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#2784 - 19ª Edição de "Correntes d'Escritas"

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.18

 

 19ª EDIÇÃO DA "CORRENTE d'ESCRITAS"

 

O livro "A Forma das Ruínas", do escritor colombiano Juan Gabriel Vásquez, foi o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, o prémio principal da Corrente d'Escritas, 19ª Edição, que começou ontem na Póvoa de Varzim.

 

___________________________________________________

 

A informação a seguir foi retirada do "site" da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

 

A  FORMA DAS RUÍNAS VENCE PRÉMIO LITERÁRIO CASINO DA PÓVOA

Póvoa de Varzim, 21.02.2018

Juan Gabriel Vásquez, com a obra A forma das ruínas, é o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa 2018, no valor de 20 mil euros.

Consulte a Ata e Declarações de Voto do Júri aqui.

Bogotá, Colômbia, 2014: Carlos Carballo é detido por tentar roubar de um museu o traje de Jorge Eleiécer Gaitán, líder político assassinado em Bogotá em 1948, em plena guerra do Estado colombiano com os narcotraficantes. Carballo é um homem atormentado, em busca de sinais que lhe permitam destrinçar os mistérios de um passado pelo qual está obcecado. No entanto, ninguém, nem as pessoas que lhe são mais próximas, suspeita das verdadeiras razões da sua obsessão.

O que liga o assassinato de Gaitán, cuja morte partiu em dois a história da Colômbia, e o homicídio do presidente americano John F. Kennedy? Como pode um crime ocorrido em 1914 marcar a vida de um homem no século XXI? Para Carballo, não existem coincidências e todos estes eventos estão intimamente relacionados.

Depois de um encontro fortuito com este homem misterioso, Vásquez (sim, o próprio Juan Gabriel Vásquez, que aqui deixa cair a máscara) sente-se compelido a esmiuçar os segredos de uma vida alheia, ao mesmo tempo que se debate com os momentos mais obscuros do passado colombiano.

Uma leitura compulsiva e uma indagação magistral às verdades incertas de um país que ainda mal se conhece a si mesmo.

 

Nascido em Bogotá, Colômbia, em 1973, Juan Gabriel Vásquez vive desde 1999 em Barcelona. É autor da coleção de contos Los Amantes de Todos los Santos, da compilação de ensaios El arte de la distorción e dos romances Los InformantesHistoria secreta de Costaguana O barulho das coisas ao cair, publicado pela Alfaguara em 2012. Como tradutor, foi responsável pela tradução de obras de John Hersey, John dos Passos, Victor Hugo e E. M. Forster, entre outros, e é colunista do jornal colombiano El Espectador. Os seus livros estão publicados em 14 idiomas e mais de 30 países, com extraordinário êxito da crítica e do público. O autor recebeu já várias distinções internacionais, entre as quais o Prémio Alfaguara em 2011 e o Prémio Impac Dublin em 2014, cujos vencedores de edições anteriores contam com os nomes de vários Prémios Nobel. As reputações é o seu quarto romance e por ele recebeu o Prémio da Real Academia Espanhola em 2014.

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publicado às 15:51

 

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publicado às 23:43


#2782 - The Golden Man Booker Prize

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.18

 

The Golden Man Booker Prize

The Booker Prize Foundation has launched the Golden Man Booker Prize to mark the 50th anniversary. This special one-off award will crown the best work of fiction from the last five decades of the prize, as chosen by five judges and then voted for by the public.

Since it was first awarded in 1969, the Man Booker Prize has become the leading prize for quality fiction in English, with the winning books setting a benchmark against which other novels are judged. The Golden Man Booker will put all 51 winners – which are all still in print – back under the spotlight, to discover which of them has stood the test of time, remaining relevant to readers today.

Five judges have been appointed to read the winning novels from each decade of the prize: writer and editor Robert McCrum (1970s); poet Lemn Sissay MBE (1980s); novelist Kamila Shamsie (1990s); broadcaster and novelist Simon Mayo (2000s); and poet Hollie McNish (2010s).

Each judge will choose what, in his or her opinion, is the best winner from that particular decade, and will champion that book against the other judges’ selections. The judges’ ‘Golden Five’ shortlist will be announced at the Hay Festival on 26 May 2018. The five books will then be put to a month-long public vote from 26 May to 25 June on the Man Booker Prize website to decide the overall winner, announced at the Man Booker 50 Festival on 8 July 2018.

Baroness Helena Kennedy, Chair of the Booker Prize Foundation, comments:

‘The very best fiction endures and resonates with readers long after it is written. I’m fascinated to see what our panel of excellent judges – including writers and poets, broadcasters and editors – and the readers of today make of the winners of the past, as they revisit the rich Man Booker library.’

Luke Ellis, CEO of Man Group, comments:

‘We are delighted to be sponsoring the Man Booker Prize in its 50th year and celebrating outstanding fiction from the past half century, which remains as relevant and resonant as ever. The prize plays a meaningful role in recognising and supporting literary excellence that we are honoured to support.’

Key Dates

  • Saturday 26 May - The judges’ ‘Golden Five’ shortlist will be announced at an event at the Hay Festival.
  • Saturday 26 May to Monday 25 June - Voting for the Golden Man Booker is open to the public at www.themanbookerprize.com.
  • Sunday 8 July - The winner of the Golden Man Booker will announced at the Man Booker 50 Festival at Southbank Centre. 

The Golden Man Booker Prize will be supported by retailers, libraries and publishers across the UK, and internationally through online promotion. Readers are already joining in revisiting the previous winners for the #ManBookerPrize50 challenge on Instagram, which encourages them to read as many of the novels as they can by the end of May for the chance to win tickets to the Man Booker 50 Festival.

The Man Booker 50 Festival will run from 6 to 8 July 2018 across Southbank Centre’s 17-acre site in London. Events will be held in a variety of spaces, including Royal Festival Hall, Queen Elizabeth Hall and Purcell Rooms. They will range from interviews and conversations between Man Booker winning and shortlisted authors, to debates and masterclasses. The full programme and tickets will be available soon.

The 50th anniversary will also be amplified globally with Man Booker author events at international literary festivals across the world throughout the year and supported through video, livestream and podcasts, alongside an online exhibition on the Man Booker website.

The Man Booker Prize is sponsored by Man Group, an active investment management firm.

 

Decade  Judge Year, Book title, Author, Publisher
1970s Robert McCrum

1969, Something to Answer For, P.H Newby (Faber & Faber)

1970, The Elected Member, Bernice Rubens (Abacus) 

1971, In a Free State, V.S Naipaul (Picador)

1972, G., John Berger (Bloomsbury) 

1973, The Seige of Krishnapur, J.G Farrell (Orion) 

1974, The Conservationist, Nadine Gordimer (Bloomsbury) 

1974, Holiday, Stanley Middleton (Windmill Books) 

1975, Heat and Dust, Ruth Prawer Jhabvala (Abacus)  

1976, Saville, David Storey (Vintage) 

1977, Staying On, Paul Scott (Arrow) 

1978, The Sea, the Sea, Iris Murdoch (Vintage) 

1979, Offshore, Penelope Fitzgerald (Fourth Estate) 

1980s Lemn Sissay

1980, Rites of Passage, William Golding (Faber & Faber) 

1981, Midnight's Children, Salman Rushdie (Vintage) 

1982, Schindler's Ark, Thomas Keneally (Sceptre)  

1983, Life & Times of Michael K, J.M Coetzee (Vintage) 

1984, Hotel du Lac, Anita Brookner (Penguin) 

1985, The Bone People, Keri Hulme (Picador)

1986, The Old Devils, Kingsley Amis (Vintage) 

1987, Moon Tiger, Penelope Lively (Penguin) 

1988, Oscar and Lucinda, Peter Carey (Faber & Faber) 

1989, The Remains of the Day, Kazuo Ishiguro (Faber & Faber) 

1990s Kamila Shamsie

1990, Possession, A.S Byatt (Vintage) 

1991, The Famished Road, Ben Okri (Vintage) 

1992, The English Patient, Michael Ondaatje (Bloomsbury) 

1992, Sacred Hunger, Barry Unsworth (Penguin) 

1993, Paddy Clarke Ha Ha Ha, Roddy Doyle (Vintage) 

1994, How Late It Was, How Late, James Kelman (Vintage) 

1995, The Ghost Road, Pat Barker (Penguin) 

1996, Last Orders, Graham Swift (Picador) 

1997, The God of Small Things, Arundhati Roy (Fourth Estate) 

1998, Amsterdam, Ian McEwan (Vintage) 

1999, Disgrace, J.M. Coetzee (Vintage) 

2000s Simon Mayo

2000, The Blind Assassin, Margaret Atwood (Bloomsbury) 

2001, True History of the Kelly Gang, Peter Carey (Faber & Faber) 

2002, Life of Pi, Yann Martel (Canongate) 

2003, Vernon God Little, D.B.C. Pierre (Faber & Faber) 

2004, The Line of Beauty, Alan Hollinghurst (Picador) 

2005, The Sea, John Banville (Picador)

2006, The Inheritance of Loss, Kiran  Desai (Penguin) 

2007, The Gathering, Anne Enright (Vintage) 

2008, The White Tiger, Aravind Adiga (Atlantic) 

2009, Wolf Hall, Hilary Mantel (Fourth Estate) 

2010s Hollie McNish

2010, The Finkler Question, Howard Jacobson (Bloomsbury)

2011, The Sense of an Ending, Julian Barnes (Vintage) 

2012, Bring Up the Bodies, Hilary Mantel (Fourth Estate) 

2013, The Luminaries, Eleanor Catton (Granta) 

2014, The Narrow Road to the Deep North, Richard Flanagan (Vintage) 

2015, A Brief History of Seven Killings, Marlon James (Oneworld) 

2016, The Sellout, Paul Beatty (Oneworld) 

2017, Lincoln in the Bardo, George Saunders (Bloomsbury) 

 

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publicado às 09:29


#2781 - A Flor e a Náusea

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.02.18

carlos drummond de andrade

 

A FLOR E A NÁUSEA

 

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjoo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

 

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

 

Poema de Carlos Drummond de Andrade in A Rosa do Povo, páginas 19, 20 e 21, edição Companhia das Letras Portugal, Fevereiro de 2017

 

 

 

 

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publicado às 17:40


#2780 - DAN MICHAELSON / OLD KISSES

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.02.18

 

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publicado às 11:05


#2779 - Miragens

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.02.18

 PINTURA  DE  ALEXANDRA  DE  PINHO

 

O corpo desliza no delírio, enquanto

um fruto amadurece no ventre.

O deserto sob os pés,

a cabeça deitada sobre o seio da duna descansa

da dor e da viagem.

Uma boca de areia, o milagre da água é uma miragem.

lâminas ondulantes brotam do solo quente e

formam cortinas transparentes enganando

o desejo. Obsessivo. Louco.

 

E o corpo continua a deslizar no delírio.

Apesar da noite, apesar do frio e

do brilho metálico  sonoro das estrelas,

a certeza que dos olhos brotarão tamareiras

quando o milagre acontecer.

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publicado às 22:43


#2778 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.02.18

david grossman008.jpg

Um cavalo entra num bar

David Grossman

Romance

Dom Quixote | Janeiro de 2018

 

David Grossman nasceu em Jerusalém e é um dos maiores escritores do nosso tempo. É autor de uma extensa obra que está publicada em mais de trinta línguas em todo o mundo. Recebeu numerosos prémios, incluindo o francês Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, o Buxtehuder Bulle na Alemanha, o Prémio de Roma pela Paz e pela Acção Humanitária, o Prémio Ischia Internacional de Jornalismo, o Prémio Emet de Israel, o Prémio da Paz dos Editores e Livreiros Alemães e o Prémio Albatross da Fundação Günther Grass.

O seu romance Até ao Fim da Terra foi distinguido com o Prémio Médicis Estrangeiro, o National Jewish Book Award, o Prémio JQ Wingate e, tendo sido destacado em inúmeras listas de favoritos, foi ainda considerado o melhor livro da ano pela revista Lire, em 2011.

Um cavalo entra num Bar, o seu mais recente romance, recebeu o Prémio Man Booker Internacional 2017

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publicado às 13:03


#2777 - Porque é dia dos namorados...

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.18

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publicado às 17:01


#2776 - Pintura de Paulo Moreira

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.18

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publicado às 16:57


#2775 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.18

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 Quando não há nada para dizer...

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publicado às 16:46


#2774 - Os homens nus

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.02.18

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 O rio que mergulha noutro rio

o caudal aumenta  e afoga a terra

casas viradas ao contrário

o céu é um imenso mar onde as estrelas são gaivotas.

 

Homens nus pescam insectos

mergansos pescam crocodilos

crocodilos apanham homens nus com canas de pesca

e velas que iluminam o caminho aos morcegos.

 

O vento sopra de lado nenhum

o ar está parado

e gente de boca aberta engole o espanto

mas o ar está parado, não há vento.

 

Uma rosa para iludir o tempo e o bocejo

rebenta os balões 

da festa de um menino que gosta

de fazer o pino enquanto sonha.

 

O palhaço é um cão que mia

cujo nariz

cabe no seu

enorme sapato.

 

O sapo namora com uma melga

mas esta ainda não sabe e

graceja ridicularizando a sua incompetência

e o boi ressuscitou no corpo de uma minhoca.

 

E o rio continua a mergulhar num outro rio

e o caudal engrossa cada vez mais e

a terra é um imenso pano bêbedo

onde os crocodilos pescam insectos

sentados em cadeiras de pernas cruzadas

o rabo na boca como se fosse um cigarro.

 

Ratos com asas

infâmias

putin e trump

diabruras

a história que às vezes se quer repetir.

 

Ironias...

 

A história do sarcasmo e da estupidez

ignorantes com boca e poder e

as casas ao contrário e

as árvores ao contrário

o mundo ao contrário

irreal

digital

kafkiano

um carro  no espaço há-de servir para quê...

 

E os crocodilos                                

sentados em cadeiras de pernas cruzadas

rabo na boca

usam canas de pesca

para apanhar

homens nus e desprevenidos.

 

 

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publicado às 15:57


#2773 - Em memória de Jóhann Jóhannsson

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.02.18

Em memória de Jóhann Jóhannsson, compositor e produtor islandês, nascido em Reykjavik, autor de músicas de filmes como, por exemplo,"A Teoria de Tudo". Foi encontrado morto no seu apartamento de Berlim.

 

Jóhann Jóhannsson foi um compositor islandês. Desde 2002, lançou álbuns a solo e compôs para teatro, dança, televisão e filmes. Em 2016, Johánnsson assinou um contrato com a Deutsche Grammophon que visava o lançamento do seu album Orphée. Wikipédia
 
Nascimento19 de setembro de 1969, Reykjavík, Islândia
Falecimento9 de fevereiro de 2018, Berlim, Alemanha

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publicado às 23:10


#2772 - O Ambiente em S. Vicente

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.18

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O AMBIENTE EM S. VICENTE

 

I

Dia.

Calma demais na baía azul

contra a muralha adiante da outra ilha.

Luz sem sombra

e um vazio que perfila

mortos os corpos deitados

na ideia 

e no cansaço

do movimento no cais e nas casas.

Ainda há vida

no velho tamarindeiro

hirto sob a poeira do vento

que sibila mas não sente

a nossa melancolia

dissolvida no ar quente:

o morno desassossego

que se respira em S. Vicente.

 

II

Noite.

Os montes sobem à lua

e descem vertiginosos na sombra.

O silêncio é mineral,

mesmo o das ondas na praia.

Passos acesos por um Petromax

deambulam, estacam.

Ouve-se uma voz: «entra já!»

O silêncio animou-se, falou fundo

como se anima e cala em S. Vicente.

 

III

Quando as nuvens pesam

e o céu e o sol

escurecem

toda a gente pensa:

acaso, o milagre?!

 

Mas não é milagre.

A chuva cai mesmo

quando acaso cai.

 

As ribeiras enchem.

A fome enverdece.

E a casa so pobre

escorrega na lama.

 

IV
E a pracinha ao fim da tarde

animada, sempre em festa

festinha lânguida prece

nos olhos da mulatinha

e de outras mais meninas

que passam, repassam, passam

os mesmos diminutivos

aos rapazes bailarinos

ou aos que  ouvem a banda

encostados à parede.

Até que chega a velhinha

com o seu cão, o seu bastão

e começa, a levitar,

a rodar,

a dizer: eu sou rainha

nos bailes de S. Vicente.

E a festa acaba em vidinha

em que os termos mais soezes

se confundem com os sublimes.

E só me resta gritar:

tu és minha, tu és minha

porque rimas com rainha,

com pracinha, com vidinha

e muita coisinha fina

e mais um raio de gente!

 

Poema de Ruy Cinatti in "Obra Poética, Volume I", páginas 411, 412, 413, 414 - Edição Assírio & Alvim, Outubro de 2016.

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publicado às 16:57


#2771 - Thomas Feiner & Anywhen - The Siren Songs

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.18

 

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publicado às 16:43

 

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publicado às 21:26


#2769 - Mazzy Star - Into Dust

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.02.18

 

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publicado às 21:17


#2768 - Beautiful Things by House of Wolves (Official)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.02.18

 

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publicado às 19:43


#2767 - A Democracia Americana...

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.01.18

 Henry Louis Mencken (1880-1956)

 

Henry Louis Mencken, também conhecido como H. L. Mencken, foi um jornalista e crítico social norte-americano. Mencken é conhecido por escrever The American Language, um estudo de como a língua inglesa é falada nos Estados Unidos, descreveu a democracia americana como "a adoração de chacais por idiotas"

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publicado às 18:44

 

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publicado às 18:06


#2765 - "My Funny Valentine" feat. Sting

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.01.18

 

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publicado às 18:56


#2764 - Gem Club - Idea for Strings

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.18

 

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publicado às 22:15


#2763 - O acto da criação

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.18

O artista com o olhar pousado no vazio da tela, o corpo pensativo sentado no banco, a mão que gesticula com o pincel traçando no ar linhas e formas  que pretende  transportar para a superfície da tela. De vez em quando, o seu corpo parece ausente e o  seu olhar perde-se na folhagem das árvores do jardim, com se procurasse no silêncio exterior, algo que o impessione e comova, e assim estabelecer um  diálogo entre o seu corpo e a tela que espera pacientemente o roçar do pincel.

 

As cores, as formas, o volume, e o tema já estão construídos na sua cabeça. O seu olhar procura o pincel e a cor. De forma resoluta a sua mão imprime ao pincel energia e movimento. A tela vai sendo preenchida. E à medida que a pintura vai ganhando a forma que imaginou, o olhar torna-se febril. O corpo torna-se irrequieto, nervoso. Recua, recua ainda mais, avança com passo enérgico, rectifica um detalhe, acrescenta mais cor, o pincel ganha vida. Recua, e demora alguns minutos a observar minuciosamente o quadro. O seu corpo está tenso. Pequenas gotas de suor polvilham o seu rosto. O momento é dramático. Recua uma vez mais, e um longo suspiro liberta toda a tensão que se foi aumulando durante o processo de criação. Avança com passo já descontraído ao encontro do quadro. Pega em novo pincel e desenha, por fim, o seu nome.

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publicado às 19:30


#2762 - Trump é uma fraude maciça...

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.18

 PHILIP ROTH

 

"... Trump é uma fraude maciça, a soma maligna das suas deficiências, destituído de tudo excepto a ideologia oca de megalomaníaco."

 

Afirmação feita por Philip Roth, um dos grandes escritores so século XX e da história da literatura, em entrevista dada a Charles Mcgrath para o "The New York Times" e publicada pela revista  "E-A revista do Expresso", edição 2361, de 27 de Janeiro de 2018.

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publicado às 15:39


#2761 - A importância vital de uma palavra minúscula

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.01.18

Descubro,  fortuitamente, na imensidão branca de um papel, uma palavra extraordinariamente minúscula para ser lida. Uma gota de orvalho escolhe o sítio da palavra e quando a encontra faz "splash", e numa admirável demonstração de magia, a palavra ilumina-se e cresce de tal maneira que ocupa toda a superfície do papel. E o segredo se revela, letra a letra, até a palavra possuir a força, o carácter e a urgência que o seu autor lhe quiz dar.

 

Ainda hoje me surpreende o formidável poder da palavra minúscula e muito singela capaz de modificar e influenciar atitudes, comportamentos, maneiras de pensar, quebrar barreiras, unir povos e mundos, destruir tabus e preconceitos - apesar dos conflitos de interesses, da ignorância, da ganância. A palavra encerra dentro de si o que é verdadeiramente essencial: A construção do onírico. A riqueza das diferenças. O respeito pela diversidade. No fundo é da única casa que a humanidade tem e que é partilhda por milhões de seres que a palavra trata, revela,alerta, avisa: NATUREZA.

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publicado às 21:39


#2760 - The Bony King of Nowhere - Travelling Man

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.01.18

 

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publicado às 18:49


#2759 - Gem Club . 252

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.01.18

 

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publicado às 18:44


#2758 - Rendição

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.01.18

Do outro lado da rua uma sombra esguia tremia do vento metálico e sujo vindo do cais. As rosas na varanda sob cuja pala se detinha murchavam, apesar do sorriso húmido e do olhar ser ternamente muito breve. A esfíngica sombra esborratada na parede branca da casa era de uma mulher: vestia uma pele que cobria a pele nua; um lírio no lugar do sexo; as mãos  sobre o regaço; as dores contidas em saltos altos; os cabelos, uma falange de estrelas já sem fulgor; os seios  o sítio onde desaguavam lágrimas já estéreis e bocas embriagadas; os ombros levemente descobertos suportavam um  rosto pálido, os restos de um beijo, os lábios sujos de batom e na pele do rosto pequenos sulcos marcavam as feridas do coração, a idade da alma e do sofrimento.

 

Um gato mia - ou a sua sombra mia. E roça-se nas pernas da sombra da mulher. Ela debruça-se. Apoia o seu cansaço nos joelhos  pousados na húmida pedra. A sua mão acaricia o pelo sujo do gato. Vadio. Só. Maltratado. Abandonado. O seu reflexo, a história da sua vida, a sua geografia em forma felina.  As duas sombras fundem-se numa só gota que se torna brilhante e transparente, e engrossa à medida que as histórias das suas vidas rolam na parede branca da casa. E as rosas ganham vida, o vento, vindo do cais, sopra limpo e perfumado, e do  céu caiem luminosas estrelas que pacificam e saram as mazelas do corpo, da alma e do coração. 

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publicado às 11:28


#2757 - Verão, o princípio do Inverno

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.01.18

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Guimbras - Santa Maria da Feira

 

Um banco. Um jardim. Uma árvore frondosa. Debaixo dela me sento num banco de ripas vermelhas no jardim com ruas ensaibradas, flores com cores e nomes vários, borboletas, namorados, corpos sobre a relva mergulhando o seu olhar no azul celeste, perfumes de origem variada, murmúrios entre a folhagem das árvores e o zumbido dos insectos. Eu e os pássaros.

Não temos segredos, salvo os segredos que são segredos, e todos os temas servem para uma breve e serena conversa: o tempo metereológico, o estado do país, a política caseira, os amores e as pequenas traições - estas ditas com voz muito baixa para que ninguém ouça, a não ser eu, obviamente. Também não temos dias e horas combinadas, pois, por sua vontade, querem que os encontros pareçam casuais. Nunca entendi essa reserva, mas nunca lhe dei importância, ou pus em causa essa vontade, talvez com receio de provocar melindres e perder amigos.

E os dias vão tombando em outros dias e nesse mecanismo irresgatável que nenhuma vontade pode domar, a primavera já foi, e o verão corre rápido ao encontro do outono. Os pássaros tornam-se melancólicos e pouco faladores, exibindo bicos de poucos amigos. As árvores despedem-se das folhas que numa última dança com a brisa fresca caem, num volteio dramático, sobre a relva verde e o ocre do saibrado, formando um espesso tapete por onde passará, com ar triunfal, o Inverno acompanhado dos seus poderosos acólitos que se chamam chuva, trovão, vento forte, geada, neve, frio, nevoeiro e escuridão. 

Faço uma pausa, e espero que o latejar dos dias me traga a Primavera, os amigos pássaros, o jardim e o banco habitual de ripas vermelhas sob a árvore de copa densa que peneira o calor do sol.

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publicado às 13:44


#2756 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.01.18

 

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publicado às 17:47


#2755 - Magnificat - Mina

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.01.18

 

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publicado às 21:53


#2754 - fratelli mancuso - requiem 2

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.01.18

 Recordar os irmãos Mancuso que tive o privilégio de conhecer

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publicado às 21:39


#2753 - TEORIA SENTADA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.01.18

 

alexandra de pinho

 

TEORIA SENTADA

 

A minha idade é assim - verde, sentada.

Tocando para baixo as raízes da eternidade.

Um grande número de meses sem muitas saídas,

soando

estreitos sinos, mudando em cores mergulhadas.

A minha idade espera, enquanto abre

os seus candeeiros. Idade 

de uma voracidade masculina.

Cega.

Parada.

Algumas fixam-se à sua volta.

 

Idade que ainda canta com a boca

dobrada. As semanas caminham para diante

com um espírito dentro.

Mergulham na sua solidão, e aparecem

batendo contra a luz.

É uma idade com sangue prendendo

as folhas. Terrível. Mexendo

no lugar do silêncio.

Idade sem amor bloqueada pelo êxtase

do tempo. Fria.

Com a cor imensa de um símbolo.

 

Eu trabalho nas luzes antigas, em frente

das ondas da noite. Bato a pedra

dentro do meu coração. Penso, ameaçado pela morte.

É uma raíz séca, canta-se

no calor. É uma idade cor da salsa.

Amarga. Imagino

dentro de mim. Trabalho de encontro à noite.

Procuro uma imagem dura.

 

Estou sentado, e falo da ironia de onde

uma rosa se levanta pelo ar.

A idade é uma vileza espalhada

no léxico. Em sua densidade quebram-se

os dedos. Está sentada.

Os poentes ciclistas passam sem barulho.

Passam animais de púrpura.

Passam pedregulhos de treva.

É para a frente que as águas escorregam.

 

Idade que a candura da vida sufoca,

idade agachada, atenta

à sua ciencia. Que imita por um lado

as nações celestes. Que imita

por um lado a terra 

quente.

Trabalhando, nua, diante da noite.

 

Herberto Helder - Ofício Cantante, Assírio & Alvim, edição 1297, Janeiro de 2009

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publicado às 21:22


#2752 - Barricada

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.01.18

Quando já não pudermos mais chorar e as palavras forem pequeninos suplícios e olhando para trás virmos apenas homens desmaiados, então alguém saltará para o passeio, com o rosto já belo, já espontâneo e livre, e uma canção nascida de nós ambos, do mais fundo de nós, a exaltar-nos!

 

Tu sabes se te quero e se fomos os dois abandonados, abandonados para uma bandeira, para um riso que sangre, para um salto no escuro, abandonados pelos lúgubres deuses, pelo filme que corre e desaparece, pela nota de vinte e um pedais, pela mobília de duas cadeiras e uma cama feita para morrer de nojo. Minha criança a quem já só falta cuspir e enviar o corpo e bens para a barricada, meu igual, tu segues-me; tu sabes que o caminho é insuportavelmente puro e nosso, é um duende gritando no telhado às ervas misteriosas, é um rapaz crescendo ao longo dos teus braços, é um lugar para sempre solene, para sempre temido! E o Rossio é uma praça para fazer chorar. Salvé, ò  arquitectos! Mas choraremos tanto que será um dilúvio. Automóveis-dilúvio. Sobretudos-dilúvio. Soldadinhos-dilúvio. E quando essa água morna inundar tudo, então, ò arquitectos, trabalhai de novo, mas com igual requinte e igual vontade: vinde trazer-nos rosas e arame, homens e arame, rosas e arame.

 

Poema de Mário Cesariny, página 193, do livro "POESIA", edição Assírio & Alvim, Novembro de 2017

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publicado às 22:55


#2751 - if you go away - scott walker / andrei tarkovsky

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.01.18

 

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publicado às 22:50


#2750 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.01.18

 Usar, apenas, quando não há nada a dizer...

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publicado às 00:28


#2749 - Construção do entendimento

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.01.18

Espero o vento que há-de trazer as notícias das terras frias do norte.

Espero pacientemente o momento do derrame sobre as palmas das minhas mãos de todas as palavras que ouviu durante a sua longa viagem até às terras quentes do sul. E as guardarei em sítio mais adequado da minha memória. E para não esquecer as gravarei bem fundo em pedra que resista à erosão dos tempos - para memória futura. 

Depois, o vento descansará no chão quente da minha casa, e quando for o tempo , fará a viagem mais para sul em direcção a outro continente onde alguém estará à espera.

Só assim se constrói o futuro.

Se preserva e enriquece a memória.

Se compreende as diferenças.

Se apazigua o passado.

Se salvará a humanidade.

 

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publicado às 23:48


#2748 - Uma borboleta no Morikami Museum and Japanese Gardens

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.01.18

 

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publicado às 10:47


#2747 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.01.18

 A usar somente quando as palavras são brancas ou transparentes...

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publicado às 10:39


#2746 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.01.18

 

 

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publicado às 23:15


#2745 - Adrian Crowley - The Wish

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.01.18

 

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publicado às 19:13


#2744 - Estado Segundo

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.01.18

 

 ESTADO SEGUNDO

 

No meio duma vedação circular, esperava a ocasião favorável

a ignominiosos projectos de entrada. E todas as noites, depois

do jantar, a comissão de dança abarrotava de gente.

Examinaram o anel pondo-o de parte, ainda dentro do quarto.

Qualquer coisa ardia ao contrário, com frieza de ânimo e contrariamente à expectativa.

Fixaram, também, com virginal indignação, o grande quadro a óleo que pendia do tecto,

certamente um ex-militar pois no seu casaco farraposo havia fitas de medalhas.

A cancela rangia docemente quando, na mão de alguém, uma ponta de preocupação se tornou de um

cinzento pouco recomendável.

- Não, muito obrigado...

O dia surgiu a partir da fachada. Não havia neles cabelos bancos nem uma só linha que estivesse seca.

 

POEMA DE MÁRIO CESARINY RETIRADO DO LIVRO "POESIA", PÁGINA 265, EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM (PORTO EDITORA), NOVEMBRO DE 2017

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publicado às 19:44


#2743 - Joe Bonamassa with Beth Hart - I'll Take Care of You

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.01.18

 

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publicado às 19:41


#2742 - London Grammar - Wicked Game

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.01.18

 

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publicado às 19:30


#2741 - Todas as músicas dos Rolling Stones em ordem cronológica

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.01.18

 

O site especializado em cultura Open Culture reuniu todas as músicas da banda britânica de rock “Rolling Stones” em uma playlist gratuita, disponível no Spotify. Ao todo são 613 canções em ordem cronológica: de “(I Can’t Get no) Satisfaction” (1965) a “Blue and Lonesome” (2016). Juntas, elas correspondem a mais de 44 horas. Para ouvir a lista de reprodução é necessário possuir registro no serviço, que possui opção de assinatura gratuita.

 

Considerado um dos grupos musicais mais bem-sucedidos de todos os tempos, o Rolling Stones foi formado em Londres, em 1962, por Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Ian Stewart, Mick Taylor e Tony Chapman. No entanto, Jones se desligou da banda em 1969, quando foi substituído por Mick Taylor. Este, por sua vez, permaneceu no grupo até 1974, quando Ron Wood assumiu o seu lugar. Em 1993, ocorreu a última mudança, com a saída de Wyman. A atual formação é composta por Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts.

 

A lado dos Beatles, o Rolling Stones é considerado um dos grupos mais importantes do movimento de “invasão britânica”, ocorrido nos anos 1960, no cenário da música mundial. Além, é claro, de uma das bandas de rock mais antigas de todos os tempos. Importância confirmada pela incrível cifra de mais de 240 milhões de discos vendidos em todos os cantos do planeta durante os pouco mais de 50 anos de estrada.

 

Clique no link para acessar: Todas as músicas dos Rolling Stones em ordem cronológica

 Artigo escrito por Helena Oliveira - Revista Bula

 

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publicado às 19:07

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 ANTÓNIO LOBO ANTUNES

 

Nós, homens, nunca saberemos o que é uma vida a nascer dentro do nosso corpo, numa intimidade absoluta. De certo modo tento compensar isso com o que escrevo. Vou parindo livros, mas os livros não me abraçam da mesma maneira

Ilustração: Susa Monteiro

Numa entrevista a propósito deste último livro o jornalista perguntou-me

– Matou alguém em África?

respondi

– Passe à questão seguinte

e não percebeu que estava a dizer-lhe, com delicadeza, que isso não era uma questão que se pusesse, que mais não fosse por pudor, que mais não fosse por respeito humano. Eu nunca me atreveria a colocar essa questão a ninguém. Mas uma coisa posso contar, porque aliás foi publicada na Fotobiografia de Tereza Coelho a meu respeito e contada a ela por camaradas meus: Devo ter sido o único militar que, em Angola, torturou um bocado um Pide. Quando li o livro nem me recordava já do episódio, foram outros que o disseram, depois do dito Pide contar algumas histórias horríveis de África, e ao ler o que se passou vieram-me à cabeça os gritos do homem. Está lá escrito

(a Fotobiografia teve mais que uma edição)

na boca de, pelo menos, dois militares, mas claro que não vou falar dessa história. Também não me orgulho mas é verdade, e não foi feito às escondidas. Nunca fiz coisas às escondidas. Ainda hoje não percebo a intenção do jornalista nem quero pensar. Ganhou uma caixa? Ganhou um título? Mostraram--me, no facebook dele, essa pergunta e, por baixo da pergunta uma fotografia minha a tapar a cara, num gesto que faço muitas vezes quando estou cansado, nada tinha a ver com esse assunto, mas é lógico que quem tenha visto o retrato de imediato pensaria numa admissão de culpa da minha parte, o que é feio, muito feio. E aproveita para atacar o livro. Tem todo o direito de o atacar, sobretudo porque ficou furioso por eu ter dado antes da sua, uma entrevista a outra pessoa. Qual o mal? Uma entrevista não é uma notícia. Já dei tantas antes dessa sobre tantos romances e por conseguinte no lugar dele tanto me fazia, o que me ralava isso? Comigo, no lugar em que escrevo, estava o Prof. Gordon Love que assistiu a tudo, ele que vive em Portugal agora, não nos Estados Unidos, a traduzir o romance em apreço e a investigar a minha obra, e que por isso comigo, como assistiu às visitas de vários jornais estrangeiros e continuará a assistir nos próximos meses, trabalha aqui à minha frente e sinto-
-me bem na sua companhia. Isto de que me ocupo é tão solitário, tão difícil, que o facto de haver uma pessoa por perto me faz bem. Um livro sempre foi para mim um penar profundo. Termino os dias exausto. E ver outra criatura a penar palavra de honra que ajuda. Quando estava a fazer quimioterapia a sala, bastante grande, encontrava-se cheia de companheiros de infortúnio, o que ajudava a sentir-me acompanhado. Auxiliaram--me tanto como a sua dignidade, a sua coragem, a solidariedade que me manifestaram sempre. Claro que aquilo não era muito agradável: era um horror. Mas fiquei a conhecer melhor os portugueses, sempre cheio de orgulho por ser um deles, sempre cheio de orgulho de estar rodeado de príncipes. Lembro-me de um homem numa situação terminal me dizer:

– Abrace-me que é o último abraço que me dá

e nunca esquecerei o seu sorriso, nunca esquecerei a sua cara quase encostada à minha. Morreu muito pouco tempo depois. Quer dizer: continua vivo em mim. Continuará para sempre vivo em mim, o sorriso não se vai apagar nunca. Trago-o comigo para me iluminar quando estiver muito escuro. Sempre que vou ao Serviço de Oncologia fazer revisões passo sempre pela sala da quimioterapia e cumprimento as pessoas uma a uma. Sinto-me entre irmãos junto deles. Sou um deles. Serei sempre um deles. Engraçado como o Prof. Gordon Love está cada vez mais português, o sotaque vai desaparecendo aos poucos, tem um calão e uma coleção de palavrões notável que melhora todos os dias, no caminho para aqui e daqui se vai enriquecendo porque faz o trajecto a pé. E vê ministros e deputados a dar com um pau dado que mora perto da Assembleia da República. Alto, ruivo, chegou magrinho e engorda que é uma beleza, já de barriga respeitável. De vez em quando fazemos uma pausa, tiramos ambos os óculos e conversamos um bocadinho antes de recomeçar, eu que ando a corrigir um livro que me está a dar um trabalhão sem fim. Olha, comecei este livro perto dele, o anterior também, chegou estava eu a acabar Para aquela que está sentada no escuro à minha espera, portanto agora conheço-o melhor, somos amigos oferece-me exemplares da Library of America, foi a Espanha com a família e trouxe-me de lá uma edição óptima da obra completa de Quevedo, autor que muito admiro, nascido no ano em que Camões morreu. Parafraseando o meu amigo George Steiner, em Tolstoi e Dostoievski, ou se é filho de Quevedo ou se é filho de Gôngora, e eu sou filho de Quevedo. Ou de Bashô, o grande poeta japonês do século XVII.

Uma tradução minha de um dos seus hai-ku:

Os quimonos secam ao sol.
Ai as mangas pequenas 
da criança morta.

Que extraordinário, não é? Mas voltando ao princípio e a

– Matou alguém em África?

O que me vem à cabeça é que me matei a mim: nunca mais tornei a ser o mesmo e julgo que isto se passa com toda a gente que lá esteve, é inevitável. Qualquer experiência radical nos muda, e toda a gente sabe isto, toda a gente passou por isto de uma maneira ou outra. Uma mulher, por exemplo, depois de ter um filho torna-se inevitavelmente uma nova pessoa. Freud falava muito da inveja do pénis, mas nunca falou da inveja, a maior parte das vezes inconsciente, que os homens têm de não poderem engravidar e parir, e quando fui médico senti isso tantas vezes nas psicoterapias, era tão óbvio. Nós, homens, nunca saberemos o que é uma vida a nascer dentro do nosso corpo, numa intimidade absoluta. De certo modo tento compensar isso com o que escrevo. Vou parindo livros, mas os livros não me abraçam da mesma maneira. Se fosse capaz de ter filhos em mim não escrevia, disso tenho a certeza. Só não sei como fazia para engravidar porque a ideia de um homem dentro de mim me repugna infinitamente, era lá capaz. Eu vi a minha mãe com todos os filhos lá dentro e ainda hoje a invejo. Vi-a dar de mamar a cinco galfarros e ela, que era muito bonita, ficava linda na sua comunhão absoluta. A única vez que a vi chorar foi quando um deles se perdeu dentro da sua barriga. E já contei que, quando o Pedro morreu, ela disse

– Uma mãe não tem o direito de estar viva com um filho morto
e morreu também.

Quando foi do pai não disse

– Uma mulher não tem o direito de estar viva com o seu marido morto

ela que gostava muito dele e não voltou a ser a mesma pessoa nunca mais. Mas aguentou-se, que mais não fosse por nós. Quando eu estava com um dos cancros vi isso, tão claro, na cara dela. Teria morrido por mim também estava tão claramente escrito na sua cara, ela que não demonstrava os sentimentos e era corajosa e dura. Será que nós, homens, sabemos o que é o amor? Às vezes penso que sim, às vezes duvido. Auden: “diz-me a verdade acerca do amor”. Eu quero uma mulher que morra por mim. Como Modigliani teve. Há assim cabrões como ele, que têm essa sorte, Modigliani que morreu a dizer

– Querida, querida Itália

que não sei ao certo se é um País ou uma Mulher.

 

(Crónica de António Lobo Antunes publicada na revista VISÃO n.º 1296 de 4 de janeiro de 2018)

 

 

 

 

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publicado às 18:41


#2739 - ... Porque está a chover!

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.18

 

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publicado às 22:40


#2738 - SANTA MARIA DA FEIRA, 20 DE JANEIRO, FESTA DAS FOGACEIRAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.18

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

AS FOGAÇAS E OS CALADINHOS - PERCURSOS

 

Com percursos históricos diferentes e motivações sociais, culturais, políticas, religiosas e psicológicas bem diversas, as fogaças e caladinhos que conhecemos e adoptamos como um dos ex-libris do concelho de Santa Mara da Feira, são, hoje, extremamente importantes para a economia de algumas unidades industriais e comerciais da cidade.

 

As fogaças e caladinhos encerram dentro de si uma parte importante da nossa história enquanto testemunhos da nossa memória colectiva. Mas, mais importante do que as formas, os sabores e os gestos que ensinam as receitas, é permitir que cada porção de farinha, de açucar, de ovos e manteiga seja a descoberta da alma, das emoções, dos conflitos, da dor, morte, esperança e vida do  povo anónimo das Terras de Santa Maria.

 

Houve, nos séculos XV e XVI, uma grande epidemia. E o povo foi dizimado. E aqueles que restaram levantaram os braços e os olhos em direcção ao Céu e dirigiram as suas súplicas carregadas de fé ao mártir S. Sebastião. E fizeram promessas e empenharam as suas vidas.

 

O mártir sorriu. E o sorriso limpou-lhes a alma e as lágrimas. E as lágrimas transfiguraram-se  e tomaram a forma de fogaças.

 

E, todos os anos, no dia 20 do mês de Janeiro, somos cúmplices e testemunhos vivos de uma promessa que nos pediram para cumprir. E cumprimos. Por isso descemos à cidade e enfeitamos as velhas ruas do burgo e damos-lhe vida, cor e emoções. E vivemos a História, e aprendemos que a Fogaça não é apenas um símbolo, mas toda a alma do povo das Terras de Santa Maria.

 

E, ao enterceder, quando a penumbra do dia confunde os rostos e transforma as sombras em silhuetas, o povo junta-se em pequenos grupos e regressa a casa transportando consigo as fogaças e caladinhos. Durante a viagem relembram momentos já passados e contam histórias que fazem parte da História da cidade. E recordam, a propósito de caladinhos, os anos 30, a polícia política, as tertúlias na Farmácia Araújo, e a perspicácia do Augusto Padeiro. E contam como simples biscoitos passaram do anonimato para a ribalta da glória.

 

"...Um dia, à noite, aqui em Santa Maria da Feira, o Augusto Padeiro e seus empregados estavam a fazer biscoito sortido com forma arredondada e achatada. De repente, entraram elementos da polícia política e o Augusto Padeiro, com medo, disse aos empregados: Shiu! Calados!.

Um dos elementos da Polícia perguntou: - Porque disse calados?

O Augusto Padeiro, respondeu: Porque estamos a fazer Calados. Estes biscoitos são os Caladinhos"...

 

E de memórias em memórias, sob a égide do castelo altaneiro, num ritual marcado pelo tempo, o povo cumpre o voto e, de uma forma cúmplice e intimista, ergue o olhar ao Céu e o Santo sorri.

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publicado às 20:01


#2737 - Actual Editora edita "Fire and Fury" em Portugal

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.18

A Actual Editora, chancela do Grupo Almedina, adquiriu os direitos para a edição portuguesa do livro Fire and Fury, do autor Michael Wolff, sobre o presidente norte-americano, Donald Trump. O livro deverá chegar às livrarias portuguesas em Fevereiro. E no Brasil, o livro será editado pela Editora Objetiva.

A obra tem sido um dos títulos mais comentados nas últimas semanas, tendo gerado longas filas de espera no dia do lançamento nos EUA. Outras pessoas optaram pela compra online, o que em alguns casos levou a um engano. Um outro livro com um título similar foi comprado por muitos leitores. Trata-se do livro Fire and Fury: The Allied Bombing of Germany, 1942-1945 da autoria de Randall Hansen, professor da Universidade de Toronto.

No livro Fire and Fury: Inside the Trump White House, Michael Wolff analisa os esquemas internos da presidência de Trump, através de informação privilegiada a que teve acesso. Na obra, o autor explora o fenómeno Trump e a polémica, as controvérsias, os escândalos e o drama a ele associados.

 

Notícia retirada do Jornal "Público"

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publicado às 19:44

 HERBERTO HELDER

 

A Porto Editora vai editar, em Março, "Em Minúsculas", obra de Herberto Helder que reúne as crónicas e reportagens feitas pelo poeta em Angola entre Abril de 1971 e Junho de 1972.

 

Este livro resulta da investigação, transcrição, revisão e selecção de textos feita por Daniel Oliveira, filho de Herberto Helder, Diana Pimentel e Raquel Gonçalves.

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publicado às 19:26


#2735 - "O ROSTO DO PORTO" NA LIVRARIA LELLO

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.01.18

 

A Livraria Lello, no Porto, vai acolher a instalação artística “O Rosto do Porto”, que consiste em 400 bustos de figuras da cidade, a inaugurar no sábado, quando se assinala o 112.º aniversário do espaço.

A instalação, cujas esculturas foram levadas a cabo por Ester Monteiro, retrata em bustos de barro “anónimos e figuras conhecidas do Porto”, numa celebração da cidade “através dos rostos de quem a faz, de quem a habita e a representa”, explicou o Bairro dos Livros, que assumiu a responsabilidade artística do projeto, em comunicado.

Patente a partir das 10h00 de sábado, dia de aniversário para o qual está prevista a visita do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, “O Rosto do Porto” conta com quatro centenas de retratos feitos entre novembro de 2017 e os primeiros dias de 2018.

A instalação reflete um trabalho de “cerca de 300 horas dedicadas à modelação dos bustos”, realizada na própria Lello ou em vários estabelecimentos comerciais da cidade, como o Mercado do Bolhão.

Entre as figuras retratadas estão nomes como o autor Richard Zimler, o cineasta João Botelho, o arquiteto Siza Vieira e o encenador Nuno Carinhas, diretor artístico do Teatro Nacional São João, além do deputado do PS Alexandre Quintanilha e o médico e investigador Manuel Sobrinho Simões, diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup).

Entre os anónimos, destacam-se os artistas urbanos Hazul, Mr. Dheo e Godmess, cuja identidade é desconhecida, mas também outras personalidade da cidade, como “Manel do Laço, o Sr. Alcino Sousa, do Bolhão, e a D. Hermínia, da clássica Taberna de Santo António”.

As crianças também fazem parte das 400 caras portuenses, depois de uma visita ao Colégio Nossa Sr.ª da Esperança. Os bustos vão ficar instalados “nos nichos do piso superior da livraria”, recuperados no âmbito do restauro que o estabelecimento tem atravessado nos últimos dois anos.

Segundo a administração da livraria portuense, composta por Aurora Pedro Pinto e José Manuel Lello, citada em comunicado, o projeto faz parte do esforço de celebração do património “material e imaterial” da Lello, através de um “recurso artístico que preserva para o futuro a memória das grandes figuras e personalidades de uma cidade”.

 

NOTÍCIA DA AUTORIA DA AGÊNCIA LUSA

Agência Lusa

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publicado às 23:51


#2734 - Brian Eno • ‘Fickle Sun (iii) I’m Set Free’

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.01.18

 

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publicado às 17:49


#2733 -QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.01.18

 

O corpo encerra dentro de si diferentes silêncios, feitos de palavras importantes e sagradas, que nunca devem ser ditas em profanas conversas, para que não percam a magia da exaltação e do mistério.

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publicado às 17:13


#2732 - Poema de Reynaldo Pérez Só

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.17

 Reynaldo Pérez Só

 

esta é uma cadeira
só uma cadeira
nela
sentou-se meu pai
meus irmãos
todos
os meus melhores amigos
agora
está sozinha
sem ninguém
uma cadeira.

 

Poema do poeta venezuelano Reynaldo Pérez Só

 

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publicado às 18:14


#2731 - Pânico

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.17

 ALEXANDRA DE PINHO  TRANSFRAGMENTOS

 
PÂNICO
 
É Inverno
o pássaro foge,
não gosta da noite.
o pinheiro enrola as raízes mais fundo.
o cristal parte-se.
a porta abre-se.
o dia afoga-se entre coxas e mamas e
perde a memória.
o vento uiva por entre espinhos e espelhos.
a chuva que tudo limpa e o
carrossel onde os cães se escarrancham.
almas frígidas montadas em cavalos com cio.
espadas, superstições, cânticos.
a noite que engole o dia, sôfrega, num
espasmo de
dor e prazer.

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publicado às 14:03


#2730 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.12.17

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publicado às 19:04


#2729 - Não há nada como um bom charuto

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.12.17

NÃO HÁ NADA COMO UM BOM CHARUTO

 

O mar está calmo esta noite

como um colchão,

e o espaço interior habitado

isso sabemos

com certeza, a

uma mesa com

uma toalha de jornal

completo com cabeçalhos que encabeçam

um bem-vindo à tua vida

a observar os poemas

a passar os olhos como carros

ou palavras que são o mesmo

 

Descontrai-te dizem as árvores empolando-se

na sua inocência,

Descontrai-te dizem os pirilampos, descontrai-te

Descontrai-te

o momento chegará,

as árvores aplaudem.

 

Poema de Larry Sawyer

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publicado às 18:53


#2728 - Atravessando o Deserto Sonâmbulo

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.12.17

 

ATRAVESSANDO O DESERTO SONÂMBULO

 

Despe as tuas roupas e deixa-as numa longa cobra

Atrás de ti como as estrelas caem sobre ti no céu

 

Qualquer coisa te segue e se suspende do teu respirar cansado

E resmungas qualquer coisa que tropeça na tua boca

 

Ergues uma oração que paira sobre ti como uma nuvem

Enquanto a tua pele nua reflecte as paisagens do teu suor

 

Despe as tuas roupas e deixa-as numa longa cobra

Atrás de ti como as estrelas caem sobre ti no céu

 

Desejas acordar e isso é o desejo que

Não acerta na tua cara para ir repousar nas cicatrizes das dunas

 

Para onde quer que olhes vês o teu próprio corpo

E o som do proprietário dos ossos

 

Ali a caminhar onde o fogo estava

A respirar hesitantemente estas palavras

 

Poema de Larry Sawyer, poeta americano

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publicado às 18:35


#2727 - MÚSICAS DE NATAL com KENNY G

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.12.17

 

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publicado às 23:27

 Manuel Aires Mateus, arquitecto, é o vencedor do Prémio Pessoa 2017.

 

O Prémio Pessoa é concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do País. Esta é a 31.ª edição do Prémio Pessoa, uma iniciativa anual do jornal Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e tem o valor de 60.000 euros.

De acordo com o comunicado emitido pelo júri,  constituído por Francisco Pinto Balsemão (Presidente), Emídio Rui Vilar (Vice-Presidente), Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião e Rui Vieira Nery  "a sua arquitetura é moderna, abstrata e contemporânea, mas parte de uma recolha de formas e materiais vernaculares portugueses, que integra de um modo exemplar. A construção de formas e volumes é feita com um caráter inovador, por subtração de matéria, esculpindo vazios, contrariando assim o sentido clássico do projetar. Na obra doméstica e na recuperação de edifício é raro provocar ruturas, mas não cede a mimetismos fáceis, conseguindo estabelecer uma continuidade entre passado e atualidade."

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publicado às 17:13


#2725 - The best of Silent Night - Christmas in Vienna

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.12.17

 

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publicado às 22:30


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