PORQUE O POLITICAMENTE CORRECTO CORROMPE E DESTRÓI - Desde Novembro de 2005
Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
#1186 - Prémios Autores SPA/RTP para António Lobo Antunes, António Osório e David Machado

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? venceu a categoria de Melhor Ficção Narrativa; A Luz Fraterna, de António Osório, foi escolhido como Melhor Livro de Poesia e O Tubarão na Banheira, de David Machado, ganhou o prémio de Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil. A cerimónia decorreu ontem no CCB, em Lisboa. Confira a lista completa dos nomeados e dos vencedores.

 

In Revista Ler



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:03
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#185 - Protestos

Contra la explotación

Miembros de Amnistía Internacional enmascarados con papel de plata participan en una protesta en Londres contra la explotación laboral de los trabajadores de una refinería de aluminio en Orissa, La India.

Lewis Whyld / AP



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:26
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
#1184 - Tzvetan Todorov - "Literatura não é Teoria, é Paixão"


O filósofo Tzvetan Todorov afirma que o excesso de "ismos" afasta os jovens da leitura, e diz que a principal função de um professor é ensinar o aluno a amar os livros

Nascido em 1939 em Sófia, na Bulgária, e naturalizado francês, o filósofo e linguista Tzvetan Todorov é um dos mais importantes pensadores do século 20. Traduzida para mais de 25 idiomas, sua obra inspira críticos literários, historiadores e estudiosos do fenômeno cultural do mundo todo. Em seu mais recente livro publicado no Brasil, A Literatura em Perigo, Todorov faz um mea culpa raro entre intelectuais. Ele diz que estudos literários como os seus, cheios de "ismos", afastaram os jovens da leitura de obras originais - dando lugar ao culto estéril da teoria. De Paris, ele falou a BRAVO! por telefone:

 


 

BRAVO!: Gostaria que o sr. falasse sobre o seu primeiro contato com a literatura quando criança, e como ela se transformou em uma paixão.

Tzvetan Todorov: Eu cresci na Bulgária durante a Segunda Guerra, quando quase ninguém vivia em Sófia, sob constante bombardeio. A maior parte da população vivia fora da capital, em apartamentos divididos por várias famílias. Dentro da coletividade em que habitávamos, havia um especialista em literatura. Foi ele que me ensinou a ler, antes que eu atingisse a idade escolar. Ele me incentivou a praticar a leitura nos livros infantis, e logo comecei a gostar dos contos populares. Apreciava especialmente as histórias dos irmãos Grimm e As Mil e Uma Noites. Essas obras faziam minha alegria. Eu já tinha um sentimento do enriquecimento pessoal que o contato com a ficção podia proporcionar.


Por que o contato com a ficção é tão importante?

Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade.


E como fazer para que as crianças e os jovens tenham acesso a esse conhecimento tão importante?

A escola e a família têm um papel importante. As crianças não têm idéia da riqueza que podem encontrar em um livro, simplesmente porque eles ainda não conhecem os livros. Deveríamos então ser iniciados por professores e pais nessa parte tão essencial de nossa existência, que é o contato com a grande literatura. Infelizmente, não é bem assim que as coisas acontecem.

 

Por quê?

Quando nós professores não sabemos muito bem como fazer para despertar o interesse dos alunos pela literatura, recorremos a um método mecânico, que consiste em resumir o que foi elaborado por críticos e teóricos. É mais fácil fazer isso do que exigir a leitura dos livros, que possibilitaria uma compreensão própria das obras. Eu deploro essa atitude de ensinar teoria em vez de ir diretamente aos romances, por que penso que para amar a literatura - e acredito que a escola deveria ensinar os alunos a amar a literatura - o professor deve mostrar aos alunos a que ponto os livros podem ser esclarecedores para eles próprios, ajudando-os a compreender o mundo em que vivem.


Ao comentar esse assunto no livro, o sr. fala em "abuso de autoridade". Poderia explicar melhor?

É um abuso de autoridade na medida em que é o professor quem decide mostrar aos alunos o que é importante, com base em um programa definido previamente pelo Ministério da Educação. E isso é sempre uma decisão arbitrária. Não temos o direito de reduzir a riqueza da literatura. O bom crítico - e também o bom professor - deveria recorrer a toda sorte de ferramentas para desvendar o sentido da obra literária, de maneira ampla. Esses instrumentos são conhecimentos históricos, conhecimentos linguísticos, análise formal, análise do contexto social, teoria psicológica. São todos bem-vindos, desde que obedeçam à condição essencial de estar submetidos à pesquisa do sentido, fugindo da análise gratuita.


Como conciliar esse desejo de liberdade num sistema em que o professor tem que atribuir notas, como ocorre no Brasil e na França?

Acredito que o essencial é escolher obras literárias que sejam, por sua complexidade e temas, acessíveis à faixa etária a que se destinam. Cabe ao professor mostrar o que esses livros têm de enriquecedor para os alunos, levando em consideração a realidade deles. O importante é não ter medo de estabelecer pontos em comum entre o presente dos alunos e do sentido dos livros.


O escritor italiano Umberto Eco fala que o livro, ao lado da cadeira, é o objeto de design mais perfeito criado pela humanidade. Num momento em que se questiona isso, o senhor vê futuro para o livro?

É verdade que hoje lemos muito diante da tela, mas não acho que o livro vá desaparecer. Ele estabelece uma relação de possessão e de interiorização que nós não podemos estabelecer com algo tão imaterial quanto o texto na tela do computador. Claro que eu mesmo, quando busco uma referência, o faço facilmente diante da tela. Mas se eu desejo me embrenhar em um livro, se eu quiser me render a seu interior, é preciso que seja com o objeto "livro". A isso ele se presta maravilhosamente.


Por Anna Carolina Mello e André Nigri, in Revista Bravo



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:08
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#1183 - Frases

 

'El fascismo económico se ha impuesto en el mundo'

John Berger



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:33
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#1182 - Novo livro de Philip Roth



Philip Roth vuelve a cumplir la cita anual con sus lectores. Esta vez con La Humillación (Mondadori) donde continúa dando cuenta de las pasiones, incertidumbres, decepciones y temores que cercan a un hombre mayor de 60 años. Sobre todo de las rondas de la muerte. Y, de nuevo, a través de la historia de un derrumbamiento personal que encuentra en el deseo su salvación. El momento de ese resquebrajamiento es lo que hoy adelanta

Babelia en exclusiva y que se puede leer en ELPAÍS.com. Una novela que ha suscitado todo tipo de críticas en Estados Unidos.


Excerto em espanhol



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:25
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#1181 - Prémio Biblioteca Breve

 

O escritor argentino Guillermo Saccomanno venceu o Prémio Biblioteca Breve com o seu romance El oficinista.

 

No El País



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:14
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
#1180 - Máscaras

CARETOS DE PODENCE

 

Máscaras de Metal utilizadas durante o Carnaval em Podence (Trás-os-Montes)

Esta tem de altura cerca de 30 cm e de largura 15cm.

Saiba mais sobre o carnaval de Podence aqui

 

Festa dos Rapazes de Aveleda
O dia principal da festa dos rapazes é o Natal, prolongando-se pelo dia de Santo Estêvão, 26 de Dezembro. Antes da hora da missa de Natal, reúnem-se os rapazes para participarem neste acto litúrgico, após o qual tem lugar o ritual mais significativo desta festa, as críticas sociais, designadas de "comédias". Pela tarde, os "caretos" percorrem a aldeia, acompanhados pela música tradicional do gaiteiro.

Festa de Santo Estêvão 

 

CARETO DE OUSILHÃO

A festa começa no dia de Natal, à tarde, com a ronda de Boas Festas, uma visita cerimonial a todos os vizinhos da terra. A 26 de Dezembro, dia de Santo Estêvão, de manhã, procede-se à ronda das Alvoradas, segue-se a missa solene em honra do santo, com a presença de todos os intervenientes excepto os "máscaros". No decorrer da liturgia, o celebrante procede à bênção do pão. À tarde acontece o ritual da mesa de Santo Estêvão, durante o qual se faz a transmissão dos poderes, dos mordomos cessantes para os que vão iniciar funções. No final organiza-se um cortejo com os actores principais, transportados no carro de bois, e todo o povo até às casas dos novos líderes, onde se come, bebe e dança... A festa termina à noite com a "galhofa", o baile tradicional exclusivo destes dois dias festivos.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:13
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#1179 - Fernando Echevarría



Quando a altura da idade já vai sendo

só quase que retina,

tudo nela se dói. E o pensamento

é o lugar onde essa dor é vista.

Músculos jovens movem-se de dentro

do espírito. Que incita

o vigor ao seu dispêndio

e este ao brio de uma luz fatídica.


E tudo isto entra pela idade.

Alargando-lhe, acaso, mais a altura

de ver. E o aperto súbito da análise

decompõe-se nos membros. Ou acusa

no movimento a base

do nascimento aquático da curva.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:41
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
#1178 - Babel apresenta-se amanhã em Lisboa


Guimarães, Verbo, Ulisseia, Ática, Arcádia, Athena, Centauro, K4 e Pi são as nove chancelas do novo grupo editorial de Paulo Teixeira Pinto. Apresentação oficial, amanhã, às 18h, no Auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa.

 

In Revista Ler



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:20
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#1177 - Pablo Neruda: Cartas de amor inéditas a Matilde Urrutia



De todos los amores de Pablo Neruda (1904-1973), el de Matilde Urrutia (1912-1985) fue quizá el más intenso y prolongado. Una pasión encendida al principio, cotidiana y perruna al final, de la que dan cuenta las Cartas de amor inéditas que lanza esta semana Seix Barral, en edición de Darío Oses y de las que El Cultural adelanta las más significativas y desesperadas.

 

Ler resto aqui - Jornal "El País"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:45
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
#1176 - Books on a Wire

Photographer: Dana Curran

San Francisco is a place where things are constantly happening. Morning to night, the city is abuzz with activity and culture. This mural of famous jazz musicians, political figures, and writers sits on the boundary of Chinatown and North Beach, the historic Italian neighborhood. I love the bird sculpture that reaches out over the street from the legendary beat era bookstore City Lights, implying the migration of ideas.

This image was taken with a Canon EOS 5D Mark II.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:18
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#1175 - Thai Delight



Photographer: Tara Kocourek

Tara Kocourek is a freelance photographer in Washington, DC. A traveler from a very young age, Tara grew up in Japan, Australia, and Thailand; and has traveled to Burma, China, Costa Rica, England, Fiji, Honduras, Indonesia, India, New Zealand, Malaysia, Nicaragua, Singapore, Switzerland, Taiwan, and Vietnam.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:14
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#1174 - Leitura de outros blogs
 
Big Brother.

Leio nos jornais que o PS se prepara para apresentar um projecto de Lei que, a ser aprovado, colocará on-line os rendimentos brutos anuais de todos os cidadãos portugueses contribuintes. O combate à corrupção só pode acabar num grande big brother. Já se perdeu a noção de direitos individuais, de privacidade. Não vão acabar com a corrupção, mas vão acabar com as sociedades democráticas.

Adenda:

«Francisco Assis, líder da bancada parlamentar do PS, deixou hoje cair uma proposta que três deputados socialistas e vice-presidentes da bancada tinham feito com o objectivo de tornar públicos os rendimentos dos contribuintes.»

Adenda 2: Desculpem-me a ousadia. Não sei se alguém chamou louco ao Mário Crespo ou não, mas isso não é relevante, porque de louco todos temos um pouco. Mas, digo eu, se Strecht Ribeiro, deputado do PS, produziu mesmo esta afirmação, pode ser desde já internado, com dispensa de exames médicos:

 

«Parece-nos razoável que, sendo nós um imenso condomínio de 10 milhões, cada um de nós saiba a permilagem de cada um dos outros para sabermos se há um efectivo contributo que corresponda àquilo que é o bocado que temos neste imenso latifúndio»



Por Tomás Vasques, autor do blog 'Hoje há conquilhas amanhã não sabemos'



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:06
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#1173 - Correntes D'Escritas

 

 

Ver notícias e programação aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:58
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#1172 - Um homem sem remorsos - crónica de Baptista-Bastos



Tony Blair, ex-primeiro-ministro de Inglaterra, "socialista", católico recém-converso, actual conselheiro de empresas e conferencista de temas vários, fez declarações inquietantes, a uma comissão de inquérito, sobre as suas responsabilidades na Guerra do Iraque. Há muito, perdera a dignidade; restava-lhe, acaso a tivesse, um mínimo de decência. "Faria tudo outra vez", disse, sem que a cara se lhe transformasse em sal podre. Ante o assombro dos inquiridores confessou: em nenhuma circunstância da sua vida, posterior à invasão de Bagdad, "houve arrependimento, nem desculpas, nem remorsos".

 

Sabe-se: a política deixou de ser pedagogia, para se converter em malícia, omissão e mentira. Neste caso, como em muitos outros, deixa atrás de si um caudal de morte, de destruição, de horror e de ressentimento. Quando da Cimeira dos Açores, em 2003, na qual Durão Barroso foi o mordomo jovial e adulador de Bush, de Blair e de Aznar, os dados estavam lançados e as informações adquiridas. O diplomata sueco Hans Blix, chefe da missão das Nações Unidas, procurara, em vão, durante 2002, as "armas de destruição maciça" de que Saddam teria posse. As advertências de Blix, para travar o inevitável, chegaram a ser excruciantes. Mas o monumental embuste fora montado com cínica minúcia e calculada eficácia. Os senhores da guerra e os seus catecúmenos berravam com tal amplidão que abafavam as vozes da sensatez e do acerto. A lista daqueles que, em Portugal, alinharam na infâmia, só não é patética porque excessivamente abominável.

 

Perante a tragédia no Iraque, com o lúgubre desfile de crimes contra a Humanidade, de sórdidos negócios de que o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld é um dos beneficiários (está relacionado com empresas de construção, a actuar em Bagdad), pode alguém, e ainda por cima católico, como Blair, manifestar ausência de arrependimento, sendo um dos responsáveis da carnificina? A inversão de valores parece ter encontrado, no comportamento de muitos políticos, a verdadeira natureza dos seus objectivos. Desejam tornar conversíveis para a "normalidade" o que, ainda não há muito tempo, era entendido como desonestidade e vileza. Blair e seus cúmplices são culpados não somente do que acontece de medonho no Iraque como, também, de manipulação emocional e intelectual de milhões de pessoas.

As coisas vão perpassando, as afirmações de arrogância sucedem-se, a soberba das decisões chega a ser afrontosa porque resulta na miséria moral em que o mundo se afunda - e ninguém é apontado à execração, poucos combatem a hegemonia da desigualdade e da injustiça. Entretanto, os assassinos andam por aí.

 

In "DN"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:43
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#1171 - Novo livro de Urbano Tavares Rodrigues



A novela Assim Se Esvai a Vida dá título ao novo livro de Urbano Tavares Rodrigues, que reúne três obras e é apresentado hoje, às 18.30, na Livraria Barata, em Lisboa. O livro, editado pela Dom Quixote e apresentado por Francisco José Viegas, inclui "O cornetim encarnado" e "Os olhos do demónio e outros contos".

 

In "DN"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:37
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
#1170 - Out of Africa

Photographer: Tyler Sharp

Tyler Sharp is a photographer, writer, and artist who has spent the last few years documenting countries and cultures both near and far, in hopes of creating stories of adventure, spirit, and human triumph.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:35
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#1169 - RIME PETROSE

RIME PETROSE

I

Vens percorrendo o mundo há muito tempo

descobrindo no tempo muito mundo

sempre sabendo que se houvera tempo

não seria preciso tanto mundo

Um dia a tua sombra já sem tempo

não mais há-de estender-se neste mundo

Somente por ludíbrio do teu tempo

a sombra projectaste sobre um mundo

onde contam as sombras         Mas o tempo

do mundo que lateja sob o mundo

é um tempo sem tempo para o tempo

nem mundo para sombras deste mundo

E se algum tempo resta do teu tempo

nenhum mundo te fica do teu mundo

II

Buscas molduras    perdes os retratos

Juntas retratos       faltam-te as molduras

Mais foscos que os fantasmas dos retratos

são os olhos vazios das molduras

e mesmo assim persegues em retratos

a cegueira implacável das molduras

Se teus actos retractas os retratos

servirão a teus actos de molduras

Nem basta que retrates nos retratos

o que pensaste ser         Vê que molduras

de repente molduram os retratos

de quem virás a ser já sem molduras

A menos que espezinhes os retratos

Ou que a cinza reduzas as molduras

III

TÃO-SÓ com as lombadas destes livros

dialogando ao longo destas noites

a ti mesmo perguntas quais os livros

onde lateja a luz das tuas noites

Não a da lua que vive em tantos livros

Não a do sol que morre em tantas noites

Antes uma nascida aquém dos livros

ou mais outra queimando além das noites

os espectros anónimos dos livros

o sudário paupérrimo das noites

De noites não será      nem já de livros

a tua imensa fome nestas noites

em que o pulsar do coração dos livros

só se escuta no pulso de tais noites

IV

Tão relâmpago logo o dia de ontem

tão mais clarão ainda o dia de hoje

que nem chegasse a ver o que foi ontem

ao rodar-lhe por cima o que é já hoje

A cada instante o hoje se faz ontem

sem aguardar que venha a manhã de hoje

levantar a barreira entre hoje e ontem

Ontem ou hoje o centro é sempre o hoje

se bem que não o hoje mas o ontem

alguma coisa conte     O búzio de hoje

sabe apenas contar-te os dias de ontem

Leva-os pois ao ouvido como se hoje

tudo quanto ele conte acerca de ontem

trouxesse ternidade ao búzio de hoje

V

Recusas pedra e nuvem     Mas a pedra

vai ganhando o contorno de uma nuvem

nesse teu coração feito de pedra

à luz das mãos que tens feitas de nuvem

Bem quiseras que tudo fosse pedra

extraída de quanto foste nuvem

Sabes porém que a pedra mais que pedra

se dissolve na nuvem mais que nuvem

Outras nuvens buscaste     Eram de pedra

Atingiram-te pedras que de nuvem

nem mesmo a forma tinham    Pedra     pedra

E tu chamando nuvem      nuvem

Nem hás-de ter um túmulo de pedra

Só um anjo a velar-te        Uma nuvem

David Mourão-Ferreira

Cascais, Agosto de 1994



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 11:53
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
#1168 - O CALÍGRAFO

 

Vê-se bem que este vento de Outubro é diferente dos outros.

Vem do sudoeste, pelo caminho da chuva,

Mas traz consigo um novo canto ou lamento

Que acorda memórias e medos e certezas.

Sei que estes olhos se fecharão em breve

E que das minhas mãos jamais se apagará a tinta.

Vi demasiadas vezes o Dragão subir ao céu no primeiro equinócio

E lançar-se no abismo quando o Verão acaba.

A terceira linha do hexagrama Lî mostra-me como o sol a declinar,

Esquecido da minha cítara de argila

E lamentando-me como um velho, que sou.

E, no entanto, há muitos anos, no palácio,

Senti atrás de mim o deslizar de uns sapatos de seda.

Quando me voltei, vi um rosto branco como a magnólia,

E para sempre os meus olhos guardaram o seu doce veludo.

Ninguém sabe, ninguém vê,

Só a minha mãe,  ao morrer,

Descobriu as pétalas que caíam com as minhas lágrimas,

E suspirou.

Não voltei a ver a princesa tão perto,

E confunde-me que ela seja ainda em mim ausência e presença,

Sobretudo neste dia de Outubro,

Em que do sudoeste sopra um vento diferente,

Escutado também pelos olhos do esquilo no ramo do salgueiro.


A princesa, a mais bela das filhas do imperador,

Partiu de manhã, no meio da névoa,

E a sua liteira era escoltada por muitos cavaleiros.

Julgava o pai que, dando-a em casamento a um governante inimigo,

Salvaria o Norte do país das incursões armadas,

O que não sucedeu.

Tudo isto registei, há muito, no Livro da História,

Poe ser essa a função de um calígrafo da corte.


Diz Li Shang-Yin

Que nunca se deve deixar abrir o coração com as flores da Primavera,

Pois uma polegada de amor é uma polegada de cinza.


Poema de Maria Amélia Neto




publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:47
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#1167 - Rosa Lobato de Faria (1932-2010)

Rosa Lobato Faria morreu aos 77 anos



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:04
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#1166 - Revista Ler já nas bancas



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:49
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#1165 - Prémio Vergílio Ferreira



A Universidade de Évora decidiu distinguir, na 14ª edição do Prémio Vergílio Ferreira, a escritora Luísa Dacosta.

 

In Jornal Público



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:36
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#1164 - O artigo de Mário Crespo - As sequelas

O jornalista Mário Crespo garante que, na alegada conversa entre o primeiro-ministro, o ministro dos Assuntos Parlamentares e o ministro da Presidência foi referido também o nome de Medina Carreira como um "outro problema a solucionar".

 

A revelação foi feita durante uma intervenção nas jornadas parlamentares do CDS-PP, em Guimarães. O jornalista foi convidado para falar sobre o primeiro ano de presidência de Barack Obama, mas esgotou quase todo o tempo a falar das referências pouco elogiosas que Sócrates lhe terá feito durante um almoço na terça-feira da semana passada, num restaurante em Lisboa.

"Era preciso solucionar o problema Mário Crespo e Medina Carreira", disse Mário Crespo, referindo-se à alegada conversa que lhe foi relatada por uma pessoa que estava noutra mesa e que o jornalista não revela. Noutra mesa, estava sentado Nuno Santos, director-geral da SIC, e a quem Sócrates se terá dirigido, repetindo as afirmações sobre os "problemas a resolver", segundo Mário Crespo.

Medina Carreira foi ministro das Finanças de um governo PS liderado por Mário Soares, mas rompeu com o partido e é hoje uma voz crítica das políticas socialistas. O economista participa no programa Plano Inclinado, da SIC-Notícias, moderado por Mário Crespo, e vai agora escrever o prefácio do livro do jornalista com as crónicas publicadas no "Jornal de Notícias".

Na intervenção, Mário Crespo teceu duras críticas ao comportamento do primeiro-ministro no dia em que o Governo apresentava a proposta de Orçamento do Estado na Assembleia da República. “Ingenuamente pensava que o chefe de Governo do meu país estaria envolvido em retoques de última hora, mas estava empenhado em produzir diagnósticos médicos sobre a minha sanidade mental. Julgo que ainda não tem credenciais nesse sentido, mas pode vir a obtê-las”, disse o jornalista, perante os deputados do CDS-PP. [In Jornal "Público"]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:30
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
#1163 - Pomo da discórdia - O artigo de opinião de Mário Crespo


Mário Crespo cessa colaboração no JN

O jornalista Mário Crespo foi até ontem colaborador de opinião do Jornal de Notícias. Essa colaboração cessou por sua vontade. Acontece que, no domingo à noite, o director do JN o contactou dando-lhe conta das dúvidas que lhe causava o texto que Mário Crespo enviara para publicação no dia seguinte. Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.

Da conversa entre o director e o colaborador do jornal resultou que este decidiu retirar o texto de publicação e informou que cessava de imediato a sua colaboração com o jornal, o que a Direcção do JN respeita.

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Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”.

 

O Artigo de opinião de Mário Crespo in "público"

Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.


Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

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Mário Crespo acusa o governo de o tratar como "um problema" In "i"

"Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil ('um louco') a necessitar de ('ir para o manicómio'). Fui descrito como ‘um profissional impreparado’". […] Definiram-me como "um problema" que teria que ter 'solução'". As frases são de um artigo publicado hoje na página da internet do Instituto Francisco Sá Carneiro e foram escritas pelo jornalista Mário Crespo. De acordo com uma nota de rodapé no artigo em questão, a crónica deveria ter sido hoje publicada na imprensa - Mário Crespo escreve todas as segundas-feiras no Jornal de Notícias -, mas da edição do jornal consta apenas o texto do outro cronista do dia: Honório Novo, deputado do PCP.

No texto, Mário Crespo descreve uma alegada conversa a 26 de janeiro, durante um almoço que reuniu o primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, e um "executivo de televisão", na qual terá sido "o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor", afirma, acrescentando que a conversa lhe foi relatada, tendo sido depois confirmada pelo próprio.

"Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): '(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)'", escreve o jornalista, e acrescenta ainda ser considerado pelo governo "um problema que tem que ser solucionado", tal como os casos já testemunhados da jornalista Manuela Moura Guedes, do ex-director da TVI, José Eduardo Moniz, do ex-director do jornal Público, José Manuel Fernandes, e do comentador político da RTP, Marcelo Rebelo de Sousa, todos eles dados como exemplo.

"O 'problema' Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi 'solucionado'. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser 'um problema'. Foi-se o 'problema' que era o diretor do Público. Agora, que o 'problema' Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, […] abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada", sublinha.

Mário Crespo disse entretanto ter suspendido a colaboração com o Jornal de Notícias devido à recusa de publicação do seu artigo, que deveria constar da edição de hoje do jornal diário.
Contactado pelo i, José Leite Pereira, director do JN, recusou fazer qualquer comentário sobre o assunto.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico” ***

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publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:01
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
#1162 - A consciência manipulada


O caso (noticiado pelo DN) das reformas, privilégios, regalias, mordomias, prebendas retirados a ex-administradores do BCP promove a indignação daqueles que, embora sabendo-o, não possuíam a verdadeira extensão do escândalo. Porque de escândalo se trata. Os particularismos do "mercado" criaram novas visões do mundo e desviaram, do seu sentido verdadeiro, padrões e valores que fundamentaram o essencial das nossas sociedades. Parece que tudo é permitido e, pior, admitido como normalidade o que constitui aberração e indecência.

O modelo saído da globalização trouxe inesperadas formas de violência, vulgarizou-as, simplificou- -as, através de uma bem urdida manipulação das consciências que propunha a relatividade e o anacronismo dos valores até então vigentes. Quase nenhuma força política se opôs a esta ideologia da exclusão. A grande aventura do espírito humano, que se criou e desenvolveu com as contribuições dos esforços partilhados e das experiências culturais variadas e diferentes, parece ter entrado num denso período crepuscular - de que apenas tiram proveito os "escolhidos" e os "eleitos".

E quem são estes? Que sinais distintivos os definem e notabilizam? Pouco ou nada diferem de todos nós. No entanto, a medida das suas intenções e a capacidade de metamorfose que revelam, além da sua quase inverosímil habilitação para a mentira e para a dissimulação, tornam-os os vencedores do momento. O "domínio da presença" manifesta-se, sem equívoco, como demonstração de força e de poder.

Porém, essa força e esse poder são ilusórios, por momentâneos. Eles não têm uma fortíssima crença em si mesmos. As fragilidades e temores emergem logo que as suas actividades são postas em causa. Não só é relevante o caso de Jardim Gonçalves, o todo-poderoso banqueiro dos vencimentos faraónicos, dos jactos particulares, dos não sei-quantos guarda-costas; significativo tem sido o aluir das aparências, quando a mentira é desmascarada e a pequenez do mentiroso é exposta.

O nosso desenvolvimento moral também depende muito da exemplaridade das relações entre pessoas e instituições. Há muito que perdemos a confiança nas estruturas e nas organizações do sistema. A cedência à tentação da irresponsabilidade nasceu na crença da impunidade dos prevaricadores. Cabe à educação, à Imprensa, à sociedade a tarefa de reabilitar o espírito público.

Este episódio não põe fim às desigualdades afrontosas, mas pode iluminar as obscuridades arrogantes. E, eventualmente, despertar as consciências para a revelação de que, afinal, tudo isto anda ligado, sendo a disjunção privado e público a pura hipótese de uma mistificação

 

Artigo de opinião de Baptista-Bastos no "DN"

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 02:17
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
#1161 -37.º Festival Internacional de Banda Desenhada em Angoulême

 

Começa amanhã o 37.º Festival International de la Bande Dessinée d'Angoulême, em França, a mais importante manifestação europeia dedicada aos quadradinhos. Alguns criadores portugueses vão aproveitar o evento para mostrar a sua obra a nível internacional.

 

Resto da notícia aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:14
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#1160 - Por outras palavras, de Manuel António Pina



O pelintra pródigo

A notícia vem no DN: o Governo português comprometeu-se a emprestar a Angola até 200 milhões de dólares. Para isso, apesar de a dívida externa do país ultrapassar já os 100% do PIB (e com as agências de "rating" a anunciar, em face disso, o aumento das taxas de juro da remuneração da dívida), o Governo irá contrair um (mais um) empréstimo.

A boa notícia é que o mais certo é que parte desses milhões, ao menos a das "comissões" e das "contrapartidas", acabe por voltar a penates, seja através das empresas e dos negócios do costume, seja em artigos de "griffe" como relógios de ouro Rolex e Patek Phillipe, pulseiras Dior e H. Stern, roupas Ermenegildo Zegna e até... casacos de peles, comprados nas lojas de luxo de Lisboa sem olhar a preços. De facto, as elites do regime angolano constituem hoje, segundo uma notícia publicada pelo "Expresso" em finais de 2009, 30% do mercado de luxo português. Que isso nos sirva de conforto, aos pelintras contribuintes portugueses, quando pagarmos a escandalosa factura dos 200 milhões. Porque, como diria o gondoleiro de "A morte em Veneza", haveremos de pagá-la.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:04
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#1159 - Belmiro de Azevedo sem papas na língua



Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, afirma, em entrevista que a revista “Visão” vai publicar amanhã, que o Presidente da República “é um ditador” e que o primeiro-ministro José Sócrates “liga e manda ligar muitas vezes”.


"Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa", afirma Belmiro de Azevedo sobre a primeira figura do Estado.

Sobre o Governo, o empresário diz desconhecer " metade dos que estão lá" e que as promessas do executivo de Sócrates são “feitas sem o Teixeira dos Santos assinar por baixo". E felicita o facto do Governo de Sócrates ser minoritário: Neste momento, e quase direi por felicidade, não há um Governo de maioria".

Belmiro de Azevedo não poupa também a líder da oposição, Manuela Ferreira Leite: “Teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários".

E comenta ainda o recente anúncio de Manuel Alegre sobre a intenção de se candidatar a Presidente da República: "O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato".


In Jornal Público



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:27
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#1158 - Insónias

Mês de Janeiro - A fogosidade do vento frio que abana o chilrear quente dos pássaros


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publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:21
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#1157 - BOA NOITE, SENHOR

 

Ele me esperava à saída do baile. Parado na esquina, retocou as pontas da gravata borboleta. Ainda de longe, magrinho, idade incerta, sorria para mim.


- Boa noite.


-Boa noite, senhor.


Andando a meu lado, disse que me viu a dançar com a loira. Ele a achava linda, com sua boca pintada. Respondi que a odiava. Ele disse que sofreu muito com as mulheres - um puxão raivoso na gravatinha azul. Da própria mulher, casado e com filho, não queria saber.


Falava tanto e tão depressa, a voz pastosa de saliva. Acendi um cigarro - não é que os dedos tremiam? Perguntou se ele me provocara, mas não respondi. Compreendia muito bem, a mulher sem piedade enlouquece um pobre moço. Capaz de matar a loira de olho pérfido.


- Ainda bem não tenho olho verde!


Piscou um olho de cada vez. Eu não sabia nada do mundo, ele disse, a cada palavra a voz mais rouca. Intrigava gentilmente os plátanos, a loira, a maldita lua no céu. Uma baba de lesma no dente de ouro... Não falava da loira - e como se eu sobesse de quem. Perto da igreja o guincho aflito dos morcegos.


Ele perguntou a hora. Eu não tinha relógio. Parados na esquina, injuriou ainda mais a loira, que tinha boca pintada, promessa de delícias loucas, mas seu olhar era frio, seu loiro coração era amargo. Sabia de outras bocas, a sua, por exemplo, rainha do maior gozo. Molhou o lábio com a ponta da língua vermelha - no canto a espuma do agonizante. Se eu nunca o vira, havia muito que esperava. Tudo sabia de mim, quem eu era:


- A um menino bonito ofereço o trono do mundo.


Até dinheiro, ele disse, tesouros que eu não ganhava de nenhuma loira. Protestei que ela não merecoa ódio, moça de boa família.


Olhou o relógio no pulso: três horas da manhã.


- Boa noite, senhor.


Sem rsponder, subiu as mãos trémulas ao nó da minha gravata - dois ratos de focinhos quentes e húmidos.


- Tem cabelo no peito!


Na ponta dos dedos o cuidado reverente de quem consagra o cálice.


- Ora, quem não...


Seus olhos se abriam para a lua, eu podia jurar que verdes.


- Como é forte!


Meu Deus, aquele riso... Gritinhos de morcego velho e cego. Falando do vento que anunciava chuva, ensaiou um gesto - o gesto da loira!


A ponta da língua se mexia, um papel debaixo da porta.


- Não tem medo?


Um gato saltou do muro. Espiei do gato para o homem e a rua deserta: ajoelhado na adoração da lua.


Passos de criança perdida, gotas de chuva estalavam nas folhas.


- Boa noite, boa noite, boa noite.


Chorava o dente de ouro, as lágrimas riscavam as velhas rugas.


Escondeu-as na mão - o relógio faiscando no pulso.


- O meu presente?


Ele olhou o relógio.


- De estimação. Lembrança da minha mãe.


As folhas húmidas brilhavam na calçada. Todas as árvores pingavam a duas portas de casa.


- Melhor que...


Não ficava bem dar senhorio.


- ... volte daqui.


Quis pegar na mão e guardei-a no bolso.


- Mais um pouco - ele pediu.


Todas as árvores gotejavam. Ali na porta de casa - o relógio na palma da mão.


Ele me perguntou a hora.


Conto de Dalton Trevisan  traduzido do texto holandês por José Augusto Pinto de Sousa e retirado de um artigo de August Willemsen "Sobre a evolução estilística na obra de Dalton Trevisan e as consequências que daí advêm para o tradutor" publicado na revista  "Colóquio | Letras, n.º 132/133, Abril-Setembro de 1994



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:04
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#1156 - Retrato

 

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

 

Poema de Cecíla Meireles

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:57
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#1155 - A Rapariga e a Praia


Fotografia de  Fernando Bagnola

 

 

Uma rapariga vai como uma espiga

São de cor de areia suas pernas finas

Seu íris é azul verde e cinzento


Uma rapariga vai como uma espiga

Carnal e cereal intacta cerrada

Mas nela enterra sua faca o vento


E tudo espalha com suas mãos o vento


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:46
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#1154 - Beach House

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:05
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#1153 - Novo Livro de Valter Hugo Mãe



a máquina de fazer espanhóis
Autor: valter hugo mãe
Editora: Alfaguara
N.º de páginas: 307
ISBN: 978-989-672-016-2
Ano de publicação: 2010

 

Em o apocalipse dos trabalhadores (QuidNovi, 2008), o anterior romance de valter hugo mãe, um ucraniano com nome de craque do Dínamo de Kiev (Andriy Shevshenko) explica a dada altura que «para abrir caminho na ferocidade de um país alheio» é preciso alcançar a «felicidade das máquinas». No novo livro do escritor de Vila do Conde, há uma extrapolação desta metáfora, se entendermos a ideia de máquina como uma entidade abstracta, composta por peças muitas vezes à mercê de uma lógica e de uma energia cinética que as ultrapassa.
A primeira máquina com que nos deparamos no livro é um lar de idosos, com o habitual nome eufemístico – Lar da Feliz Idade – e uma espécie de funcionamento para a morte. O número de residentes é fixo (93), as camas só vagam quando alguém morre, e por isso impera uma rotatividade que começa com a entrada para um dos melhores quartos (em frente ao jardim onde passam crianças) e termina na ala esquerda (com vista para o cemitério, em mórbida antecipação do fim).
É a este mundo opressivo que chega, ainda atropelado de dor pela morte da mulher (Laura), o protagonista do romance: António Silva, 84 anos, antigo barbeiro com problemas de consciência que nem o tempo foi capaz de sarar. Ele de início recusa a vida colectiva da casa, mas depois integra-se num grupo de homens palradores, quase todos partilhando o seu apelido, portugueses de gema que passam os dias a discutir justamente o que é isto de ser português, sobretudo quando todos levaram com quase meio século de fascismo em cima. Um fascismo que deixou a raiz podre dentro das cabeças, dentro dos «bons homens» que não mexeram um dedo contra Salazar, que aceitaram uma «cidadania de abstenção», por medo ou apego à família, e ainda hoje são habitados pelo fantasma do que não tiveram coragem de fazer; ou que cobardemente permitiram que se fizesse.
A segunda máquina, a que dá título ao livro, é então Portugal, esse eterno problema que temos connosco mesmos e que valter hugo mãe aborda com raro desassombro. Há ainda uma terceira máquina: a «máquina que tira a metafísica». Sem metafísica, os velhos deixam de ter algo a que se agarrar e resvalam de vez para a morte. Um tal engenho, entrevisto em delírios por alguns dos residentes, pode ser uma mera fantasia senil ou um inesperado objecto real, posto ao serviço de uma rentabilidade económica de contornos criminosos.
No seu projecto de huis clos, valter hugo mãe deparou-se com um problema. A tremenda intensidade dramática com que descreve o sofrimento das personagens (o colapso dos corpos, a solidão, a loucura, as arestas cruéis da memória) depressa se torna insustentável, demasiado violenta, irrespirável. Para escapar a isto, valter criou então pontos de fuga, mudanças de ritmo narrativo, jogos metaliterários (como o de incorporar à história Jaime Ramos e Isaltino de Jesus, agentes da PJ saídos dos livros de Francisco José Viegas, em dois capítulos que quebram a regra de só escrever com minúsculas). Acontece que estas soluções criam por sua vez novos problemas de equilíbrio e consistência narrativa, nalguns casos resolvidos de forma pouco satisfatória. O forte deste autor, diga-se, não é a estrutura. É o estilo. Como perceberá o leitor, ao deparar neste livro com algumas das páginas mais devastadoramente belas da ficção portuguesa recente.

Avaliação: 8/10

 

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

 

Este texto foi escrito por José Mário Silva e  retirado do seu Blog "O BIBLIOTECÁRIO DE BABEL".



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:49
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#1152 - 10 Leituras para perceber Auschwitz

O jornal "El Mundo",  propõe 10  livros para se perceber melhor Auschwitz



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:40
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#1151 - O Holocausto como discurso político

Idith Zertal, professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia,  critica o  emprego  do extermínio para justificar a política de Israel



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:32
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#1150 - Chistopher Reid vencedor do prémio COSTA

Una colección de poemas que el autor británico Chistopher Reid escribió como homenaje a su esposa fallecida ha obtenido esta noche el Premio Costa al Libro del Año. El galardón, muy codiciado en el mundillo literario por su enorme impacto publicitario, tiene una dotación ecocómica de 30.000 libras.

Ler resto aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:23
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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
#1149 - Responsável europeu diz que Gripe A foi o maior escândalo médico do século

Wolfgang Wodarg,  presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, diz que a Gripe A foi uma falsa pandemia e que é “um dos maiores escândalos médicos do século.”

O Conselho da Europa discute hoje o modo como a Organização Mundial de Saúde encarou a gripe A e o presidente da comissão parlamentar teceu duras críticas ao modo como o mundo gastou dinheiro na compra das vacinas.


O médico, especialista em epidemiologia, disse em declarações à TSF que “o diagnóstico era falso e custou muito dinheiro.” Wolfgang Wodarg considera que este  foi um negócio para a indústria farmacêutica e que é escandaloso.

Segundo o responsável europeu, a resposta dos governos fez com que os cidadãos perdessem “a confiança na OMS” que deve agora repensar as respostas a este tipo de situações dado que em relação à gripe A foi dado “um alarme desnecessário.” Wolfgang Wodarg diz ainda que é desnecessário vacinar grávidas e crianças porque “deve encarar-se como uma gripe normal.”

In Jornal i

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:25
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#1148 - Romance "A máquina de fazer espanhóis" marca o regresso de Valter Hugo Mãe à prosa


 

Nas livrarias desde a passada sexta-feira, "A máquina de fazer espanhóis" é o quarto romance de Valter Hugo Mãe. Antigo regime, terceira idade, provocação - de tudo se encontra num livro que o autor admite ser terapêutico, mas não piegas.

 

O pai morreu há dez anos, sem ter direito a essa idade que se chama terceira. Surge então o livro, que lhe é dedicado. "É feito para imaginar um espaço sensível, ou tempo sensível, que o meu pai não pôde viver", diz Valter Hugo Mãe, escritor e filho. Em "A máquina de fazer espanhóis" - título que aparenta ter nada a ver com nada -, o autor usa a voz de António Silva para incitar à dignificação.

Reformado de barbeiro, António Silva é um velho dos seus 84 "que começa talvez a maior aventura da vida no momento em que a esposa morre", conta, insistindo: "É um homem que tem de lidar com a revolta do efémero, com a revolta da perda, e de encontrar motivos para, naquela idade e debilitando-se cada vez mais, sobreviver".

Apesar de pouco sair à rua, a personagem central do livro carrega às costas o fardo de despertar consciências. E como? Diz à sociedade que "os velhos ainda são perigosos, neste sentido de que a opinião deles ainda tem de contar", explica o escritor. Mas há mais personagens, às quais Valter recorre para alcançar outro objectivo do novo romance, que é revelar "um certo testemunho que existe nas pessoas mais velhas em Portugal e que se prende com o facto de terem uma experiência directa do que foi o fascismo e do que foi o antigo regime".

É nesse apelo à memória que o livro identifica o que sobrou, ou pode ter sobrado, da ditadura. Eis a constatação do autor: "Que o enfraquecimento do nosso país durante o século XX - e sobretudo um enfraquecimento ao nível das consciências - nos leva a pensar que somos piores do que os outros e que estaríamos melhores se fôssemos espanhóis". Eis-nos, então, chegados ao título.

"Obviamente discordo com a manutenção dessa menorização. Temos a tendência para uma certa menorização que nos foi deixada por décadas de ditadura", critica. E, apesar de considerar que o povo português tem "valores humanos assinaláveis", não deixa de lhe apontar uma "tendência para desmobilizar". "Já passaram 30 e tal anos e a verdade é que nós continuamos, de alguma forma, à deriva", acrescenta.

Voltando à idade que é a terceira, Valter Hugo Mãe diz ainda que o livro é "uma tentativa de perceber que drama é esse de, a dada altura, estarmos a viver contra o corpo". Mas sem exageros. "O livro acaba por ser um pouco terapêutico, mas, sobretudo, não é piegas", garante. "O que pretende é incitar os cidadãos da terceira idade a uma participação maior, a uma exigência de uma dignificação", refere ainda.

A capa do livro resultou de uma feliz coincidência. É que a personagem central costumava namorar com a mulher atrás de cortinas. Depois de António Silva ter feito essa revelação na história, o autor encontrou na Internet uma fotografia muito semelhante, acabando por usá-la agora.

Valter deverá lançar dois livros infantis proximamente e, até ao fim do ano, é provável que publique um outro romance, já concluído há uns tempos. Será uma edição especial, ilustrada, espécie de oferta para quem costuma ler os seus escritos.


Notícia publicada no JN



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:01
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Domingo, 24 de Janeiro de 2010
#1147 - Balada para un loco - Astor Piazzolla e Amelita Baltar

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:40
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#1146 - Leitura de outros blogs
O deboche.

Escutas a Pinto da Costa foram colocadas no Youtube. Há gente no Ministério Público que já há muito tempo que entrou em rota de colisão com o Estado de Direito (recuso ouvir estas escutas, como recuso piratear filmes na internet).

 

Post retirado do blog de Tomás Vasques "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:56
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#1145 - 2009 | Eruptio

2009 | Eruptio

Eruptio técnica mista sobre tela, 160x160 cm
 
Autora: Alexandra de Pinho


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:52
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#1144 - Concha Buika - La Boheme

 

Sugestão proposta por "A Dobra do Grito"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:44
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#1143 - Leitura de outros blogs

CANSAÇO



Cecile Veilhan


- Porque te queixas?
- Porque é verdade que não me ajudam. Esquecem-se de mim e julgam-me escrava.
- Que já fizeste para mudar a situação?
- Estou farta de reclamar, amiga.
- Esse é o problema. Age calada em vez de usares as palavras para ficares quieta.
 


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:40
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#1142 - HELP HAITI

Help Haiti

USk_USA_HaitiPoster

Correspondent
Melanie Reim and the rest of us at Urban Sketchers express our deep concern for the people of Haiti. Following Tuesday's devastating earthquake, there's a need for both urgent humanitarian aid and ongoing poverty relief.

Melanie, who has documented the sugar-cane fields in the neighboring Dominican Republic for the past decade, donated the sketches you see in this call-to-action poster. She said the Haitian workers she met there welcomed her "with the brilliance of a smile that lit up the huge skies."

Marc Holmes, a board member of our nonprofit who contributes to this blog from San Francisco, had the idea for the poster and designed it.

"If our sketching moves someone out there to help, that's a tremendous thing," Marc said.

We encourage you to download, print and share the poster with others where you live. Put it up in your local school, community center or coffee shop so more people are reminded of the need for donations. Share it on your blog and social networks.

You may translate the words to your native language and edit the poster to include local phone numbers for the Red Cross, Medecins Sans Frontieres or other disaster-relief organizations. (Please send us a copy of your translated version to
urbansketchers at gmail dot com so we can also distribute it via our social-media networks on Facebook, Twitter and Flickr.)

Our hearts go out to the people of Haiti.

FILES
Download high resolution jpgs:
USk_USA_HaitiPoster
USk_UK_HaitiPoster
USk_Australia_HaitiPoster
USk_German_HaitiPoster
USk_SouthAfrica_HaitiPoster
USk_Singapore_HaitiPoster

Download high resolution PSD files with editable text layers:
http://drop.io/usk_haiti/

Retirado do blog "Urban Sketchers"


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:23
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#1141 - Encontro



ENCONTRO


Que vens contar-me

se não sei ouvir senão o silêncio?

Estou parado no mundo.

Só sei escutar de longe

antigamente ou lá prò futuro.

É bem certo que existo:

chegou-me a vez de escutar.


Que queres que te diga

se não sei nada e desaprendo?

A minha paz é ignorar.

Aprendo a não saber:

que a ciência aprenda comigo

já que nõao soube ensinar.


O meu alimento é o silêncio do mundo

que fica no alto das montanhas

e não desce à cidade

e sobe às nuvens que andam à procura de forma

antes de desaparecer.


Para que queres que te apareça

se me agrada não ter horas a toda a hora?

A preguiça do céu entrou comigo

e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.


Para que me lastimas

se este é o meu auge?!

Eu tive a dita de me terem roubado tudo

menos a minha torre de marfim.

Jamais os invasores levaram consigo as nossas torres de marfim.


Levaram-me o orgulho todo

deixaram-me a memória envenenada

e intacta a torre de marfim.

Só não sei que faça da porta da torre

que dá para donde vim.


Poema de  José de Almeida Negreiros (1893-1970) dedicado a Carlos Queiroz e publicado no Suplemento Literário  Diário de Lisboa, em 25 de Novembro de 1937



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:42
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#1140 - Livros e Leituras


" Da quietude pesada da tarde saiu um lamento, acompanhado de um barulho que parecia produzido por um corpo a roçar nos degraus da escada e pelo som pausado de uma mão que batia na parede a um ritmo de soco. O rumor durou pouco tempo, apenas o suficiente para eu me aperceber da sua estranheza. Mas não me mexi imediatamente. Primeiro, ainda pensei que viesse do interior da minha sonolência. Ou talvez não passasse de uma brincadeira de crianças. Fiquei imerso numa vaga de indiferença, talvez um minuto, a ouvir aquele murmúrio, semelhante a um coração a pulsar na distância. Se tivesse ali permanecido, sem vontade para investigar, nada haveria para contar nestas páginas, o que seria bem melhor para mim, sem dúvida. Mas a curiosidade levou-me a abrir a porta. Saí para o corredor colectivo (a varanda típica corrida dos prédios húngaros) e abri a porta da escada (tarefa que me levou o que parceu uma eternidade, enquanto escolhia o exemplar certo de um molho de chaves indistintas). E entrei na escadaria."

 

Excerto do livro "Territórios de caça", de Luís Naves, edição da Quetzal Editores, 2009, ISBN:978-972-564-826-1



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:48
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#1139 - Karajan - Beethoven Symphony No. 7

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:44
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010
#1138 - Gabriela Motta entrevista Siza Vieira



O português Álvaro Siza acredita que projetar um museu, biblioteca ou igreja é como propor uma utopia para o mundo. Com um currículo extenso, o arquiteto nasceu em 1933, na cidade de Matosinhos. Desde a década de 1960, vem assinando uma série de criações que o levaram, em 1992, a conquistar o Pritzker Prize, a maior premiação da arquitetura. Em maio, um de seus trabalhos será oficialmente inaugurado em Porto Alegre. É o prédio da Fundação Iberê Camargo, cujo projeto ganhou em 2002 o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, uma das mais concorridas do planeta.

O prédio reune a produção do pintor gaúcho morto em agosto de 1994, e também serve de espaço de exposições temporárias e outros eventos. Ao conceber a sede da fundação, Siza fez questão de levar em conta essas múltiplas exigências, justamente por acreditar que "as atividades culturais não são compatíveis com uma idéia de fixação". Tal conceito também está presente em algumas de suas obras mais famosas, como o celebrado Museu Serralves, no Porto, e o Edifício Bonjour Tristesse, em Berlim.

A seguir, um pouco do pensamento de um dos principais arquitetos contemporâneos, com quem BRAVO! conversou em Porto Alegre, no ano passado, antes da inauguração da Fundação.

 

BRAVO!: Por que o senhor considera seus projetos como utópicos?

Álvaro Siza: Porque, para mim, um edifício deve responder à sua função com muito rigor, mas ao mesmo tempo deve ter a capacidade de se desligar dessa função. É nesse sentido que encaro a arquitetura como utópica­­­­ — só que se trata de uma utopia com os pés na terra. Veja, por exemplo, um convento. É feito para uma comunidade que possui regras de comportamento muito estritas. No entanto, ao longo dos anos, os conventos vêm sendo utilizados para tudo: como bibliotecas, escolas, hotéis. Tudo o que se possa imaginar cabe dentro de um convento. Ele tem a capacidade de desempenhar inúmeras funções, além da propriamente religiosa, e assim durar no tempo, não se tornar obsoleto. O meu propósito é exatamente este: o de investir na continuidade dos projetos. Não tenho a idéia de que um edifício deva durar 20 anos e, depois, ser posto abaixo.

O senhor acredita que o brasileiro Oscar Niemeyer seja também "um utópico com os pés no chão"?

Ainda há pouco li uma entrevista de Niemeyer numa revista em Portugal. Lá pelas tantas, falando de um edifício histórico, não lembro qual, ele disse: "É um edifício muito moderno. Foi construído no século tal, mas é moderno". Essa maneira de ver as coisas revela justamente a capacidade de se desprender das circunstâncias para buscar uma influência maior na vida das cidades.

E como o senhor se sente realizando um museu no Brasil, onde Niemeyer é tão onipresente?

Sinto-me bem! Os edifícios no Brasil são belos. E os de Niemeyer, não só os dele, mas os dele em especial, estão muito relacionados com a paisagem do país: Ipanema, o Corcovado, o Pão de Açúcar, aquelas curvas todas. Quem nasce num meio assim absorve isso.

Hoje a arquitetura é discutida por todos em decorrência de projetos de impacto. O que se perde com isso?

De fato, fala-se muito sobre arquitetura também em Portugal. Aliás, é relativamente recente a entrada do assunto nos jornais diários portugueses. No entanto, ainda que haja divulgação, nem sempre essa divulgação me parece bem feita, por estar bastante vulnerável a fatos externos, que não dizem respeito à arquitetura em si mesma, como interesses políticos e econômicos. De qualquer maneira, acho bom que se discuta o tema, porque a arquitetura não é feita para a contemplação de meia dúzia de pessoas.

Qual a sua relação com os projetos quando acabam?

Vou para casa.

E não volta?

Diversas vezes, não volto. Em outras ocasiões, quando volto, fico desgostoso. Projetar é algo muito intenso, exigente e absorvente. Há mesmo que se fazer um esforço de desprendimento para construir e inaugurar um edifício. Custa sempre muito quando se acaba um projeto, porque, na verdade, ele nunca está acabado. Ainda assim, deve-se aceitar que um projeto, no final das contas, faz parte do patrimônio público e, portanto, segue sua vida própria. Isso, claro, se tiver força, estrutura para agüentar o passar dos anos e as modificações que nele se processam. Se não tiver, o projeto também demonstra a sua fragilidade, a sua inviabilidade.

O senhor conhecia a obra de Iberê Camargo antes de ser chamado para projetar a fundação?

Não conhecia a obra dele nem Porto Alegre. Na verdade, o Iberê é pouco conhecido em Portugal. Claro, existem algumas pessoas, críticos de arte, que o conhecem. Eu realmente não o conhecia — o que é uma vergonha, de qualquer maneira. Mas a culpa não é só minha. Não há muita informação sobre ele em Portugal e mesmo na Europa.

Em que medida o projeto reflete a obra de Iberê?

Não reflete tanto, não. Até porque a obra de Iberê, como a de qualquer artista que tenha uma coleção, não é algo muito estanque, fechado. Ao longo do tempo, por exemplo, será confrontada com o trabalho de artistas que foram próximos a ele ou que o influenciaram. E um museu precisa levar em conta essa dinâmica. Assim, não é possível desenhar a sala tal para o quadro tal. O projeto arquitetônico deve exibir uma certa neutralidade, uma certa flexibilidade, e permitir que se montem exposições de acordo com a sensibilidade e os objetivos de quem as organiza. Atividades culturais não são compatíveis com uma idéia de fixação.

 

Gabriela Motta é crítica e curadora, autora de Entre Olhares e Leituras: Uma Abordagem da Bienal do Mercosul (Zouk Editora, 2007). In Revista Bravo



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#1137 - Um olhar sobre a obra e a personalidade de Saramago e Lobo Antunes



José Saramago e António Lobo Antunes - O Fla-Flu dos Romancistas

Rivais, os escritores portugueses José Saramago e António Lobo Antunes mobilizam partidários apaixonados e protagonizam uma disputa que envolve vida pessoal e literatura

Por Anna Carolina Mello


A rivalidade não é tão agressiva quanto a que se deu quando o escritor peruano Mario Vargas Llosa descobriu que sua mulher se envolvera com o ex-amigo Gabriel García Márquez; nem tão ressentida quanto aquela que o britânico Martin Amis provocou ao passar para trás a mulher do colega Julian Barnes, contratando outro agente literário. A rixa entre os portugueses José Saramago e António Lobo Antunes não teve vexame ou dissolução de amizade. Mas há algo que a torna especialmente divertida: mesmo sem um motivo aparente para existir, ela mobiliza partidários apaixonados dos dois lados. Comparam-se as obras, medem-se os prêmios e até as vidas pessoais de ambos entram no escrutínio dessa disputa. Nesse embate, sobram palavras e apreciações pouco agradáveis.

 

 

Recentemente, ambos despertaram os ânimos de suas respectivas torcidas com lançamentos quase simultâneos: Saramago, com Caim; Lobo Antunes, com Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?. Eles não se evitam na vida civil, como os citados acima, mas também não fazem questão de disfarçar a hostilidade. Em 1998, Lobo Antunes e seus partidários receberam o mais duro dos golpes: o Nobel de Literatura concedido a Saramago - o primeiro e provavelmente durante muito tempo único entre escritores de língua portuguesa. Na ocasião, um jornalista do The New York Times ligou para Lobo Antunes atrás, naturalmente, de declarações ácidas. Informado do ocorrido, Lobo Antunes silenciou por alguns segundos do outro lado da linha. Depois, fez-se de desentendido e, dizendo que a ligação estava ruim e que mal podia ouvir, desligou.

 

 

Nessa época, Saramago já era bastante festejado no Brasil, com romances como Memorial do Convento (1982) e Ensaio Sobre a Cegueira (1995). Lobo Antunes, ao contrário, era praticamente um desconhecido, com poucos e mal-vendidos livros, entre eles Os Cus de Judas (1979) e Manual dos Inquisidores (1996). Em 2000, durante a feira de livros de Frankfurt - em que são fechados os principais contratos de publicação do mundo - Lobo Antunes rejeitou um pedido de entrevista feita pelo jornal Folha de S.Paulo. "Deixem o Brasil para o Saramago. É o único lugar que ele tem", disparou. No ano passado, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, voltou ao tema de forma mais bem-humorada. "Vocês gostam mais do outro", brincou com o público.

 

Saramago, por seu turno, já disse que não conhece "esse sujeito" e que "não se interessa por ele". Em 1998, presenteado com um livro do oponente por um jornalista do tabloide português Tal & Qual, o escritor fechou a cara e devolveu o livro, porque acreditava ser uma provocação. A versão fantasiosa do fato, contudo, atiçou os ânimos: dizia-se que o autor havia jogado o exemplar no chão, por conta do título da reportagem - Atirado ao Chão -, que brincava com o nome do romance de Saramago, Levantado do Chão (1980).

 

À parte as fofocas, existe a divisão literária. Nas páginas a seguir, os jornalistas e críticos José Castello e Paulo Polzonoff Jr., que no Brasil ocupam lados opostos nesse ringue, defendem cada um a obra de sua preferência. Apaixonada mas civilizadamente - sem vexame nem dissolução de amizade.

 

 

O ENSAÍSTA ENVERGONHADO
Ao romper com as regras clássicas da gramática e optar por uma linguagem flutuante, Saramago questiona o dogma contemporâneo da clareza por José Castello

 

José Saramago disse certa vez: "Talvez eu não seja um romancista, mas um ensaísta que escreve romances". Em vez de diminuir a potência de sua ficção, a ideia do ensaísta envergonhado a alarga. Para o escritor português, a literatura deixa de ser só uma experiência estética, ou um jogo de linguagem. Ela se alça ao posto de saber e ombreia com a verdade. Ao desestabilizar as certezas históricas com o sal da ficção, Saramago não só relativiza verdades consagradas, mas destaca seu aspecto imaginário. Ele amplia, ainda, o terreno da própria ficção, que deixa de ser apenas invenção e sonho, para se tornar algo bem mais potente: um elemento crucial na constituição do mundo.

 

Personagens como o revisor Raimundo Silva, de História do Cerco de Lisboa - que, ao introduzir uma palavra inexistente em um ensaio histórico, revira a verdade - ou o escriturário sr. José, de Todos os Nomes - que completa com a imaginação as informações do Registro Civil -, ampliam a potência da verdade, em vez de danificá-la. Alargam, assim, as fronteiras da literatura, que deixa de ser uma ilusão a nos distrair da vida, para se tornar uma pergunta com que a perfuramos.

 

Ao romper com as regras clássicas da gramática e optar por uma linguagem flutuante, Saramago questiona um dos mais sagrados dogmas contemporâneos: a clareza. Nem sempre a objetividade e a transparência são garantias de acesso à realidade. Ao contrário: retendo as coisas em sua moldura de luz, a clareza é, com frequência, falsificação. Para ele, só uma linguagem dançante, que acompanhe os deslizes e imperfeições do pensamento, nos aproxima, de fato, do mundo.

 

Em uma era pragmática, Saramago se preocupa mais em seduzir e hipnotizar o leitor do que em convencê-lo. As dificuldades propostas por seus livros - como o sósia que perturba a vida do professor Tertuliano Máximo Afonso, em O Homem Duplicado - não são questões a desvendar, ou solucionar. São, ao contrário, desafios. Saramago sabe que a escrita nada mais pode que sondar o enigma humano. É a partir desse limite de desamparo (e sabedoria) que ele escreve.

 

A tragédia relatada no Ensaio Sobre a Cegueira não atinge só os personagens do romance, mas o próprio leitor, que é obrigado, também, a "cegar-se" para lidar com o filtro opaco e limitado da língua. Os personagens de Saramago carregam em seus ombros o duplo sentido da palavra sujeito: se eles fazem e acontecem (afinal, a imaginação manda), estão também submetidos (sujeitos) às apertadas amarras que delimitam a realidade.

 

Muitas vezes reduzida, injustamente, a um exercício de estilo, a literatura de Saramago é não só vital, mas convulsiona os fundamentos de nossas vidas. "Vivemos para dizer o que somos", o escritor insiste em afirmar. A literatura, para José Saramago, é a busca interminável (e fracassada) do outro. Por isso, não conseguimos abandonar seus livros.

 

 

José Castello é jornalista e escritor, autor de Fantasma e A Literatura na Poltrona, entre outros.

 

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O CARPINTEIRO DA FRASE
Uma das maiores virtudes de Lobo Antunes é o desprezo por esta entidade cada vez mais homogênea chamada leitor Por Paulo Polzonoff Jr.

 

António Lobo Antunes chamou minha atenção em 1998, em uma entrevista encontrada na internet. Lembro-me de ficar entusiasmado com frases como "Os leitores são umas putas. Amam-nos e depois nos deixam". Mas o que mais me atraiu naquele autor desconhecido foi a visão da literatura como uma obra de carpintaria - para tomar emprestada uma ideia do escritor mineiro Autran Dourado. O primeiro contato com um livro do escritor foi, entretanto, frustrante. Deliciosamente frustrante. Ao contrário de autores de vanguarda, como o irlandês James Joyce, havia mais do que um simples desejo de revolucionar a escrita na falta de linearidade daquela prosa. Havia um propósito.

 

Mas mergulhar nos desvãos da mente humana é complicado. E Lobo Antunes sabe transpor para o papel esta complicação toda. É possível que o leitor se sinta atordoado. Aí é que encontramos mais uma (se não a maior) virtude do escritor: o desprezo para esta entidade cada vez mais homogênea chamada leitor. Não se deixe enganar: este desprezo é uma expressão de respeito pela individualidade do leitor. Na obra do escritor, nenhum grupo merece destaque. É como se não houvesse multidões. Os personagens são seres muito particulares, idiossincráticos, indefiníveis. O coletivo inexiste. As pessoas não andam nem agem em bando. Mais importante: não sentem em bando. Até mesmo a guerra não é vista como uma ação organizada de um grupo militar. Lobo Antunes olha para cada personagem com atenção individualizada.

 

Esta atenção ao ser humano como unidade é a responsável tanto pela fama quanto pela rejeição à sua obra. Nos romances do português, não há grandes ilhas, e sim um gigantesco arquipélago formado por ilhotas individuais, cada qual com seus rios, vales, montanhas, praias e até vulcões. Mas seria um erro dizer que Lobo Antunes é um escritor para poucos. Sim, o estilo de seus romances pode afastar o leitor mais desprevenido. Os Cus de Judas, por exemplo, é um livro atordoante. Mas só até que o momento em que se estabelece um diálogo muito natural entre aqueles parágrafos interrompidos por digressões diversas.

 

Lobo Antunes tem ainda um lado bastante acessível: o de cronista. Infelizmente, seus livros de crônicas não foram publicados no país. Nos textos curtos, ele exibe seu talento para o mundo pequeno de personagens menores ainda. Dramazinhos cotidianos alçados à condição de arte: o pompom da cortina emoldurado e pendurado no Louvre, ou o diálogo na padaria expresso com tanta beleza que pode levar (sem exagero) às lágrimas.

O escritor é dono ainda de algumas das frases mais belas da língua portuguesa. Às vezes - ainda que isso possa parecer, na melhor das hipóteses, uma excentricidade -, gosto de abrir um calhamaço como Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo e ler apenas uma página, a esmo, em voz alta, saboreando o fraseado.

 

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e tradutor. É autor de A Face Oculta De Nova York.



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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
#1136 - Eric Rohmer (1920-2010)



Jean-Marie Maurice Scherer, aliás Eric Rohmer, faleceu, ontem, 11 de Janeiro, em Paris.


Em memória de um cineasta que me proporcionou nos anos sessenta e setenta grandes momentos de cinema.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:26
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010
#1135 - Renée Fleming

 

 



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#1134 - Benjamin Britten - Simple Symphony

 

 



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#1133 - Bill Frisell

 

 



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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
#1132 - back in heathrow 2

italian restaurant where all the waitresses were portuguese, and nice

 

Retirado do blog  "The smooth blog to travel drawing"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:06
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
#1131 - Prémio Nadal para Clara Sánchez


Clara Sánchez foi a vencedora do Prémio Nadal da Novela com o livro "Lo que esconde tu nombre"

 

Ler resto da notícia aqui



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#1130 - Bertrand publica romance vencedor do Prémio Costa

"Brooklyn", o sexto romance do escritor irlandês Colm Tóibín, distinguido há dois dias com o Prémio Costa para melhor romance de 2009, será publicado em Maio em Portugal pela editora Bertrand.  [In Público]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:24
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#1129 - Uso da Internet atrofia o cérebro


Contra a corrente, Nicolas Carr escreve livros e artigos sobre tecnologia. Formado em Harvard, este norte-americano dá, por todo o mundo, palestras onde aborda   os malefícios do uso e dependência da Internet afirmando que "A Internet vai-nos sugando a vida como uma esponja" e que "a dependência da troca de informações pela internet está a empobrecer a nossa cultura" e que  "os pais devem manter os filhos longe dos computadores. Na verdade, acredito que as crianças não devem sequer mexer-lhes".


Nicolas Carr em entrevista à "Sábado", n.º 297 - 7 a 13 de Janeiro de 2010



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:49
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#1128 - Em algumas partes do globo ser homossexual pode ser fatal

Amanhã, na Assembleia da República, discute-se a aprovação ou não do casamento civil entre homossexuais. Entretanto, um movimento de cidadãos pretende que o assunto seja referendado. Este movimento é encabeçado, salvo erro, pela mesma senhora que se opôs a que o aborto fosse referendado.


Em contraponto, no Uganda, David Bahati, deputado pelo Movimento de Resistência Nacional - o partido no poder - acaba de apresentar a sua proposta de lei anti-homossexualidade que pretende que a homossexualidade seja punida com a pena de morte.

Esta proposta de lei deverá entrar em vigor no próximo mês de Fevereiro.



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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010
#1127 - Novos Blogs

Bem-vindos ao mundo dos blogs:  Córtex Frontal e o Albergue Espanhol.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:48
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#1126 - Colm Tóibin arrebata Costa Award, deixando para trás Hilary Mantel

O escritor irlandês Colm Tóibin venceu, com o romance Brooklyn, o Costa Novel Award, superiorizando-se a Wolf Hall, de Hilary Mantel, livro que ganhou o Man Booker Prize em 2009 (prémio no qual Tóibin não passou da longlist). Os outros vencedores nas várias categorias também foram anunciados hoje e são os seguintes: Raphael Selbourne, Melhor Primeiro Romance, por Beauty; Graham Farmelo, Melhor Biografia (The Strangest Man: The Hidden Life of Paul Dirac, Quantum Genius); Christopher Reid, Melhor Livro de Poesia (A Scattering); e Patrick Ness, Melhor Livro Infantil (The Ask and the Answer).
Cada vencedor recebe, para já, um cheque de cinco mil libras (cerca de 5600 euros) e candidata-se a 25 mil libras suplementares (cerca de 27800 euros), caso ganhe o prémio final, Costa Book of the Year, anunciado no próximo dia 26.

Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:29
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#1125 - Os melhores livros de 2009, segundo a Ípsilon

Diversos críticos literários do suplemento Ípsilon, do jornal Público, elegeram os 20 melhores livros publicados em Portugal durante o ano de 2009:

 

 

Pitta, Gustavo Rubim, Isabel Coutinho, José Riço Direitinho, Luís Miguel Queirós, Maria da Conceição Caleiro, Rui Lagartinho

 

1. A2666
Roberto Bolaño
Quetzal

 

Com esta obra-prima o génio do malogrado chileno Roberto Bolaño (1953-2003) abriu à literatura novos horizontes, como antes Borges, Musil, Faulkner ou Joyce - e poucos mais. "2666" é um livro pela persistência da memória na literatura, e em que a História contemporânea desfila diante dos nossos olhos como longa sucessão de desastres, de monstruosidades sem fim à vista. Este testamento literário - reflexão sobre o Mal, sobre a normalização da barbárie na América Latina e o desolador destino da Humanidade - é-nos dado numa escrita  sem floreados, de onde emerge vivo esse "realismo visceral" profundo e complexo, preciso na sua ambiguidade. No fundo, as características da grande literatura. J.R.D.

 

2. Caderno Afegão
Alexandra Lucas Coelho
Tinta da China

 

Alexandra Lucas Coelho escreve muito bem, para além do rigor dos fios temáticos sobre o que escreve. Aqui, não se trata de escrever bem ou mal, é outro patamar. É escrever, como diria Duras. "Caderno Afegão" é a travessia rigorosa e lírica por um país desde há muito convulso. País do pó, do cheiro a podre, porém de rosas que mesmo assim  vingam. M.C.C.

 

3. Obra completa 1969-1985
Nuno Bragança
Dom Quixote

 

Em 1969, quando Nuno Bragança (1929-1985) publicou "A Noite e o Riso", não havia muita gente a escrever assim em Portugal. Ou até haveria um ou dois, mas eram poetas. Se "A Noite e o Riso" está há muito reconhecido como um dos livros decisivos para a renovação da ficção portuguesa na segunda metade do século XX, "Directa" (1979), "Square Tolstoi" (1981), os contos de "Estação" (1984) e a novela póstuma "Do Fim do Mundo" merecem igualmente ser relidos. A "Obra Completa" inclui ainda a peça radiofónica "A Morte da Perdiz", que nunca saíra em livro. L.M.Q.

 

4. Contos Completos - I
John Cheever
Sextante

 

John Updike tinha razão: John Cheever foi o maior estilista da sua geração. O primeiro volume de "Contos Completos" é um prodígio de virtuose que nos transporta a um mundo desaparecido, quando "Nova Iorque era ainda inundada pela luz do rio [...] e quase toda a gente usava chapéu." Foi o cronista dos subúrbios da classe média americana e da sua teia de códigos sociais. Dissecou com mordacidade uma série de "interditos" na década de 1940-50. A sexualidade foi um deles. Atormentado com a sua condição de homossexual, ridicularizou-a em "Clancy na Torre de Babel". Outros, como  "" juventude e beleza!" e "Os malefícios do gin", são clássicos absolutos. E.P.

 

5. Obra Poética Completa de Edgar Allan Poe
Tradução, introdução de Margarida Vale de Gato e ilustrações de Filipe Abranches
Tinta da China

 

Comemorou-se em 2009 o bicentenário (1809-1849) do nascimento de Poe, o que terá induzido a edição de "Obra Poética Completa" (assim como "Todos os Contos"). Tradução cuidada de Margarida Val de Gato, belas ilustrações de Filipe Abranches. Poesia que faz a difícil simbiose da atenção e da imaginação, ambas delirantes, ébrias e justíssimas. Põe terá sucumbido à moral americana que o rotulou de devasso. Acabou pobre, bêbado e inanimado em Light Street, Baltimore. M.C.C.

 

6. Ofício Cantante  - Poesia Completa
Herberto Helder
Assírio & Alvim

 

É a obra poética de Herberto Helder em 2009. No mesmo sentido em que poderíamos dizer de uma fotografia: este é Herberto Helder aos 45 ou aos 67 anos. Isto, claro, se existissem fotografias das quais se pudesse dizer tais coisas. Em português, a palavra "obra" tanto é mero sinónimo de bibliografia como designação de um corpo orgânico que tem de ir mudando para ser o mesmo. O mesmo que o autor. "Ofício Cantante", que recupera o título da primeira compilação dos poemas de Herberto, publicada em 1967, inclui, além de reescritas várias e da entrada de inéditos, o livro "A Faca Não Corta o Fogo", cujos dois mil exemplares se esgotaram num ápice no final de 2008. L.M.Q.

 

7. Veneza
Jan Morris
Tinta da China

 

De Ruskin a Brodsky, sem esquecer o pessoal menor, já toda a gente escreveu sobre Veneza. Não obstante, a quota de Jan Morris é decisiva. O livro dela (não esquecer que "ela" foi homem até aos 46 anos) não se pretende de História veneziana nem mera derivação turística. O que Morris fez com superior mestria foi cerzir informação prosaica com erudição, sem beliscar a melodia da frase. Pela sua mão, percorremos as vielas e os "palácios periclitantes" da Sereníssima, cidade em conflito aberto com a realidade do mundo  contemporâneo. E.P.

 

8. O Homem Sem Qualidades  - Volume III
Robert Musil
Dom Quixote

 

Musil compôs, ao longo de vinte penosos anos, esta saga demencial sobre a decadência, enquanto presenciava o fim do Império Austro-Húngaro, a Iª Guerra e a ascensão do nazismo. (Coetzee disse que "este livro foi ultrapassado pela História, enquanto foi escrito"). Neste III volume, com material inédito, é possível vislumbrar um trabalho de composição tão gigantesco, violento e labiríntico como o homem que o criou e o tempo  que ele viveu. H.V.

 

9. Os Desaparecidos
Daniel Mendelsohn
Dom Quixote

 

Não é ensaio histórico. Não é  autobiografia, nem livro de memórias. Não é um romance, muito menos uma auto-ficção. Não é uma reportagem, nem um livro de viagens. Não é um livro sobre os alicerces do judaísmo e da cultura clássica. Mas tudo isso cabe em "Os Desaparecidos", de Daniel Mendelsohn, jornalista americano que no início do século XXI correu os quatro cantos do mundo para tentar perceber o que aconteceu a alguns dos seus parentes durante o Holocausto. R.L.

 

10. A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao
Junot Diaz
Porto Editora

 

Junot Díaz nasceu dominicano mas hoje é cidadão americano. Levou onze anos a escrever "A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao". O ajuste de contas com a ditadura de Trujillo é um exercício de mnemónica em clave pós-colonial (Díaz era uma criança quando deixou a ilha). Questionando a América por interposta administração Johnson, quando "Santo Domingo foi o Iraque antes de o Iraque ter sido o Iraque", constrói a epopeia dos imigrantes assimilados, divididos entre o "fukú" (maldição) e o vórtice do Império. Absolutamente singular. E.P.

 

11. O Resto é Ruído. À Escuta  do Século XX
Alex Ross
Casa das Letras

 

Alex Ross é crítico de música da "The New Yorker" e com "O Resto é Ruído" embarcou num projecto ambicioso: não apenas uma história da música contemporânea mas um retrato da época contemporânea através da música, incluindo os grandes debates estéticos e ideológicos. A música "erudita" tem destaque, mas Ross não despreza a música "popular", num ensaio que vai do dodecafonismo aos Radiohead. Uma obra estimulante para compreender o século passado (e para comprar bons discos). P.M.

 

12. História de Portugal
Coordenação de Rui Ramos
A Esfera dos Livros

 

A História está na moda, mas faltava uma boa História de Portugal num único volume (a mais fiável era a coordenada por José Mattoso, em vários tomos). Este conjunto de ensaios agora editado reúne três especialistas que fazem belíssimas sínteses interpretativas: Bernardo Vasconcelos e Sousa para a Idade Média, Nuno Gonçalo Monteiro para a idade moderna e Rui Ramos (que coordenou o projecto) para o período contemporâneo. É a obra de referência de 2009 e da História portuguesa. P.M.

 

13. A Edição de Livros e a Gestão Estratégica
José Afonso Furtado
ed. Booktailors

 

A cadeia de valor do livro tem vindo a sofrer alterações e a forma como se produzem e comercializam livros neste início do século XXI está a ser repensada por todos. O sector editorial confronta-se com novos paradigmas,  consumidores e leitores. É sobre estes temas que o director da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian - que foi Presidente do Instituto Português do Livro e da Leitura entre 1987 e 1991 - reflecte. I.C.

 

14. Caderno de Memórias Coloniais
Isabela Figueiredo
Angelus Novus

 

Sente-se o abalo que este "Caderno" causa no marasmo literário nacional em passagens como esta: "Foder. O meu pai gostava de foder. Eu nunca vi, mas via-se." Relato cru do racismo português em Moçambique no fim do Império, memória do amor de uma filha pelo corpo do pai, história de traição a uma "verdade" que morreu com a morte do colonialismo. Um texto parcial, violento, escrito como se escrevem cadernos: com o fantasma da verdade sempre ao lado. Isabela Figueiredo afirma-se escritora, num país onde só proliferam "autores", esses manequins de vender autógrafos. G.R.

 

15. A Rainha no Palácio das Correntes de Ar
Stieg Larsson
Oceanos

 

A adesão dos portugueses à saga "Millennium" é lenta quando comparado com outros países, mas tem dado passos seguros. "A rainha no palácio das correntes de ar" marca o fim da trilogia do autor sueco. A espécie de Pipi das Meias Altas versão gótica que é a "hacker" rebelde Lizbeth Salander passa quatro quintos do livro numa cama de hospital. Mesmo assim é a mais trepidante das três aventuras. R.L.

 

16. História de Israel
Martin Gilbert
Trad. Patrícia Xavier
Edições 70

 

As origens do Estado de Israel são ignoradas pela generalidade da opinião pública, condicionada pela barragem de propaganda anti-sionista que faz a "norma" dos media ocidentais. Se outra razão não houvesse, a "História de Israel" contribui para esclarecer o óbvio. Gilbert dispensa apresentações: é o mais famoso dos biógrafos de Churchill e um respeitado historiador inglês. Sem proselitismo, sistematiza factos a partir do fim do mandato britânico que antecedeu a fundação do Estado de Israel. Contextualiza com igual minúcia o essencial e o (aparentemente) acessório. E.P.

 

17. A Montanha Mágica
Thomas Mann
Dom Quixote

 

Esta tradução tem algo de milagroso. Lê-se desde as primeiras páginas sentindo que se Thomas Mann fosse português teria escrito assim. Hans Castorp, burguês, visita um primo, tuberculoso, no sanatório. Deixa-se abarcar pela atmosfera mágica do lugar. Julga-se ele próprio doente e aí fica até que a guerra de 1914 o desperta do seu sonho. Um dos pilares literários do século XX. M.C.C.

 

18. Entrevistas da Paris-Review
VV.AA.
Selecção, tradução e notas de Carlos Vaz Marques
Tinta da China

 

As entrevistas da "Paris Review" são lendárias. Carlos Vaz Marques seleccionou e traduziu dez: as de E. M. Forster, Graham Greene, Faulkner, Capote, Hemingway, Lawrence Durrell, Pasternak, Saul Bellow, Borges e Kerouac. São naturalmente desiguais, entre a excelência de Forster ou Bellow e a indigência de Kerouac. Nenhum autor vivo (havia por onde escolher), nenhuma mulher (idem). "Arquivo de fascínio", chama Vaz Marques à selecção. Assino por baixo. E.P.

 

19. Luz Fraterna
António Osório
Assírio & Alvim

 

Depois de ter publicado a antologia "A Casa das Sementes", em 2006, António Osório vê agora editada num só volume toda a sua poesia, desde "A Raiz Afectuosa" (1972) até "Libertação da Peste" (2002). "A Luz Fraterna", título desta compilação, inclui ainda inéditos e dispersos. Oportunidade para reler uma obra que, no seu aparente, e talvez real, anti-vanguardismo, na sua revalorização do sentimento, na sua comunicabilidade, marcou muito mais do que geralmente se reconhece a poesia portuguesa das últimas décadas. L.M.Q.

 

20. A Ilha
Giani Stuparich
Ahab

 

Giani Stuparich (1891-1961) escreveu um dos contos mais emblemáticos da literatura europeia do século XX. Um homem doente pede ao filho que o acompanhe naquela que será a sua última viagem à ilha adriática onde nasceu. Debaixo de uma luz crua, desapiedada e agreste, a meditação sobre a morte é transformada num sentimento vital, essencial e positivo. E tudo feito numa escrita elementar, límpida e despojada. J.R.D.

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:08
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#1124 - Prémio Literário Casino da Póvoa

Sete escritores portugueses, uma brasileira, um espanhol e um mexicano são os dez finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros. O vencedor será anunciado na 11ª Edição do Correntes D’ Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, que se realizará de 24 a 27 de Fevereiro, na Póvoa de Varzim.


“Rakushisha”, da brasileira Adriana Lisboa (Quetzal); “O Cónego”, de A.M. Pires Cabral (Cotovia); “O Verão Selvagem dos Teus Olhos", de Ana Teresa Pereira (Relógio d’Água); “Três Lindas Cubanas” do mexicano Gonzalo Celorio (Quetzal); “A Eternidade e o Desejo”, de Inês Pedrosa (Dom Quixote); “O Mundo - o mundo é a rua da tua infância”, do espanhol Juan José Millás (Planeta); “Myra”, de Maria Velho da Costa (Assírio & Alvim); “A Sala Magenta” de Mário de Carvalho (Caminho), "A Mão Esquerda de Deus" de Pedro Almeida Vieira (Dom Quixote) e “O Apocalipse dos Trabalhadores”, de valter hugo mãe (Quidnovi) são as obras escolhidas pelo júri desta edição dedicada a trabalhos em prosa de autores de língua portuguesa, castelhana ou hispânica publicados em Portugal entre Julho de 2007 e Junho de 2009 (excluindo obras póstumas e de autores que receberam este prémio nos últimos seis anos).


O júri constituído por Carlos Vaz Marques, Dulce Maria Cardoso, Fernando J. B. Martinho, Patrícia Reis, Vergílio Alberto Vieira irá decidir qual o vencedor numa reunião que acontecerá no dia 22 de Fevereiro.

In "Jornal Público"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:58
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
#1123 - "LER", amanhã nas bancas



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:48
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#1122 - Em nome da segurança vale tudo?

O vídeo

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:17
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#1121 - 2010, ano do bicentenário do nascimento de Chopin

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:03
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#1120 - Lhasa de Sela [1972-2010]

Em memória de Lhasa de Sela

 


música: lhasa de cela

publicado por Carlos Pereira \foleirices às 11:55
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
#1119 - Restaurante português entre os finalistas do "Best New Restaurant"

 

O restaurante Buhle, noPorto, está entre os cinco finalistas do concurso “Best New Restaurant”,  promovido pela revista Wallpaper, especializada em lifestyle, arte, design, arquitectura e moda.

 

O Buhle é o único representante português e está a competir com o restaurante DamUm, em Seul,  Kaá , São Paulo, Tegui, em Buenos Aires, e o Terzo Piano, Chicago.

 

 

In Jornal "i"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:26
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#1118 - O melhor Bar do Mundo para navegadores



Quer saber qual o melhor bar do mundo para navegadores? Pois bem, o Peter - Café Sport, na Horta, Faial, foi o eleito, numa competição que pretende criar uma rede de pontos de referência para os marinheiros nas suas viagens pelo mundo, refere a Lusa.

Nesta primeira edição, o «Peter» - como é vulgarmente conhecido - conquistou o primeiro lugar, deixando em segundo o Royal Hong Kong Yacht Club, enquanto a terceira posição foi conquistada pelo IYAC, em Newport, EUA.

 

In Jornal "i"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:19
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#1117 - A entrevista de Paul Auster ao jornal "El Mundo"

'Todo escritor debe dudar de las palabras', dice Paul Auster

El escritor estadounidense Paul Auster, en León. | José Manuel Gutiérrez
  • El autor de 'Invisible' viaja a León a recoger el Premio Leteo
  • Anuncia que en 2010 publicará su nueva obra, 'Sunset Park'

Con sus ojos del tamaño de bolas de billar, parece que Paul Auster va a devorar todo cuanto ve para plasmarlo en un libro. Ayer estos ojos vislumbraron León, donde recogió el Premio Leteo, que no tiene dotación económica y que en anteriores ediciones han recibido Fernando Arrabal (2005), Michel Houellebecq (2005), Amélie Nothomb (2007) o Adonis (2008). Anunció que el próximo otoño publicará una nueva novela (Sunset Park, ambientada, cómo no, en Brooklyn) y habló largo y tendido de las palabras y sus paradojas.

- Dicen los jóvenes del Club Leteo que el premio es un reconocimiento "por parte de escritores que inician su carrera hacia autores que, a su entender, han contribuido de manera más decisiva a la renovación literaria de nuestro tiempo".

- No soy un modelo para nadie. Todo aquel que mire mi vida y las cosas que he hecho debería tomas nota para hacer justo lo contrario. Por otra parte, con los premios me pasa algo extraño. A mí me resulta más interesante estar con los jóvenes autores que se sienten alentados por mi obra que el propio hecho de recoger el galardón.

� Hace un par de años, cuando vino a León a recoger este mismo premio, Martis Amis dijo que sólo leía a escritores muertos. ¿Y usted?

- Martin, que es buen amigo mío, estaría bromeando. Por supuesto que lee a autores vivos, igual que yo. Hay muchos escritores geniales actualmente: Don DeLillo, Coetzee, mi esposa Siri Hustvedt� Y también me gustan autores españoles, como Javier Marías o Vila-Matas. Lo que sí sucede es que a medida que un escritor se hace viejo le interesa menos lo que está pasando. Cuando eres joven lees de todo y de forma voraz. Tan pronto como encuentras tu propio camino, lo que digan los demás no tiene ningún efecto en uno.

- Y, después de pelear por encontrar una voz propia, ¿no acaba uno volviéndose un esclavo de ella?

- Yo estoy buscándola todo el tiempo. No tengo un único método de trabajo y en cada libro me siento como un principiante. Lo que haya hecho en el pasado no me sirve en el presente. Tampoco leo lo que se escribe de mí. No es arrogancia, sino protección.

- Pero sí que será consciente de su aureola de rockstar.

- No mucho, a decir verdad. Mi compatriota, el escritor John Ashbery dijo una cosa estupenda sobre esto: «Ser un poeta famoso no es lo mismo que ser famoso». Comparado con las celebrities soy un enano que camina entre las sombras.

- ¿Cuál es la clave para escribir sobre el propio hecho de escribir?

- No tengo respuesta. Si la tuviera, escribiría un libro sobre cómo escribir el acto de escribir (Risas).

 

- Se puede usar el lenguaje para distorsionar la realidad, como vemos en la propaganda política y en la publicidad. La gente usa las palabras como un arma. Pero también hay quien usa el lenguaje para intentar expresar algún tipo de verdad sobre el mundo. Pero es difícil, porque las palabras nos dan el mundo, pero al mismo tiempo nos sacan de él. Un escritor se puede esforzar todo lo que quiera, pero nunca triunfará. A ver, todo escritor debe dudar de las palabras y mantener una relación defensiva respecto a ellas, porque no las posee. Tienes que usarlas de una forma que te sacudan. Si te vuelves complaciente con tu lenguaje pierdes interés.

- Hablando de manipulación y política, usted, que tomó partido de forma activa por Obama, ¿cómo lo ve ahora?

- Ha sido un año muy difícil en EEUU en muchos aspectos. Pero lo que más me ha escandalizado ha sido la hostilidad de los republicanos y de la derecha en general contra Obama. Le odian y quieren que caiga. No he visto una atmósfera tan desagradable en el país desde hacía mucho tiempo y, francamente, no me esperaba estos ataques tan miserables. Creo que su decisión de enviar más tropas a Afganistán es errónea, pero también que su reforma sanitaria, aún siendo mucho más floja de lo que necesitábamos, es esperada desde hace 100 años. ¿Qué sucede? Que el gobierno no funciona. Está paralizado por los filibusteros, que bloquean las votaciones con sesiones interminables en el Senado.

- ¿Cómo ve el futuro de la literatura con el libro electrónico?

- Puede animar a la lectura. Ahora bien, el problema es cómo regular el negocio y la piratería. Los jóvenes piensan que todo debería ser gratis, y no es así. Hay que educar para que entiendan que las obras están hechas con muchos sacrificios y que tienen que ser pagadas. Después, veremos si la gente prefiere el e-book al papel, cosa que no creo. Mi hija tiene 22 años y no está interesada en leer en una pantalla.

- ¿Y cómo es su relación con la tecnología?

- No tengo ni ordenador ni móvil. Me mantengo sin mácula.


 

Entrevista publicada no Jornal "El Mundo" e conduzida por Darío Prieto




publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:08
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#1116 - O livro do ano em Espanha, uma escolha dos críticos do suplemento Babelia



Javier Cercas

Autor de 'Anatomía de un instante', libro del año para Babelia

Babelia publica este fin de semana un especial con los mejores libros de 2009, según 50 reputados críticos. Para el suplemento cultural de EL PAÍS,

el libro del año ha sido Anatomía de un instante

, la obra de Javier Cercas que analiza el fallido golpe de Estado del 23 de febrero de 1981. El autor charlará con los lectores sobre su libro.


Consulta el especial de Babelia con los mejores libros de 2009


Lee aquí el primer capítulo del libro


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:58
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
#1115 - Poemas Sem Suporte

ELEGIA

Minha presença de setim,

Toda bordada a côr de rosa,

Que fôste sempre um adeus em mim

Por uma tarde silenciosa...

 

Ó dedos longos que toquei,

Mas se os toquei, desapareceram...

Ó minhas bôcas que esperei,

E nunca mais se me entenderam...

 

Meus Boulevards d'Europa e beijos

Onde fui só um espectador...

- Que sôno lasso, o meu amor;

- Que poeira d'ouro, os meus desejos...

 

Ha maos pendidas de amuradas

No meu anseio a divagar...

Em mim findou todo o luar

Da lua dum conto de fadas...

 

Eu fui alguém que se enganou

E achou mais belo  ter errado...

Mantenho o trôno mascarado

Aonde me sagrei Pierrot.

 

Minhas tristezas de cristal,

Meus débeis arrependimentos

São hoje os velhos paramentos

Duma pesada Catedral.

 

Pobres enleios de carmim

Que reservara pra algum dia...

A sombra loira, fugidia,

Jámais se abeirará de mim...

 

- Ó minhas cartas nunca escritas,

E os meus retratos que rasguei...

As orações que não rezei...

Madeixas falsas, flôres e fitas...

 

O "petit-bleu" que não chegou...

As horas vagas do jardim...

O anel de beijos e marfim

Que os seus dedos nunca anelou...

 

Convalescença afectuosa

Num hospital branco de paz...

A dôr magoada e duvidosa

Dum outro tempo mais lilaz...

 

Um braço que nos acalenta...

Livros de côr á cabeceira...

Minha ternura friorenta -

Ter amas pela vida inteira...

 

Ó grande Hotel universal

Dos meus frenéticos enganos,

Com aquecimento-central,

Escrocs, cocottes, tziganos...

 

Ó meus Cafés de grande vida

Com dançarinas multicolôres...

- Ai, não são mais as minhas dôres

Que a sua dança interrompida...

 

Poema de Mário de Sá-Carneiro para Santa Rita Pintor escrito em Lisboa em Março de 1915 na revista trimestral de literatura  Orpheu, ano I, n.º 2, Abril-Maio-Junho.

Editor: António Ferro

Directores: Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:40
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#1114 - Estrela Distante - Roberto Bolaño

Em "Estrela Distante", Roberto Bolaño aplica o antigo tema do duplo ao período da ditadura militar chilena e expõe as origens da ruína moral de uma geração.

A concepção dualista da natureza humana é tão ancestral quanto as histórias de duplos. Surgida quase ao mesmo tempo em diferentes culturas (na Grécia, no Egito e na Pérsia), a oposição entre o bem e o mal teve sua primeira ocorrência literária no Gilgamesh sumério (2.600 a.C.) e foi explorada por românticos alemães e craques da narrativa de múltiplas línguas: Nathaniel Hawthorne, Edgar Allan Poe, Ambrose Bierce, Guy de Maupassant, Marcel Schwob etc. - a lista é imensa.

Ideal para refletir a crise de identidade do indivíduo na modernidade, a narrativa de sósias arrasta atrás de si a velha maldição romântica ligada à dissociação e ao mal: aquele que encontrar com seu Doppelgänger, o seu duplo, estará fadado à ruína. Aplicada ao período das ditaduras do século 20 no continente, a hipótese rendeu ao chileno Roberto Bolaño (1953-2003) o seu livro mais cristalino, Estrela Distante, novela tão curta quanto precisa que difere da fragmentação típica de seus romances mais extensos.

 

Publicado originalmente em 1996, o livro sucedeu a empreitada de viés enciclopédico e borgiano de La Literatura Nazi en América (que ainda não foi publicado no Brasil), a qual trazia epílogo que descrevia o fictício Ramírez Hoffmann. "Essa história me foi contada pelo meu companheiro Arturo B., veterano das guerras floridas e candidato a suicida na África", explica o prefácio de Bolaño para Estrela Distante, dando início ao jogo de reflexos que se estenderia por toda a sua obra posterior. "Arturo B" é Arturo Belano, alter ego de Bolaño e o anti-herói de muitos de seus textos, entre eles de Os Detetives Selvagens.

 

O protagonista de Estrela Distante, o poeta Alberto Ruiz-Tagle, é inspirado no tenente Hoffmann de La Literatura Nazi en América. Infiltrado em oficinas literárias no Chile de Salvador Allende (a história começa em 1971 ou 1972), Ruiz-Tagle seduz e assassina duas poetas gêmeas. Mais tarde, já durante a ditadura de Augusto Pinochet, o mesmo personagem ressurge com outro nome, Carlos Wieder, que, além de poeta, é torturador. Ele não é guiado por ideias morais, apenas ideias estéticas. Suas peripécias nos céus de Santiago - onde escreve versículos bíblicos com fumaça  dão-lhe status de herói no novo regime. Ele almeja a obra de arte total, um feito que não exclui a morte como ingrediente.

 

Mais pura encarnação do mal, Wieder representa a busca da outra face da geração de Roberto Bolaño (aqueles nascidos na fatídica América Latina dos anos 50). O jogo de duplos expõe as origens ocultas da ruína política e moral de toda uma geração.

 

Joca Reiners Terron é escritor, autor de Sonho Interrompido por Guilhotina, entre outros

(In "Bravo"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:49
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#1113 - As crónicas de Mário Crespo
Primeiro o PS depois o PR

Primeiro o PS depois o PR

Portugal tem tido muita gente esquisita a governá-lo mas, com Cavaco Silva e José Sócrates, atingimos um elevado grau de desconforto. O semipresidencialismo destes dois homens produziu um regime híbrido que não executa nem deixa executar. Semi-governante e semi-presidente ao fim de quatro anos de semi-vida institucional aparecem embrulhados numa luta por afirmação confusa e desagradável de seguir. O embaraço público que foram os cumprimentos de Natal adensou a sensação de incómodo. O regime poderia funcionar se os actores se quisessem complementar. Mas estes actores, por formação e deformação, não têm valências associáveis. O voluntarismo de que os dois vão dando testemunho não chega para disfarçar as suas limitações. Com eles a circular a alta velocidade nos topos de gama à prova de bala e nos jactos executivos do Estado, o futuro de Portugal fica hipotecado ao patético despique da escolha de impropérios numa inconsequente zaragata de raquíticos. Até que alguém de fora venha pôr ordem na casa. A menos que venha alguém de dentro. Semi-governante e semi-presidente tornaram-se descartáveis e, dada a urgência, é preciso começar pelo Partido Socialista. A crise no PS com a ausência de resultados desta direcção é muito mais séria para Portugal do que o tumulto no PSD. Porque o PS governa e o PSD não. O PSD morreu. Ressuscitará ao terceiro dia para um mundo diferente. Um mundo em que homens casam com homens e mulheres com mulheres e onde se morre, ou se mata, por uma questão de vontade, requerimento ou decreto. Um mundo cheio de coisas difíceis de descrever. Coisas que precisam de muitas palavras para serem narradas e, mesmo assim, não fazem sentido. Como por exemplo a "activista-transexual-espanhola" que é alguém que frequenta o Parlamento de Portugal pela mão deste PS segundo José Sócrates. Um PSD ressuscitado vai ter que incorporar estas invenções na matriz de costumes de Sá Carneiro, inovadora à época, monástica hoje, ainda que, provavelmente, adequada para o futuro. Até lá é aos Socialistas a quem compete definir alguém para governar. Alguém que quando falar de educação não nos faça recordar a Independente. Alguém que quando discutir grandes investimentos não nos faça associar tudo ao Freeport. Alguém que definitivamente não seja relacionável com nada que tenha faces ocultas e que quando se falar de Parlamento não tenha nada a ver com as misteriosas ambiguidades de Carla Antonelli "a activista transexual espanhola" que, com Sócrates, agora deambula pelos Passos Perdidos em busca do seu "direito à felicidade". O governo não pode estar entregue a um PS imprevisível e imprevidente, menor em qualidades executivas e em ética, capturado nos seus aparelhos por operadores desalmados e oportunistas. Recuperar a majestade das construções ideológicas e políticas de Salgado Zenha, Sottomayor Cardia e Mário Soares é fundamental nesta fase da vida, ou da morte, do país. No Partido Socialista há gente seguramente preparada governar e começar a recuperar o clima de confiança e respeito pelos executivos nacionais que Sócrates e Cavaco arruinaram. Substituir Sócrates é já um dever. Na hierarquia de urgências o problema Cavaco Silva vem depois mas, também aqui, Portugal tem que ter na Presidência alguém que não possa ser nem vagamente relacionável com nada onde subsistam incógnitas. E há muitas incógnitas no BPN. Mas cada coisa a seu tempo. Primeiro o PS, depois o PR. [In JN]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:22
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#1112 - Prémio Clube Literário do Porto



José Rodrigues dos Santos é o vencedor da edição de 2009 do Prémio Clube Literário do Porto 2009. O prémio, no valor de 25.000 € , visa galardoar o autor que mais criatividade teve no  domínio da ficção no ano em que é atribuído.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:10
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009
#1111 - Jan Garbarek

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 01:21
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#1110 - Max Richter

 

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 01:07
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#1109 - Kings of Convenience - the build up

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:47
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
#1108 - Oração



Tenho,

Perante Deus,

O direito

De ter

Um cão.


Poema de Raul de  Carvalho (1920-1984)  escrito em 6 de Janeiro de 1984.

Este poema foi retirado de "Poemas Portugueses, Antologia da Poesia Portuguesa do Séc XIII ao Séc, XXI" edição Porto Editora, Dezembro de 2009



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 01:11
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
#1107 - Sugestão de padre: os mais pobres devem roubar nas grandes superfícies comerciais

Um padre anglicano aconselhou os fiéis a roubar em lojas caso estejam a passar necessidades.

O padre britânico Tim Jones disse no seu sermão de domingo que as pessoas deviam roubar em grandes cadeias de lojas e não em pequenos estabelecimentos.

Para ele, a sociedade “deixa algumas pessoas sem outra opção a não ser o crime.”


"Eu não faço esta recomendação porque acho que furtar é uma coisa boa, ou porque acho que não faz mal, pois faz”, explicou, acrescentando que deixar as pessoas sem trabalho e com um apoio social inadequado “é uma insensatez monumental, catastrófica.”


Entretanto, o Arquidiácono de York esclareceu a situação: "A Igreja da Inglaterra (anglicana) não recomenda que ninguém furte”, acusando o padre Tim Jones de irresponsabilidade.


Mais tarde, em entrevista à rádio da BBC em York, Jones afirmou que sua intenção não era encorajar as pessoas ao furto, mas a “doar mais para a caridade para impedir que os necessitados fiquem desesperados.”


"Se uma pessoa esgotou todas as oportunidades dentro da lei para obter dinheiro e ainda está numa situação desesperada, a melhor coisa a fazer será tirar o que precisar e só pelo tempo que precisar", concluiu.


[In Jornal 'i']



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:06
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#1106 - A. M. Pires Cabral ganha prémio Luís Miguel Nava

 

O Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009, agora bienal e referente aos livros de poesia publicados em 2007 e 2008, foi atribuído ao livro As Têmporas da Cinza, de A. M. Pires Cabral, publicado pelas Edições Cotovia.


O galardão, no valor de cinco mil euros, foi dado por decisão unânime do júri constituído, por quatro membros da direcção da Fundação Luís Miguel Nava (Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Luís Quintais), e pelo poeta e crítico António Carlos Cortez.

Segundo um comunicado da fundação, "a limpidez e a precisão da escrita de A. M. Pires Cabral, a sua penetrante e austera visão dum mundo cuja expressão encontra numa espécie de imitação da terra o modelo para uma linguagem poética de invulgar intensidade, fazem deste autor um dos casos mais representativos da nossa melhor poesia contemporânea".

Pires Cabral, 68 anos, já escreveu poesia, teatro, romance, conto, ensaio e crítica.

Nas edições anteriores, o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava foi atrtibuído aos poetas Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Manuel António Pina, Luís Quintais, António Ramos Rosa e Pedro Tamen.

Luís Miguel Nava (1957-1995) foi um poeta e ensaísta português, que se radicou em Bruxelas, onde foi assassinado.

In "Jornal Público"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:43
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#1105 - Manoel de Oliveira entre os melhores de 2009 para a revista Cahiers du Cinema


O filme "Singularidades de uma rapariga loura", do realizador português Manoel de Oliveira, foi eleito um dos melhores de 2009 pela revista de cinema francesa "Cahiers du Cinema". [In Público on-line]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:27
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
#1104 - Steve Kuhn

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:06
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
#1103 - Ian McEwan publica novo romance em Março



O escritor britânico Ian McEwan publica em Março o próximo romance, Solar, que se anuncia já polémico por ser politicamente incorrecto. O protagonista é um físico e prémio Nobel chamado Michael Beard, que ajudou a combater as alterações climáticas inventando a forma de gerar energia de um processo artificial de fotossíntese, segundo o vespertino Evening Standard.

 

Um dia, numa conferência, o cientista afirma que a razão pela qual há um desequilíbrio no mundo da ciência entre homens e mulheres é devido às diferenças inatas entre os cérebros de um e outro sexo.

 

O último número da revista New Yorker publicou, na edição electrónica, um extracto de Solar, que conta como, na juventude, Beard seduziu uma bela estudante de literatura investigando o seu tema favorito, Milton, com facilidade, por estar habituado às exigências intelectuais da física teórica.

De acordo com o Evening Standard, McEwan tem sido alvo de ataques na Internetàs suas obras, sobretudo ao romance Sábado, facto que um comentador atribui em parte a ressentimentos de classe e divergências políticas.[In DN]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:18
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#1102 - Prémio Branquinho da Fonseca

Mariana Roquette Teixeira foi a vencedora do prémio Branquinho da Fonseca Expresso/Gulbenkian 2009. A autora levou a melhor sobre 36 outros concorrentes na modalidade infantil, com a obra O Pintor Desconhecido. A jovem escritora vai agora receber cinco mil euros e verá o livro publicado em 2010 pela editora Livros Horizonte. A cerimónia de entrega está marcada para as 18.30, na Sala 1 da Fundação Gulbenkian. O júri, composto por Ana Maria Magalhães, Inês Pedrosa, José António Gomes, Maria Manuela Goucha Soares e Maria Helena Melim Borges, deliberou não atribuir prémio na modalidade juvenil, "por considerar que nenhum dos 21 originais apresentadores se enquadrava nos objectivos com que o prémio foi instituído", pode ler-se em comunicado Os mesmos passam por "incentivar a escrita de um texto de ficção dirigido a adolescentes ou pré-adolescentes". [In DN]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:14
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#1101 - "Vejo um País triste e de tédio”

Rentes de Carvalho, escritor português que é best-seller na Holanda, publicou este ano em português ‘Com os Holandeses’ e ‘Ernestina'.



Correio da Manhã - José Saramago escreveu, em Maio de 1968, uma crítica na ‘Seara Nova’ a propósito do romance ‘Montedor’ em que falava de “uma escrita que decide sugerir e propor em vez de explicar e impor...?. Concorda?

Rentes de Carvalho - Concordaria sempre. Era uma crítica séria porque o Saramago não era o de agora, era um crítico respeitado e uma crítica dele era excelente.

- Como descreve a sua escrita?

- É simples. A dificuldade é saber o que se quer dizer e acumular as palavras necessárias. Por trás da simplicidade está um trabalho forte.

- Trás-os-Montes está muito presente na sua escrita. Quais são as recordações que guarda desse Trás-os-Montes dos anos 30/40?

- Portugal era diferente. Lembro-me do medo. Foram tempos terríveis, de fome, pobreza e humilhação. Quando escrevi o meu segundo romance, muitos jovens lá da aldeia leram e foram interrogar os pais e os avós se tinha sido assim mas a resposta foi sempre: “Não se fala sobre isso”. O medo continua entranhado nas pessoas, é o medo dos pobres, dos que não têm defesa nem direitos.

- Porque é que apesar de ter passado tantos anos na Holanda, Trás-os-Montes continuou sempre tão presente na sua escrita?

- Escrevi também sobre temas holandeses mas achei que não era tão capaz de o fazer como o faço em relação à minha gente. Conheço melhor os holandeses do que a sociedade portuguesa mas a minha afinidade é maior com o nosso povo. Se olhar para a minha vida, fui para Paris, onde vivi quatro anos, e encontrei uma sociedade diferente - com mais conforto, dinheiro e liberdade. Depois fui para a Holanda, onde vivo, mas o que guardo como os anos mais importantes foram os meus 20 anos que passei em Portugal. Estive 14 anos sem poder regressar mas quando voltei, em 1964, encontrei tudo como tinha deixado. No regresso à Holanda, cheguei ao aeroporto e ouvi-me a dizer: cheguei a casa e, esse sentimento de chegar a casa, nunca tenho quando venho cá. Quando chego a Portugal sou a pessoa de antigamente, aquele que ficou cá. O meu primeiro romance fala do que me teria acontecido se tivesse ficado e é nesse livro que sinto que fugi ao destino. O holandês é a língua com que escrevo no diário, com que falo no quotidiano, é a língua do amor e da família, o inglês e o francês são as minhas línguas de leitura e o português é a língua em que eu escrevo – é como se tivesse um quarto em que ninguém entra, ali mando eu. É o meu tesouro.

- Escreve ficção ou memórias?

- Os dois. Tenho contos que as pessoas perguntam se aconteceu mesmo e não posso dizer que é ficção porque não acreditam.

- Como é que um escritor opta pela fusão das duas?

- Tem um filtro. Faz uma valiação entre o que é bom e o que não é. O segredo é não deixar que o leitor perceba o que é o quê.

- Vendo de fora, o que há a dizer sobre Portugal?

- Vejo um País triste, de tédio e do almoço. O acontecimento mais notável para o português é o almoço. A pessoa levanta-se, trabalha um bocadinho e depois vai almoçar e, estende o almoço como se fosse um fim em si.

- Foi obrigado a sair de Portugal por razões políticas. O que aconteceu?

- Eu estava na faculdade de Direito e fiz umas perguntas sobre os sindicatos e um dos professores não gostou. Um dia o meu pai foi abordado pela PIDE: “O rapaz que tenha cuidado porque arrica-se a ir para a cadeia”. Na altura, ou saía de Portugal ou era preso, o que não me deixou escolha.

- Já alguma vez pensou como seria se não tivesse ido embora?

- Era um escriturário de segunda na Câmara de Mogadouro ou tinha aprendido a arte de sapateiro. No livro ‘Montedor’, mostro isso mesmo: o que me teria acontecido e a tantos outros como eu.

- Que razões encontra para vender cerca de 120 mil exemplares de um livro na Holanda e não ter o mesmo sucesso em Portugal, sendo ele tantas vezes mencionado nas obras? 

- Os holandeses acham-me simpático e eu ganhei uma certa reputação quando comecei a escrever nos jornais em holandês. Escrevi ‘Com os Holandeses’, de 1972, que vai agora na 13ª edição e continua a vender. Eu sou bom na escrita, sou diferente. Um escritor holandês tem um número de temas sobre os quais escreve – sexo, amor, família e, depois aparece um sujeito a contar histórias de Trás-os-Montes, que acham exótico e bonito. Em Portugal, talvez não seja tão conhecido porque é preciso ter os amigos certos, dizer que determinados livros são bons, entre outras coisas e, eu nunca entrei nesse jogo. Neste sentido a pátria é madrasta.

- Olhando para Portugal e para a Holanda, que características se podem apontar como o que de melhor há nos dois países?

- Na Holanda, há sentido de organização, pontualidade, não há quase corrupção no aparelho do governo e há responsabilidade social, enquanto em Portugal apenas falamos de uma roubalheira nacional. Mas temos também um sentido de carinho que falta na Holanda porque as pessoas são mais frias dentro do núcleo familiar.

- Quantos livros vendeu na Holanda e em Portugal?

- Na Holanda deve rondar o meio milhão de exemplares enquanto em Portugal falamos de cerca de três mil exemplares.

- O facto de o mesmo livro ter um número de vendas tão diferente pode apontar para diferenças nos leitores dos dois países? Quais?

- Na Holanda existe uma tradição de leitura, uma pessoa para contar na sociedade tem de ler e ter em casa uma estante com vários livros.

- Voltaria a viver apenas em Portugal?

- Vivo cá. Passo metade do ano em Trás-os-Montes e metade em Amesterdão. A casa que o meu avô construiu sozinho estava em ruína e nós mandámos reconstruir. Sentimos obrigação de a habitar por respeito ao homem que foi. É a ternura que me traz aqui.  

- Nos anos em que não veio a Portugal sentiu saudades do que, além da família e dos amigos?

- De não participar. Os meus pais iam ver-me à fronteira espanhola mas eu não podia passá-la, via Portugal do outro lado, é inesquecível. Mesmo hoje, sem fronteiras, passo por ali e custa-me.

- ‘Europa Rica, Europa Pobre’, fala exactamente sobre a perspectiva de não existirem fronteiras físicas mas que para alguns permanecem lá. Qual é a ideia?

- O pobre português pode ver a Europa rica mas não pode ir para lá, enquanto povos, como o Holandês, podem andar por toda a parte. Não consigo esquecer a história dos humildes e humilhados que conheci na infância. Nós não eramos pobres mas todos à nossa volta eram, ao ponto de só terem um bocado de pão e de uma cebola para comer. A vida neste País era muito dura. Houve um ano em que fugiram quase um milhão de portugueses para irem a pé até França mas quando chegaram à fronteira da Espanha com a França, ao rio Bidasoa – que tem uma corrente terrível – atravessavam o rio a pensar que podiam nadar e morreram milhares de pessoas de quem ninguém fala. Pensavam que a fortuna estava do outro lado e deitavam-se ao rio na esperança de uma vida melhor. Quando passo por lá fico sempre emocionado.

- Voltando aos livros. Há algum que destaque em particular?  

- ‘Com os Holandeses’ porque teve uma origem curiosa. Estava com um amigo holandês, que é editor, e comecei a falar mal dos holandeses – chatos, forretas, insensíveis – e ele propôs-me que escrevesse isso. Uns dias depois chegou uma carta da editora com um chegue no valor dos primeiros direitos de autor, e escrevi. Sabia que os holandeses iam aceitar, eles encaram as críticas como construtivas. Este livro tem me trazido amizades porque eles reconhecem que são mesmo assim.

- Sente algum tipo de mágoa por ser tão reconhecido na Holanda e não em Portugal, onde pertence e que tantas vezes menciona nos livros?

- Não porque as pessoas não são obrigadas a ler mas dói-me o desleixo e egoísmo que há em Portugal. As pessoa vivem em torno do pai, da mãe e dos filhos e não se preocupam com o resto do país. Vivo num país onde há alguma frieza no núcleo familiar mas o País interessa porque é de todos. Portugal é um país de poucos ricos e muitos pobres, e esta parte do País magoa-me muito.

- Qual era o seu sonho de criança?

- Ser advogado porque queria defender os pobres mas descobri que o que podia fazer para ‘gritar’ era o jornalismo. Era a denúncia.

PERCURSO ERRANTE DO ESCRITOR

Apesar dos anos na Holanda, Portugal continuou sempre presente na sua escrita. Rentes de Carvalho escreveu sobre temas do país de adopção, na obra ‘Com os Holandeses’, mas não se sente tão capaz de o fazer como o faz em relação à sua "gente", caso de ‘Ernestina’.

Viveu quatro anos em Paris, onde encontrou uma sociedade diferente: "Havia mais liberdade, conforto e dinheiro." Depois descobriu a Holanda, onde vive até hoje, mas o que guarda como os anos mais importantes da sua vida são os 20 que passou em Portugal. "Quando chego sou a pessoa de antigamente, aquele que ficou cá", garantiu ao CM.

Homem de várias línguas, Rentes de Carvalho usa a língua holandesa no quotidiano como idioma do amor e da família, tal como o inglês e o francês para a leitura, mas é o português o idioma eleito para escrever: "É o meu tesouro. É como se tivesse um quarto onde ninguém entra. Ali mando eu."

PERFIL

De ascendência transmontana, nasceu em Vila Nova de Gaia em 1930, onde viveu até 1945. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda. Desde 1988, dedica-se principalmente à escrita.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:08
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
#1100 - Antologia da Poesia Portuguesa apresentada hoje

Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI  é apresentada hoje, às 19h, na Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa. Oitocentos anos de poesia, 267 autores e mais de dois mil textos, com prefácio de Vasco Graça Moura. Coordenação e organização Jorge Reis-Sá e Rui Lage:
 

«Esta é a primeira antologia panorâmica que abarca a poesia portuguesa desde os seus alvores, na transição do século XII para o século XIII, cerca de seis décadas após o nascimento do Reino de Portugal, até ao presente, entendendo-se por presente o ano de 2008, data dos poemas mais recentes aqui recolhidos. Em consequência desta novidade, surge uma outra: a de ser esta a primeira vez que todo o arco temporal do século XX é objecto de um projecto antológico não exclusivo, isto é, nem temático, nem tendencioso. Por outras palavras, esta antologia, passe a redundância, começa no começo, e termina na actualidade. [...] Nestas mais de 2000 páginas coexistem, diacronicamente, mais de 800 anos de poesia, desde a "Cantiga de Garvaia" de Paio Soares de Taveirós, datável do primeiro decénio do século XIII, até Outubro de 2008, data do mais recente poema aqui incluído, "Rasto", de Luís Quintais.»

 

In Revista LER



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:51
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#1099 - Por outras palavras, de Manuel António Pina


De novo o IEFP

A notícia vem no "Público" e põe questões que só o são num país onde os poderes públicos parecem ter batido no fundo no que toca a degradação moral: pode um serviço público prosseguir interesses diferentes do interesse público?

 E: é ou não do interesse público o cumprimento isento e imparcial da lei pelas instituições do Estado? Para o IEFP ou, pelo menos, para uma directora da sua Delegação Norte, a resposta à primeira questão é "sim" e a resposta à segunda é "não". Compreende-se assim que o IEFP tenha afastado compulsivamente um jurista das suas funções por ele "(olhar) para a lei com isenção e imparcialidade" quando deveria fazê-lo "a favor do IEFP, numa óbvia perspectiva de parcialidade e pouca isenção". A senhora directora bem o alertou contra os inconvenientes de um funcionário público agir com isenção e imparcialidade: "Tudo o que fizer ao contrário deste princípio (o da "parcialidade e pouca isenção") prejudica a sua carreira". O funcionário insistiu em ser "isento e imparcial" e a carreira foi-se-lhe. Em contrapartida, a da directora "parcial e pouco isenta" vai de vento em popa.




publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:45
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
#1098 - Kevin Meredith

Photographer: Kevin Meredith


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:40
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#1097 - LANGSTON HUGHES



Quando se adia um sonho

Harlem [2]


 

O que acontece quando se adia um sonho?

Será que ele seca

Como uva-passa?

Será que inflama como ferida -

E depois apodrece?

Será que fede como carniça?

Ou cristaliza -

Como a calda do doce

Talvez só se acomode

Como carga pesada.

Ou será que explode


Poema de Langston Hughes



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:29
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#1096 - Banca sobreviveu graças ao tráfico de droga, acusa ONU

Roberto Saviano, quando esteve em Santa Maria da Feira em de Setembro deste ano, denunciou, com toda a clareza, o papel do tráfico da droga no sistema financeiro mundial.


Perto de 240 mil milhões de euros em dinheiro sujo evitou um colapso ainda maior, diz responsável da ONU pelo combate ao crime

 

O máximo responsável da ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, o italiano Antonio Maria Costa, acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. "Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais", acusou ontem em declarações ao "Observer". Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:04
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#1095 - Quem semeia ventos colhe tempestades



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:59
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#1094 - O Palhaço
O palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

 

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

 

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

 

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples. [In JN]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:49
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Domingo, 13 de Dezembro de 2009
#1093 - Tarragona (Espanha) lança uma Biblioteca gratuita para 'e-books'

Tarragona explora desde esta semana las posibilidades del libro electrónico en la Red. El portal gestionado por la Diputación de la provincia ha impulsado una biblioteca digital gratuita (www.tinetbiblioteca.org) en la que los internautas disponen de 241 obras literarias. Los textos pueden descargarse para ser leídos en libros electrónicos sin aportar un céntimo. "Es una iniciativa pionera para medir el alcance del fenómeno dele-book y su evolución en el territorio", señala un portavoz de Tinet, portal orientado a los ciudadanos de las comarcas de Tarragona.

 

In 'El País'



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:45
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#1092 - The Walkabouts

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:19
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Sábado, 12 de Dezembro de 2009
#1091 - O Original de Laura - Vladimir Nabokov

"O Original de Laura", escrito no fim da vida por Vladimir Nabokov, é pouco mais que um rascunho. Mas a história do manuscrito - que envolve morte, dinheiro e até fantasmas - é tipicamente nabokoviana

 

.

Exilado com a família, filho de um pintor russo de "óleos inconsoláveis", Adam Lind era um fotógrafo homossexual de sucesso em Nova York, casado com uma bailarina que colecionava amantes polacos em sindicatos de transportes. Com "pendor para a trucagem", Lind registrou o próprio suicídio a bala, em fotos tiradas de diferentes ângulos num hotel, depois que o homem por quem se apaixonara havia estrangulado outro. "Essas fotografias automáticas de seus últimos momentos e das patas de leão de uma mesa não saíram muito bem; mas sua viúva vendeu-as com facilidade pelo preço de um apartamento em Paris para a revista local Pitch especializada em futebol e fait divers diabólicos", escreve Vladimir Nabokov em O Original de Laura, o manuscrito incompleto do escritor russo revelado ao mundo com estardalhaço no mês passado.
Ver mais... )


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:47
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#1090 - Frases

Alberto João Jardim: "Não tenho a idade do menino Jesus para fazer acordos secretos"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:34
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#1089 - Ateneu do Porto revela códices medievais



Até ao próximo dia 20, o Ateneu Comercial do Porto recebe uma mostra de tesouros bibliográficos medievais. Inaugura hoje às 18.30

Está patente a partir de hoje, no Salão Nobre do Ateneu Comercial do Porto, a exposição Códices Medievais e Cartografia Portuguesa, que inclui reproduções de alguns dos mais preciosos códices medievais e de exemplares únicos de cartografia.

"Estão aqui três das mais importantes obras da cartografia portuguesa: o Atlas Universal, de Diogo Homem (cujo original está na Biblioteca Nacional da Rússia), o Atlas Miller (original na Biblioteca Nacional de França) e o Atlas Vallar, cujo original também está fora de Portugal", disse Manuel Moleiro, um dos responsáveis desta mostra, que estará patente no Ateneu Comercial do Porto até ao dia 20.

A exposição, integrada na comemoração do 140.º aniversário da Biblioteca do Ateneu, inclui um exemplar da primeira edição de Os Lusíadas, que faz parte do espólio bibliográfico do Ateneu e foi recentemente restaurado pela Fundação Ricardo Espírito Santo.

A mostra integra ainda reproduções de obras como o Livro de Horas de Joana I de Castela (séc. XVI), o Tacuinum Sanitatis (um livro com conselhos para a saúde escrito em Bagdad por volta de 1036 e iluminado na Alemanha no século XV), o Livro da Felicidade, pintado em Istambul para o sultão Murad III, e ainda As Grandes Horas de Ana Bretanha, um livro de horas que é também um tratado de botânica, cujo original está na Biblioteca Nacional de França.

Todavia, o principal tesouro desta mostra é a Bíblia de S. Luís, considerada como o "monumento bibliográfico mais impressionante alguma vez criado pela humanidade". O responsável por esta edição, Manuel Moleiro, disse à agência Lusa que, apesar de não ser a versão original que se encontra na mostra, está patente "uma reprodução fidelíssima, em que foram usados todos os materiais originais, inclusivamente o ouro, em cada uma das suas 4887 iluminuras". O editor acrescentou ainda: "Com três volumes e 1230 páginas com 4887 cenas da Bíblia, esta obra, pintada em Paris entre 1226 e 1234 para o rei Luís IX de França, futuro São Luís, é uma criação irrepetível e de valor inestimável."

Como já foi referido, a mostra está patente no Ateneu a partir de hoje, estando marcada a inauguração para as 18.30, hora em que realizar-se-á uma conferência subordinada ao tema "O Atlas Vallard e a Cartografia Portuguesa de Quinhentos", pelo professor Luís Filipe Thomaz.

 

Horário da exposição:
Dia 12 das 17h00 às 23h30
Dia 13 das 15h00 às 23h30
Dias 14 a 18 das 16h00 às 22h00
Dias 19 e 20 das 15h00 às 23h30


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:26
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#1088 - Realizador brasileiro roda em Santa Maria da Feira

O realizador brasileiro André Francioli está a rodar, até depois de amanhã, na Mata das Guimbras, junto ao castelo de Santa Maria da Feira, a curta-metragem "Hai Kai Diamante", que conta "a história algo assombrada de um rockabilly perseguido no bosque".

 

O calendário de filmagens enquadra-se na 13.ª edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro, a decorrer na cidade até amanhã. Baseando-se numa "tirinha de banda desenhada que apresentava um jogo de signos gráficos muito interessantes", o filme aplica à imagem real não só os símbolos da micropoesia japonesa conhecida como "hai kai" mas também a estética própria da manga, conduzindo a "um final surpreendente com desdobramento de sentidos", explicou o cineasta.

 

André Francioli reconhece que essa diversidade de estilos não será habitual no Brasil, onde "a maior parte do cinema tem hoje pouco interesse para o público e para a crítica porque há uma estandardização da forma determinada pela linguagem das telenovelas".

"Isso leva a que filmes mais interessantes do ponto de vista da linguagem fiquem muito marginalizados e não encontrem espaço no circuito comercial", explica o realizador.

"O grosso da produção média acaba, portanto, por não aprofundar a pesquisa de novas linguagens nem atingir as massas, ficando num limbo sem qualquer interesse", considera.

O cinema português também não se consegue afirmar no Brasil, porque, como refere André Francioli, "não chega ao circuito comercial e passa apenas em festivais".

In JN



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:15
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
#1087 - DIA 11 DEZEMBRO: PRÉMIO NACIONAL DE POESIA ENTREGUE EM BENAVENTE

O poeta António de José Dias de Carvalho Neves Cabrita foi o grande vencedor do Prémio Nacional de Poesia “Natércia Freire” 2009. O galardão vai ser entregue esta sexta-feira, 11 de Dezembro, às 21h30, no Cineteatro de Benavente.

O Júri do Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire, reunido na Biblioteca Municipal de Benavente no passado dia 17 de Novembro de 2009, decidiu por unanimidade atribuir ao galardão ao original “Bar La Fontaine”, de António de José Dias de Carvalho Neves Cabrita, um dos 147 originais concorrentes ao Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire 2009 .

António de José Dias de Carvalho Neves Cabrita nasceu no Pragal a 16 de Janeiro de 1959. Em 1979 publicou Oblíqua Visão de um Cristal num Gomo de Laranja ou Perene o Sangue que arrebata os Anjos Vingadores. Parte considerável da sua obra poética está reunida em Arte Negra, livro publicado em 2000 pela editora Fenda. Crítico de cinema e crítico literário no Expresso, António Cabrita é também editor das edições Íman, director da revista Construções Portuárias e autor de vários contos e argumentos para cinema.


In "Livros e Leituras"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:17
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