PORQUE O POLITICAMENTE CORRECTO CORROMPE E DESTRÓI - Desde Novembro de 2005
Sábado, 28 de Janeiro de 2012
#1597 - The Unthanks - Starless


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:29
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1596 - Tchaikovsky - Valse Sentimentale


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 01:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1595 - Canto das Imagens

Ao princípio era só uma em cada olhar

após a grande divisão das águas

e mesmo, segundo disse Baudelaire, a imagem

até ao seu século do real múltiplo

era una, única e própria. Dementes

chamou este cantor aos fotogramas

que roubavam à alma a unicidade

e deram aos olhos frívolos as figuras

plurais, idênticas, dispersivas.

Era somente uma a imagem mística,

dos entes naturais aos transcendentes.

Só uma esta vermelha afelandra

embora as suas irmãs se lhe assemelhem

e desassemelhem, cada uma, sempre.

O concreto pulsava neste ritmo

das coisas parcas, poucas, singulares.

E de repente, mnos olhos do poeta

cada coisa reproduziu a imagem

inumeradamente, e a ideia

decaíra no banal prolixo.

Antes, podia hesitar-se entre o modelo

e as sombras de Platão, agora as flores

malignas podem reproduzir-se no mundo

nítidas, iguais, supérfluas.

Eu ainda vejo o olhar antigo de Baudelaire

e cada coisa vibra no seu mito,

e cada imagem cria o seu espírito,

e cada cópia fotográfica muda

na liminarmente máxima diferença.

Ao crítico e amante da Pintura

as dúbias imagens decerto deram

a cada rosto um só outro rosto,

a cada paisagem uma só tela.

Já os vidros, a água, a prata traziam

a incerteza aos traços, como se os olhos

que nos deu a Natureza nos fossem

infiéis. E o poeta pôde resistir

a esta perda das formas consagradas

e consubstanciais das coisas que ainda

ecoam a Criação como o eco cósmico

 

 

Poema de Fiama Hasse Pais  Brandão, OBRA BREVE [Poesia Reunida], Assírio & Alvim, edição 0976, Maio de 2006



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
#1594 - Guimarães, capital europeia da cultura

 

O que vai acontecer este  fim-de-semana



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 11:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1593 - Guimarães, capital europeia da cultura

 

Guimarães no topo dos destinos europeus mais recomendados em 2012, de acordo com a National Geographic, Lonely Planet, CNNGo, Travelk & Leisure, USA TODAY, Budget Travel, e Frommers.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 11:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
#1592 - Andrew Miller vence o título de livro do ano no prémio Costa Book

 

 

O melhor livro do ano é “Pure”, do jornalista e escritor Andrew Miller, anunciou na terça-feira o júri do prémio literário Costa Book. A história de um jovem engenheiro responsável pela supervisão da demolição do cemitério mais antigo de Paris valeu a Miller 30 mil libras (35 mil euros).



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
#1591 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

 

Parte V (continuação)

 

Tudo quanto foi atrás dito dificilmente explica as perniciosas implicações do neoliberalismo para com uma cultura política centrada no civismo. Por um lado, a desiguldade social gerada pelas políticas neoliberais prejudica qualquer esforço para dar forma à igualdade prevista na lei e necessária para conferir credibilidade à democracia. Os grandes conglomerados dispõem de recursos  para influenciar os meios de comunicação e esmagar o processo político, e fazem-no com eficácia. Para dar um só exemplo, na política eleitoral dos EUA, o mais rico um quarto de um por cento dos americanos contribui com oitenta por cento do total de contribuições políticas individuais  e, para o mesmo fim, as corporações ultrapassam em 10 para 1 os valores destinados a custos com pessoal. Visto sob o prisma do neoliberalismo tudo isto faz sentido, tendo em conta que as eleições então reflectem princípios de mercado, logo as contribuições são entendidas como investimento. Daí resulta o reforço da irrelevância da política eleitoral para a maioria do povo e a garantia da manutenção inquestionável das regras ditadas pelas corporações.

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
#1590 - Gonçalo M. Tavares vence prémio Fundação Inês de Castro

 

O escritor Gonçalo M. Tavares venceu a quinta edição do prémio literário Fundação Inês de Castro, de Coimbra, com o romance "Uma Viagem à Índia".


O júri do prémio atribuiu ainda um Tributo de Consagração a Fernando Echevarría, 82 anos, pelo conjunto da obra literária.


O júri do prémio Fundação Inês de Castro integrou José Carlos Seabra Pereira, Mário Cláudio, Fernando Guimarães, Frederico Lourenço e Pedro Mexia.


O romance "Uma Viagem à Índia", editado em 2010, tem por referência "Os Lusíadas", mas é "uma narrativa de uma viagem contemporânea, no século XXI", como explicou o autor à agência Lusa quando o livro foi lançado.

 

O escritor receberá o prémio - que inclui uma escultura de João Cutileiro - 04 de fevereiro na Quinta das Lágrimas, em Coimbra.


Nas edições anteriores, foram distinguidos Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça e Hélia Correia.

 

"Uma Viagem à Índia" já valeu a Gonçalo M. Tavares o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Literário Fernando Namora/Estoril Sol, tendo sido ainda finalista do prémio Portugal Telecom de Literatura.


Gonçalo M. Tavares nasceu em Angola, em 1970, e já recebeu vários prémios, nomeadamente o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004, ambos para o romance "Jerusalém".


O escritor publicou no final do ano passado o livro "Short Movies".

 

Fernando Echevarría, nascido em Espanha em 1929 filho de pai português e mãe espanhola, recebeu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores 2009 pelo livro "Lugar de Estudo".

 




publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 22 de Janeiro de 2012
#1589 - Um coração simples, de Gustave Flaubert

POR

 

 

A obra-prima de Gustave Flaubert e uma das mais refinadas realizações literárias de todos os tempos

 

Em dezembro de 2011, completaram-se 190 anos de nascimento do escritor francês Gustave Flaubert. Autor de clássicos como “Madame Bovary” e “A Educação Sentimental”, Flaubert é considerado um dos maiores escritores franceses de todos os tempos. Em 1877, aos 55 anos, Gustave Flaubert escreveu o livro “Trois Contes” (“Três Contos”), entre eles um que é considerado sua obra-prima e que ocupa um lugar de destaque na história da ficção universal: “Un Cœur Simple” (“Um Coração Simples”). O conto foi uma ideia da escritora George Sand, que sugeriu a Flaubert que escrevesse “uma história de homem sensível, em que, sem pregar a bondade, sem anunciar a bondade com frases de autor, fizesse com que ela aparecesse nos gestos inconscientes da criatura mais humilde e obscura”. Em comemoração a seu aniversário, publicaremos o conto, dividido em três partes. A tradução é de Clotilde Mariano Vaz, Daniel Vaz e Simia Katarina Rickmann e foi publicada em 1996 pela editora Paz e Terra. (Carlos Willian Leite).

 

 

In "



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1588 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

 

Parte IV (continuação)

 

 

Portanto, o sitema neoliberal  gera um importante e necessário subproduto - uma cidadania despolitizada marcada pela apatia e pelo cinismo. Se a democracia eleitoral afecta em tão pouco a vida social, torna-se irracional prestar-lhe grande atenção; nos Estados Unidos, berço da democracia neoliberal, em 1998, a abstenção nas eleições para o Congresso constituiu um recorde, somente com um terço dos cidadãos eleitores a exercerem o direito de voto. Apesar da preocupação demonstrada ocasionalmente pelos partidos tradicionais, como o Partido Democrático dos EUA, no sentido de tentar atrair so votos dos mais desfavorecidos, a forte percentagem de abstenção tende a ser vista como  aceitável e é encorajada pelos poderes existentes como algo de salutar, visto que, sem surpresa, os não votantes situam-se maioritariamente entre os pobres e a classe trabalhadora. As políticas que poderiam conduzir a um rápido incremento do interesse dos votantes e a taxas de participação mais elevadas são bloqueadas antes mesmo da sua discussão pública.  Por exemplo, nos Estados Unidos, os dois partidos mais importantes, que são dominados pelo mundo dos negócios, com o apoio da comunidade das corporações, recusaram alterar as leis que virtualmente impedem o aparecimento de novos partidos políticos (os quais poderiam fazer apelo a interesses alheios aos negócios) e que eles  exerçam plenamente os seus direitos. Se bem que exista insatisfação pelo comportamento dos Democratas e dos Republicanos que é anotada e frequentemente referida, a política eleitoral é uma área onde noções de competividade e livre escolha têm pouco sentido. Sob certos aspectos, o teor dos debates  e as propostas em elições neoliberais estão mais próximos dos levados a efeito nos Estados comunistas de partido único do que aquelas que têm lugar nas sociedades genuinamente democráticas.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:00
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
#1587 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

 

Parte III (continuação)

 

 

É precisamente a opressão exercida sobre as forças situadas fora do mercado que nos permite observar o modo de actuar do neoliberalismo não só como sistema económico, mas também como sistema político e cultural. Podem aqui verificar-se as suas diferenças para com o fascismo, com o seu desprezo pela democracia formal e com os seus movimentos sociais altamente mobilizados pelo racismo e pelo nacionalismo, que são notáveis. O neoliberalismo actua melhor quando existe uma democracia eleitoral formal, mas desde que a população seja desviada das fontes de informação e dos debates públicos que habilitam à formação participativa de uma tomada de decisão. Como foi salientado  pelo guru do neoliberalismo, Milton Friedman, na sua obra Capitalism and Freedom, e dado que a obtenção de lucro é a essência da democracia, qualquer governo que conduza políticas contra o mercado está a comportar-se de forma antidemocrática, sendo irrelevante o apoio que goze por parte de uma população esclarecida. Logo é mais conveniente restringir a acção dos governos à tarefa de proteger a propriedade privada e fazer cumprir os contratos, e limitar o debate político a questões menores. (As questões importantes como sejam a produção e distribuição de recursos e a organização social devem ser determinados pelas forças do mercado.)

 

Munidos com esta perversa visão da democracia, os neoliberais, como Friedman, não levantaram quaisquer objecções ao golpe de Estado que em 1973 depôs o governo democraticamente eleito de Allende, visto que o presidente estava a interferir com o controlo dos negócios da sociedade chilena. Quinze anos após uma ditadura que com frequência foi brutal e selvagem - tudo em nome do democrático e livre mercado - a democracia formal foi restabelecida em 1989, com a promulgação de uma constituição que torma substancialmente mais difícil, senão impossível, aos cidadãos desafiarem o domínio da sociedade chilena exercido pelo complexo militar dos negócios. A democracia neoliberal pode resumir-se: um debate banal sobre questões menores levado a cabo por partidos que basicamente prosseguem as mesmas políticas favoráveis ao capital, independentemente de diferenças formais ou da forma que revestem os debates eleitorais. A democracia é permissível desde que o controlo dos negócios esteja fora dos limites de escolha ou de mudança como demonstração da vontade popular, i.e., desde que não exista democracia.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:09
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
#1586 - Desabafos

Desculpem, mas apetece-me gritar, como  o Luís Pacheco escreveu, puta que os pariu...


tags:

publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1585 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

 

Parte II (continuação)

 

 

As consequências económicas destas políticas  tiveram praticamente os mesmos resultados idênticos onde quer que tenham sido aplicadas: um aumento maciço da desigualdade social e económica; um assinalável incremento da forte dependência das nações e dos povos mais pobres do mundo; um desastre ambiental global; uma economia global instável, e uma bonança sem precedentes para os ricos. Ao serem confrontados com estes factos, os defensores da nova ordem liberal argumentam que os restos do que é bom invariavelmente sobejam para a generalidade da população - desde que não se encontrem em oposição às políticas neoliberais que exacerbaram estes problemas!

 

No fundo, não é possível aos neoliberais, nem essa é a sua intenção, defenderem empiricamente  o mundo que pretendem construir. Muito pelo contrário, eles oferecem - melhor, exigem -  uma fé religiosa na infabilidade da desregulmentação do mercado, que reconduz às teorias do século XIX que muito pouco tem a ver com o mundo actual. No entanto, o último dos trunfos dos defensores do neoliberalismo é acentuar a falta de alternativas. Eles proclamam o falhanço das sociedades comunistas, da social-democracia e até dp Estado Social n a sua forma mitigada, tal como existe nos Estados Unidos, e a aceitação do neoliberalismo popr parte dos cidadãos como a única saída possível. Poderá ser considerado imperfeito, mas é o único sistema económico possível.

 

No início do século XX, alguns críticos apelidaram o fascismo de "capitalismo sem luvas", significando com isto que o fascismo era o capitalismo na sua forma pura sem a presença de estruturas ou direitos democráticos. De facto, todos nós reconhecemos que o fascismo é amplamente mais complexo. Por outro lado, o neoliberalismo é na verdade o "capitalismo sem luvas". Representa uma era onde a força do dinheiro é mais forte e mais agressiva, confrontando-se com oposição menos organizada que anteriormente. Neste circunstancialismo político, a força do capital procura sedimentar  o seu poder político em todas as frentes possíveis, e, como resultado, dificultar progressivamente que os negócios sejam postos em causa - e seguidamente tornar impossível - por negócios concorrentes situados fora do mercaso ou que não sejam lucrativos e acabar de uma vez por todas com as forças democráticas.

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
#1584 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

 

Parte I

 

O neoliberalismo é o paradigma político definidor da economia dos nossos tempos, tendo como referência políticas e procedimentos que permitem que uns poucos interesses privados controlem o mais possível a vida social, por forma a maximizar o seu lucro pessoal. Inicialmente associado a Reagan e Margareth Thatcher, o neoliberalismo foi, ao longo das duas últimas décadas, a orientação dominante adoptada pelos partidos políticos situados ao centro, por muita da esquerda tradicional bem como pela direita no que se refere a opções de política global. Estes partidos e as políticas por eles desenvolvidas são representantes dos interesses imediatos de investidores extremamente poderosos e de umas quantas corporações cujo número não ascende a cem.

 

À parte alguns académicos e membros da comunidade dos negócios, o termo neoliberalismo é mal conhecido e pouco usado pelo cidadão comum, especialmente os Estados Unidos. Ali, muito pelo contrário, as iniciativas neoliberais são caracterizadas como políticas de livre mercado, encorajadoras da livre empresa e da liberdade da escolha dos consumidores, premiando a responsabilidade pessoal e a iniciativa empresarial e destruindo o peso morto que constitui um governo incompetente, burocrático e parasita, o qual nada poderá fazer de bom, mesmo que seja esse o seu objectivo, coisae raramente acontece. Toda uma geração de técnicos de relações públicas financiada pelas corporações desenvolveu esforços e conseguiu  emprestar a estes termos e ideias uma aura sagrada. Daí resulta que as afirmações que produzem raramente necessitam de ser desmontradas, sendo antes invocadas como factor de racionbalização que cobre áreas que vão desde a redução dos impostos sobre a riqueza ou o abandono de determinadas regulamentações ambientais até ao desmantelamento de programas de educação pública ou de segurança social. Na verdade, qualquer actividade que possa interferir sobre o domínio da sociedade pelas corporações torna-se imediatamente suspeita, pois podem bulir com o funcionamento do livre mercado, considerado como o único distribuidor de bens e serviços racional, justo e democrático. No máximo da sua eloquência, os apóstolos do neoliberalismo, enquanto actores por conta de uns quantos endinheirados, surgem como defensores dos pobres e do ambiente e como estando a prestar um enorme serviço à comunidade.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:41
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 15 de Janeiro de 2012
#1583 - Pintelhices

Quem diria que o velhinho com cara de pai natal sem barbas era um cínico dos diabos, com sentido de humor grotesco e obsceno?



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1582 - Introdução

Luís Miguel Nava

 

 

Atei uma ligadura ao mundo.

 

Seguindo uma estratégia diferente, há quem o aparafuse, ajoelhando-se na terra, ou abra nele um olho, uma pupila.

 

Por cima dele o céu é elástico.

 

Elástico, adesivo, eis dois dos atributos que, ao dar por acabado o livro de que este texto pode, entre outros, ser a introdução, mais me fascinam.

 

A própria alma é elástica: podemos, assentando um dedo sobre a sua  superfície e pressionando-a, levá-la a tocar nas coisas mais inesperadas.

 

O real é um vidro pintado sob o sol berrante, as coisas prendem-se-me ao espírito. Do mar, para não dar senão um exemplo, fiz a minha máscara integral.

 

Luís Miguel Nava "Poesia Completa 1979-1994, publicações d. quixote, 2002

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:09
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 14 de Janeiro de 2012
#1581 - Frases

 

"São todos uns merdosos e traiçoeiros"

 

Daniel Craig sobre os políticos



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1580 - Frases

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Assalto à EDP

 

O grande banquete da pátria está a ser servido aos senhores feudais com lugar sentado

 

 

Clara Ferreira Alves in "pluma caprichosa" Revista Expresso n.º 2016, 14 janeiro 2012



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1579 - Vila Perdida

Natércia Freire

 

VILA PERDIDA

 

 

A vila não é aqui.

Vamos cegos mas sabemos

que a vila não é aqui.

Entre chaparrais e moitas,

se me afoito, se te afoitas

onde os tectos e os jardins

da vila que só eu vi?

 

Correm verões para a beira-rio

na velha vila deitada.

Correm verões anos a fio.

E a casa que está fechada,

a casa que nos ouviu

passos de voz compassada,

jaz na música do tempo,

humana, morta, inundada.

 

(Há romãzeiras no vale,

há pegos de água brilhante,

sons lentos, no salgueiral

de um murmúrio rastejante.)

 

Não estou aqui, nem ali.

Mas foi de lá que eu parti

com rumo à minha Cidade.

Sentei-me à beira da estrada.

Moços, pássaros, ciganos,

vi que passavam em bando.

E eu não perguntei o  quando.

Parti nos sonhos de todos

e até de mim me esqueci.

 

Porque era longe a Cidade

de um correio me servi.

Escrevi cartas para Deus.

Respostas de eternidade

recebi e recebi.

 

O regresso não o encontro

nos passos que um dia demos.

Mora num dia incompleto;

baila os rostos esfumados,

veste-se de oiro e de preto.

 

Está no fundo da lagoa,

é de vidro e soa e voa.

 

 

Poema de Natércia Freire, Poesia Completa, QUASI EDIÇÕES, 2006


 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
#1578 - Mahler: Symphony No 5 in C sharp minor / Barenboim, Chicago Symphony Orchestra


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1577 - Chrysta Bell & David Lynch. Polish Poem. Dutch Rall remiximagined


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1576 - lambchop - is a woman


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1575 - Nils Frahm - Tristana


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:26
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1574 - Chris Garneau - The leaving song


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:21
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1573 - Livros e Leituras

 

Passado na Pensilvânia, num cenário de grande beleza mas economicamente destruído, é um livro sobre a perda do sonho americano e do desespero - bem como da amizade, lealdade e amor - que dela advêm.
Esta é a história de dois rapazes ligados à cidade pela família, responsabilidade, inércia e beleza, que sonham com um futuro para além das fábricas e das casas abandonadas. Isaac English é deixado a tomar conta do pai depois do suicídio da mãe e de a irmã ter fugido para a universidade de Yale. Quando finalmente decide partir, acompanhado pelo seu melhor amigo, o temperamental Billy Poe, antiga estrela do futebol do liceu, são apanhados num terrível acto de violência que muda as suas vidas para sempre. Ferrugem Americana, evocativa dos romances de Steinbeck, leva-nos ao coração da América contemporânea num momento de profunda inquietação e incerteza quanto ao futuro. Trata-se de um romance negro mas lúcido e comovente, acerca da desolação que se bate com o nosso desejo de transcendência e acerca da capacidade salvadora do amor e da amizade.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1572 - A Memória

Assim é a memória. Onde quer que eu me encontre abre um buraco, entra na terra, o que me dificulta a marcha ao mesmo tempo que acentua esta estranheza de eu me sentir eu até onde nem mesmo as minhas mãos, ainda que escavassem, lograriam ir. Granitos, xistos, cimentos, a nada ela deixa de aceder por causa deles - às vezes acontece essa inquietante coisa de, num prédio, ser como se ela atingisse o andar de baixo ou outro mais baixo ainda, o que é de tal forma insidioso que, se alguém que dele chegasse mer dissesse nada ter notado, eu ficaria atónito. Mas é na pele que tudo se reflecte com maior intensidade - a memória abre um sulco através dela, espalha-se-lhe à tona com tudo o que da terra atrás de si carrega até se misturar com a saliva, a qual - completamente subterrânea - é o que por fim lhe serve de coroa, aquilo a que chamamos, referindo o mar, rebentação. Vem sempre dar à pele o que a memória carregou, da mesma forma que, depois de revolvidos, os destroços vêm dar à praia.

 

Luís Miguel Nava, poesia completa 1979-1994, publicações dom quixote, lisboa 2002



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:42
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1571 - Finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa 2012


 

- A Cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão (Sextante)
- As Luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta (Dom Quixote)
- Adoecer, de Hélia Correia (Relógio D’Água)
- Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca (Sextante)
- Do Longe e do Perto – Quase Diário, de Yvette K. Centeno (Sextante)
- Dublinesca, de Enrique Vila-Matas (Teorema)
- O Homem que Gostava de Cães, de Leonardo Padura (Porto Editora)
- Os Íntimos, de Inês Pedrosa (Dom Quixote)
- Tiago Veiga – Uma Biografia, de Mário Cláudio (Dom Quixote)

Do júri fazem parte Ana Paula Tavares, Fernando Pinto do Amaral, José António Gomes, Patrícia Reis e Pedro Mexia. A reunião decisiva será a 22 de Fevereiro, com o anúncio oficial marcado para o dia seguinte, na abertura da 13.ª edição do Correntes d’Escritas.

 

Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:13
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1570 - Guimarães, capital europeia da cultura


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
#1569 - Europa ou o diálogo que nos falta

 

O mundo da cultura portuguesa arrasta há quatro séculos uma existência crepuscular.

 

Passando à margem dos três decisivos acontecimentos espirituais da idade moderna - a cisão religiosa das reformas, a criação da físico-matemática e a filosofia cartesiana -, a nossa cultura dos séculos XV e XVI perdeu o que tinha de vivo e prometedor, para conservar apenas o comentarismo ruminante e estéril, do qual aliás jamais se libertara completamente, mesmo nas suas horas mais felizes.

 

De então para cá, têm-na salvo da morte absoluta os raros que teimaram em acreditar ser possível ascender de novo ao espírito da Europa. Mas sempre que isso aconteceu, a minoria responsável pelo nosso destino cultural não hesitou em submergir os seus autores no silêncio, antepondo-lhes uma inércia premeditada ou um veto concertado e decidido.

 

 

Excerto de um texto de Eduardo Lourenço retirado do livro Heterodoxia I, edição Gradiva 2005

 

 

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:29
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1568 - Citações

 

Uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo

 

Lao-Tsé



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:11
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1567 - Leitura de outros blogs
Prostituta é presa após morder o pénis de um cliente.

 

 

Leio os jornais: Eduardo Catroga está reformado e aufere uma pensão de reforma de cerca de 10 000 euros por mês. Leio os jornais: Eduardo
Catroga foi convidado pelos «accionistas» da EDP para um cargo qualquer, onde vai auferir a quantia de 45 000 euros por mês. Primeiro, um país em que isto acontece, já não é um país é uma choldra imunda; segundo, os milhões de portugueses que recebem o salário mínimo, e pensões de reforma miseráveis (o equivalente ao que os Catrogas deste regime entregam de gorjeta no restaurante), ou os desempregados têm o legítimo direito de pregarem fogo a este palheiro; terceiro, a luta de classes, na época em que vivemos, é de todo um povo contra
as castas que vivem, como vampiros, à custa do sangue dos outros; quarto, quando pago a factura de electricidade só me vem à memória a notícia:
prostituta é presa após morder o pénis de um cliente. Só que nesta história de
prostitutas ninguém é preso. O regime abandalhou-se a este ponto. Paz à sua alma! 



Por Tomás Vasques às 15:17

Post retirado do blog "Hoje há conquilhas amanhã não sabemos"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1566 - Novo livro de Rosa Montero

 

"Lágrimas na Chuva" é a nova aventura literária da escritora e jornalista espanhola Rosa Montero, que a Porto Editora lança já no dia 16 de Janeiro.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:15
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 7 de Janeiro de 2012
#1565 - Arautos do Amor (e do Prazer)


As canções brasileiras – em especial as de Chico e Caetano – contribuíram decisivamente para o amadurecimento afetivo e a emancipação erótica dos portugueses.

 

por Inês Pedrosa

 

In Revista Bravo



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1564 -Porto Editora reforça catálogo

O Grupo Porto, do qual fazem parte as chancelas Porto Editora, Sextante e Albatroz, apresentou hoje as novidades editoriais para o primeiro semestre de 2012. Quase seis dezenas de títulos dos quais se destacam Grande Arte' a obra prima do brasileiro Rubem Fonseca, Adão no Eden, de Carlos Fuentes e Últimas Noticias do Sul, uma viagem pela Patagónia que junta textos de Luís Sepulveda a fotos de Daniel Mordzinsky.

 

Três nomes fundamentais das literatura contemporânea que transitaram de outras editoras directamente para o grupo Porto que no ano passado já tinha conseguido os direitos de publicação de Isabel Allende e de Jorge Luís Borges, (este através da Quetzal).

 

Das obras que serão lançadas até Julho fazem parte Lágrimas na Chuva da espanhola Rosa Montero, Baku-Últimos Dias, de Olivier Rolin, Os Malaquias de Andrea del Fuego, vencedora do Prémio Saramago, ou Os Filhos de Alexandria de Françoise Chandernagor.

 

Serão ainda publicadas obras de vários autores portugueses como Teolinda Gersão, João Pedro Marques, Sofia Marrecas Ferreira, Miguel Miranda, Joel Neto, João Bouza da Costa, entre outros.

 

Fernando Pessoa chega ao Grupo Porto pelas mãos de um ex-ministro da Justiça brasileiro, José Paulo Cavalcanti Filho. A obra que resulta de dez anos de pesquisa em torno do poeta português intitula-se Uma Quase Autobiografia.

 

O grupo aposta ainda em best sellers como Sveva Casati Modignani ou Agape do padre brasileiro que arrasta multidões, Marcelo Rossi.

Dentro do nicho infanto-juvenil o destaque vai para a colecção CHERUB, da qual serão publicados dois titulos:O General e Brigands M.

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
#1563 - Hoje, como no tempo de Alexandre!

"Já no tempo de Alexandre as portas da Índia estavam fora de alcance, mas, ao menos, o gládio do rei mostrava a sua direcção. Hoje, as famosas portas estão mais longe e mais inacessíveis; mas ninguém mostra a direcção: muita gente brande gládios mas o olhar que pretende segui-los perde-os de vista"

 

Franz Kafka, "O novo advogado" em a Metamorfose



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
#1562 - Guimarães já é Capital Europeia da Cultura



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

...

Bom Ano



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 20:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
#1560 - Pedro Gadanho nomeado curador do MoMA de Nova Iorque

 

O arquitecto português Pedro Gadanho será curador do Departamento de Arquitectura e Design do Museum of Modern Art de Nova Iorque, a partir de Janeiro, anunciou a instituição cultural norte-americana.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
#1559 - Livros e Leituras

 

Original, poderoso e soberbo, Jack é inesquecível: a coragem e o imenso amor numa história perturbante contada pela voz da inocência.
Para Jack, de cinco anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras, e da ligação umbilical que une mãe e filho.
O quarto é um lugar que nunca vai esquecer; o mundo é um sítio que nunca mais olhará da mesma maneira.


Finalista do Man Booker Prize 2010
Finalista do Orange Prize
New York Times 10 Best Books 2010
Washington Post Top 10 Books - 2010
New York Times 100 Notable Books 2010
Barnes & Noble Best Books - 2010
Hudson Booksellers Best Fiction - 2010


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1558 - Eduardo Lourenço no nosso labirinto

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

 

O Prémio Pessoa atribuído a Eduardo Lourenço não poderia ter chegado em hora mais adequada. Quando o País se encontra encurralado pela história, talvez forçado a improvisar em meses ou escassos anos uma correcção de rumo estratégico que, normalmente, as nações demoram décadas a amadurecer. É fundamental que os decisores políticos apurem o ouvido para os conselhos que um mergulhador das profundidades da alma lusa, e um arguto perscrutador dos horizontes longínquos do destino europeu e ocidental, tem para dar.

 

A "dramaturgia europeia" é um assunto que se respira em toda a obra de Eduardo Lourenço. Nos últimos anos, o seu pensamento tem chamado a atenção para o ruidoso movimento das placas tectónicas, que parece afastar a Europa dos Estados Unidos, e ambos das suas raízes fundamentais, empurrando-os para um futuro onde o Ocidente parece condenado a ocupar um lugar cada vez menos relevante. Em 1991, a Europa, acomodada num conforto negligente, deixou a guerra regressar aos Balcãs, e teve, no limite, de pedir socorro ao poderio militar norte-americano. Em 2003, na hubris do Iraque, G. W. Bush rasgava a tábua dos valores anti-imperialistas fundacionais. Obama resgatou, por algum tempo, a esperança de se reabrirem as pontes entre os dois lados do Atlântico, até que os europeus, tal como os gregos na Guerra do Peloponeso, se atiraram ao pescoço uns dos outros na catastrófica Guerra das Dívidas Soberanas, em pleno curso. Eduardo Lourenço diz sempre não ser Cassandra. Ainda bem, acrescento eu, pois precisamos que o seu aviso seja escutado. Em toda a Europa. Ele é o nosso Voltaire, mas a sua voz tem de ir mais longe do que a de Erasmo. Para que a Europa não se estilhace outra vez.

 

in 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1557 - A mentira e o desprezo

BAPTISTA-BASTOS

 

Parece que há excesso de portugueses em Portugal. Para remediar tão desgraçada contrariedade, o Governo decidiu minguar-nos tomando decisões definitivas. Há semanas, um secretário de Estado estimulou a emigração de estudantes. Há dias, o primeiro-ministro alvitrou que os professores desempregados ou com dificuldade em empregar-se deviam encaminhar-se para os países lusófonos, nos quais encontrariam a felicidade que lhes era negada na pátria. O dr. Telmo Correia, sempre inteligente e talentoso, elogiou, na SIC-Notícias, a sabedoria cristã de tão arguta ideia.

Acontece um porém: e os velhos? Que fazer dos velhos que enchem os jardins e a paciência de quem governa? Os velhos não servem para nada, nem sequer para mandar embora, não produzem a não ser chatices, e apenas valem para compor o poema do O'Neill, e só no poema do O'Neill eles saltam para o colo das pessoas. Os velhos arrastam-se pelas ruas, melancólicos, incómodos e inúteis, sentam--se a apanhar o sol; que fazer deles?

Talvez não fosse má ideia o Governo, este Governo embaraçado com a existência de tantos portugueses, e estorvado com a persistência dos velhos em continuar vivos, resolver oferecer-lhes uns comprimidos infalíveis, exactos e letais. Nada que a História não tivesse já feito. Os celtas atiravam os velhos dos penhascos e seguiam em frente, sem remorsos nem pesares.

Mas há outro problema. A fome. A fome que alastra como endemia, toca a quase todos, abate-se nos velhos e, agora, nos miúdos. Os miúdos das escolas chegam às aulas com as barrigas vazias: pais desempregados, famílias desgarradas, "a infância, ah!, a infância é um lugar de sofrimento, o mais secreto sítio para a solidão", disse-o Ruy Belo; e as escolas já não têm o que lhes dar. As cantinas reabrem, mesmo durante as férias, e sempre se arranja uma carcaça, um leite morno, nada mais, oferecidos por quem dá o pouco que não tem.

Vêm aí mais fome, mais miséria, mais desespero, mais assaltos, mais violência, mais velhos desamparados, mais miúdos espantados com tudo o que lhes acontece e não devia acontecer. Mais desemprego, num movimento cumulativo, mecânico a automático, como nos querem fazer crer. Diz o Governo. Como se esta realidade fosse natural; como se a semântica moderna da sociedade explicasse a amoralidade da eliminação da justiça e a inevitabilidade do que sucede.

 

Ler o resto aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1556 - Fado de Camané foi pré-nomeado para os Óscares










 

 

 

 


O fado "Já não estar", interpretado por Camané no documentário "José & Pilar", de Miguel Gonçalves Mendes, foi pré-seleccionado para o Óscar de "melhor canção original". Este documentário e o filme "Mistérios de Lisboa" estão na lista das 265 longas-metragens aceites para uma possível nomeação para o Óscar de "Melhor Filme".



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 17 de Dezembro de 2011
#1555 - Novo livro de Gonçalo M. Tavares

 

'Canções Mexicanas' é o mais recente livro de Gonçalo M. Tavares. Editado pela Relógio D'Água, o livro regista a passagem do escritor pela Cidade do México há quatro anos.

 

A obra é uma ficção fragmentária sobre um homem inquieto que mergulha numa cidade que "não tem rios de água mas sim de gente", onde as crianças mandam e os adultos obedecem, onde as casas e as ruas perdem as fronteiras.

A editorial Caminho editou, também este mês, outro livro de Tavares. Chama-se 'Short Movies' e representa uma tentativa de fazer um filme a partir de fragmentos de texto que aspiram chegar à máxima visualidade possível.

 

Ler as primeiras páginas deste livro aqui.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1554 - Prémio Pessoa 2011

 

O filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço foi hoje distinguido com o Prémio Pessoa que desde 1987 premeia figuras com um papel relevante nas áreas da cultura e da ciência.

 

O anúncio foi feito, como habitualmente, no Palácio de Seteais em Sintra por Francisco Pinto Balsemão, que preside ao júri também constituído por Fernando Faria de Oliveira (Vice-Presidente), António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga e Rui Magalhães Baião.

 

Ler o resto aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:53
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1553 - Cesária Évora (27 agosto 1941-17 dezembro 2011)



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:18
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
#1552 - O primeiro livro de poemas de Deka Purim

 

Brasileira, natural de Curitiba, a viver nos Açores, depois de ter trabalhado12 anos no Canadá. Deka Purim, 48 anos, acaba de lançar o seu primeiro livro de poemas: Rio Virando Mar.

Às vezes, o poema surge a meio da noite, no escuro. Acende a luz. Levanta-se, corre para encontrar um dos seus muitos "papelinhos" e escreve. De um jorro. Apaga a luz. E, se a poesia deixar, talvez volte a adormecer. Para a brasileira Deka Purim, 48 anos, os versos estão em todos os lugares e podem chegar a qualquer hora. "Basta estar atenta", diz ao JL, a propósito da recente publicação do seu primeiro livro Rio Virando Mar, uma edição do Instituto Açoriano de Cultura (71 pp, 10 euros).A viver no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores (ver caixa) e a trabalhar na freguesia da Praia - são cerca de 25 quilómetros de distância - a autora há muito que desistiu de fazer a viagem pela via rápida que une os dois lugares: "Prefiro a estrada nacional porque preciso de ver os lavradores, as velhotas a irem buscar os netos à escola. Preciso de 'xingar' o homem do trator que para no meio do caminho. Para mim, é material de escrita, é pura poesia".


Ler mais: http://aeiou.visao.pt/deka-purim-pura-poesia=f637638#ixzz1gcZEL7oR




publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:16
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
#1551 - O caixote do lixo

Vasco Graça Moura

 

Para o ano, é provável que Portugal seja um dos piores sítios da Europa para se viver. Tudo nos vai cair em cima, sem apelo nem agravo, e nesse monturo de entupimentos acumulados, deixará de fazer sentido o eufemismo que por enquanto consiste em se falar de "apertos de cinto". Não vamos ficar de cinto mais apertado: vamos ser estrangulados, sem alternativa, por uma série de violências oficiais e oficiosas.

 

Ler resto do artigo aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:45
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1550 - Quem está por detrás de Merkel?

BAPTISTA-BASTOS

 

Que Europa se espera da Europa, depois da reverente entronização de Angela Merkel feita por essas sobras menores de "estadistas", reunidas numa cimeira tão desacreditante quanto insensata? Os que nela participaram, de regresso a seus países, proferiram declarações graciosamente imbecis e desprovidas de qualquer centelha de dignidade. A alemã foi a vencedora do conclave e parece que nenhum dos presentes deu conta rigorosa dos perigos que representa. Como lucidamente Viriato Soromenho-Marques escreveu no DN (segunda-feira, 12, pág., 8), "a senhora Merkel, mãe do monstro de pobreza e proteccionismo que quer oferecer como rosto da Europa futura, tem um problema fundamental, que é a arma apontada à cabeça de 500 milhões de europeus. A sua tacanhez mental é ainda maior do que a sua influência letal sobre os primeiros-ministros que actualmente governam a Europa. Uma medrosa selecção, que parece ter saído dos lesionados das divisões de honra dos campeonatos distritais de futebol (...)."

 

O projecto imperial está à vista. E tanto Helmut Kohl (CDU, o partido dela) quanto Helmut Schmidt (SPD), horrorizados com o caminho que as coisas estão a tomar, vieram a público exigir que se questionasse a verdadeira dimensão do empreendimento. Não se serviram de metáforas para esclarecer os seus pontos de vista: usaram analogias históricas a fim de agitar as cabeças quadradas dos dirigentes políticos.

 

Aceitando-se o facto de que a senhora Merkel ser tida e havida como tonta, quem está por detrás dela?, quais os ideólogos que a impulsionam?, quais os poderes que nos querem condenar a uma espécie de desconstrução identitária? Porque é disso que se trata, quando se desarma o princípio de equilíbrio social e se o substitui por um jogo de hegemonia do mais forte, com a decorrente submissão total do mais fraco.

 

A Europa, nas mãos de Angela Merkel (o pobre Sarkozy faz papel de compère resignado e cortês), favorece o aparecimento dos nacionalismos e da proeminência aguerrida do económico sobre o político. O hiato criado por estas circunstâncias faz- -nos viver na ilusão de que as previsíveis derrotas da alemã e do francês, nas próximas eleições, nos permitirão respirar melhor.

 

Mas a questão não reside em eleições: está nas deformidades de um sistema que conduz a tudo, até a ressurreições dos fascismos. Em causa emerge não apenas a ameaça de eliminação dos padrões, sob os quais nos habituámos a viver, como a benevolência com que estes dirigentes europeus admitem a servidão. A mediocridade circundante conduz a tudo: até à imprudente aceitação do económico, não como utensílio mas como valor absoluto. Para não irmos mais longe, basta olhar Portugal e atentar na pobreza intelectual e nas debilidades éticas e políticas dos que nos dirigem.

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 13:13
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
#1549 - O Pássaro Azul

Inspirada pelo popular poema de Charles Bukowski a animação da artista plástica e designer Monika Umba basta por si. Se quiser conferir o texto original, clique aqui.

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1548 - Risco moral

por VIRIATO SOROMENHO MARQUES

 

Na cimeira de Paris, no passado dia 5, Sarkozy e Merkel reconheceram que foi um erro exigir aos bancos que aceitassem uma reestruturação "voluntária" de metade da dívida pública grega. Imposta, contra a opinião do BCE e de 99% dos especialistas económicos mundiais. O caso da violação dos contratos com os bancos, obrigando-os até a renunciarem aos caros mecanismos de redução de risco (CDS), retrata o triste estilo de liderança do Directório germano-gaulês. Na verdade, o seu projecto de transformar a Zona Euro numa masmorra de disciplina fiscal, sem respeito pelas instituições comunitárias, e tratando os povos submetidos à austeridade como gado, é não só uma má ideia política. Pior do que um crime, é um erro, como diria Talleyrand. Na verdade, desde Janeiro de 2010 que o Directório assumiu a condução da crise da Zona Euro. A pobre Grécia, com apenas 2% do PIB, foi acusada de estar a incorrer num "risco moral" (moral hazard), o que significa querer que sejam os outros a pagar os danos dos seus erros ou vícios. Chegados ao ponto em que nos encontramos, com toda a Zona Euro a ser abandonada pelo investimento estrangeiro, com o fracasso de todos os instrumentos e receitas do Directório, com a possibilidade de implosão da Zona Euro, é caso para perguntar se não estão Merkel e Sarkozy a incorrer num gigantesco risco moral que todos corremos o risco de ter de pagar de forma brutal? O grande problema que paira sobre o decisivo Conselho Europeu, que hoje começa, não é a ausência de bondade das propostas do par dirigente. O problema é a sua total falta de inteligência. O Directório pensa mal. Tem ideias tontas. Nada de mais mortífero do que a mediocridade atrevida ao volante da política.

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:57
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1547 - Gem Club - 252


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:52
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
#1546 - Os novos descamisados.

Hoje quase ninguém tem dúvidas sobre o desastre iminente do Euro e da União Europeia. Nem sequer aqueles que, no último ano meio, Cimeira após Cimeira, se congratulavam com as «decisões históricas» aí tomadas. Independentemente das decisões e dos rumos que forem tomados na próxima Cimeira de 8 e 9 de Dezembro, já desenhados no discurso da chanceler alemã, no Bundestag, onde os destinos dos povos europeus passaram a ser tratados, uma coisa é certa: mesmo que seja travada a implosão do Euro – o que ainda não é um dado adquirido –, a UE deixará de ser um espaço de solidariedade e do bem-estar social. No mínimo, durante a próxima década, a Europa será governada por Berlim; viverá em empobrecimento profundo e acelerado, com a destruição massiva de direitos, nomeadamente na área do Trabalho, na Saúde e na Educação, e com uma forte tentação para soluções governativas anti-democráticas. A Europa que conhecemos até aqui está a ser engolida pelas suas contradições e incapacidades políticas e, sobretudo, pelo poder do sistema financeiro.

 

(Ler mais )



Por Tomás Vasques às 09:08 - Hoje há conquilhas amanhã não sabemos



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:41
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1545 - 'Puta Que os Pariu', a biografia do iconoclasta Luíz Pacheco

 

João Pedro George e a Tinta da China lançaram a primeira biografia do escritor, editor e panfletário Luíz Pacheco. Chama-se ' Puta que os Pariu' e pretende fazer um retrato do homem para além dos mitos que foram construídos em seu redor.

 

Como explicou ao DN, o autor do livro, " a obra é o espelho de uma geração através da história ímpar de Pacheco". Ao longo de 600 páginas são ouvidas muitas fontes (entre elas o próprio Luíz Pacheco), desde amigos a inimigos, filhos e amantes.

 

São ainda recolhidos excertos dos diários, livros, panfletos e artigos de jornal escritos pelo homem que escreveu "A Comunidade" e deu a conhecer Herberto Helder.

 

In



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 12:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
#1544 - Nas bancas



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:08
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1543 - Fosso entre ricos e pobres no nível mais elevado dos últimos 30 anos

Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido, com um fosso acentuado na distribuição dos rendimentos, e o mais desigual entre as economias europeias, revelou esta segunda-feira a OCDE.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:48
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 4 de Dezembro de 2011
#1542 - Nós por cá...

Há cada vez mais pessoas a pedir ajuda para comer.

 

Em 2010, o Banco Alimentar Contra a Fome assistiu cerca de 298 mil pessoas, mais 37 mil do que no ano anterior e mais 48 mil do que em 2008.

Globalmente, o número de portugueses que pedem ajuda para comer aumentou entre 20% a 30% desde 2008.

 

In "XXI  - Ter Opinião 2012"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 3 de Dezembro de 2011
#1541 - Músicas deste tempo


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1540 - My Brightest Diamond | The Sea


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1539 - Obras de Ferreira Gullar e Laurentino Gomes são os livros do ano do Prémio Literário Brasileiro Jabuti 2011

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011
#1538 - MANIFESTO

 

Senhoras e senhores
Esta é a nossa última palavra
- Nossa primeira e última palavra –
Os poetas desceram do Olimpo.

Para os nossos antepassados
A poesia era um objeto de luxo
Mas para nós
É um artigo de primeira necessidade:
Não podemos viver sem poesia.

Diferente de nossos antepassados
- E o digo com todo respeito... –
Nós sustentamos
Que o poeta não é um alquimista
O poeta é um homem como os outros
Um pedreiro que constrói seu muro
Um construtor de portas e janelas.

Nós conversamos
Na linguagem de todos os dias
Não acreditamos em signos cabalísticos.

Ademais, uma coisa:
O poeta está aí
Para que a árvore não cresça torcida.

Esta é a nossa mensagem.
Nós denunciamos o poeta demiurgo
O poeta Barata
O poeta Rato de Biblioteca.
Todos estes senhores
- E o digo com muito respeito...-
Devem ser processados e julgados
Por construírem castelos no ar
Por esbanjarem o espaço e o tempo
Redigindo sonetos à lua
Por agruparem palavras ao azar
Conforme a última moda em Paris.
Para nós, não:
O pensamento não nasce na boca
Nasce no coração do coração.

Nós repudiamos
A poesia de óculos escuros
A poesia de capa e espada
A poesia de chapéu abanado.
Propiciamos a mudança
A poesia a olho nu
A poesia a peito aberto
A cabeça de cabeça descoberta.

Não acreditamos em ninfas nem tritões.
A poesia tem que ser assim:
Uma garota rodeada de espigas
Ou não ser absolutamente nada.

Porém, no plano político
Eles, nossos avós imediatos,
Nossos bons avós imediatos!
Refrataram e se dispersaram
Ao passarem pelo prisma do cristal.
Uns poucos se tornaram comunistas
Não sei se foram realmente.
Suponhamos que foram comunistas,
O que eu sei é o seguinte:
Que não foram poetas populares,
Foram uns reverendos poetas burgueses.

Devemos dizer as coisas como são:
Somente um ou outro
Soube chegar ao coração do povo.
Sempre que puderam
Declararam de palavra e de peito

Contra a poesia dirigida
Contra a poesia do presente
Contra a poesia proletária.

Aceitemos que foram comunistas
Mas a poesia foi um fracasso
Surrealismo de segunda mão
Decadentismo de terceira mão,
Tábuas velhas devolvidas pelo mar.
Poesia adjetiva
Poesia nasal e gutural
Poesia arbitrária
Poesia copiada dos livros
Poesia calcada
Na revolução da palavra
Em circunstâncias de poder fundar-se
Na revolução das idéias.
Poesia do círculo vicioso
Para meia dúzia de eleitos:
“Liberdade absoluta de expressão!”

Hoje nos persignamos perguntando
Para que escreviam essas coisas
Para assustar ao pequeno burguês?
Tempo miseravelmente perdido!
O pequeno burguês não reage
Senão quando se trata do estômago.

Como vão assustá-lo com poesias?!

A situação é a seguinte:
Enquanto eles estavam
Por uma poesia do crepúsculo
Por uma poesia da noite
Nós propugnamos
A poesia do amanhecer.
Esta é a nossa mensagem.
Os resplendores da poesia
Devem chegar a todos por igual
A poesia chega para todos.

Nada mais, companheiros
Nós condenamos
- E o digo com respeito...-
A poesia do pequeno deus
A poesia da vaca sagrada
A poesia do touro furioso.

Contra a poesia das nuvens
Nós contrapomos
A poesia da terra firme
- Cabeça fria, coração ardente
Somos pés-no-chão decididos...

Contra poesia de café
A poesia da natureza
Contra a poesia de salão
A poesia de protesto social.

Os poetas desceram do Olimpo.

 

Tradução de Antonio Miranda

 

 poema de Nicanor Parra

 

Extraído de Outros Poemas (1950-1968).



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1537 - Prêmio Cervantes vai para o poeta chileno Nicanor Parra

 

O chileno Nicanor Parra, conhecido como o pai da “anti-poesia”, ganhou o Prêmio Cervantes 2011. A homenagem foi anunciada nesta quinta-feira, 1° de dezembro, pela ministra espanhola da Cultura, Angeles Gonzalez-Sinde. O escritor, célebre por livros como Poemas y Antipoemas e Obra Gruesa, receberá 125 mil euros.

Conhecido como o Nobel da literatura em língua espanhola, o prêmio Cervantes deste ano foi concedido ao poeta chileno Nicanor Parra. Segundo a presidente do júri, Margarita Salas, Parra foi escolhido por sua carreira variada e “toda uma vida dedicada à poesia”.

O escritor de 97 anos de idade, que já ganhou o prêmio nacional de literatura do Chile, é célebre por obras como Poemas y Antipoemas. O livro, lançado em 1954, e repleto de versos irônicos usando uma linguagem coloquial rara, deu ao escritor o título de “pai da antipoesia” e o transformou em uma referência na literatura chilena.

O ganhador do Cervantes leva para casa um prêmio 125 mil euros, que serão entregues oficialmente em 23 de abril, data de aniversário da morte, em 1616, de Miguel de Cervantes, autor de Don Quichote e uma das maiores figuras da literatura espanhola.

No ano passado, a escolhida foi a espanhola Ana Maria Matute. Nomes como o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa e os mexicanos Carlos Fuentes e Octavio Paz fazem parte da lista dos ganhadores das edições anteriores do Cervantes.

 

in



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
#1536 - Em fuga para o abismo

 

A Europa corre para o abismo.


tags: ,

publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:05
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
#1535 - Young Man - Enough (original song)


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1534 - Encontro Pessoa/Cioran, com apresentação do nº3 da Cultura ENTRE Culturas e do "Teatro da Vacuidade"



Encontro Pessoa / Cioran
Nos 76 anos da morte de Fernando Pessoa e nos 100 anos do nascimento de Emil Cioran
17h00 | 30 de Novembro 2011
Sala do Departamento de Filosofia (Torre B – Piso 1) | FLUP

O Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto tem o prazer de convidar todos os interessados para o Encontro Pessoa / Cioran - Nos 76 anos da morte de Fernando Pessoa e nos 100 anos do nascimento de Emil Cioran.

O evento terá lugar no próximo dia 30 de Novembro, pelas 17h00, na Sala do Departamento de Filosofia (Torre B – Piso 1) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e contará com as seguintes intervenções:

* “Emil Cioran e Fernando Pessoa: salto no absoluto e «fuga para fora de Deus»”, Paulo Borges (FLUL-CFUL)
* “Tempo e palavra em Cioran”, J. M. Costa Macedo (FLUP/IF)
* “Utopia em Fernando Pessoa e Emil Cioran”, José Almeida (FLUP/IF)
* “Acerca da noção de normalidade em Cioran”, Elsa Cerqueira

| Apresentação do livro “O teatro da vacuidade ou a impossibilidade de ser eu” e do 3º número da revista “Cultura Entre Culturas, dedicado a Fernando Pessoa

A sessão terminará com a apresentação do livro “O teatro da vacuidade ou a impossibilidade de ser eu”, de Paulo Borges, e do Nº 3 da Revista “Cultura Entre Culturas”, dedicado a Fernando Pessoa, por José Meirinhos (FLUP/IF).
[Entrada livre]
Mais Informações: http://ifilosofia.up.pt/gfmc/?p=activities&a=ver&id=327

 

Retirado do blog "Revista Cultura Entre Culturas"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1533 - Birds Of Passage - Highwaymen in Midnight Masks


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:29
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
#1532 - Percy Faith - Corcovado  (Quiet Nights Of Quiet Stars)


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 26 de Novembro de 2011
#1531 -

Caravaggio, St. Thomas Putting His Finger on Christ’s Wound (detail), c. 1602-03

 

In http://proustitute.tumblr.com/



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:26
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1530 - Mozart - Ave verum corpus

A espiritualidade sugerida por "A Dobra do Grito"

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1529 - Festival de Cinema Luso-Brasileiro em Santa Maria da Feira

SESSÃO DE ABERTURA [ DOM | 04 DEZ | 21H30 ]

A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM – Nelson Pereira dos Santos [BR]

O extraordinário universo da música de Antonio Carlos Jobim não cabe em palavras. Foi com essa idéia em mente e a sensibilidade aguçada que o diretor Nelson Pereira dos Santos, ao lado de Dora Jobim, se dispôs a encarar o desafio de desvendar em filme a trajetória musical do grande compositor brasileiro, autor de uma obra eterna,
de alcance internacional.

SESSÃO DE ENCERRAMENTO [ DOM | 11 DEZ | 21H30 ]

AS CANÇÕES – Eduardo Coutinho [BR]

Coutinho dá vida a um mosaico de homens e mulheres que contam e cantam músicas que marcaram suas vidas. Com habilidade, o enredo liga por canções a vida de desconhecidos.

 

 

 

REALIZADOR EM FOCO – GUSTAVO SPOLIDORO

Gustavo Spolidoro é um realizador brasileiro que no início da sua carreira nutria um gosto muito particular pela construção de ficções em plano sequência (inclusive realizou uma longa metragem em plano sequência, o extraordinário “Ainda Orangotangos”) e que migrou para o documentário.

  • DOM | 11 DEZ | 19H00
    errante
    ERRANTE
    BR | 2012 | FIC | HD | DOC | 70’
    RESUMO DO PROJETO ERRANTE - UM FILME DE ENCONTROS é um longa-metragem documental, com financiamento do FUMPROARTE/RS, feito em conjunção com o projeto de Mestrado que Gustavo S...
  • SAB | 10 DEZ | 00H15
    AINDA ORANGOTANGOS
    BR | 2007 | FIC | 35mm | COR | 81’ Durante 14 horas de um dia quente de verão, quinze personagens transitam pelas ruas e prédios de Porto Alegre. Japoneses vão ao limite no metrô. Garotas se beijam em um ônibus enquanto discutem futebol ...
  • SEX | 09 DEZ | 18H00
    MORRO DO CÉU
    BR | 2007 | DOC | HD | COR | 71’ Morro do Céu é uma pequena comunidade de descendentes de italianos, localizada no alto de uma montanha no sul do Brasil. Lá, o jovem Bruno Storti e seus amigos preenchem os dias de verão entre túneis de tr...
  • SEX | 09 DEZ 16H30
    DE VOLTA AO QUARTO 666
    BR | 2008 | DOC | VIDEO | COR | 15’ Qual o futuro do cinema? Em 1982, em Cannes, Wim Wenders convidou diversos cineastas a responderem esta pergunta. 26 anos depois, a pergunta continua a mesma, mas Wenders está do outro lado da câmera. <...
  • SEX | 09 DEZ | 18H00
    PEQUENOS TORMENTOS DA VIDA
    BR | 2006 | DOC | VIDEO | COR | 20’ Em uma escola, crianças da terceira série descobrem o universo do Poeta Mario Quintana. REALIZAÇÃO: Gustavo Spolidoro ARGUMENTO: Gustavo Splidoro PRODUTORES:  Jaquelin...

 

Ver programação aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
#1528 - A alma que passa

 

Sentido

 

Fujo de mim como um perfume antigo

foge ondulante e vago de um missal

e julgo uma alma estranha andar commigo,

dizendo adeus a uma aventura irreal.

 

Sou transparencia, chamma pallida, ansia,

ultima nau que abandonou o caes.

No alvôr das minhas mãos chora a distancia

prôas rachadas, longes de ouro, ideaes...

 

Sonho meu corpo como de um ausente,

naufrágo e exsurjo dentro da memoria,

accórdo num jardim convalescente,

 

vago perdido em outros num jardim,

e sinto no clarão da ultima gloria

a sombra do que sou morrer em mim...

 

Poema de Ronald de Carvalho



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 22:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1527 - Estéticas do modernismo em Orpheu

(... ) Tocando embora a censurada e dita escolar mania das classificações, poder-se-á, quase estabelecer um esquema das variações do esteticismo órfico:

 

Paùlismo

 

Directa ultrapassagem de A Águia.

Raízes no simbolismo e decadentismo.

Influência difusa dos nossos líricos e contistas afins.

Fernando Pessoa; Sá-Carneiro; Alfredo Pedro Guisado; Cortes Rodrigues; paúlicos à margem do paùlismo, Raul Leal e Ângelo Lima.

 

Interseccionismo

 

Ajustamento a uma diferente exploração psíquica. Vaga aproximação à liberdade futurista e ao orfismo de Delaunay.

Fernando Pessoa - Álvaro de Campos; Sá-Carneiro.

 

Simultaneísmo

 

Tradução de uma visão essencialmente plástica.

 Sugestão da técnica de continuidade de James Joyce.

Almada Negreiros.

 

Futurismo

 

Profissão de fé aos manifestos futuristas. Exaltação do precursor Walt Whitman.

Álvaro de Campos; Almada Negreiros; Santa-Rita Pintor; José Pacheco; Amadeu de Sousa-Cardoso, em parte.

 

Simbolismo

 

Peristência quase pura ou contaminada de classicismo, da poética simbolista.

Luís de Montalvor; Ronald de Carvalho; Eduardo Guimarães; Fernando Pessoa.

 

Decadentismo

 

Quase sempre confundido na estética paúlica.

Emprego de verso ou de prosa.

Sá-Carneiro, Albino de Meneses; Castelo de Morais.

 

Sensacionismo

 

Classificação genérica que incluia toda e qualquer tonalidade órfica.

 

Excerto  retirado do livro ORPHEU, vol. 1, edições Ática, Lisboa


tags:

publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1526 - Almada Negreiros

 

"A mentira é o único processo para convencer os outros de que somos como eles nos querem. Como se vê, os culpados são os mentidos, os que não acreditam em mentiras."

 

Almada Negreiros



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1525 - A justiça da imbecilidade

Mulher condenada a 12 anos de cadeia porque foi violada

Uma mulher afegã foi condenada a 12 anos de prisão porque foi violada. Os tribunais locais consideram a violação de Gulnaz, por parte do marido de uma prima, como adultério. A única forma de evitar a prisão é casar com o violador.

 

Uma mulher afegã foi violada por um primo, há dois anos. As autoridades locais consideram-na culpada de adultério, por isso Gulnaz foi condenada a 12 anos de cadeia.

 

Da agressão que Gulnaz sofreu aos 19 anos, nasceu uma menina que agora tem dois anos. É por ela que a mulher diz que vai aceitar casar-se com o agressor, como lhe foi proposto pelo tribunal, em vez de cumprir a pena. "Assim, a minha filha pode continuar a ter uma mãe", contou a mulher, explicando como aconteceu a violação.

 

"Tinha uma roupa suja que usava para o trabalho doméstico. Quando a minha mãe saiu entrou em minha casa e fechou as portas e as janelas. Comecei a gritar mas ele tapou-me a boca com as mãos", contou Gulnaz, na prisão de Badam Bagh, à "CNN".

 

As mulheres que passam pela mesma situação de Gulnaz, consideradas desonradas, são assassinadas pela vergonha que trazem à comunidade, quer pela própria família ou pelos entes do agressor. Viver na prisão é, por agora, o mais seguro para Gulnaz.

 

 

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:43
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
#1524 - Spider ~ White Snake


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1523 - Sigur Ros - All Alright


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:10
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1522 - "Our Holiday" by Sergius Gregory


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1521 - "Um Novo Rumo" - O Manifesto de Mário Soares

 

Além de Mário Soares, assinam este manifesto Isabel Moreira (deputada independente do PS), Joana Amaral Dias (ex-dirigente do Bloco de Esquerda), José Medeiros Ferreira (ex-ministro dos Negócios Estrangeiros), Mário Ruivo (professor universitário), Pedro Adão e Silva (ex-dirigente do PS), Pedro Alves (líder da JS), Vasco Vieira de Almeida (advogado, ex-ministro socialista) e Vítor Ramalho (líder do PS/Setúbal).

 

UM NOVO RUMO


Este é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise.

 

Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia.

 

A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada. Porém, sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE.

 

As correntes trabalhistas, socialistas e sociais-democratas adeptas da 3ª via, bem como a democracia cristã, foram colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal.

 

Leia o resto aqui



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:39
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1520 -House of Wolves


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1519 - Thalia Zedek - 1926


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
#1518 - Sarah Jaffe - Pretender


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:44
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1517 - Peter Broderick - Solace In Gala


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:40
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1516 - Calane da Silva vence Prémio José Craveirinha

 

O escritor moçambicano Calane da Silva venceu o Prémio José Craveirinha, o maior galardão literário do país, que distinguiu a sua carreira na literatura e no ensaio, foi hoje anunciado.

 

Da sua bibliografia constam obras como "Lírica do Imponderável", "Xicandarinha na lenha do mundo", "Dos Meninos da Malanga", "Olhar Moçambique", entre outros.

 

Raul Calane da Silva, 66 anos, ex-jornalista, docente universitário e antigo responsável pelo Centro Cultural do Brasil em Maputo, sucede a escritores como Mia Couto, João Paulo Borges Coelho, Paulina Chiziane e Ungulani Ba Ka Khosa.

 

O Prémio José Craveirinha, instituído pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) tem um valor pecuniário de 700 mil meticais (cerca de 19.500 euros).

 

in



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:21
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
#1515 - Ler um romance

por Orhan Pamuk

 

Acompanhamos essas histórias como se observássemos uma paisagem e, transformando-a em pintura com os olhos da mente, deixamos que ela nos influencie

 

Um romance é uma segunda vida. Como os sonhos de que fala o poeta francês Gérard de Nerval, os romances revelam cores e complexidades de nossa vida e são cheios de pessoas, rostos e objetos que julgamos reconhecer. Assim como no sonho, quando lemos um romance, às vezes ficamos tão impressionados com a natureza extraordinária das coisas que nele encontramos que esquecemos onde estamos e nos vemos no meio dos acontecimentos e das pessoas imaginárias que contemplamos. Em tais ocasiões, achamos o mundo fictício que descobrimose apreciamos mais real que o mundo real. O fato de essa segunda vida nos parecer mais real que a realidade muitas vezes indica que substituímos a realidade pelo romance. Ou no mínimo o confundimos com a vida real. Mas nunca lamentamos essa ilusão, essa ingenuidade. Ao contrário, assim como em alguns sonhos, queremos que o romance que estamos lendo prossiga e esperamos que essa segunda vida continue evocando em nós uma sensação consistente de realidade e autenticidade. Apesar do que sabemos sobre a ficção, ficamos irritados e aborrecidos se um romance deixa de sustentar a ilusão de que é, na verdade, a vida real.

 

LER O RESTO AQUI



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1514 - Onde estás?

Mas onde pára o dinheiro?

Os bancos não teem dinheiro, dizem os banqueiros. As empresas não teem dinheiro, dizem os patrões. Os estados não teem dinheiro, explicam os burocratas e os ministros.  A esmagadora maioria das pessoas não tem dinheiro porque os seus rendimentos diminuiram por força do desemprego, aumento de impostos, aumento dos transportes, energia, combustíveis, etc..

 

O dinheiro não desapareceu, ninguém o queimou ou  lançou pela sanita abaixo. Afinal, onde pára o dinheiro?



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:14
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1513 - Regresso

 

REGRESSO

 

 

- Quem é? Quem vem?

A porta não estacou

e todos pela mesa olham pasmados.

Só eu animo a voz:

- Olhem quem vem! Reparem quem voltou!

Rolam silêncios fundos e pesados.

 

Imóvel, no meu barco de luar,

os meus olhos venceram as ramadas.

Música longa... Um sino a palpitar.

Calçadas e calçadas...

Presépios com pastores de palmo e meio.

Velas que são faróis... Cresceu a bruma.

Deitem-se assim, num jeito de criança,

e envolvam-me de espuma.

 

- Olhem quem vem! Reparem quem voltou,

que tem os braços que eu gritei além!

 

- Vou com ele, não volto, minha Mãe!

 

Vou com  ele nos uivos da tormenta,

com ele vou pregada na paixão.

Medo de quê? Oceanos azulados...

Medo de quê? Neblinas e canções...

- Dentro do Espaço adoçam-se pecados

e morrem solidões.

 

Sem braços me tomou na posse enorme.

Roçou-me os lábios, frio, sem ter boca.

Ele é quem diz: - Sossega, dorme, dorme...

E nunca mais me toca!

 

Às tardes, mesmo ao longo dos casais,

cegos: falas de gestos a ninguém...

 

- Quem é? Quem vem?

Para sempre me tomou...

 

- Vou com ele, não volto, minha Mãe!

 

 

Poema de Natércia Freire [Horizonte Fechado - 1942]



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:53
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1512 - M83- Kim & Jessie


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1511 - Angelo Badalamenti - Dark Spanish Symphony


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 15:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1510 - Uma semana crucial

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

 

Os próximos cinco dias vão, muito provavelmente, ficar na história. Destaco três notas de agenda:

1. A Zona Euro enfrenta uma inédita míngua de crédito em duas grandes economias: a Itália e a Espanha. A tese que até agora tem prevalecido da epidemia e do contágio, ilustrada pela queda em sucessão de três pequenas economias (Grécia, Irlanda e Portugal) vai ser submetida ao teste definitivo da realidade. Tudo indica que a explicação sistémica (que temos defendido desde sempre nestas crónicas) é a única que se adequa à realidade. A Zona Euro não poderá sobreviver indefinidamente ao ataque simultâneo e em pinça sobre Roma e Madrid. A taxa de 7% para a dívida pública a 10 anos mostra que toda a resiliência tem limites.

 

2. O silêncio do Directório terá de ser quebrado esta semana. Suspeito que a clivagem, até agora quase silenciosa, entre Paris e Berlim vai tornar-se visível e vocal. Prova clara disso é a entrevista do ministro francês, François Baroin, reclamando para o FEEF uma licença bancária, que lhe permitiria, por via indirecta e sem molestar os Tratados, fazer do BCE o instrumento de combate eficaz na guerra que a Zona Euro trava contra as paixões mistas dos mercados (o pânico da maioria, e a gula dos especuladores). Suspeito que Berlim tirará da cartola mais uma ideia esdrúxula (o financiamento do FMI pelo BCE?), que corre o risco de adensar a fuga de capitais de tudo o que cheire a Europa.

 

3. Para Portugal, apenas um conselho. O primeiro-ministro deve concentrar-se em impedir que a opinião pública acabe mesmo por acreditar que é Miguel Relvas quem chefia o governo. Seria útil que o PM deixe o Presidente da República trabalhar. Depois de muitos erros e ambiguidades, Cavaco Silva é hoje a mais sensata voz de Portugal em matéria de crise europeia. Não será isso "cooperação estratégica"?

 

In


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 11:58
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 20 de Novembro de 2011
#1509 - Mad world


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 19 de Novembro de 2011
#1508 - Pedro Osório - O Beijo do Sol
Cantos da Babilónia o último trabalho de Pedro Osório


publicado por Carlos Pereira \foleirices às 21:35
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
#1507 - Algumas proposições com pássaros e árvores

 

Algumas proposições com pássaros e árvores

Os pássaros nascem na ponta das árvores

As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

 

Poema de Ruy Belo



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 18:19
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
#1506 - Frases

"A senhora Merkel é a mulher mais perigosa da Europa"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 19:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1505 - A imagem

A IMAGEM

 

 

Esperar a imagem. Queimar o incenso,

Deixar a luz entrar na casa,

Escolher as melhores cores, fixar a seda branca,

Esperar que a imagem cresça no silêncio.

Era assim que fazia Kuo Hsi.

Além dos tons de branco,

O azul da azurite ou "Azzurra della Magna",

O vermelho da poeira de coral, o amarelo do pavão,

O verde da malaquite, o vermelho fulgurante do cinábrio,

Todas as cores, primeiro expectantes,

Eram gritos no acto da criação.

Mas, querido Mestre Kuo Hsi,

No nosso mundo, as imagens não nascem enquanto o incenso arde.

Quando não se escondem, deixando apenas cactos e poeira,

Irrompem com furor na noite escura,

E, sílaba a sílaba, lágrima a lágrima,

derramam-se sobre o papel, não sobre a seda branca.

Por vezes, acompanha-as o vento das estrelas,

Que sucede ao vento solar,

Com memórias do gelo dos anéis de Saturno

E da Grande Mancha Vermelha de Júpiter.

Porém, quase sempre nascem mais perto,

Dubrovnik sob as bombas, o Arboretum em chamas,

Sarajevo, a Somália, o sangue, e o sono de Deus,

As águas da Normandia e os muitos deuses da guerra.

Um lugar mágico por vezes, o café de Rick,

E mágicos também os écrans azuis dos computadores,

L.A. ao romper do dia, o Harlekin de Stockhausen,

Um cavaleiro através da névoa,

O Tejo outrora tão verde em Toledo.

Mas sempre a ameaça do vento nos gélidos caminhos,

Não obstante Proust, o feiticeiro do tempo,

A cadeia da criação, Picasso, Rilke e a Quinta Elegia,

A tinta castanha de Da Vinci.

 

Oeste, terra dos mortos, dizem os egípcios.

O grito é de Munch.

 

Poema de Maria Amélia Neto do livro "Quinteto para o Império do Meio"



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:48
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1504 - O outro lado do espelho



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 00:52
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
#1503 - Maré



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:24
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1502 - Palavras

 

 

 

 



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:02
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1501 - Deambulações

 

O silêncio é fundamental para ouvir os ruídos do corpo.



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 17:02
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos
|

#1500 - Geografias



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:52
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

#1499 - Zelig em São Bento

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

 

A política doméstica de Portugal é hoje, inteiramente, política europeia, ou melhor, política alemã. O que se passa em Portugal, como ficou provado na discussão do Orçamento, é uma grosseira simulação de uma liberdade que o País já não tem. O Executivo de Passos Coelho, salvas as devidas distâncias, tem tanta margem de manobra sobre o guião das políticas públicas como os governos de Quisling, na Noruega, ou de Pétain, em França, nos anos da Ocupação. Para esta grotesca ficção de aparente normalidade, colaboram também os ardores retóricos da Oposição, em particular os antigos ministros de Sócrates, agora sem gravata, e indumentária mais leve. A nossa política entrou, definitivamente, para o registo das actividades circenses. Ficou definitivamente confirmado que o chefe do Governo padece do sindroma de Zelig, bem abordado no filme com o mesmo nome, rodado por Woody Allen, em 1983. Já se percebeu que Passos Coelho não consegue estabilizar uma ideia, pois o centro do seu discurso oscilatório não se encontra no âmbito de uma actividade mental endógena, a que chamamos pensamento, mas nas trocas emocionais com os seus interlocutores, sobretudo se forem vislumbrados como poderosos. Junto de Merkel, nega os eurobonds, que antes defendera. Junto de Juncker, recusa negociar com a troika qualquer correcção do memorando, quando antes o havia sugerido. Agora, que a Zona Euro está à beira do abismo, Passos Coelho pisa a única hipótese de salvação, que até o distraído Cavaco Silva considera fundamental: a declaração por parte do BCE da disponibilidade para intervir "ilimitadamente" no mercado secundário da dívida pública. Portugal, nesta hora crítica, continua órfão de liderança. Mas a senhora Merkel está de parabéns. Mesmo neste "indisciplinado" país, encontrou um feitor à sua altura.

 

In



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 16:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 13 de Novembro de 2011
#1498 - Olhares



publicado por Carlos Pereira \foleirices às 23:03
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Janeiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
13

19
20
21

23

29
30
31


posts recentes

#1597 - The Unthanks - St...

#1596 - Tchaikovsky - Val...

#1595 - Canto das Imagens

#1594 - Guimarães, capita...

#1593 - Guimarães, capita...

#1592 - Andrew Miller ven...

#1591 - Neoliberalismo e ...

#1590 - Gonçalo M. Tavare...

#1589 - Um coração simple...

#1588 - Neoliberalismo e ...

#1587 - Neoliberalismo e ...

#1586 - Desabafos

#1585 - Neoliberalismo e ...

#1584 - Neoliberalismo e ...

#1583 - Pintelhices

#1582 - Introdução

#1581 - Frases

#1580 - Frases

#1579 - Vila Perdida

#1578 - Mahler: Symphony ...

#1577 - Chrysta Bell & Da...

#1576 - lambchop - is a w...

#1575 - Nils Frahm - Tris...

#1574 - Chris Garneau - T...

#1573 - Livros e Leituras

#1572 - A Memória

#1571 - Finalistas do Pré...

#1570 - Guimarães, capita...

#1569 - Europa ou o diálo...

#1568 - Citações

#1567 - Leitura de outros...

#1566 - Novo livro de Ros...

#1565 - Arautos do Amor (...

#1564 -Porto Editora refo...

#1563 - Hoje, como no tem...

#1562 - Guimarães já é Ca...

...

#1560 - Pedro Gadanho nom...

#1559 - Livros e Leituras

#1558 - Eduardo Lourenço ...

#1557 - A mentira e o des...

#1556 - Fado de Camané fo...

#1555 - Novo livro de Gon...

#1554 - Prémio Pessoa 201...

#1553 - Cesária Évora (27...

#1552 - O primeiro livro ...

#1551 - O caixote do lixo

#1550 - Quem está por det...

#1549 - O Pássaro Azul

#1548 - Risco moral

arquivos

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

tags

a barbearia do senhor luís(6)

a dobra do grito(21)

alexandra de pinho(10)

antónio lobo antunes(13)

arquitectos(9)

assírio & alvim(12)

biblioteca municipal de s.maria da feira(23)

bibliotecário de babel(18)

blog's(36)

blogs(65)

canções(6)

casa fernando pessoa(12)

cineclube da feira(9)

cinema(28)

citações(11)

compositores(6)

concertos(7)

contexto editora(6)

correio da manhã(7)

correntes d'escritas(6)

correspondência(6)

crises(11)

crónicas(115)

cultura(6)

divagações(12)

dn(32)

economia(6)

efemérides(8)

el país(19)

entrevista(16)

escritores(275)

escritores brasileiros(13)

escritores espanhóis(6)

escritores portugueses(57)

escultura(8)

espanha(8)

europa(10)

exposições(21)

fernando pessoa(17)

festivais(7)

festival internacional de teatro de rua(21)

filmes(10)

filósofos(7)

fotografia(8)

fotografias(13)

fotógrafos(16)

fotos(6)

frases(9)

futebol(6)

galeria ao-quadrado(6)

gonçalo m. tavares(12)

governo(10)

herberto helder(9)

hoje há conquilhas amanhã não sabemos(10)

imaginarius(28)

jazz(26)

jn(58)

jorge de sena(6)

jorge luis borges(9)

jornal "i"(13)

jornal público(8)

josé luís peixoto(16)

josé saramago(7)

leitura de blogs(44)

leituras(29)

ler(9)

lisboa(6)

livros(263)

livros & leituras(6)

manuel antónio pina(64)

mário crespo(10)

mundos(9)

música clássica(21)

músicas(12)

musicas que ouvia(7)

músicos(6)

neoliberalismo(6)

opinião(15)

país(22)

pintores(43)

pintura(13)

poemas(223)

poesia(10)

poetas(152)

poetas brasileiros(20)

poetas portugueses(54)

política(13)

por outras palavras(44)

porto(7)

porto editora(8)

portugal(43)

prémios literários(99)

proibições(8)

realizadores(10)

revista bravo(36)

revista ler(27)

revistas(19)

santa maria da feira(50)

tabacaria(10)

vídeos(310)

todas as tags

links
Contador
http://fotos.sapo.pt/tDGalKPsuskrDacJNQiu/
subscrever feeds