preconceito

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.09

Susan Boyle

 

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publicado às 15:11


Vladímir Nabokov - Publicação da sua última novela

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.09

A última novela do autor russo Vladímir Nabokov (1899-1977), intitulada "O Original de Laura" será publicada no próximo mês de Novembro, de acordo com o anúncio feito pela editora  Penguin. Nabokov escreveu esta obra em 138 tarjetas que Penguin quer reproduzir junto a uma transcrição do texto em página contígua. Nabokov dera instruções para que a obra fosse destruída depois da sua morte.


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publicado às 13:06


James Graham Ballard [1930-2009]

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.09

James Graham Ballard,  autor do Império do Sol que Spielberg adaptou ao cinema faleceu no dia 19 de Abril aos 78 anos.

 

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publicado às 12:57


Crise e crítica na Igreja

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.04.09

Quem se não apercebeu ainda da crise por que passa hoje a Igreja Católica? Um grupo de 300 teólogos e responsáveis de comunidades de base espanhóis - alguns, como A. Torres Queiruga, Juan Masiá, J. A. Estrada, J. J. Tamayo, J. I. González Faus, teólogos de renome - acaba de publicar um documento intitulado Ante la crisis eclesial, no qual defende que "a causa principal da crise é a infidelidade ao Concílio Vaticano II e o medo das reformas exigidas".

 

Num procedimento que eles próprios consideram ser "extraordinário" - não é também extraordinária a causa que o motiva: "a perda de credibilidade da instituição católica"? -, reconhecem que "este descrédito pode servir de desculpa para muitos que não querem crer, mas é também causa de dor e desconcerto para muitos crentes".

 

Responsável fundamental é a Cúria Romana. O Concílio teceu-lhe críticas duríssimas, Paulo VI tentou pôr em marcha uma reforma, mas ela própria bloqueou--a. As culpas não são, pois, exclusivamente de Bento XVI, com quem aliás se solidarizam: "O erro grave de todos os pontificados anteriores foi precisamente deixar bloquear essa reforma urgente."

 

A primeira consequência do bloqueio é "o poder injusto da Cúria sobre o colégio episcopal", derivando daí "uma série de nomeações de bispos à margem das Igrejas locais e que busca não os pastores que cada Igreja precisa, mas peões que defendam os interesses do poder central".

 

Aqui assentam outras duas consequências: a mão estendida a posições da extrema-direita autoritária e ataques sem misericórdia contra quem está próximo da liberdade evangélica, da fraternidade cristã e da igualdade de todos os filhos e filhas de Deus, "tão clamorosamente negada hoje". Depois, há "a incapacidade para escutar", que faz com que "a instituição esteja a cometer ridículos maiores do que os do caso de Galileu". De facto, a ciência oferece dados que a Cúria prefere desconhecer, concretamente nos "problemas referentes ao início e ao fim da vida". A proclamada síntese entre fé e razão fica anulada.

 

Estas são "horas negras" para o catolicismo romano. Os autores lembram as rupturas de Fócio, que desembocou no grande cisma de 1054, e de Lutero, para sublinhar que também hoje "se não pode esticar demasiado a corda em tensão". Mas "Deus é maior do que a instituição" e "a alegria que brota do Evangelho dá forças para carregar com os pesos mortos". Por isso, os subscritores do documento, animado exclusivamente pelo amor a uma Igreja enferma, não se sentem superiores nem vão abandoná-la, mesmo que tenham de suportar as iras da hierarquia.

 

A quem se possa escandalizar lembram que a Igreja foi ao longo da sua história "uma plataforma de palavra livre". Assim, Santo António de Lisboa pôde pregar publicamente que Jesus tinha dito: "apascentai as minhas ovelhas", mas os bispos da altura entenderam: "ordenhai-as e tosquiai-as". O místico São Bernardo escreveu ao Papa, dizendo--lhe que não parecia sucessor de Pedro, mas de Constantino, perguntando: "Era isto que faziam São Pedro e São Paulo?" Comentando, o actual Papa escreveu, em 1962: "Se o teólogo de hoje não se atreve a falar dessa forma, é sinal de que os tempos melhoraram? Ou é, pelo contrário, sinal de que diminuiu o amor, que se tornou apático e já não se atreve a correr o risco da dor pela amada?"

 

Neste contexto e por ocasião da passagem dos 25 anos da sua morte, deixo aqui a minha homenagem ao antigo professor, Karl Rahner, um dos maiores teólogos católicos do século XX, que escreveu num pequeno livro que então traduzi - Liberdade e Manipulação - que a liberdade tem prioridade sobre a autoridade, que só se legitima como função de serviço; esta reinterpretação funcional da autoridade obrigará a superar "a mentalidade institucionalizada dos bispos, feudal, descortês e paternalista" e implicará a limitação temporal nos cargos eclesiásticos, incluindo o papal, que as decisões e directrizes sejam, em princípio, explicadas ao público, com razões, e que se volte a "pensar numa colaboração do povo na nomeação dos hierarcas".

 

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publicado às 19:43


4ª edição do Literatura em Viagem (LeV)

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.04.09
Quarenta escritores de 10 países reúnem-se em Matosinhos

 

 

Cerca de 40 escritores de dez países participam a partir de hoje, em Matosinhos, no 4.º Encontro de Literatura em Viagem (LeV), que inclui oito mesas temáticas, lançamentos de livros, concertos e uma exposição.

 

 

 
Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, Itália, México e Peru são, além de Portugal, os países de origem dos escritores participantes no encontro organizado por Francisco Guedes e promovido pela Câmara de Matosinhos, que decorre até 21 de Abril na Biblioteca Florbela Espanca e na Galeria Municipal.

Pela Biblioteca Municipal Florbela Espanca, irão passar nomes que associamos de imediato à literatura em viagem - Helene Cooper, Leila Guerriero ou Francisco José Viegas -, mas também Nuno Rogeiro, Marçal Aquino ou Filomena Marona Beja e Miguel Real.

Paul Theroux merece uma menção especial. O autor de "Viagem por África", que regressa a Portugal ao fim de 42 anos, é um dos mais destacados cultores deste género e possui uma vasta obra, de que faz parte o "Regresso à Patagónia", escrito em parceria com Bruce Chatwin.

 

Viajante permanente é também o argentino Eduardo Belgrano Rawlson, que, a partir das frequentes excursões à Terra do Fogo, publicou um guia, a ser lançado pela Quetzal durante o LeV.

 

Os autores portugueses estão amplamente representados no naipe de participantes. Alice Vieira, Maria Isabel Barreno, José Luís Peixoto, César Magarreiro e José Carlos Vasconcelos são disso exemplo.


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publicado às 19:30


J. Rentes de Carvalho

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.04.09

 

De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa - onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivo políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda. como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raúl Brandão) na Universidade de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrieden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições.

 

Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland - A Ira de Deus sobre a Holanda.

 

post retirado do blog da quetzal

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publicado às 19:07


Boulevard of Broken Dreams

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.04.09

Tony Bennett and Sting

 

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publicado às 18:34


Brighter Days

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.04.09

Leeland

 

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publicado às 18:24


Asturias

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.09

 

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publicado às 17:40


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por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.09

 

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publicado às 17:29


Espólio de Antero de Quental disponível na Internet

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.09

 

O espólio do poeta açoriano Antero de Quental existente no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional passará a partir de hoje a estar on-line em http://purl.pt/14355.

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publicado às 13:21


Mario Rivero (1935-2009)

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09

Morreu o poeta colombiano Mario Rivero

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O poeta, crítico de arte e editor colombiano Mario Rivero, reconhecido como o precursor da poesia urbana no país, morreu no domingo em Bogotá, informaram fontes próximas do autor.

Rivero, de 74 anos, nascido em Envigado, localidade próxima de Medellín (noroeste), sucumbiu a uma crise cardíaca na sua residência na capital colombiana, onde vivia há cerca de 40 anos.  Ler resto da notícia aqui

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publicado às 18:13


Saramago e Dario Fo hoje premiados por Caja Granada

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09


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Galardão, no valor de 50 mil euros, será oferecido para a construção de um Centro Cultural Sete Sóis Sete Luas na ilha cabo-verdiana de Santo Antão, integrado numa rede de oito locais.

Os escritores José Saramago e Dario Fo, ambos já distinguidos com o Prémio Nobel da Literatura, são hoje agraciados, em Espanha, com o XI Prémio Caja Granada de Cooperação Internacional, no valor de 50 mil euros, em "reconhecimento pelo esforço e dedicação de ambos na procura de uma maior justiça social no mundo".

 

Ler resto notícia aqu

 

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publicado às 17:54


Ilustrações de Fernando Vicente

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09

Apaixonado da  literatura hispano-americana e da novela negra, as ilustrações de Fernando Vicente giram  em  torno do mundo da literatura e das  figuras de cenas literárias e retratos de grandes escritores, entre os quais  se encontran Borges, Cortázar, Vargas Llosa, Günter Grass o Cernuda.

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publicado às 17:29

Imagen de la web.


 4.500 páginas manuscritas da célebre novela de Gustave Flaubert 'Madame Bovary' estão disponíveis  na Internet, graças ao trabalho de mais de dois anos de centenas de amantes da obra do autor francês. Ler o resto aqui.

 

www.bovary.fr


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publicado às 17:17


Lançamento de"O Segredo de Leonardo Volpi"

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09


O primeiro romance de Fernando Pinto do Amaral será apresentado hoje na FNAC do Chiado, pelo escritor Mário de Carvalho.

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publicado às 17:02


CONCEIÇÃO RAMOS

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09




Maria da Conceição Fernandes Ramos nasceu na Beira (Moçambique) em 1960, onde viveu até aos 15 anos de idade. Obteve a Licenciatura em Artes Plásticas - Pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1985. Concluiu o Doutoramento em Educação Artística na Faculdade de Belas Artes de Barcelona em 2006. É Professora de Artes Visuais na Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa. Desenvolve uma carreira artística, tendo realizado diversas exposições individuais e colectivas desde 1992. Obteve o 1º Prémio na Bienal Cardoso Lopes em 1996 e uma Menção Honrosa em pintura no VIII Salão de Primavera da Galeria de Arte do Casino do Estoril. Realizou, por convite, os painéis alusivos à vida dos santos da Igreja de Massamá.Publicou em 2007, conjuntamente com Matilde Rosa Araújo, o livro “Nascer Mãe”.

Retirado de:
www.pnetartes.pt

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publicado às 16:52


"Linha de Passe" e "Isto é Inglaterra"

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09

Estreiam, hoje, os filmes "Linha de Passe" de Walter Salles e Daniela Thomas e "Isto é Inglaterra" de Shane Meadows. Estes filmes foram exibidos na biblioteca municipa de Santa Maria da Feira: "Linha de Passe" foi o filme de abertura do 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro e "Isto é Inglaterra" no 14º aniversário do Cineclube da Feira.

 

"Linha de Passe"

 

Sinopse:

São Paulo. 19 milhões de habitantes, 200 quilómetros diários de engarrafamento. No coração de uma das maiores metrópoles do mundo, quatro irmãos tentam reinventar suas vidas. Reginaldo, o mais novo, procura obstinadamente o seu pai, que nunca conheceu. Dario, prestes a completar 18 anos, sonha com uma carreira como jogador de futebol profissional. Dinho, funcionário de um posto de gasolina, procura na religião o refúgio para um passado obscuro. Dênis, o irmão mais velho, já é pai de um filho e ganha a vida como estafeta. No centro desta família está Cleusa, 42 anos, grávida do quinto filho. Ela trabalha duro como empregada doméstica enquanto luta para manter os filhos na linha. Para sobreviver à brutalidade de uma cidade onde as oportunidades se afunilam, eles só podem contar um com o outro. [cinema.ptgate.pt]
 

"Isto é Inglaterra"

 

Sinopse:

"This Is England" é a história de umas férias escolares de Verão, essas longas semanas entre dois anos lectivos onde muitas coisas que podem mudar a vida de uma pessoa podem acontecer. Estamos em 1983 e as aulas acabaram. Shaun (Thomas Turgoose) é um rapaz de 12 anos, bastante reservado, que está a crescer numa triste cidade costeira e cujo pai morreu em combate, na Guerra das Falklands. Durante estas férias de Verão, Shaun vai encontrar novos modelos masculinos a seguir quando os rapazes da cena skinhead local o aceitam no seu seio. Com estes novos amigos, Shaun descobre o mundo das festas, do primeiro amor e das botas do Dr Martin! É aí que conhece Combo (Stephen Graham), um skinhead mais velho e racista, que saíu há pouco tempo da prisão. Na medida em que o bando de Combo molesta as minorias étnicas da pequena cidade, o caminho está aberto para um ritual de passagem que levará Shaun da inocência à experimentação.[cinema.ptgate.pt]

 

Post retirado do blog "bibliotecadafeira"

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publicado às 16:40


Maurice Druon: 1918 - 2009

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09

 

O escritor e académico francês Maurice Druon faleceu terça-feira, aos 90 anos, na sua residência em Paris, informou a historiadora e politóloga Hélène Carrère d`Encausse, da Academia Francesa.


Nascido em Paris a 23 de Abril de 1918, no seio de uma família de origem russa, Druon, gaullista incondicional, combateu na resistência francesa à ocupação nazi. Com o também escritor Joseph Kessel, seu tio, compôs "Le chant des partisans", o hino dos resistentes.

 

Correspondente de guerra na África do Norte e durante as campanhas da França e da Alemanha, publica, já em tempo de paz, o seu primeiro romance, "La Dernière brigade".

 

Analisa depois a alta sociedade francesa em três romances, todos com tradução em Portugal: "As grandes famílias", de 1946, distinguido com o Prémio Goncourt, "A queda dos corpos", de 1950, "Encontros nos infernos", 1951, este último alvo da censura portuguesa.

 

Druon consagrou grande parte da sua carreira à defesa da língua francesa.

"Era um amigo muito querido, é uma perda imensa para a Academia. Ele era a memória da Academia", disse Hélène d`Encausse, também de origem russa.

A obra literária de Druon inclui ainda o ciclo "Os reis malditos" - de que estão publicados em Portugal "O reino de ferro" e "As rainhas estranguladas" -, "Alexandre le Grand" (1958) e "Les Mémoires de Zeus" (1963).

 

Eleito em 1966 para a Academia Francesa, em Abril de 1973 é nomeado ministro dos Assuntos Culturais, sob a presidência de Georges Pompidou, ao mesmo tempo que assume responsabilidades políticas no seio do partido gaullista RPR.

Ensaísta ("La Culture et l`Etat", 1985), dramaturgo ("Un Voyageur", 1954, "La Contessa", 1961), foi eleito secretário perpétuo da Academia Francesa em Novembro de 1985. Demite-se deste cargo em Outubro de 1999 e publica ainda vários ensaios.[rtp.pt]

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publicado às 16:37


Os instrumentos da crise tocados pelos Xutos

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09

 

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publicado às 15:31


Sónia Tavares

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09

Gaivota

 

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publicado às 15:26


Leeitura de outros blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09

LUCIEN FREUD




Nascido em Berlim em 8 de Dezembro de 1922, Lucien Freud, neto de Sigmund Freud, foi para Inglaterra, juntamente com a sua família, em 1931, tornando-se cidadão inglês em 1939. Desde muito jovem teve uma tendência enorme para o desenho. Tornou-se artista a tempo inteiro e como profissional depois de ficar inválido num ataque a um navio da Marinha Mercante onde trabalhava. Em 1951, o seu quadro "Interior at Paddington" (Walker Art Gallery, Liverpool) ganhou o primeiro prémio no festivalde Arte Britânica e, desde netão, ganhou uma reputação enorme como um dos principais pintores de arte figurativa contemporânea. Retratos e nus são a sua especialidade, vistos muitas vezes como chocantes. As suas primeiras obras eram meticulosamente pintadas. Ele próprio as classificava como "realistas ou Superrealistas. Mais tarde, adptou uma atitude mais visceral. Substituindo os pincéis de zibelina pelos de pêlo de porco, menos bons e precisos, Freud começou a esculpir com a tinta, alarganda o observação meticulosa a novos horizontes. O sua obra tem sido alvo de numerosas retrospectivas por todo o mundo. Lucien Freud nasceu em Berlim em 1922 e está naturalizado inglês.

PÁSSAROS



Lucien Freud

 

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publicado às 18:57


Fotografia

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09


ÁRVORES E HOMENS Retrato feito por Marcel Gautherot (1910-1996) no delta do rio Amazonas, por volta de 1943 (acima). Em um cenário de horizonte inalcançável, as raízes das árvores sugerem pernas aprisionadas e dividem com os homens o isolamento local

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publicado às 18:34

Murillo Meirelles

Chico Buarque e Caetano Veloso no Rio de Janeiro. Um encontrou a voz na literatura e o outro nos blogs, shows, CDs...
Chico Buarque e Caetano Veloso no Rio de Janeiro. Um encontrou a voz na literatura e o outro nos blogs, shows, CDs...

 

Revista BRAVO! | Abril/2009

A Palavra e o Som

Por Heitor Ferraz, José Flávio Júnior e João Gabriel de Lima

 Veja a galeria de imagens do making-of da seção de fotos exclusivas com os dois grandes artistas e as capas alternativas da edição

 

Numa cena do filme Invasões Bárbaras, um dos clássicos da primeira década do século 21, um grupo de professores de história elabora a teoria da "quantidade de inteligência". Segundo eles, por razões aleatórias, existem determinados momentos e lugares com alta concentração de gente talentosa, e essas pessoas fazem a diferença em suas épocas. São citadas no filme a Florença de Dante e Boccaccio e a Filadélfia dos "pais fundadores" da revolução americana. Aplicando a teoria à vida cultural brasileira, pode-se dizer que o país viveu uma espécie de auge nos anos 60 e 70, explosão criativa da música popular (e, por mais que se cunhem teorias pretensamente sociológicas — a mais famosa e absurda diz que a arte floresce em períodos de ditadura —, nada explica isso além da sorte). Primeiro veio a bossa nova de Tom Jobim e João Gilberto. Depois, a MPB surgida nos festivais, com Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Tom Zé e Gilberto Gil. Esses músicos têm em comum, além do talento, a carreira extremamente longa, que dura até os dias de hoje. Numa coincidência digna da teoria da inteligência aleatória de Invasões Bárbaras, dois desses artistas darão à luz novas criações neste mês de abril. Saem o novo CD de Caetano Veloso, Zii e Zie, e o novo romance de Chico Buarque, Leite Derramado. Disco e livro são pontos de chegada de trajetórias paralelas — e o lançamento simultâneo provoca reflexões sobre a cultura brasileira e sobre o caminho que ambos percorreram para chegar até aqui.

 

Não existem mais artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso — os ícones de geração, os compositores que são chamados a opinar sobre todos os assuntos. Nos anos 90, o poeta carioca Bruno Tolentino (1940-2007) observou, numa entrevista famosa, que no Brasil eram os cantores populares, e não os escritores ou intelectuais da academia, que pautavam o debate cultural. Tolentino emitiu sua observação em tom de crítica — ele via isso como um sintoma de decadência. O que faltou em seu raciocínio foi observar que acontecia o mesmo no resto do mundo. Se os anos 40 e 50 foram dos escritores e filósofos, em que nomes como Norman Mailer e Jean-Paul Sartre pontificavam sobre todos os assuntos, os 60 e 70 foram dos astros da música pop. Artistas como John Lennon, Paul McCartney, Bob Dylan e David Bowie, entre outros, eram considerados as "antenas" de um período de intensa mudança cultural e de costumes. É um pouco espírito de época, mas também mérito de uma geração excepcionalmente talentosa — é só pensar que apenas no ano de 1966 foram lançados pelo menos três álbuns clássicos da música de todos os tempos, Blonde on Blonde (Bob Dylan), Pet Sounds (Beach Boys) e Revolver (Beatles). Cantores como Chico Buarque e Caetano Veloso eram as versões brasileiras desse fenômeno. É uma simplificação, no entanto, entender tudo isso apenas como marca de um tempo, ignorando as peculiaridades e contribuições particulares de cada artista.

 

Numa comparação redutora porém ilustrativa, Chico e Caetano estão para a MPB assim como Bob Dylan e David Bowie para o pop internacional. Dylan e Chico se destacam mais pela qualidade de suas letras do que por suas performances, em geral discretas, em shows. Mais do que bons compositores, letristas e intérpretes fulgurantes, Bowie e Caetano são famosos pelas diversas reviravoltas que deram em suas carreiras, captando diferentes espíritos de época. Bowie usou sintetizadores para falar de viagens espaciais nos anos 60, foi andrógino nos 70 (era o principal nome do glitter, o velho e colorido rock-lantejoula) e voltou a ser roqueiro nos 80. Caetano surgiu no tropicalismo dos anos 60, escreveu o "hino do desbunde" nos anos 70 (a música Odara), foi pioneiro na utilização de sonoridades do pop na MPB da década de 1980 (o marco é o memorável álbum Velô) e ainda promoveu o relançamento de clássicos da música latina nos 90. Tudo isso enquanto Chico Buarque lapidava seu estilo de composição calcado nas raízes da MPB — e Bob Dylan se aprimorava cada vez mais em sua peculiar fusão de blues e música country engajada.

 

Neste mês em que Caetano e Chico lançam seus novos CD e romance, é interessante comparar os pontos de chegada das duas trajetórias. Chico, o compositor que fazia incursões no teatro e criava personagens em suas letras (Pedro Pedreiro, Ana de Amsterdam, Bárbara), se tornou escritor. Continuou fazendo música embora tenha declarado, em entrevistas, que considerava a canção uma "arte de juventude", em contraposição à literatura, que seria uma forma de criação mais madura (leia texto ao lado). Enquanto isso, Caetano dava nova reviravolta em sua carreira ao se aproximar de músicos jovens e lançar um álbum antológico,. Não parou por aí: criou um blog, lançou músicas na internet, testou-as no show e as reuniu no novo álbum, Zii e Zie, tornando-se talvez o artista brasileiro da área musical que melhor entendeu a interatividade dos novos tempos (leia texto a partir da página 32). Tempos estes em que a multiplicidade de criadores de todas as áreas explode na internet. Em que não existe mais o que se chamava antigamente de mainstream. Em que, no Brasil ou lá fora, se observa o fim dos ícones de geração — e não se espera mais que cantores sejam "antenas da raça" ou falem sobre todos os assuntos. Nestes tempos de cauda longa, Caetano Veloso e Chico Buarque encontraram, cada um a seu modo, suas vozes. Chico na literatura. Caetano nos sites de música, no blog, no show, no CD...


 

João Gabriel de Lima


O parto de Eulálio d'Assumpção, protagonista de Leite Derramado, foi mais tranquilo do que o de José Costa, o personagem principal de Budapeste. Na feitura de seu romance anterior, Chico Buarque chegou a descartar uma versão inteira, na qual o protagonista era um arquiteto. Foram três anos de elaboração. Já o novo livro nasceu em menos de um ano. Houve apenas uma hesitação, como lembra o editor Luiz Schwarcz, com quem Chico sempre se comunica quando começa a escrever um novo trabalho. "Ele ficou na dúvida, achou que podia ter se enganado", conta Luiz. Mas com a dúvida veio também o aviso: "Se estiver enganado, pode me dizer. Eu jogo tudo fora e começo outro, pois estou com a mão boa", disse Chico a Schwarcz. Não houve engano. Leite Derramado chegou ao mercado com uma tiragem inicial de 70 mil exemplares — o padrão do mercado é de 3 mil —, duas versões de capas, um site especial (www.leitederramado.com.br) e campanha publicitária da AlmapBBDO.

Chico faz 65 anos em junho. Quando se iniciou na literatura, em 1993, com o romance Estorvo, estava realizando um sonho de juventude. "Meu pai, historiador e crítico literário, não me pressionou a escrever, mas apreciava quando eu escrevia. Aos 21 anos, comecei a compor canções, e isso foi o que me sequestrou", disse em 2005 numa mesa-redonda em Nova York, da qual participou também o autor americano Paul Auster.

Desde esse sequestro, Chico procura sempre manter separado o escritor do compositor, num esquema que ele mesmo chamou de "esquizofrênico". Quando se dedica à literatura, deixa o violão no estojo e evita ouvir música. Quando termina o livro e passa a temporada de lançamento e de traduções, volta a procurar os acordes e as linhas melódicas de suas canções, com um frescor de quem estivesse começando do zero. Quando lançou Carioca, há dois anos, ele deu uma série de entrevistas, comentando o disco — que é um dos mais brilhantes de sua carreira e tem como destaque a faixa Subúrbio, com uma linha melódica que sobe e desce como se galgasse os morros que dividem a zona sul e a zona norte do Rio de Janeiro. Mas, quando o assunto é livro novo, Chico se retrai. Pelo menos durante um tempo. Depois, acaba fatalmente comentando sua literatura e suas leituras.

Para o escritor e jornalista Humberto Werneck, autor de Tantas Palavras, o artista tem uma espécie de "monogamia criativa", alternando os momentos de autor com os de compositor. A única coisa que se mantém tanto no músico como no escritor é a caminhada — além do futebol, o principal esporte de Chico é andar pelo calçadão do Rio de Janeiro. Seguindo o ritmo de um passo paulista, mais apressado, Chico aproveita para ir resolvendo o enredo ou a letra da canção. Não são apenas passeios e exercício físico, mas horas de trabalho mental. Como diz Werneck, no livro, "compor e escrever são solicitações diversas de sua criatividade, cada uma a seu tempo". Numa conversa com o cineasta Roberto de Oliveira (que resultou posteriormente em uma caixa com 12 DVDs), Chico Buarque comentou: "Não há um parentesco próximo entre romance e música. Mas existe uma música na estrutura dos meus livros. E também há sempre uma música no fundo da minha cabeça quando escrevo, quase uma trilha sonora, um assovio, um cantarolar que dita o ritmo".

A carreira literária de Chico, assim como a de músico, atravessou o oceano. Seu primeiro romance, Estorvo, logo ganhou tradução no estrangeiro. Saiu na França, na Itália, na Espanha, nos Estados Unidos e em outros países. O mesmo destino tiveram seus dois romances posteriores, Benjamim e Budapeste. Lá como cá, o nome do escritor sempre vem acompanhado do do compositor. "Um dos mais importantes músicos do Brasil", dizia o francês L'Express, na abertura de uma entrevista, em 1998. Vale lembrar que na França o músico é muito conhecido, principalmente por causa da música Essa Moça Tá Diferente, que virou jingle de um comercial (bem ridículo, diga-se de passagem) de uma marca de refrigerantes.

A crítica fora do Brasil sabe separar, no entanto, o músico do escritor. "Ninguém espere encontrar na literatura de Chico Buarque elementos parecidos com as suas canções, pois estamos diante de uma narração pouco colorida, de ritmo escasso e com nenhuma mudança de tempo", dizia o autor espanhol Mariano Antolín Rato, sobre o lançamento, na Espanha, de Estorvo. Apesar de dizer que o livro era um tanto decepcionante, o crítico também dava a mão à palmatória dizendo que pouco sabia sobre o Brasil e talvez isso lhe impedisse de entender melhor a obra. Já sua conterrânea, a crítica e poeta Beatriz Hernanz, lembrando a atividade de compositor e cantor de Chico, fazia uma leitura mais atenta do romance — principalmente para o impasse moderno do mundo sem saída apontado pela narrativa — e lembrava que a obra certamente surpreenderia o leitor espanhol.

Nos Estados Unidos, onde ele é conhecido, mas não é um nome popular, o New York Times publicou uma reportagem, em 1999, dando conta de toda a sua carreira, destacando as letras de suas canções e apresentando o autor de Turbulence, como foi batizado lá o livro Estorvo, lançado pela Pantheon, em 1993. O livro também saiu na Inglaterra, onde teve críticas positivas. Os artigos sempre lembram a faceta do músico, mas logo se voltam para o enredo criado pelo escritor e destacam sua condição de brasileiro e o seu tema, o Brasil. Por aqui, a obra de Chico Buarque em geral rende resenhas positivas — claro que alguns comentários dissonantes não faltaram, nem faltarão, por conta do livre exercício da crítica. Ele começa também a ser tema de teses acadêmicas. Numa primeira fase, relacionando sua obra com o momento político do país. Mais recentemente, e sobretudo a partir de Budapeste, elas começam a se voltar para o trabalho de linguagem do escritor.

O novo romance, Leite Derramado, dá margem aos dois tipos de análise. Há pouco tempo, Chico Buarque comentava o que ele chamou de nova mania: a publicação de livros com genealogias de famílias tradicionais brasileiras. Ele se divertia um pouco com esse tipo de empreitada, pois lá pelas tantas sumiam uns nomes da árvore. Como se um galho tivesse sido arrancado. "As pessoas no Brasil pensam que são brancas, que eu sou branco", dizia. "Impossível imaginar uma família que esteja aqui desde o século 16 e não tenha se misturado com índios e pretos. Não tem como." O comentário — feito num dos 12 programas que ele gravou com Roberto de Oliveira, em 2007 — parece ter frutificado na cabeça do escritor. Ele procurou, em seu romance, dar conta dessa mania nacional de nobiliarquia, de bater orgulhoso no peito dizendo "sou descendente de barão".

O narrador de seu novo livro é um velho gagá, para lá de 100 anos, com fumos de nobreza, relatando, de um leito de hospital — não se sabe bem para quem, ora para uma enfermeira, ora para a filha, ora para uns sequestradores —, a esgarçada história de sua vida. Eulálio d'Assumpção — a se fiar no que ele narra ("lembrança de velho não é confiável", diz) — é daqueles que carregam, por toda parte, sua árvore genealógica na cabeça, com galhos por todos os lados. O trisavô teria desembarcado no Brasil com a corte portuguesa, o bisavô seria um tal "barão de Arcos", o avô, "um figurão do Império", o pai foi senador da República (íntimo de vários presidentes) e armeiro. A brincadeira de Chico Buarque, inventando uma família de filhos únicos, lembra o ditado "pai rico, filho nobre, neto pobre". No entanto, a decadência familiar desemboca no "comércio de entorpecentes". O Brasil vai pautando essas gerações, indo da corrupção dos antepassados (o pai que se utilizava do título de "senador" para abrir aqui uma filial de uma empresa francesa de armas) até a mixórdia do presente.

Há um humor desabusado que perpassa o livro inteiro. Um humor calcado numa espécie de supremacia de classe — ou melhor, de casta, pois Eulálio já está no fim da linha, já teve de morar no subúrbio, em casinhas pequenas, na velhice, levando apenas a cama e uma escrivaninha barroca como bens de família; a ascensão dos Assumpção agora vem por meio do novo descendente, que namora uma menina com piercing no umbigo e tem atividades ilegais — se for crível o que diz o vai-e-vem da memória do velho Eulálio. Chico Buarque procurou refazer assim uma história do Brasil vista por um sujeito da elite e já decadente, ainda obcecado pela mulher, retratada por ele apenas como objeto de um desejo físico. Aos poucos, vai emergindo como vítima do ciúme e dos próprios preconceitos. Ao ler o livro, é inevitável pensar no Machado de Assis de Dom Casmurro e de Memórias Póstumas de Brás Cubas — este último por conta do enredo em que aparentemente não acontece nada e nenhuma narrativa se estabelece como determinante. O diálogo eficiente com o maior escritor brasileiro dá a medida do triunfo literário que é este novo romance de Chico Buarque.


Heitor Ferraz

Há exatamente um ano, Caetano Veloso disse para Hermano Vianna que estava com vontade de fazer uma série de shows em que pudesse mostrar para a plateia composições novas, à medida que fossem sendo compostas. O antropólogo achou a ideia genial e sugeriu que Caetano tivesse um blog para mostrar a evolução dessas canções ao longo dos shows. O blog poderia hospedar os vídeos das músicas sendo executadas, para que não apenas os que estivessem presentes nos espetáculos pudessem ouvi-las. Caetano também poderia pedir sugestões sobre o material novo e postar textos que ajudassem o público a entrar na onda. Seria algo inédito, que nem artistas de gerações mais novas teriam tentado. Para sorte da música brasileira, a loucura saiu do papel. Virou a temporada Obra em Progresso, vencedora do último Prêmio Bravo! como grande espetáculo de música popular de 2008, gerou o blog obraemprogresso.com.br e desemboca este mês no álbum Zii e Zie, resumo do que foi essa aventura que mesclou palco com internet, mundo real com mundo digital.

"Fico impressionado com o tempo que ele dedica ao espaço, lendo e respondendo diretamente a qualquer pessoa que se manifeste. Poucos artistas têm essa disposição e esse interesse", afirma Hermano Vianna, que, além de filmar entrevistas com Caetano, sugerir tópicos e moderar os comentários dos frequentadores do blog, atuava publicando as mensagens que recebia do músico baiano. Mas o cantor, que tem 66 anos, logo aprendeu a mexer nas ferramentas do site e dispensou o auxílio do amigo para isso. Rapidamente também começou a diversificar os assuntos. Em vez de focar as músicas novas, passou a discutir política (respondeu a uma análise equivocada que Fidel Castro fez da música Base de Guantánamo, destaque de Zii e Zie), jornalismo cultural (rebateu as críticas dos jornais de São Paulo ao show em homenagem a Tom Jobim que dividiu com Roberto Carlos), reforma ortográfica (criticou linguistas e atraiu um enxame deles para a discussão) e até futebol (elogiou a humildade dos jogadores do time pelo qual torce, o Bahia, por eles terem "se recusado" a golear o time do Poções numa partida válida pelo Campeonato Baiano). "Eu, tendo um blog dedicado a esse disco, não ia deixar de fazer o que sempre fiz", disse Caetano em entrevista a BRAVO!. "Antigamente, comentava as críticas que recebia no palco do show. Era superengraçado. Mas o blog foi criado para acabar quando o disco saísse. E assim será. Pode virar outra coisa ou simplesmente sumir. Continuar sendo o boteco virtual onde a gente conversa e discute é que não vai."

Por enquanto são raros os dias em que o cantor não surge no espaço reservado aos comentários para falar com a turma assídua do obraemprogresso.com.br. Em princípio, os músicos que formam a banda Cê — que começaram a trabalhar com Caetano no álbum de mesmo nome e seguem com ele em Zii e Zie — também deveriam usar o blog para escrever sobre o processo de confecção do álbum. Mas isso nunca ocorreu. O baixista e tecladista Ricardo Dias Gomes, de 28 anos (o mais jovem da Cê), confessa que a timidez o impediu de postar no blog, mas diz acompanhar as discussões e admirar o diálogo que se estabeleceu ali. "O Caetano é um brasileiro que vive a história do país intensamente. Viu muitas coisas se transformarem, e sua memória apurada faz com que suas análises tenham relevância acima da média e despertem outras mentes pensantes, o que faz o blog seguir em frente", opina.

Completam o time musical de Caetano o baterista Marcelo Callado, de 29 anos, e o guitarrista Pedro Sá, de 34. Por ser íntimo de Moreno Veloso, filho mais velho de Caetano, Pedro frequentava a casa do baiano desde a adolescência. Não tardou muito até ser convidado para entrar na banda de Caetano. Hoje, o guitarrista é visto como um dos principais responsáveis pela guinada artística dada pelo cantor a partir do disco Eu não Peço Desculpa, de 2002, gravado em parceira com Jorge Mautner. Pedro Sá é fã de bandas americanas como Pavement e Pixies, expoentes do que se convencionou chamar de rock alternativo ou indie rock, estilo em que as guitarras ruidosas são muito valorizadas. Ele soube adicionar essas influências tanto em quanto no novo álbum, sem que isso soasse forçado ou desconectado das intenções de Caetano. "O Pedro faz o papel que o Lanny Gordin fazia nos anos 60", compara Kassin, músico da Orquestra Imperial e produtor de Eu não Peço Desculpa, citando o guitarrista símbolo da tropicália, responsável por injetar rock nas obras de Caetano, Gal Costa, Gilberto Gil e tantos outros.

"Caetano sempre teve como característica essa sede, essa antena em riste, uma relação libidinosa com as coisas que acontecem a todo instante no mundo", interpreta Jonas Sá, irmão de Pedro e dono da voz cavernosa que encerra o álbum. Apesar de reafirmar a boa fase, Zii e Zie talvez não receba a aprovação quase unânime de — que, mais do que um disco de rock, é um disco simples, sem grandes pretensões e povoado por letras concisas. O novo CD nasce de uma vontade que Caetano tinha de "tratar levadas de samba com timbre elétrico forte". Seriam os "transambas", sambas com DNA modificado, executados por músicos de rock, com guitarra no lugar do cavaquinho. Ou seja, é um disco, a priori, de caráter experimental, ainda que Tarado ni Você, Sem Cais, A Cor Amarela e outras faixas tenham estrutura de canção pop. "A nova abordagem de aspectos do samba é sempre em torno do óbvio, mas é radical", classifica Caetano. De qualquer forma, não resta dúvida de que ele fez mais um trabalho que vai brigar por vaga no top 10 de grandes álbuns de sua carreira.


José Flávio Júnior

O Livro
Leite Derramado, de Chico Buarque. Companhia das Letras, 200 págs., R$ 36.

O CD
Zii e Zie (Universal), de Caetano Veloso. Produtores: Moreno Veloso e Pedro Sá. Preço médio: R$ 30.

Leia também:
• "
Chega de Verdade" - A íntegra da entrevista que Caetano Veloso concedeu a BRAVO!

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publicado às 18:22


Novo Livro de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09

A Assírio & Alvim vai lançar este mês o novo livro de Manuel António Pina que é destinado essencialmente ao público infanto-juvenil.

O livro tem como título "História do Sábio Fechado na Sua Biblioteca".

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publicado às 18:08


Mozart . Requiem

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09

 

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publicado às 18:05


Enrico Rava

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09

Spleen

 

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publicado às 17:51


Madeleine Peyroux

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09

Between The Bars

 

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publicado às 17:48


Tropfest - Festival de curtas-metragens

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.09

 

 

O Tropfest é o maior festival de curtas-metragens do mundo. Começou há 17 anos atrás em Sydney e no ano passado teve a sua primeira edição em Nova Iorque.

O vencedor de 2008 filmou a sua curta-metragem recorrendo apenas a um com um telemóvel. O seu orçamento foi de cerca de 20 euros. Jason Van Genderen escolheu como tema os sem abrigo e fez o vídeo que pode ver aqui na Visão On-line.

O nome do festival tem origem no local da primeira edição - o Tropicana Café em Darlinghurst. Desde o ano de 1993 que o mentor deste evento, John Polson, tem vindo a criar novas categorias a concurso, tendo sempre como base as curtas-metragens.

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publicado às 13:31


José Luis Peixoto

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.09


Dois meses

Estou vivo. Ao longo destes dois meses, iniciei mentalmente a escrita destas palavras dezenas de vezes. No entanto, as passagens pela internet foram sempre demasiado rápidas, com dois ou três emails urgentes para responder e, logo a seguir, o regresso ao mundo e às palavras. Pensei falar-vos da breve viagem que fiz a Marrocos e da antologia de contos que saiu por lá (o conto "Dia de anos" a ler-se da direita para a esquerda,em árabe); pensei falar-vos da edição de "Morreste-me" e de "Gaveta de Papéis" em braille, das idas a escolas preparatórias e secundárias, etc. Ou seja, pensei falar-vos de várias coisas que me deixam feliz, orgulhoso, e que, se existir amizade desse lado, vos poderão dar alguma alegria também.


Além disso, há o romance, solitário e silencioso, o grande segredo.


Voltei.




 

Sim significa não

   

A única vez em que estive na presença da actriz Alexandra Lencastre foi em 1995. O país atravessava um período de alegre contestação. Toda a gente que eu conhecia estava contra o governo e Março, a confiar na minha memória, não tinha sido demasiado frio ou chuvoso. Se Portugal fosse um carro, bastava destravá-lo e deixá-lo deslizar, não se vislumbrava a necessidade de esforçar o motor contra qualquer espécie de subida. Os penteados e os bigodes dos anos oitenta estavam extintos. Os hipermercados prosperavam. Não tínhamos telemóvel ou internet, mas se estávamos destinados à felicidade, éramos felizes. Eu tinha vinte anos e estudava em Lisboa. Quem me via não desconfiava mais do que normalmente se desconfia de alguém com essa idade.

Quando fui chamado para comparecer na pré-selecção, num apartamento em Sete Rios, ao lado do Jardim Zoológico, custou-me a acreditar. Para mim, os concursos de televisão eram uma realidade distante. Eu era anarquista, vegetariano, punk friendly e quase virgem. É certo que tinha autorizado a minha irmã a escrever o meu nome nos cupões, mas imaginava que concorressem milhares de pessoas e não conhecia ninguém que alguma vez tivesse participado num concurso de televisão. Eu nem tinha a certeza que a minha irmã se lembrasse mesmo de enviar os postais. Mas lembrava. Acordei cedo, faltei a uma aula e, com um pull-over cinzento, que ainda tenho, respondi às perguntas que me fizeram. Quando saí, não pensei se ia ser apurado, pensei no almoço.

Telefonaram poucos dias depois. Eu não estava em casa. Foi a minha irmã que atendeu. O concurso chamava-se “Trocado em Miúdos”. Havia palavras e crianças a tentarem explicá-las. Havia palavras e o seu significado mais inocente. Depois, quem acertasse nas palavras-mistério ia acumulando pontos. Os parceiros dos concorrentes eram figuras públicas. A minha parceira foi a actriz Alexandra Lencastre. Havia palmas gravadas e, por isso, sempre que chegava um momento de aplaudir, fazíamos o gesto, mas não podíamos fazer barulho. Sozinhos no estúdio, com as luzes e com as câmaras, passámos grandes períodos a bater palmas em silêncio. Creio que não haveria grande possibilidade de contestar a nossa vitória. Foi clara. Eu e a actriz Alexandra Lencastre sorrimos um para o outro e não voltámos a ver-nos.

O prémio foi um fim-de-semana em Londres para duas pessoas. A minha irmã agradeceu. Levantei o bilhete e os pormenores do hotel numa agência de viagens nas Olaias. À hora em que o concurso ia ser transmitido, a minha irmã, o meu cunhado e eu estávamos em frente à televisão, tínhamos o vídeo ligado e uma cassete preparada. A minha irmã tinha o dedo sobre o botão REC do comando. Esperámos duas horas. A minha irmã telefonou para lá. Sem aviso, o concurso tinha sido suspenso. Não cheguei a aparecer na televisão. Os bilhetes estavam guardados numa gaveta.

Foi assim que viajei pela primeira vez de avião. A minha irmã tinha um guia de bolso e um plano exacto para aqueles três dias e meio. Creio que estávamos convencidos de que nunca mais voltaríamos a Londres. À noite, chegávamos ao nosso quarto na Russel Square e não tínhamos força para falar. No dia seguinte, acordávamos às sete. Os dias eram longos como quilómetros. No fim daqueles três dias e meio éramos uma espécie de emigrantes. Um para o outro, dizíamos “lá, na Trafalgar Square”, ou “lá, no British Museum”. Tínhamos feito tudo. Tínhamos a barriga cheia. E, na minha segunda viagem de avião, regressávamos felizes. Trazíamos porta-chaves para todos, ímanes de frigorífico e chocolates. No aeroporto, as malas chegaram ao tapete rolante como nos filmes. Tínhamos um carrinho para levá-las. Seguindo as indicações para a saída, ao longe, começámos a ver o meu cunhado e o nosso pai. Ao longe, os nossos sorrisos chocaram com os seus rostos sérios. Logo nesse momento percebemos que tinha acontecido algo.

Foi o meu pai que nos disse que a nossa avó tinha morrido. Saímos do aeroporto e fomos para um velório quase deserto em Massamá. Caminhámos na direcção da nossa mãe, órfã. A nossa avó estava deitada num caixão. Chamava-se Joaquina e, a mim, chamava-me “o meu Zé Luís”. Havia velas eléctricas que se acendiam com moedas de vinte escudos. Nessa sala de uma igreja moderna, passámos a noite. O enterro aconteceu no dia seguinte, já na nossa terra. Eu e a minha irmã não chegámos a contar as histórias da viagem a Londres. As fotografias foram reveladas e guardadas. Dessa maneira, aprendi uma lição que continua comigo. Dessa maneira, aprendi que há palavras que significam o seu absoluto contrário. Às vezes, sim significa não.
*Publicado originalmente na revista Visão.

 

 

 

 

 

 

 

 

Posts extraídos do blog de José luis Peixoto, da Revista Bravo

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publicado às 13:08


Não resisti... e pronto...

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.09

Elogio ao grande FC Porto

O FC Porto não é o melhor clube português no futebol internacional. É o único. É o único que, antes de um jogo contra o Manchester United, podemos esperar que jogue entre iguais. Não esperar de esperança beata - porque, essa, qualquer presidente aldrabão no universo crente que é o futebol pode prometer.

Falo de esperança legítima num clube que vai em mais de duas décadas de carreira como o melhor português e, sobretudo, atingindo aquela constância de qualidade que leva o FC Porto a ser tratado entre os maiores como um dos seus. É necessário que isso seja saudado para além do futebol. Porque, em Portugal, no campeonato dos factos contra a retórica, ganha quase sempre a conversa barata. Ontem, um dos nossos raros campeões de factos (e não de lábia) voltou a cumprir. Quem manda no restante futebol nacional que aprenda com quem foi buscar os, então, desconhecidos Hulk, Fernando e Cissokho... E o que há para aprender é isto: há quem saiba fazer e há quem não. Estes últimos deviam dedicar-se ao curling, desiludiriam menos portugueses.

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publicado às 12:41


Juan Manuel de Prada

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.09

 

Juan Manuel de Prada lança "O sétimo véu"

Com "O sétimo véu", Juan Manuel de Prada propôs-se abordar a problemática do esquecimento e da memória. A obra, já duplamente premiada, inspira-se num período conturbado da história contemporânea de Espanha.

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publicado às 12:03


Génese

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.09

 

Quando o sossego é só sossego  e a visão do mar espraia a nossa identidade

sentimo-nos cúmplices da terra na densidade azul

e respirando pertencemos à leve viração

de um ser anónimo vagamente feliz

que renova em nós os alvéolos do sangue

e dança na linfa com os seus élitros verdes

O peito levanta-se com os seus campos e regatos

e ergue-se até à cúpula das estrelas latentes

O ócio murmura nas esferas e cintila nos monótonos fulgores

e o sentido de tudo liberta-se de si mesmo

para ser a  liberdade de um presente inextinguível

Se se pode tocar o ardor na sua fuga tentamos projectá-lo em grãos incandescentes

para que a boca que os lê possa reencontrar o seu sabor primordial.

 

Poema de António Ramos Rosa do livro "Génese seguido de Constelações", Edição Roma Editora, Colecção Sopro dirigida por Casimiro de Brito, e posfácio de Pascal Fleury, 2005, 2007.

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publicado às 11:38


As vozes, os sons e as palavras de Abril

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09



Direitos reservados


As Portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos
"Obra poética"
Edições Avante 1975

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.

E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

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publicado às 23:06


As vozes, os sons e as palavras de Abril

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

 

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publicado às 17:23


As vozes, os sons e as palavras de Abril

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

 

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publicado às 17:11


os sons, as vozes e as palavras de Abril

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

 

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publicado às 17:04


Os sons, as vozes e as palavras de Abril

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

 

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publicado às 17:01


John Taylor Trio

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

Rosslyn

 

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publicado às 16:58


Alaíde Costa - Estrada do Sertão (2005)

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

 

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publicado às 16:53


Mylene Farmer feat Jean Louis Murat-Regrets

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

 

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publicado às 16:36


Elysian Fields

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.04.09

We're in love

 

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publicado às 16:16


Quarenta escritores de 10 países reúnem-se em Matosinhos

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.04.09

 

Cerca de 40 escritores de dez países participam a partir de 18 de Abril, em Matosinhos, no 4.º Encontro de Literatura em Viagem (LeV), que inclui oito mesas temáticas, lançamentos de livros, concertos e uma exposição.

 

Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, Itália, México e Peru são, além de Portugal, os países de origem dos escritores participantes no encontro organizado por Francisco Guedes e promovido pela Câmara de Matosinhos, que decorre até 21 de Abril na Biblioteca Florbela Espanca e na Galeria Municipal.

 

Ao longo de quatro dias, temas como "Escrever a Guerra", "Poética da Viagem", "Viajar para contrariar a Monotonia", "Ler o Mundo, Viajando", "A Viagem é a Minha Memória", "Viajar é um acto sensual em todos os sentidos" e "Viajar é preciso" serão debatidos no encontro, cujo mote é uma frase do pensador Eduardo Lourenço: "Mais importante que o destino é a viagem".

 

Entre os participantes estrangeiros, estarão escritores como os norte-americanos Paul Theroux e Helene Cooper, os argentinos Eduardo Belgrano Rawson e Leila Guerriero, o mexicano Gonzalo Celorio, o chileno Luis Sepúlveda, o peruano Santiago Roncagliolo, o espanhol Ricardo Menéndez Salmón e os brasileiros Christiane Tassis e Marçal Aquino.

 

Filomena Marona Beja, José Jorge Letria, Miguel Real, Julieta Monginho, Francisco José Viegas, Cristina Carvalho, João Tordo e José Luís Peixoto serão alguns dos escritores portugueses presentes no encontro.

 

O LeV começa no dia 18, às 11:00, com um atelier para crianças, intitulado "Uma história nas asas de um avião", na Biblioteca Florbela Espanca, a que se seguirá, pelas 15:00, a conferência de abertura desta 4ª edição, no salão nobre da câmara, e o lançamento do segundo número da revista Itinerâncias, a publicação oficial do encontro.

 

Novas obras de Paul Theroux ("O Velho Expresso da Patagónia"), Eduardo Belgrano Rawson ("Para Lá da Terra do Fogo"), Leila Guerriero ("Os Suicidas do Fim do Mundo"), Marçal Aquino ("Cabeça a Prémio"), editadas pela Quetzal, serão lançadas nesta edição do LeV.

 

Também os romances "Cisne de África" (Livros de Seda), de Henrique Levy, "A Ofensa" (Porto Editora), de Ricardo Menéndez Salmón, "A Casa da Praia do Açúcar" (QuidNovi), de Helene Cooper, "O Assassinato de Berta Linhares" (Sextante), de Jacinto Rego de Almeida, "Ronda Filipina" (Teorema), de César Magarreiro, e a obra para crianças "Livro com Cheiro a Canela" (Texto), de Alice Vieira, serão apresentadas durante o encontro.

 

Completam o programa deste Encontro de Literatura em Viagem a inauguração de uma exposição "Sobre el Mar", de Nacho Selorio, a 18 de Abril, e dois concertos, dia 19: o primeiro, às 11:00, do pianista Raul Peixoto Costa, no salão nobre da Câmara de Matosinhos, e o segundo, "Sons da Fala", pelas 22:00, no Cineteatro Constantino Nery, com Sérgio Godinho (voz e guitarra), Vitorino (voz), Janita Salomé (voz), Tito Paris (voz e guitarra), Don Kikas (voz e guitarra), Guto Pires (voz), Luanda Cozetti (voz), Juka (voz) e André Cabaço (voz).

 

Texto retirado do Jornal "Diário de Notícias"

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publicado às 23:12


"Milk" no auditório da biblioteca municipal de santa maria da feira

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.04.09


No âmbito da programação do Cineclube da Feira, dia 5 de Abril, pelas 21h45, o filme "Milk" de  Gus Van Sant, será exibido no auditório da biblioteca municipal de Santa Maria da Feira.

 

Sinopse:

Cansado de se esconder de si próprio, Harvey (Sean Penn) abandona o seu bem remunerado emprego em Wall Street e decide sair do armário, mudando-se para o distrito "Castro" em São Francisco com o seu amante de longa data, Scott Smith. Na comunidade colorida de Castro, pequenas vitórias conduzem a outras maiores e Harvey ao falar abertamente por aquela maioria silenciosa, acaba por ser o primeiro politico homossexual a ganhar as eleições. [cinema.ptgate.pt]

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publicado às 23:01


Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.04.09
Lá se vai mais um sonho

Lá se vai mais um sonho

Perdemos os sonhos ou são os sonhos que nos perdem? O meu sonho de menino sempre foi ser presidente de uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos; e quando, em vez de estudar, me punha a ler o "Cavaleiro Andante", minha mãe dizia-me: "Estuda se queres vir a ser presidente de uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos", sabendo que só isso era capaz de me arrancar da companhia de Tartarin de Tarascon e de Tintin.

 

Chegado a esse lugar de exílio que é a idade adulta (o que sucedeu mais ao menos na altura em que Tintin deixou de usar calças de golfe), procurei em vão informar-me acerca de como seria possível realizar tão desmesurado sonho. Só agora, já velho, o descobri. Para se ser presidente de uma empresa intermunicipal de tratamento de resíduos é recomendável, pelo menos em Braga, ter sido condenado por tentativa de corrupção de um vereador, o que (uma condenação por corrupção) é, como se sabe, uma inalcançável miragem em Portugal. Sem meios para tentar corromper vereadores, terei que me ficar pelo jornalismo, que também é uma actividade do sector do tratamento do lixo.

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publicado às 13:19


Cinematic Orchestra, no Porto

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.04.09

A britânica Cinematic Orchestra parece encarar Portugal como fiel depositário dos seus exercícios sónicos, alicerçados no jazz e na electrónica. Os únicos concertos deste ano na Europa têm lugar em Lisboa, quinta-feira, e no Porto, na sexta-feira.




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publicado às 12:55


Ana Luísa Amaral

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.04.09



DIFERENÇAS (OU OS PEQUENOS BRILHOS)


Quando eu morrer, a diferença já não:

o próximo fulgir da estrela: igual,

na panela fervente o vegetal

à mesma temperatura. Quando eu morrer,

a minha rua será a mesma rua,

a luz do candeeiro: luz igual.

Os meus livros terão as mesmas cores,

as mesmas letras, os mesmos sinais,

tal como na cozinha os pontos cardeais

serão os mesmos onde quer que eu for:

aqui, botão do gás, ali os pratos

a flores discretas, recém-arrumados,

e do lado direito (simbólico o seu estado),

máquina de lavar. Quando eu partir,

as coisas ficarão como devem ficar.

Perder-se-á, é certo, da cozinha

o seu nível onírico e de inspiração:

nunca mais o fogo a dizer versos,

nunca mais o fogão: sem ser, sendo, fogão.

Para além disso, as rendas serão rendas,

as gavetas, gavetas. E, como é óbvio,

as janelas, janelas de entrar luz.

E o incêndio que vi nesta parede

(Tróia onde mil Cassandra a convidar)

ceder-se-á ao sítio onde o sonhei e pus.

Ou seja: no papel. Que ficará.

Que, como livro: anel interestelar,

como cebola à espera de um luar

que outros olhos não vêem. Mas seduz.

Quando eu partir, a diferença já não.

Só um fulgir de som? Só zunido de abelha

sobre flor? Minúsculo cavalo na parede

em ínfimo esplendor?

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publicado às 12:28


Maria do Rosário Pedreira

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.04.09


 

MADALENA


Vieste como um barco carregado de vento, abrindo

feridas de espuma pelas ondas.Chegaste tão depressa

que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste

o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro


onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,

se partiste,

que dentro de mim se acanham as certezas e

tu vais sempre ardendo, embora como um lume

de cera, lento e brando, que já não derrama calor.


Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar

o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;

e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:

o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,

exausto de me ver entre as mulheres que se bamboleiam

no cais, como se transportassem no corpo, também elas,

o vaivém dos barcos. Dizem-me os seus passos


que vale a pena esperar, porque as ondas acabam

sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei

que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde

para quase tudo. Por isso, vou para casa


e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

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publicado às 11:16


Maria Teresa Horta

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.04.09



A PAIXÃO


Deixa que o doce na boca

seja apenas doce

e transforme a saliva na garganta


Filtrando o sangue dos rubis

do corpo,

procurando a raiz na lentidão da chama


Deixa que o gozo no sexo

seja apenas gozo

e transforme os sucos da vagina


Trepando até ao ventre

e explodindo,

no clitoris que se esconde em cima


Deixa que a paixão em mim

seja só paixão

e me faça arder até à cinza


Me invada, me retome

me tome pela mão

me dilacere e mate até ao coração

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publicado às 11:08


Dicionário(Isaltino)Moraes

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.09

Isaltinar foi um belíssimo achado que Isaltino Morais inventou para uma das suas campanhas eleitorais (slogan em 2005: "Vamos isaltinar!"). Belíssimo, mas que eu não entendia. Até Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, ser agora julgado. No julgamento, ele tem dito: 1) que as suas declarações de rendimentos "não correspondem minimamente ao meu património"; 2) que ele declarava menos do que devia porque "[as declarações de rendimentos] nunca foram levadas a sério" (já agora, então, porque declarou sempre a menos e nunca a mais?!); e 3) que "as sobras das campanhas eleitorais", anteriores a 2005, depositou-as na sua conta bancária da Suíça, não para "fugir ao fisco", mas porque "fiz o que toda a gente fazia." Os pontos 1) e 2) dizem-me que "isaltinar" significa aldrabar o fisco. Não sendo o moralista que aqui vos escreve mas o amante de palavras, estou encantado. Indo mais longe, o ponto 3) diz o que é uma isaltinação pegada. Definição de isaltinação pegada: não chega aldrabar o fisco mas é preciso aldrabar também o próprio partido, ficando-lhe com "as sobras."

 

Artigo de opinião de Ferreira Fernandes no "Diário de Notícias"

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publicado às 13:37


Fatos Arapi

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.09

 

EM BERLIM


Outro modo de andar, outras vozes de chuva aqui.

Não ressoa o bronze do trovão das minhas montanhas,

nem regressa o seu eco ensurdecedor

a golpear-me outra vez e mais outra vez...

Tem um não sei de quê o caminho aqui, o voo da chuva...

O calor que sobe do corpo desta mulher molhada,

as pombas em Kurfurstendamm,

igrejas e templos feridos pelas guerras.

Aqui se derrama uma alma imensa, e macia, de chuva,

e cai sobre mim, como sobre uma oliveira verde

que caminha, sentindo como as suas raízes

- como no sul - se enterram para se irem nutrir

entre antigas necrópoles.


 


PARA PENÉLOPE


Não terminaste ainda de tecer a teia, Penélope.

Ulisses ainda não voltou de Tróia,

sempre errante pelas ilhas do tempo...

Poi se chegar a tocar Ítaca a pedregosa

com o sangue dos Pretendentes semeará a

terra.

Continua então a tecer, Penélope.

O bater do teu tear

é eterno grito entre as ondas do Jónio.

Tu, não te canses, não cedas, ó mulher.

Precisamos de um sonho de sonhar,

e mesmo ele, o amor,

se alimenta só da nossa inocência.


Não me desmintas, Penélope.

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publicado às 12:55


Jordi Virallonga

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.09



MAS QUE SUCEDE COM O PRAZER


Nunca imaginei ficar tão sem nada

e a ter de pensar em começar de novo.

Resta-me apenas o teu rosto nas crianças

e um ou outro episódio antes de te conhecer:

Não tenho nenhum porto de saída nem de chegada,

queimei todas as minhas naus para largar contigo

e tudo o que fomos comigo terá morrido;


mas entretanto

que sucede com o prazer,

com a ternura que sem ti é puro regatear

e é sentir-se livre para a mudança

e a procura é luta no meio dos saldos?



TAL A SALIVA DE TER SIDO


Faltam-nos braços e palavras,

noites horizontais de que ainda sabemos pouco,

e saber que entre a morte

e a pressa da névoa ao desvanecer-se

há-de ficar alguma lembrança consistente de ter sido.


Escrevo-te agora porque sei que amanhã

nunca acabaria tudo isto

que se estende sobre ti porque é saliva.


Observa a luz, da varanda,

e vê a névoa caída nesta casa

onde entre lençóis prolongo a última palavra sábia:

eco inútil deste ponto onde mora

uma fugaz febril memória de amor e de cinza.

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publicado às 12:40

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