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Ferreira Gullar

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

Ferreira Gullar. Um intelectual que é, acima de tudo, poeta
Ferreira Gullar. Um intelectual que é, acima de tudo, poeta

 

Revista BRAVO! | Março/2009

O Maior Poeta do Brasil

Reedição da obra e novos lançamentos preparam as comemorações dos 80 anos de Ferreira Gullar, um autor que atravessou todos os momentos da poesia brasileira e assegurou seu lugar entre os grandes do século 20

Por Almir de Freitas

Leia também entrevista com o autor feita por Armando Antenore

Sobre Ferreira Gullar, ninguém menos que Vinicius de Moraes escreveu, em 1976, que se tratava do "último grande poeta brasileiro". Na época, o maranhense estava exilado em Buenos Aires, depois de cumprir um longo périplo — Moscou, Santiago, Lima — fugindo da mão pesada da ditadura militar. Ali, um ano antes, espremido entre os golpes no Chile e na Argentina, temendo "desaparecer" em meio à proliferação de ditaduras latino-americanas, Gullar tinha escrito a sua obra-prima, Poema Sujo (1975). Poema-limite, vertiginoso na evocação da São Luís da infância do poeta, das histórias, personagens e sensações prestes a mergulhar no esquecimento da morte, Poema Sujo levaria o nome de Ferreira Gullar, de fato, ao panteão mítico dos grandes nomes da poesia brasileira, ao lado de Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e — à parte a modéstia do próprio — Vinicius de Moraes.

Se ele não era exatamente o "último" naquela época, hoje não são poucos os que o consideram o maior poeta vivo do Brasil — e não apenas pelo impacto de Poema Sujo. Nascido José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930, o também dramaturgo, ficcionista e crítico se aproxima das comemorações de seus 80 anos de idade não como mero sobrevivente de uma era que passou. Ferreira Gullar é, antes, um intelectual e um escritor a quem não falta o gosto pelo estudo, pelo debate e, sobretudo, pela poesia. Só neste ano, a editora José Olympio prepara a edição de dois volumes: uma reunião dos poemas de cordel escritos pelo autor nos anos 70, ilustrados pelo artista paraibano Ciro Fernandes; e Em Alguma Parte Alguma, seu novo livro de poemas, o primeiro desde Muitas Vozes (1999). Além disso, a Nova Aguilar acaba de lançar Ferreira Gullar — Poesia Completa, Teatro e Prosa, um volume de mais de mil páginas que traz, além da obra poética completa acompanhada de farta bibliografia, a reunião de textos antes esparsos, duas peças de teatro e um ensaio inéditos.

São 60 anos de carreira, período em que ele atravessou, ativamente, todos os episódios decisivos da moderna poesia brasileira. Da mesma maneira que sua obra se localizou em algum ponto entre dois extremos — o lirismo e a sordidez, o local e o universal, a multidão de vozes e a solidão —, sua trajetória revela um poeta que oscilou entre a ousadia aberta e a prevenção contra os formalismos ocos. Parafraseando Caetano Veloso, pode-se dizer que Ferreira Gullar "entrou em todas as estruturas e saiu de todas", num movimento contínuo de experimentação de sintaxes em busca do aperfeiçoamento da própria voz — uma busca pelo novo em que ele nunca perdeu de vista suas origens.

Foi assim desde quando, ainda no Maranhão e incrivelmente atrasado em relação aos modernistas, Ferreira Gullar estreou na literatura, em 1949, com as redondilhas, decassílabos e alexandrinos de Um Pouco Acima do Chão, livro de lustroso sotaque parnasiano. "Talvez eu nasça amanhã", diz o último verso do último poema desse livro que ele, mais tarde, renegaria. Como se cumprisse uma profecia, o poeta, já vivendo no Rio de Janeiro, abandonou a régua e a rima no livro A Luta Corporal (1954). E o fez com autoridade e desassombro: na concepção de uma poesia visual, formada por estilhaços de palavras que exploravam novas possibilidades sonoras, Gullar não apenas superava certo prosaísmo que rondava a poesia do modernismo da época, como também antecipava os procedimentos do concretismo. Poeta visceral, ele, contudo, desembarcou do movimento atirando contra a racionalização "matemática" promovida pelo grupo paulista — Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos à frente. O racha provocou uma das cizânias mais persistentes e ferozes da literatura brasileira, até hoje responsável por uma resistência a Gullar em certos círculos de São Paulo.

O ciclo, poém, estava estabelecido. Inovador mas avesso ao dogma, Gullar deu prosseguimento, na prática, à profunda reflexão sobre o papel da poesia. Em 1959, lançou as bases do movimento neoconcreto, a partir do qual construiu o corpo principal de sua (polêmica) abordagem das artes plásticas. Já nos anos 60, ingressou no Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes, iniciando uma fase "popular" e engajada politicamente, cujas ramificações se estenderam ao teatro. Mas, se as frias ortodoxias estéticas não serviam a Gullar, o mesmo se aplicaria às normatizações de uma arte concebida como assessório da revolução social.

Na soma dessas idas e vindas, forjou a poesia que conquistaria Vinicius de Moraes. Naquele ano de 1976, foi Vinicius quem trouxe ao Brasil a fita cassete gravada pelo próprio Ferreira Gullar com Poema Sujo, promovendo "sessões" no Rio de Janeiro para exibir a todos a poesia "orgânica, crua, fecunda, emocionante" daquele intelectual maranhense que, no exílio, procurava traduzir a totalidade de sua própria existência.

O curioso é que a crueza de

Poema Sujo

— e também de

Dentro da Noite Veloz

(1975) — teve a capacidade tanto de elevar Ferreira Gullar àquele panteão mítico de poetas quanto de aproximá-lo (por conta das circunstâncias, inclusive) da "poética deliberadamente impura da poesia marginal", na expressão do crítico José Guilherme Merquior. Nesse momento, Ferreira Gullar, que voltaria ao Brasil em 1977, ainda trafegava naquele território entre os extremos. Viveu os movimentos do seu tempo, apontou caminhos, experimentou. Mas sempre, ontem como hoje, desempenhando o papel de tradutor de sua própria história, a de um homem que — como todos — está num ponto difuso entre a infância e a morte.

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publicado às 23:32


A voz de Chico Buarque

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

Desta vez não canta. Desta vez lê em voz alta excertos do seu próximo romance: Leite Derramado (Companhia das Letras).

 

post retirado do blog "bibliotecário de babel"

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publicado às 23:23


Philippe Jaccottet

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09



TRÊS MADRIGAIS


Todas as searas ardem

e a breve cotovia

é um fragmento ascendente desse fogo.

Transpõe todos os patamares do ar

só porque o chão é  demasiado quente.


Há uma belaza que os olhos e as mãos tocam

e que obriga o coração a um primeiro grau no canto,

Mas uma outra foge-lhes e é preciso ir mais alto

até não vermos mais nada,

o belo alvo e o caçador pertinaz

confundidos na jubilação da luz.




Considerarei o céu solar

na hora da incandescência extrema:

é onde temos de atravessar.


Cruzam-se barcas nesse lago de luz.


Agucem melhor o vosso olhar:

vê-las-eis transporem sem ruído essa bruma deslumbrada

e, para lá dela, ancorarem nas águas da noite

para aí deitarem eternamente as suas redes nas profundezas.


 


Abelhas, vinde bordar de brasas estes vestidos

ou estas pálpebras, ou estes lábios, ou este pescoço,


depois, menos incandescentes mas não menos douradas,

espalhai-vos por toda a sede da noite.


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publicado às 22:56


Israel Eliraz

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

 

O ORIENTE É UMA BOCA


I .

Levanta o dedo e aponta

o centro no qual


o rapaz (de joelhos,

à tua frente) desenha


segundo as leis da luz

e as leis do ragga,


e como ele pergunta:

"estás dentro do teu corpo


ou és

o teu corpo?"


Põe no teu caminho

uma pausa de

flores



2 .

Um homem nu

levanta a alma


que levanta o corpo

à mão.


Subitamente ao corpo

falta corpo.


A boca, punho de ouro

empunha carvões de prazer.


Como uma pena,

uma mancha sobe

do calor do peito.


O que é que nasce

em ti, sem ti,


quando perguntas,

"estou mais ou menos

no centro disto?"


3 .

O oriente

é uma boca


para onde te voltas

de joelhos


à procura de matéria

mais rápida


que a luz, que o

ragga. Aprendes


com a energia do sol, com

o fruto acobreado no forno do olho:


o  que há -

é isto! é o que há!


e há aquele

que antecede tudo


o que se disser

dele


e sem ele -

não somos.


Poema de Israel Eliraz traduzido por Lúcia Liba Muckznik

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publicado às 22:40


Saint-John Perse (Alexis Leger)

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

 

A la question toujours posée:

"Pourquoi écrivez-vous?" la réponse du Poète

sera toujours la plus brève: "Poue mieux vivre".

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publicado às 22:26


Capas de Revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

Tabacaria - Revista de Poesia e Artes Plásticas, N.º 2, Inverno de 1996.

 

Edição: Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editora;

Director: Nuno Júdice;

Capa: Pastel sobre papel sobre aluminium "Branca de Neve no Cavalo do Príncipe" de Paula Rego, 1996

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publicado às 21:54


Casa da Música - Orquestra Nacional do Porto

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09
Sexta | 3 Abril 2009
21:00, Sala Suggia
Requiem de Guerra | 4 Anos Casa da Música
Obra de uma magnitude espectacular, o War Requiem de Benjamin Britten permanece no repertório como o mais comovente manifesto pacifista composto no século XX. Foi escrito para a abertura da nova Catedral de Coventry, cidade devastada na Segunda Grande Guerra. Para além da orquestra e dois coros, Britten escreveu especificamente a pensar nas vozes de solistas de três nacionalidades diferentes: a soprano russa Galina Vishnevskaya, o tenor inglês Peter Pears e o barítono alemão Dietrich Fischer-Dieskau.
Recuperando essa metáfora da reconciliação entre os povos, a presente interpretação conta com as vozes de Anna Shafajinskaia, Mark Padmore e Markus Butter e reúne um coro inglês e um coro infantil português naquela que será uma emotiva celebração da Páscoa e do 4º aniversário da Casa da Música.


ORQUESTRA NACIONAL DO PORTO

Huddersfield Choral Society
Coro Infantil do CPO

Christoph König direcção musical
Anna Shafajinskaia soprano
Mark Padmore tenor
Markus Butter barítono

Benjamin Britten War Requiem

4 ANOS | CASA DA MÚSICA

Em colaboração com a Comissação para a Evocação das Invasões Francesas no Porto

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publicado às 21:38


Sensações

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

Às vezes tenho a estranha sensação que o poder é exercido não por políticos, mas por funcionários de uma empresa de marketing.

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publicado às 18:19


Benny Golson

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

Benny Golson plays Killer Joe

 

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publicado às 17:46


Alela Diane

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

Alela Diane - The Pirate's Gospel

 

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publicado às 17:27


Headless Heroes

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.03.09

'The North Wind Blew South'

 

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publicado às 18:43


Enrique Vila-Matas ganha prémio Mondello

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.03.09

 

O escritor espanhol Enrique Vila-Matas ganhou o prémio especial do Júri do 35º Prémio de Mondello - Ciudad de Palermo, um dos mais prestigiosos de Itália, com o livro "Doctor Pasavento".

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publicado às 18:24

 

O filme "Aquele querido mês de Agosto" de Miguel Gomes arrecadou, no Festival Internacional de Guadalajara (México), os prémios especiais do Júri e de Som.

O filme, a segunda longa-metragem do realizador português está a competir este fim-de-semana no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, onde será ainda exibida uma retrospectiva da obra completa do realizador português.

Protagonizado por Catarina Wallenstein, "Aquele querido mês de Agosto" foi já distinguido no Festival de Cinema de Las Palmas (Canárias), com os prémios Lady Harimaguada de Prata e o José Rivero atribuído ao Melhor Novo Realizador.

O filme português deverá estar presente nos festivais de cinema de Wisconsin que se realiza de 02 a 05 de Abril, de São Francisco (23 de Abril a 07 de Maio), de Los Angeles (18 a 28 de Junho), e ainda, na Nova Zelândia, em Auckland (10 a 27 de Julho) e de Wellington (18 de Julho a 03 de Agosto). [noticias.rtp.pt]


Post extraído do blog "bibliotecadafeira"

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publicado às 18:18


Exposição de pintura - Áxis Mundi

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.03.09

Para ver até 2 de Maio exposição de pintura de Alexandra de Pinho na Galeria Ao-Quadrado - Galeria de Arte Contemporânea, em Santa Maria da Feira.


"... o confronto entre as linhas do corpo e as dúvidas da humanidade inerentes ao mesmo..."

 

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publicado às 17:48


Nick Drake

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.03.09

Nick Drake - Fly

 

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publicado às 17:45


Capas de revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.09

 

Capa da Revista Tabacaria, n.º 3 - Verão de 1997

Capa: "Projecto de um monumento a Fernando Pessoa" , Instalação 1975/1996, de António Costa Pinheiro

Editor: Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editora

Director: Nuno Júdice

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publicado às 13:28


Jurg Beeler

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.09



Um dia

igual ao outro

e outro igual,

um dia,


as casas

com a água pelo joelho,


e tu,

a norte de ti,

puseste palavras

nas cavernas glaciares

a rolar,

a rolar


Poema de Jurg Beeler traduzido por João Barrento

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publicado às 13:19


Seamus Heaney

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.09



O FRAGMENTO


"Veio a luz do oriente", cantava ele,

"radiosa garantia de Deus, e as ondas aquietaram-se.

Eu podia ver línguas de terra e rochedos acossados.

Muitas vezes, pela coragem mostrada, o fado poupa o homem

se não o marcou já."


E quando a objecção deles lhe foi dita -

em especial que a sua obra se fizera em fragmentos,

que já não podiam dizer onde estavam com ele,

que já não distinguiam primeira linha ou última linha -

respondeu com uma questão.

"Desde quando", perguntou,

a primeira e a última linha de qualquer poema

são onde o poema principia e termina?"


Poema de Seamus Heaney traduzido por Vasco Graça Moura

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publicado às 13:06


Keith Jarrett

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.09

Keith Jarrett - The Köln Concert (Part 1) January 24, 1975

 

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publicado às 12:57


Os paradoxos de um país à beira do abismo

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.09

Ferrari já vendeu sete carros em 2009

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As vendas de automóveis desceram 41,7% em Fevereiro face ao mesmo mês do ano passado. Mas, de acordo com as estatísticas apresentadas pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), só nos dois primeiros meses do ano a Ferrari já vendeu sete "superdesportivos" em Portugal, o que representa quase metade das vendas de todo o ano de 2008, que totalizaram 16 automóveis.

A Ferrari, do Grupo italiano Fiat, cujos carros têm preços entre os cerca de 316 mil euros e os 226 mil euros, não foi o único fabricante de automóveis de luxo a cativar mais clientes desde o início deste ano, face aos valores atingidos em 2008.

A Bentley, por exemplo, também aumentou o número de veículos vendidos este ano, embora numa única unidade, enquanto a Aston Martin vendeu o mesmo número de automóveis (quatro) do que nos dois primeiros meses do ano passado.

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publicado às 12:37


Os Irmãos Mancuso

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.09


Os Irmãos Mancuso que tive o privilégio de conhecer

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publicado às 22:07


Anunciação da Primavera

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.09

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publicado às 18:02


Àngel Crespo

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.09

 

EL TIEMPO SE HA POSADO

El tiempo se ha posado como un pájaro
peregrino y cansado
a la sombra que doy. Ave de alas
abiertas y caídas
ahora, la cabeza inclina, y abre
el curvo pico, ya ciega a la luz
que ahora no mueve rayos.
Igual que un agua que se remansara
cuando, al formar cascada, está cayendo,
o como llama que de arder dejase
al unirse a otra llama, o como aire
que cesa de moverse a medio viento,
así el tiempo, a mitad
de sí mismo, pretende que yo aprenda
a eternizarme -y que me pare un punto
a la sombra que da bajo mi sombra.

 

Poema de Àngelo Crespo publicado, como inédito, em Antologia Poética, Madrid, Alianza, 1994

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publicado às 17:44


A cidade e o quarto de Bernardo Soares

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.09

"Alhures, sem dúvida, é que os poentes são. Mas até

d'este quarto andar sobre a cidade se pode pensar no

infinito. Um infinito com armazéns em baixo, é certo,

mas com estrellas ao fim... É o que me ocorre neste

acabar de tarde, à janela alta, na insatisfação do

burguez que não sou e na tristeza que nunca

poderei ser"


Bernardo Soares

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publicado às 17:19


Duas grandes instituições

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.09

Fernando Pessoa e a Ginginha

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publicado às 17:14


Capas de revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.09

Capa da revista Tabacaria, edição n.º 1, Verão de 1996;

Editora: Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editora;

Capa: Jorge Martins "No tempo em que festejavam o dia dos meus anos" - instalação.

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publicado às 17:07


Mais Estado?

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.09

Não há Simplex que resista à cegueira e à prepotência de um Estado que nos ofende e envergonha. Querem mais Estado para isto (não se esqueçam que «tudo isto» é obra de pessoas: «agentes da Administração Pública»):

 

«Um contribuinte, pensionista e portador de deficiência, perdeu os benefícios fiscais devido a uma alegada dívida de 1,97 euros referente ao Imposto Municipal sobre a Transacção de Imóveis. A dívida nem sequer existia, como o fisco acabou por reconhecer. Para resolver o problema, o contribuinte de Viseu teve que contratar um advogado e colocar uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal.» (Público, 04.03.09)

 


Post escrito por Tomás Vasques, autor do blog "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos"

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publicado às 18:34


Jorge de Sena

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.09

 

Glosa à chegada do Outono

 

O corpo não espera. Não. Por nós

ou pelo amor. Este pousar de mãos,

tão reticente e que interroga a sós

a tépida secura assetinada,

a que palpita por adivinhada

em solitários movimentos vãos;

este pousar em que não estamos nós,

mas uma sede, uma memória, tudo

o que sabemos de tocar desnudo

o corpo que não espera; este pousar

que não conhece, nada vê, nem nada

ousa temer no seu temor agudo...


Tem tanta pressa o corpo! E já passou,

quando um de nós ou quando o amor chegou.

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publicado às 17:51


Vitorino Nemésio

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.09


O anoitecer situa as coisas na minha alma

Como as cadeiras arrumadas

Quando os anigos partiram.

Meus degraus ainda têm a passada do adeus,

Lá quando uma palavra cria tudo,

E o resto, fechada a porta,

É posto nas mãos de Deus.

Então, à minha janela,

Tudo repousa e larga o aro dos conjuntos,

Tudo vem, com um gesto secreto e confiado,

Pedir-me o molde e o amor do isolamento,

Como se um desconhecido

Passasse e pedisse lume

E eu, sem reparar, lho estendesse:

Quando quisesse conhecê-lo,

Só a minha brasa ao longe,

Na noite que se faz pelo peso dos rios

E vive de fogo dado.

Assim nocturno, sou

O suporte de quem não tem para a consciência,

Que é como não ter para pão:
As coisa cegas

Prendem-se a mim,

Ao meu olhar, que é único na noite

Pelo seu grande alcance de humildade,

E fico cheio delas,

Como estes sítios ermos, junto de uma cidade,

Cemitérios de tudo, lugares para cães e bidons velhos;

Fico cheio da pobreza e do sinal das coisas,

Como um retrato de gente pobre é pobre e gauche

(Vale a recordação),

Mas sinto-me, ao mesmo tempo seco  cheio de tacto

Como se fosse o seu bordão

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publicado às 17:30


Capas de revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.09

 

Capa da Revista Tabacaria n.º 4 de 1997

Editor: Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editor

Director: Nuno Júdice

Capa: Óleo sobre tela de René Bertholo - Mais vale um pássaro na mão (pormenor)

Colecção particular

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publicado às 17:20


Dmitri Shostakovich

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

Shostakovich - Valery Gergiev - Symphony No.7 Mvt.2 (1/2)

 

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publicado às 22:42


Leitura de outros blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

Feios, porcos e maus (mas estou bem disposto)

 


Sade: menino. Dante: poeta de paninhos quentes. Hunter S. Thompson: totó. Se qualquer um deles fizesse compras no Pingo Doce do Campo Mártires da Pátria, teria produzido literatura freak show a sério, infernal, sem dentes na gengiva superior e de cabelo oleoso; literatura de rés-do-chão onde vivem avós, pais, e filhos; poemas de unha encravada e frases gritadas, por adolescentes grávidas, no corredor da higiene pessoal: "Ó mor lê ali o coiso que eu não posso por causa da pança".

Pensava eu ao acordar, observando o castelo e a Graça pela janela: Uma manhã de sexta-feira para pôr um pouco de ordem na vida doméstica e retirar os horários de dentro do cranio. Por isso, atravessei o jardim com patos no lago e galos tão imperiais na crista e nas penas do peito como obtusos no movimento incessante de cabeça. E crianças com as mães, e jovens viajantes, sem t-shirt, a brincar com a sua entourage canina, e relva que cheira sempre a relva, e a ideia de que este pode ser um extraordinário dia para a espécie humana.


Depois da bela, veio o monstro. Se comparadas com este supermercado, Sodoma e Gomorra não passam de parques da Disney. Estou bem, é verdade, sobrevivi aos vegetais moles e murchos como uma actriz velha e sem trabalho; enfrentei o rapaz da caixa que tinha pele de metadona; fui empurrado na fila, afastei-me das abóboras gelatinosas; saí para a rua e atravessei de novo o jardim com a relva que agora cheirava mais a campo do que a relva - cheirava a flores amarelas que se mordem e são amargas.

Lição de um dia que será, de certeza, extraordinário para a espécie com polegar oponível: ou mudo de supermercado, ou transformo-me num escrito maldito.

 

publicada por Hugo Gonçalves

 

Post retirado do blog "Carrinho de choque"

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publicado às 22:12


...

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09


"Já  que nos dias de hoje nada é fiável, e já que os deuses e as ideologias há muito que estão enterrados, ao menos sê boa pessoa, caramba!"

 

Rosa Montero in Instruções para salvar o mundo

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publicado às 21:18


Gonçalo M. Tavares entre finalistas de prémio literário francês

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

 

 

O livro "Jerusalém", de Gonçalo M. Tavares, está nomeado para o prémio Cévennes de melhor romance europeu publicado em França em 2008, anunciou a editora Editorial Caminho.


A obra de Gonçalo M. Tavares, publicada em França no final de 2008 pela editora Viviane Hamy, está entre os dez finalistas àquele prémio literário, no valor de 25 mil euros, dos quais 20 mil euros se destinam ao autor e os restantes 5 mil euros premeiam o tradutor.


Em Maio serão escolhidos cinco finalistas e o vencedor será anunciado a 13 de Junho em Alés, sul de França, por um júri que integra editores, críticos e escritores.


Além de Gonçalo M. Tavares, são finalistas os escritores Manuel Rivas, Hanif Kureishi, Sandro Veronesi, Jean Echenoz, Sasa Stanisic, Morten Ramsland, Jean-Baptiste Del Amo, Vassili Golovanov e Charles Lewinsky.


Além de "Jerusalém", Gonçalo M. Tavares tem publicado em França "Monsieur Valéry" e este ano serão editadas também as traduções de "O senhor Calvino" e "O Senhor Kraus".


O romance "Aprender A Rezar Na Era Da Técnica" deverá sair no mercado francês em 2010, adiantou a Editorial Caminho.


Vencedor do Prémio Saramago em 2005 e Prémio Portugal Telecom 2007, Gonçalo M. Tavares prepara uma nova linha de ficção na Porto Editora, que tem como ponto de partida o conceito de cidade.


Gonçalo M. Tavares, 38 anos, é considerado um dos melhores romancistas da sua geração. Dele, José Saramago elogia-lhe a "imaginação totalmente incomum" e "uma linguagem muito própria, em que a ousadia vai de braço dado com a vernaculidade". "Vaticinei-lhe o prémio Nobel para daqui a trinta anos, ou mesmo antes, e penso que vou acertar", escreveu José Saramago no seu blogue "O Caderno de Saramago". [publico.pt].

 

Post retirado do blog "bibliotecadafeira"

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publicado às 19:29


Juan Gelman

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09



CIDADES


Assim, ternura de Lisboa no meio do terror:

O mundo está nublado, mas não aqui,

onde se adensa a tristeza do mundo.

Deixou tanta luz o anjo que voa

para a suspensão da infância

na toca de um canário adormecido?

A língua vive na boca

calcinada pela curva do sol.

Junto do rio ou tejo que fala com a cidade

algo existe de distante implacável

em acontecer o que não acontece.

Como se ata o que sou para mim

com o que não sou para mim?

Aqui me cansa a morte, que nada tem lá dentro,

e pelo meu quarto passeia-se um que usa o meu passado.

Ah, transparência embalada pela

pegada do animal

que procura o encontrado. Dizeres

que velam o que mostram. Lenta

felicidade de ruas contagiadas

pelo que não se espera.

 

Poema de Juan Gelman traduzido por Pedro Tamen

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publicado às 18:30


Martin Steiner

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

FERNANDO PESSOA, LISBOA ODER UMGEKEHRT

FRENANDO PESSOA, LISBOA, OU VICE-VERSA

 

Boa tarde, Álvaro de Campo.

A mim não me trocas as voltas, reconheço-te

no engraxador da Rua de Santa Marta.

Os teus jogos de mão são um soneto

perfeito e acabado, evocando brilhos

em que Lisboa se revê -

lusitana, lascivamente cortejada

com olhos de alçapão.

O Tejo a teus pés engole as lágrimas

negras aqui choradas

pelas vítimas de conquistadores armados de gravata.

Boa tarde, Alberto Caeiro.

A mim não me trocas as voltas, reconheço-te

no cauteleiro de camisa azul,

aquele com os discos de suor nos sovacos.

Como um profeta, prometes na Baixa a toda a gente

o céu na terra.

A tua voz ardente de fadista atravessa-se

entre as casas,

para nos fazer tropeçar nos sons guturais

e cair nos braços da tristeza ferida,

atordoados do bacalhau.

Boa tarde, Ricardo Reis.

A mim não me trocas as voltas, reconheço-te

no guarda-freio da linha 12.

Brilha em ti a criança através das lunetas

quando travas e aceleras o cometa de lata,

sedento de carris, e os passageiros pensam

que chegou o Juízo Final.

Arrastas-te por Alfama, vais-lhe deixando cair

no coração as tuas odes nocturnas,

ancorando os seus dias no devaneio,

apesar da miséria.

Agosto de 1997

Poema traduzido por João Barrento

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publicado às 18:18


Liliana Ursu

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09



Saída de Emergência - A Janela do Poeta


As tuas janelas fechadas com a luz de Maio

insultantes de vida.

As paredes - páginas não escritas,

avalanches de neves nos teus ombros demasiado leves.

Apenas os teus óculos traem a ausência:

frágeis,

negros,

com as lentes embaciadas pelos murmúrios

de um amor imaginado.

 

Pobre poeta,

luz não encetada -

pão e lágrimas

verde eco. Manto posto directamente sobre o coração.

Vagabundo incurável sob as luzes dos candeeiros.

A tua casa é agora um museu.

 

 

************************************


Atrás da janela -

uma casa habitada por dois automóveis

que te fazem caretas através das suas janelas com preço fixo

em direcção aos céus onde tu paraste

aborrecido com tanta vida,

aborrecido com tanta morte.


Um pouco abaixo está o Café de outrora

onde bebias a tua solidão

em dosese homeopáticas

imitando uma conversa sobre o dia chuvoso.


Agora por cima da tua janela está escrito preto no branco:

"Saída de emergência" - o teu pequeno segredo

de todas aquelas noites sem dias

quando a única prova de que existias

era a escrita trémula do homem da tabacaria

que somava conscienciosamente as tuas dívidas.

 

Poema de Liliana Ursu escrito em Lisboa em 24 de Maio de 1996 e traduzido por Nuno Júdice

 

Liliana Ursu nasceu na Roménia, onde é escritora e jornalista. É autora de um programa literário na Rádio Nacional da Roménia.

 

 

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publicado às 13:26


Capas de revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

 

Capa da revista Tabacaria, editada pela Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editora.

Esta edição n.º 5, Inverno de 1997, tem na capa uma pintura (pormenor)  em acrílico sobre tela de Fernando Pessoa do pintor Júlio Pomar de 1985.

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publicado às 13:19


Maria Gabriela Llansol - aniversário da sua morte

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

1.º aniversário da morte de Maria Gabriela Llansol

 

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publicado às 11:07


Por outras palavras - Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09
Crime e castigo

Crime e castigo

Noticia o JN que está marcado para o dia 20 de Abril, no Tribunal da Maia, o julgamento de um homem que, em 2007, terá arrombado um galinheiro e furtado duas galinhas no valor de 50 euros.

 

A Justiça tarda, mas chega. O criminoso andou mal e merece justa punição, quer pela mediocridade de fins quer pela ruralidade de meios. Gente como ele, que pilha galinhas em vez de fundar um banco e pilhar as contas dos depositantes, ou como aquela septuagenária que não pagou uma pasta de dentes num supermercado em vez de pedir uns milhões à Caixa, comprar o supermercado na bolsa e igualmente não o pagar, vendendo-o depois à Caixa através de um "offshore" pelo dobro do preço (ou vendendo-lho mesmo antes de o ter comprado), não tem lugar no Portugal moderno e empreendedor. Ainda por cima, deixou-se apanhar. Se calhar, até confessou, em vez de invocar lapsos de memória. E aposto que nem se lembrou de se divorciar antes de ser preso, pondo os 50 euros a salvo na partilha de bens. Não queria estar na pele do seu advogado, não há Código de Processo Penal que valha a um caso destes. É condenação mais que certa.


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publicado às 10:54


Milton Hatoum lança livro de contos e explica porquê

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

 

 

Foi por causa de “Longe de Manaus” de Francisco José Viegas (ed. Asa) que fiquei a conhecer Milton Hatoum e a sua obra (ele é “o grande escritor de Manaus”).
No Brasil acaba de ser lançado o seu primeiro livro de contos. Seis são inéditos e os que não o são, foram reescritos. “A Cidade Ilhada” é editado pela
Companhia das Letras que fez este vídeo de promoção onde o escritor lê alguns excertos da sua nova obra. E aqui pode ler-se um excerto.
Em Portugal, Milton Hatoum é publicado pela
Cotovia.


Post retirado do blog ciberescritas

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publicado às 17:55


Grandes vencedores do Fantasporto 2009

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

“Idiots and Angels”, de Bill Plympton, “Moscow, Belgium”, do belga Christophe Van Rompaey, e “Hansel & Gretel”, do sul-coreano Phil-sung Yim, são os principais vencedores do 29º Festival Internacional de Cinema do Porto.
O Grande Prémio da Secção Oficial de Cinema Fantástico foi atribuído ao filme de animação “Idiots and Angels”, de Bill Plympton, um mestre da animação e do humor truculento.
O cineasta norte-americano tem duas nomeações para os Óscares, sendo conhecido sobretudo por filmes como “Guide Dog”, “Hair High e “I Married a Strange Person”.
Outro dos vencedores da Secção Oficial de Cinema Fantástico é “Eden Lake” do britânico James Watkins, que obteve o Prémio da Melhor Realização e do Melhor Actor, para o jovem Jack O'Connell, o líder do bando de jovens que faz a vida negra a um casal de namorados.
Da Coreia do Sul chega “Hansel & Gretel”, de Phil Sung-Yim, outro dos filmes em destaque no Fantasporto 2009, concorrendo em duas secções, a Secção Oficial de Cinema Fantástico e a Orient Express.
Acabou por ganhar o Prémio Especial do Júri do Cinema Fantástico/Prémio Super Bock, além de ser considerado o Melhor Filme da Secção Oficial Orient Express, dedicada a filmes asiáticos.
A 19ª Semana dos Realizadores foi ganha por “Moscow, Belgium”, de Christophe Van Rompaey (cineasta já multi-premiado no Fantasporto em edições anteriores), um drama do quotidiano com um toque terno de comédia e de romantismo, que foi uma das grandes revelações da Semana da Crítica de Cannes.

Wim Wenders homenageado com o Prémio Carreira

O alemão Wim Wenders, que está no Porto para ser homenageado com o Prémio Carreira, viu o júri da Semana dos Realizadores atribuir-lhe o Prémio Especial para o seu mais recente filme, “Palermo Shooting”.
O Prémio da Crítica foi para “Delta”, de Kornel Mundruczo (Hungria), e o Prémio do Público foi para “The Wrestler”, de Darren Aronofsky (EUA).
A selecção das secções competitivas do Fantasporto 2009 foi considerada uma das melhores de sempre pela crítica e pelo público do festival.
Os realizadores José Fonseca e Costa, nome grande do “cinema novo” português, o alemão Wim Wenders e o norte-americano Paul Schrader são homenageados com o Prémio de Carreira na Sessão Oficial de Encerramento e Entrega de Prémios do 29º Fantasporto.

A 30ª edição do Fantasporto realizar-se-á entre 26 de Fevereiro e 6 de Março de 2010. [publico.pt]

 

Post retirado do blog "bibliotecadafeira"

 

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publicado às 17:31


As inquietações de António Barreto

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

 

O artigo de António Barreto no Público de hoje deve ser lido por todos os cépticos e, de igual modo, por todos os bem-intencionados:

 

«Umas vezes, o Estado evitou e adiou falências ou amparou falidos. Outras vezes, deu garantias aos bancos. Em poucas palavras, o Estado instalou-se. Pretende estimular o crédito. Sem êxito aparente, pois não há dinheiro, há risco a mais e os spreads são altíssimos. Algumas esquerdas estão felizes: acham que isto é uma espécie de socialismo. Outras esquerdas criticam, mas não escondem a satisfação de ver o Estado na economia: pode ser que venha para ficar. As direitas políticas não sabem muito bem o que dizer, limitam-se a discutir pormenores. Quanto aos empresários, apesar de sentimentos oscilantes, o alívio parece ser a regra. O Estado ajuda a empresa privada e a banca tem alguns recursos. Em resumo, o Estado ajuda os capitalistas, algo com que sempre sonharam muitos dos os nossos empresários.»

 

«O entusiasmo e o alívio, relativo, que muitos revelam, não chegam para esbater uma outra inquietação: e a seguir? Quem e quando se vai pagar isto? Desde quando deitar dinheiro para cima dos problemas os resolve? Este ano, o endividamento vai ultrapassar os 160 mil milhões, mais de 100 por cento do produto. E o serviço dessa dívida continua a galopar, até porque o dinheiro internacional está cada vez mais caro. É mesmo possível que Portugal, em breve, por este andar, não arranje mais financiamentos.
Por outro lado, o modo como esses dinheiros estão a ser usados levanta cada dia mais questões. Para que servem? Quem servem? Como serão pagos e reembolsados? Por quem? Estas perguntas não têm resposta.»

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publicado às 17:16


Leitura de outros blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

PALAVRAS QUE ADORMECEM


Homer
 

Ver adormecer as palavras no branco e áspero papel:
toda a gente entende que, à noite, a música é mais nítida.
As mãos são orgãos susceptíveis de se emocionarem e ... ouvir mantem-me distante das coisas.

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publicado às 17:05


José Eduardo Agualusa nomeado para prémio britânico

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

O escritor angolano José Eduardo Agualusa está nomeado para o Prémio Independente de Ficção Estrangeira 2009, atribuído anualmente pelo Conselho das Artes do Reino Unido, com o romance "As mulheres do meu pai".

 

De acordo com a publicação "Bookseller", o mais recente romance de José Eduardo Agualusa integra a lista de 16 finalistas, de um total de 126 obras submetidas a concurso.

 

O prémio literário tem um valor monetário de 10.000 libras (cerca de 11.180 euros), que será repartido entre o escritor e o tradutor.

Citada pela "Bookseller", a responsável pela estratégia para literatura daquele Conselho britânico, Antonia Byatt, elogiou o facto de a lista de finalistas revelar uma grande diversidade de línguas representadas.

"É um banquete para os leitores e um grande desafio para o júri", disse.

O Prémio Independente de Ficção Estrangeira pretende reconhecer uma obra de ficção que tenha sido traduzida e publicada no mercado britânico no decurso de um ano.

 

No próximo mês, será revelada uma lista dos seis finalistas e o vencedor será anunciado a 14 de Maio, em Londres, cpiatal de Inglaterra.

Além de "My father´s wives", traduzido por Daniel Hahn, ao prémio são candidatas obras da francesa Celine Curiol, do austríaco Thomas Glavinic, do escritor albanês Ismail Kadare e da japonesa Yoko Ogawa.

"Como o soldado conserta gramofone", do escritor bósnio Sasa Stanisic, recentemente editado em Portugal, também está nomeado.

José Eduardo Agualusa, nascido em Angola, em 1960, já venceu este prémio em 2007, com o romance "O vendedor de passados", traduzido para Inglês com o título "The book of chameleons".

 

Entre os premiados de edições anteriores, conta-se também o Prémio Nobel da Literatura José Saramago, que venceu em 1993, com a obra "O ano da morte de Ricardo Reis".

 

In "JN"

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publicado às 13:11


Mário Crespo - Crónicas

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09
Sensação de que nada acontecerá

Sensação de que nada acontecerá

Está instalado no país um dorido sentimento de resignação de que nada vai acontecer nem no Freeport nem no BPN. Haverá cordeiros sacrificiais, mas que (para usar terminologia de offshore) estarão longe de ser os UBOs das fraudes.

 

Estão longe de ser os Ultimate Benificiary Owners porque o sistema em Portugal nunca chega, nem parece querer chegar, aos verdadeiros beneficiários do que quer que tenha acontecido a muitos milhões, entre bandos de flamingos desalojados para sempre do delta do Tejo, sobreiros seculares cujo abate é autorizado a peso de Euro e dinheiros partidários que têm circulado por blocos centrais de interesses desde o 25 de Abril.

 

Mas como se fala em milhões de Euros sonegados e é cada vez maior a horda ululante de desempregados, precisa-se de bodes expiatórios para dar a imagem virtual de que, em Portugal, com bens públicos não se brinca. No Freeport, Charles Smith cumpre com o perfil para ser o primeiro imolado. Ver Mr. Smith a entrar e a sair do Tribunal de Setúbal entre câmaras de TV sugere que a justiça funciona. Depois, como é estrangeiro e é britânico, e como desde o Ultimato à Maddie em Portugal não gostamos dos Ingleses, Charles Smith é o suspeito perfeito para ser o corruptor num processo em que não há, e provavelmente nunca vai haver, corrompidos. Se os houvesse também pouco interessava.

 

Em Portugal a corrupção detectada e não provada venera-se porque é sinal de esperteza. A bem investigada cai fora de prazo e deita-se fora. A apanhada em flagrante custa cinco mil Euros. No Banco Português de Negócios o bode que expia é Oliveira e Costa. A prisão preventiva dá a ilusão de que a justiça funciona mas o ameaçador mutismo do testa de ferro da bizarra construção de contabilidade prevaricadora grita acusações ao mais alto nível imaginável. A sua serena declaração de auto-incriminação (que é tudo o que realmente se sabe sobre Oliveira e Costa) é a mais ameaçadora postura na história portuguesa do crime sem castigo. Enquanto Oliveira e Costa se mantiver calado está seguro na zona dos privilegiados da prisão dos ricos. Quando falar (e ele acabará por falar), provavelmente, cai o regime. É materialmente impossível ser ele o único responsável pela infinita complexidade das urdiduras financeiras nos Second Lives do BPN e da SLN. Logo, ao assumir toda a culpa, Oliveira e Costa mente e encobre. Pelos montantes envolvidos ele não pode ter sido o único beneficiário dos dinheiros que saltaram continentes, vindos sabe-se lá de onde para a maior operação de Dry Clean na história de Portugal, e foram parar…sabe-se lá onde. O certo é que se traduziram em compras de poder e de influência que conseguem transtornar o normal funcionamento das instituições. O problema não é da justiça. Este Carnaval tivemos dois exemplos da celeridade vertiginosa com que o Ministério Público e a Polícia conseguem actuar quando querem. Num par de horas confiscaram, censuraram, ameaçaram, intimaram e intimidaram por causa de imagens de mulheres nuas apensas a um objecto de propaganda governamental e a um livro. Já no Freeport e no BPN, entre investigações, rogatórias e reguladores apáticos, os anos foram passando no dengoso bailado de impunidades rumo ao limbo de todas as prescrições. Hoje ficamos com aquela terrível sensação tão bem descrita por Torga, de que, apesar de estarmos todos a ver tudo nas angústias paradas da vida que não temos, nada vai acontecer.

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publicado às 13:06


Claudia Storz

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

 

As estátuas caídas

do Marquês de Fronteira


Quando os dezasseis gatos

do Marquês de Fronteira

vagueiam pelo labirinto de buxo

a Poesia e o Soldado observam


A Dialéctica e a Retórica

acenam do seu azul lá no alto

Cisnes negros vão dando voltas

e o lutador caiu pelos joelhos


Uma amável virgem jaz

de tornozelos fendidos

e dobra os braços saídos dos silvados

dorme no frio cadáver!


O seu pé de bronze

cercado por uma rosa brava

abre a tua alma

ao omnipotente


"No mínimo sê todo

e nada excluas"

Pessoa e Rilke

permanecem.



Este poema foi escrito por Claudia Storz em 13 de Dezembro de 1996 para Maria Teresa Furtado, que o traduz, lembrança de uns dias enriquecedores em Lisboa

 

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publicado às 12:27


Armando Silva Carvalho

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

 

A guerra está aí. Que paz respiras?

Honra os destroços. Cobre-te com eles.

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publicado às 12:24


Ana Luísa Amaral

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

 

A Terra dos Eleitos

 

Era então essa

a terra do segredo,

o espaço de ventura

prometido?


De abundância

e

de doces lugares,

em que o excesso de ser

contrariava

a existência parca

da viagem?


Era essa então a terra

da promessa,

o espaço de fortuna

dos eleitos?


Devia ser:

e líquidas fronteiras

ali foram traçadas


Feitas de leite e mel

para os eleitos


e de fel e de sangue

para os

outros

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publicado às 12:12


Al Berto

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09


E se a morte te esquecesse?

Ficarias aí deitado, o olhar fixo noutros olhares. Silencioso,

ou a contar histórias de barcos, de oceanos e de mares,

de peixes e de turbulentos rios - até que a luz

poeirenta do mundo se extinguisse,

para sempre.


Poema de Al Berto in "Luminoso Afogado"

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publicado às 12:05


Capas de revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.03.09

 

Capa da revista Tabacaria, n.º 6, Verão 1998, edição Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editora.

Director: Nuno Júdice

O desenho da capa é de um quadro de José Escada de 1979 a óleo sobre tela "A queda do Skylab" da Colecção de Lagoa Henriques

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publicado às 11:58


Enis Batur

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09


PHTONOS

 

"Diz-se que na Grécia antiga alguns deuses não tinham corpo.

O que os mantinha não era uma figura, mas um som, um sinal."

Puxou o seu cabelo de prata para trás das orelhas,

fazendo uma pausa entre as frases:

"o que sempre me faz recordar o Requiem de Mozart:

se uma mão ajudar, a morte e a vida podem sobreviver

no mesmo vaso de plantas. Se uma alimentar a outra,

qual é esta, pergunto-me? Algumas perguntas a que não podemos responder

infiltram-se pelos anos, fazem poça na nossa vida."

Distracção. Invocando uma manhã chuvosa de Salzburgo, talvez

a memória lhe esteja sobrecarregada por imagens do hospital

para onde fora levado, a seguir à noite em que começou

o último andamento do seu concerto para violino.

"Por detrás do coro esconde-se o próprio medo, solitário,

inultrapassável: escolher para que lado se virar num cruzamento

parece-me ser a mais glacial das decisões

- sorri com pesar por um momento - talvez seja por isso

que nunca consegui passar o portal que alcancei."

Semente dura, solo férfil - se regados separadamente,

também se alimentariam um ao outro: raízes misturam-se, num enredamento impossível,

tece-se um emaranhado pela sobrevivência lentamente partilhada.

Mas se é mesmo verdade que alguns deuses vivem sem corpo,

então o som phi faz assentar uma mancha escura na sala:

O vaso racha-se, o solo seca, tantas mortes

podem elevar o seu pendão na nossa vida enquanto vivemos.

 

In O Divã Cinzento, 1990

Enis Batur

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publicado às 23:10


Michel Deguy

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

 

A Europa em Lisboa

 

O amor "libertou-se" da prisão de Amor

Olha: fica esse belo vazio

do amor esvaziado  o lenço de mármore

que a amante agitava ao oceano agitado

ou à cativa amante um trovador cativo


E agora descreve o castelo de água pétrea

O castelo de gávea capitaina

Que fez renascentistas pensarem feudalismos

Voto cumprido de um príncipe cumprindo o verso de Gôngora

"de uma torre de vento delgadamente erguida"


E agora

O sereno tapete do Tejo estirado retira-se a seus pés

E também o saber se retirou

Como um refluxo sob a secura ignara

Em que as novas despejam uma espuma de datas


Da torre de Belém à torre de Stephen

Não quero pôr em causa o sentido da visita

Que o passe cultural poliglota autoriza

Nessa gaiola fui atrás da mulher da limpeza


A quem incumbe zelar pelo vazio bem vazio

Amarrar favores da pedra ao terceiro patamar

E arrumar turbantes, de pedra, escudos, de pedra,

de sultão, de cruzado

abrir caminho à volta

do Amor que não regressará


Lisboa, 1993


Poema de Michel Deguy traduzido por Vasco Graça Moura

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publicado às 22:51


Peter Hartling

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09


Trindade Lisboa

 

Não Pessoa no claustro -

a pedra,

a pedra tumular

cheira a café:

Daquilo que fingimos

é que vivemos.

Já momentos antes

o senhor no elevador

para a parte alta da cidade:

Álvaro de Campos

ou

a filigrana de uma frase

esquecida

e também, como é óbvio,

Alberto Caeiro

passando no eléctrico

que ao domingo

de preferência

se perde.

Muitas vezes se encontram estes senhores

com o sol africano

que lisonjeia as fachadas

e chamam-se

- já diluídos

em frases idiomáticas -:

Ricardo Reis:

"Mestre como são realmente

felizes as horas

que perdemos."

 

Poema de Peter Hartling traduzido por Maria Teresa Dias Furtado

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publicado às 22:31


Maria Luisa Spaziani

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

Votos recíprocos para 1999

 

Não me tragas flores, deixa-as em meu nome

nesse caule onde um dia morrerão.

Não visto peles há decénios
e penso naquele castor que ainda salta.


Não me tragas livros, desde há uma vida

que filtro pela memória palhetas de ouro.

Dificilmente novos livros acrescentam

sabedoria à sabedoria.


Traz-me balões coloridos,

as ilusões que mentem com graça.

Olhá-los-emos juntos enquanto sobem

até onde tudo desvanecendo sorri.

 

Poema de Maria Luisa Spaziani

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publicado às 22:18


Capas de revistas - Tabacaria

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

Capa da revista Tabacaria, n.º sete, Maio de 1999, editada pela Casa Fernando Pessoa e Contexto, Editora.

Director Nuno Júdice.

Na capa, obra de José de Guimarães - Máscara (pormenor) - acrílico sobre tela, 1972

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publicado às 22:08


Hector Zazou

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

Surrender

 

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publicado às 21:58


Ryuichi Sakamoto - Bibo No Aozora

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

 

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publicado às 21:20


I Cover The Waterfront

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

John Lee Hooker

 

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publicado às 19:00


Olha Maria

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

Milton Nascimento e Tom Jobim

 

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publicado às 18:43

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